Talentos que Deus nos deu

Esta reflexão é extraída do Evangelho de Mateus (25: 14-30) que trata da Parábola dos Talentos, cujos ensinamentos nos conduz a valorizar os bens que Deus nos deu, por mais simples que seja, e a usá-los mediante o trabalho dignificante para o bem.

Muitos se vangloriam em soberba dos talentos que possuem e nada contribuem de produtivo e útil. Outros lamentam ociosamente o reduzido talento e temem a luta, mas estes se esquecem de suas missões e dos trabalhos a serem realizados em decorrência dos talentos concedidos por Deus mediante empréstimo.

O empréstimo deverá ser devolvido a quem lhe emprestou, e o que lhe restará fruto do seu trabalho em face do esforço empreendido nesta existência? Por que algumas pessoas têm determinados talentos? Como usá-los?

No dizer de Bezerra de Menezes: “todos os talentos da bondade do Senhor se nos acumulam agora nas mãos, em torrentes de oportunidades e trabalho, recursos diversos e potencialidades virtuais”. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Programa Filosofia e Ciência Espíritas, pg. 92)

Em “Obras Póstumas”, de Allan Kardec, em “Minha Missão”, das perguntas de Kardec ao Espírito à Verdade, temos os seguintes esclarecimentos:

“Pergunta (à Verdade): bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinaram. Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio. Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verdade, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem talento e qualidades de que não disponho.

Resposta: confirmo o que te foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conhecimento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se. Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore”. (KARDEC. Obras Póstumas, pg. 343)

Bezerra de Menezes e Espírito à Verdade nos convidam, apoiados nos talentos que temos, a abraçar as oportunidades de trabalho para realizar obras pela prática do bem. Se não realizo as obras esperadas, afasto a oportunidade de dar bons frutos. A nossa missão se justifica pelas obras realizadas, mediante esforço, dedicação e trabalho.

As oportunidades se relacionam ao tempo destinado ao nosso processo evolutivo. A diferença está em como se usa esse tempo. Muitos o aproveitam da melhor forma possível e outros simplesmente o desperdiçam, conforme o uso do livre-arbítrio.

No caso de Allan Kardec, investido do dom espiritual para realizar as obras a ele atribuídas, mesmo achando que outros possuíssem mais talentos, se não abraçasse a sublime missão, outro a realizaria, perdendo a grande oportunidade e o devido reconhecimento.

Os talentos concedidos por Deus permitem ao homem, mediante esforço, dedicação, trabalho e vontade, produzir e evoluir.

Parábola dos talentos

“Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos.

Da mesma sorte, o que recebera dois granjeou também outros dois. Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor.

E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.

Então, aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei com eles.

E o seu senhor lhe disse: bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles ganhei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Mas, chegando também o que recebera um talento disse: senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei; devias, então, ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o que é meu com os juros.

Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes”. (Mateus, 25: 14-30)

A Parábola dos Talentos exprime os deveres que nos assistem material, moral e espiritualmente.

O homem que os distribui é Deus, e os servos somos nós a humanidade.

Os “talentos” são os bens e recursos que Deus nos outorga para serem empregados em benefício próprio e de nossos semelhantes.

O trabalho no uso dos “talentos” se dará através da boa aplicação dos dons da inteligência e das conquistas morais.

Cada um traz uma tarefa a cumprir, segundo o progresso que já realizou. A uns é atribuída uma tarefa de repercussão ampla, a outros apenas no seio da família, mas todos os espíritos trazem responsabilidades definidas, e o tempo concedido para a sua movimentação é a existência terrena.

A distribuição de talentos em quantidades desiguais, ao contrário do que possa parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta, pois se baseia na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, em outras jornadas evolutivas

Os servos que fizeram com que os talentos se multiplicassem, representam os homens que sabem cumprir a vontade divina, bem empregando os dons que a misericórdia do Pai lhes concedeu.

O servo que deixou improdutivo o talento, simboliza os homens que usam maI os dons recebidos do Senhor. Ele é a personificação de todas as pessoas que possuem conhecimento das leis divinas e que podiam trabalhar em benefício de seus irmãos menos evoluídos. Porém, trabalham apenas para satisfação de seu egoísmo.

Tornam-se servos infiéis, que expiarão em reencarnações de sofrimentos a incúria, a preguiça e a má vontade de que deram provas.

Ao que tem se multiplicará, isto é, receberá todo o auxílio de que necessita para que possa aumentar as virtudes que possuem adquiridas pelo sábio uso dos dons de Deus.

Ao que não tem, tirar-se-Ihe-á, isto é, como não se esforçou por acrescentar nada aos dons que Deus lhe emprestou, aquilo que parecia ser dele, mas que na realidade não era mais do que um empréstimo que o Senhor lhe fizera ao encarnar-se, lhe será tirado.

A Parábola trata da distribuição feita por Deus de oito talentos entre três servidores.

Os talentos são benefícios concedidos por Deus à Humanidade com a finalidade de fazê-la progredir material, intelectual e moralmente. Devem ser utilizados sob a forma de diferentes tipos de trabalhos e esforços que cabe ao homem desenvolver.

Jesus ensina sobre a confiança depositada por Deus a seus filhos, concedendo-lhes o gerenciamento de bens, de acordo com as possibilidades de cada um.

O texto revela também a bondade divina sempre plena de misericórdia, que fornece em cada experiência reencarnatória as bênçãos necessárias ao reajuste espiritual.

Os servidores que receberam os talentos representam três diferentes categorias evolutivas de Espíritos.

Os que recebem cinco talentos são Espíritos mais experimentados e vividos que aqui reencarnam para missões de repercussão social; os que recebem dois, são destinados a tarefas mais restritas, de âmbito familiar; os que recebem um, não têm outra responsabilidade senão a de promoverem o progresso espiritual de si mesmos, mediante a aquisição de virtudes que lhes faltam.

Os servidores incluídos nos dois primeiros grupos corresponderam à confiança do Senhor. Demonstraram responsabilidade perante as dádivas recebidas, agindo com diligência, bom senso, trabalho e dedicação, de sorte que conseguiram duplicar os benefícios que lhes foram confiados.

O terceiro depositário não seguiu o exemplo dos demais. Portador de personalidade inibida e temerosa, imatura e descompromissada, não soube utilizar, como deveria, a concessão celeste. Representa os homens que usam mal os dons recebidos do Pai Celestial.

A maioria das pessoas, no estágio atual de evolução, procede de forma similar, daí a necessidade das inumeráveis reencarnações como processo reeducador.

“E muito tempo depois” assinala o período posterior ao aprendizado desenvolvido pelo Espírito. Indica a avaliação do estágio probatório, quando o Pai afere o resultado das provas ou testes que serviram de lições à criatura, no seu processo de ascensão espiritual.

O “ajuste de contas” é uma aferição de valores que cedo ou tarde nos alcança. Não há como fugir dessa avaliação divina. Neste sentido, os planejamentos reencarnatórios têm como base essa aferição, ou seja, a análise dos resultados dos trabalhos desenvolvidos pelo Espírito em cada etapa de aprendizado.

A nossa missão justifica-se pelas obras realizadas. Aquele que não se esforçar para acrescentar alguma coisa àquilo que recebe da misericórdia divina, expiará em futuras reencarnações. Serão existências marcadas por provas e expiação, em que o indivíduo estará submetido ao jugo da lei de causa e efeito.

Assim, derrama o tesouro de amor que o Pai Celestial lhe situou no coração, através das bênçãos de fraternidade e simpatia, bondade e esperança para com os semelhantes e serás, invariavelmente, a criatura realmente feliz, sob as bênçãos da Terra e dos Céus.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

DIAS, Haroldo Dutra. Parábola dos Talentos – Textos e Contextos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0-3yx4LEGyE. Publicado em 4 de agosto de 2016. Acessado em 24 de fevereiro de 2019.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier; coordenação de Saulo Cesar Riberio da Silva. O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

KARDEC, Allan; coordenação de Cláudio Damasceno Ferreira Junior. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 4ª Edição. Porto Alegre/RS: Edições Besouro Box, 2011.

KARDEC, Allan; Tradução de Maria Ângela Baraldi. Obras Póstumas. 1ª Edição. São Paulo/SP: Mundo Maior Editora, 2013.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte II. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

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