Maria de Nazaré, mãe de Jesus

1. Introdução

Diante do mês de maio, dedicado às mães, prestamos uma justa homenagem e reverência à mãe de todos, Maria de Nazaré, a mãe de Jesus.

Falar sobre a vida de Maria de Nazaré não é tarefa fácil, porquanto a sua história é cercada de mistérios e dogmas, assim como deparamo-nos na dificuldade de obter revelações, esclarecimentos e citações, em particular nos Evangelhos canônicos, que sejam convergentes e precisas.

Alguns mistérios e dogmas são: a origem espiritual de Maria; os nomes dos pais; a descensão, a encarnação e o nascimento; a virgindade; a concepção pelo Espírito Santo; a gravidez; a educação de Jesus; a aparição de Jesus ressuscitado; a assunção ou elevação; e o retorno ao plano espiritual.

Em manifestações de fé e religiosidade pelo mundo, Maria de Nazaré é lembrada de diversas formas e recebeu diferentes nomes: Senhora da Luz, Nossa Senhora, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe, assim como outras tantas denominações.

Maria, para boa parte dos cristãos, não é somente a mãe de Jesus, mas a mãe de todos nós (fraternidade de Maria).

Muito me chamou a atenção a abertura no site do Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser (IBBIS) ao comentar sobre Maria:

Maria é reverenciada entre os homens de nosso tempo por ter recebido Jesus como filho. Aceitou e viveu plenamente esta missão, mas existem outros aspectos de sua história que merecem ser lembrados. A análise de sua encarnação na Terra nos remete à existência de um grande plano de salvação da humanidade.

Acontecimentos como a sua gravidez, parto, as peregrinações para fugir dos perseguidores de Jesus serão aqui lembrados, mas sua contribuição não se resumiu a estes eventos.

A origem de seu espírito por si só nos indica ser ela portadora de condição espiritual diferenciada. Estagiando em regiões felizes do mundo astral pode nos trazer um pedacinho do céu, demonstrar com seu amor o verdadeiro método de vida evangélica”.

Esses mistérios e dogmas têm provocado debates estéreis que se chocam, principalmente, em preconceitos religiosos, esquecendo-se do essencial: que se trata da mãe de Jesus. Inclusive, certas crenças procuram reduzir a importância de Maria para os cristãos, apontando para uma grande contradição: dizem amar Jesus, mas renegam a mãe.

Assim, vamos percorrer os caminhos de luz para homenagear a mãe de todos nós.

2. Fontes sobre Maria de Nazaré

A maioria dos relatos evangélicos aconteceu bem depois da ressurreição de Jesus. Mesmo assim, contam apenas parte da vida de Maria em algumas passagens de Jesus, a despeito de ter vivido por mais de trinta anos ao lado do Cristo.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas mencionam Maria em alguns versículos.

Lucas é quem mais faz citações à mãe de Jesus. A esse respeito, cabe destacar do Livro “Paulo e Estevão”, do Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, sobre a vida de Paulo de Tarso (Saulo de Tarso), que era um doutor da lei ou ex-rabino, convertido ao Cristianismo, o porquê de Lucas ter escrito sobre a mãe de Jesus.

Igual referência vemos no Livro “Maria, Mãe de Jesus”, do Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, acerca do Evangelho de Lucas: “Paulo visitou a Mãe de Jesus na sua casinha singela, que dava para o mar. (…) Paulo de Tarso interessou-se pelas suas narrativas cariciosas, a respeito da noite do nascimento do Mestre, gravou no íntimo suas divinas impressões e prometeu voltar na primeira oportunidade, a fim de recolher os dados indispensáveis ao Evangelho que pretendia escrever para os cristãos do futuro. Maria colocou-se à sua disposição, com grande alegria. O projeto deste Evangelho continuou a ser alimentado, mas dificultado pelas viagens constantes do apóstolo. Estando preso na Cesaréia, Paulo resolveu encarregar Lucas da redação. (…) O médico amigo satisfez-lhe integralmente o desejo”. (EMMANUEL. Maria, Mãe de Jesus, pg. 67)

Assim, Lucas motivado por Paulo de Tarso deixou um precioso legado sobre a vida da mãe de Jesus.

Certas referências são diretas identificando Maria, em outras indiretas como “mãe de Jesus”, “mãe” ou “mulher”, e até de maneira subentendida.

Vários apócrifos contam a história de Maria. A maioria deles foi escrita entre o século II ao VI DC. Alguns são dedicados especialmente a Maria, enquanto outros narram fatos da sua vida. Uns poucos apócrifos são da Idade Média, quando a devoção mariana ganhou vigor entre os cristãos. A Igreja Católica refuta os apócrifos, o que faz aumentar a lacuna biográfica.

O Protoevangelho de Tiago, “Natividade de Maria”, narra em detalhes a vida de Maria, desde a sua concepção. Ele é atribuído ao Apóstolo Tiago, o Menor, que foi o primeiro Bispo de Jerusalém, conhecido como irmão do Senhor. E foi provavelmente escrito no século II DC. Nesta pesquisa, os apócrifos não serão referenciados sem a confirmação de outras fontes.

Da literatura espírita, têm-se os livros: Boa Nova, do Espírito Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier; A Caminho da Luz, do Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier; Caminho, Verdade e Vida, do Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier; Momentos de Ouro, de vários Espíritos, psicografado por Chico Xavier; Maria, mãe de Jesus, de Chico Xavier e Yvonne do Amaral Pereira; Paulo e Estevão, do Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier; Memórias de um suicida, do Espírito Camilo Cândido Botelho, escrito por Yvonne do Amaral Pereira; Universo e Vida, do Espírito Áureo, psicografado por Hernani T. Sant’Anna; Maria de Nazaré, do Espírito Miramez, psicografado por João Nunes Maia; dentre outros.

Das mensagens psicografadas, têm-se as de Bezerra de Menezes, que conta o ocorrido no plano espiritual, em 1950, acerca da reunião para homenagear os 50 anos de sua desencarnação.

Temos, ainda, o quadro de Maria divulgado em um programa da TV Record, de São Paulo, com a presença de Chico Xavier, fruto de uma reunião do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, em 1984, durante homenagem ao dia das mães.

Considerando as diferentes fontes, como um quebra-cabeça, vai-se remontar parte da história de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus.

Para tanto, vai-se traçar a trajetória de Maria de Nazaré, partindo-se do Plano Espiritual para o Plano Terreno e, depois, voltaremos ao Plano Espiritual. Nesse sentido, convido-o para esta viagem no tempo. Com certeza, ocorrerão lacunas biográficas, omitidas intencionalmente, em face da incerteza de alguns fatos.

3. Contextualização da época de Maria de Nazaré

Os Mandamentos de Deus, revelados a Moisés, trazem o germe da moral cristã.

Deus jamais deixou de revelar suas leis. A orientação divina chega à Humanidade em todas as épocas. Essas revelações foram transmitidas de acordo com o nível de entendimento e de moralidade dos habitantes em seu processo evolutivo.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos daquele tempo.

Importante destacar que os Dez Mandamentos foram fruto da revelação divina. Entretanto, as demais leis estabelecidas por Moisés tiveram por finalidade combater, pelo temor, abusos arraigados e preconceitos adquiridos de um povo turbulento e indisciplinado durante a servidão no Egito.

Para dar autoridade às suas leis, Moisés teve de atribuir origem divina. Somente a ideia de um Deus terrível poderia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos.

O Judaísmo, religião de Israel fundamentada nos Dez Mandamentos, foi o primeiro a adotar o Deus único.

No Velho Testamento, encontramos profecias que anunciavam o advento do Cristo e da sua mãe (a virgem). Contudo, o Messias deveria ser um libertador (material) do povo de Israel contra a dominação romana, que humilhasse todos os reis do mundo (um Messias dominador).

Sobre isso, o Espírito Miramez comentou: “esperavam um Messias que dominasse a política e tomasse o lugar dos reis, colocando sua raça como superior a todas as demais. Não entenderam o falar dos profetas sobre um Cordeiro cheio de amor e sabedoria, que deveria descer à Terra para iluminar os corações e não fomentar guerras por causa de alguns palmos de terra”.  (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 39)

O profeta Isaias anteviu a vinda de Maria e do Messias, em que uma moça virgem conceberia uma criança cujo nome seria Emanuel, que significava “Deus conosco”: “portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”. (Isaias 7: 14)

Em Mateus, confirma-se a profecia de Isaias: “e, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel. Que traduzido é: Deus conosco”. (Mateus 1: 20-23)

A Boa Nova

Contrapondo-se à crença judaica, veio um Messias simples, humilde e fraterno, que consolava os aflitos e necessitados. A Boa Nova de Jesus trouxe a Lei maior do Amor, com um Deus justo, bom e misericordioso.

Rasgando o véu da ignorância das interpretações dos doutores das leis, Jesus ensinou e deu novo sentido à verdadeira Palavra de Deus, que dá aos homens todo o conhecimento sobre o Amor Universal: “amar teu único Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

Jesus trouxe a Palavra que dá entendimento, esperança, sabedoria, consolo, conhecimento, humildade, bondade, verdade, pureza da alma, do espírito e da vida, faz o homem compreender o que realmente é a caridade.

Virgindade carnal (material) e virgindade espiritual (pureza)

Naqueles tempos, virgindade carnal e relação sexual eram ligadas ao pecado original de Adão e Eva (referência alegórica na Bíblia para se referir aos expurgos – do paraíso – de degradados em ciclo de transição planetária, separando o joio do trigo), sendo classificado como um mal o ato sexual fora das regras estabelecidas pelo povo judeu.

Pela literatura espírita, “compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança dos espíritos degradados na paisagem obscura da Terra, como Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das criaturas. Sim. Realmente, Adão representa a queda dos espíritos capelinos neste mundo de expiação que é a Terra, onde o esforço verte lágrimas e sangue” (…). (ARMOND. Os Exilados de Capela, pg. 75 e pg. 76) 

Na verdade, Adão e Eva somos todos nós quando rompemos a aliança com Deus. Nesse sentido, não se pode ligar o pecado original ao relacionamento sexual que, ao nascermos, nos passaria o mal.

A virgindade carnal (virgindade material) está ligada ao corpo físico. A maldade e o pecado estão dentro de nós, transmitida de geração em geração.

Em outro sentido, a virgindade espiritual (moral) está ligada à pureza do Espírito.

No Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona (perguntas 96 e 97): “os Espíritos são iguais ou há entre eles alguma hierarquia? Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?

A resposta é que há “diferentes ordens, de acordo com o grau de perfeição a que chegaram. (…) Em primeiro lugar, os que chegaram à perfeição: os Espíritos puros. Os da segunda ordem são os que atingiram o meio da escala: o desejo do bem é sua preocupação. Os do último grau, ainda no início da escala, são os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e por todas as más paixões que retardam seu adiantamento”.

4. Maria: Espírito puro, sublime, angelical, imaculado e virgem

Deus enviou Maria, um Espírito puro, virgem, santo e imaculado, para encarnar na Terra e cumprir os planos de Deus para a Humanidade. A virgindade de Maria está ligada a santidade: um ser espiritual puro e modelo de mãe para a Humanidade.

Nas palavras do Espírito Miramez: “Maria de Nazaré, Espírito de alta envergadura, de uma pureza de sentimentos tal, que escapa a todas as nossas deduções e esforços de compreensão. (…) Maria de Nazaré foi exemplo de pureza. (…) Maria, mãe de Jesus, é um Espírito de pureza lirial, vindo de planos altamente iluminados, para receber e ter em sua companhia o Espírito mais evoluído que pisou o solo terreno, portador da mensagem de Deus para os homens” (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 9 e pg. 13)

Na mesma linha, há referência na literatura Espírita de que Maria seria um Espírito puro do orbe de Sirius (do Sistema Estelar de Sirius).

 O Espírito Áureo, no livro “Universo e Vida”, dá ideia das moradas de Maria, antes de encarnar na Terra, e dos objetivos de sua vinda: “Mas o amor sublime de excelsos Espíritos de Sirius não abandonou os antigos companheiros, e foi de lá, daquele orbe santificado, que vieram, desde os primórdios da Terra, para auxiliar voluntariamente ao Cristo Jesus, aqueles seres extraordinários que cercaram, no mundo, o Messias, como Ana e Simeão, Isabel e Zacarias, e principalmente o Carpinteiro José e a Santa Mãe Maria”. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 38)

Junto a estes benfeitores estava Maria, que, pelo seu imenso amor, abriu mão de sua ascensão suprema para seguir Jesus e trazer-nos a Boa Nova. Isto porque Sirius já era um planeta renovado para abrigar espíritos próximos da angelitude e enviou até a Terra estes seus filhos para glorificarem a vinda de Jesus.

Ao lado de tantos outros, Maria abriria caminho para a chegada do Messias, bem como através dos tempos, trabalharia incansavelmente para a regeneração individual e coletiva daqueles filhos muito amados.

No mesmo sentido, Emmanuel em “A Caminho da Luz” cita a importância de Maria: “as figuras de Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José, bem como a personalidade sublimada de Maria, têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas; mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova, portadores da contribuição de fervor, crença e vida, poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável”. (EMMANUEL. A Caminho da Luz, pg. 97)

Pelo Espírito Áureo, há outro esclarecimento sobre a espiritualidade da mãe de Jesus:

Existem, contudo, outros seres, muito peculiares, que não são propriamente agêneres, mas que pertencem muito mais ao plano extrafísico do que ao plano que chamamos físico. Trata-se de criaturas sem dúvida humanas, mas cuja ligação biopsicofisiológica com a matéria densa a que chamamos carne é a mínima possível. São Espíritos sublimes, de imensa superioridade evolutiva, que só encarnam na Terra em raras e altíssimas missões, de singularíssima importância para a evolução da Humanidade.

O maior desses Espíritos foi a Mãe Maria de Nazaré, a Virgem Excelsa, Rainha dos Anjos, cuja presença material, na Crosta Terráquea, foi indispensável para a materialização do Messias Divino entre os homens.

Coube a ela fornecer ao Mestre a base ectoplasmática necessária à sua tangibilização, servindo ainda de ponto de referência e de equilíbrio de todos os processos espirituais, eletromagnéticos e quimio-físicos que possibilitaram, neste orbe, a Presença Crística. Tudo o que o Senhor Jesus sentiu, na sua jornada messiânica, repercutiu diretamente nela, na Santa das Santas, na Augusta Senhora do Mundo. Estrela Divina do Universo das Grandes Almas, também ela teve de peregrinar do paraíso excelso de sua felicidade para o nosso vale de lágrimas, a fim de ajudar e servir a uma Humanidade paupérrima de espiritualidade, da qual se fez, para sempre, a grande Mãe, a grande Advogada e a grande Protetora. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 161 a pg. 162)

Como comentado, Maria foi o maior destes Espíritos sublimes, dentre aqueles enviados para preparar a vinda de Jesus, ou para lhe darem sustento no cumprimento de sua missão; sua mãe era a de mais adiantada evolução moral.

Em vídeo do Youtube, Silvânia Eleusa, entrevistada por Renato Luiz, da TV Mundial de Espiritismo da Associação Mundo Espírita, sobre a natureza espiritual de Maria de Nazaré, diz que os espíritos nos falam acerca de Maria ser mais evoluída espiritualmente em relação a nós humanos e que ela teria vindo do orbe de Sirius, assim como José, Ana e Zacarias. A missão deles seria a de auxiliar nossa evolução na Terra. (TV Mundial de Espiritismo)

Emmanuel, em “Caminho, Verdade e Vida”, na Lição 171, denomina Maria de anjo tutelar do Cristianismo. Já no Livro “Boa Nova” do Espírito Humberto de Campos, no Capítulo 30, chama Maria de Rainha dos Anjos.

Maria é um dos Espíritos mais puro, que foram dados à humidade conhecer… (…) cooperadora de Jesus na edificação do Seu Reinos”. (CARNEIRO. Maria, mãe de Jesus, pg. 13)

A Doutrina Espírita reconhece o valor de Maria de forma completa.

5. Plano de Deus

Como dito anteriormente, Emmanuel relatou que Simeão, Ana, Isabel, João Batista, José e Maria juntaram-se a Jesus para trazer a Boa Nova. A encarnação destas almas teve importância decisiva.

A vinda de Jesus à Terra foi precedida de uma preparação espiritual árdua. Maria fora convocada para essa nobre tarefa de conduzir a humanidade para a salvação (libertação) com a chegada do Messias.

O plano maior já traçava seus objetivos e lançava sobre os humanos todo o plano de ideias que estava por concretizar-se, num futuro não muito distante. Em sequência, vários profetas vieram a Terra anunciando a vinda do Messias, conduzindo todos os elementos para a salvação dos povos. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 23)

Maria foi escolhida no reino dos céus e depois chamada ao torvelinho da Terra, para cumprir o seu mandato”. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 27)

A futura mãe de Jesus, atendendo ao chamado supremo em missão sublime, orou ao Pai, conforme nos demonstra ela mesma nestas palavras: “– Senhor!… Quando aceitei, assumi todos os compromissos, e torno a vos afirmar que estou disposta a voltar à Terra quantas vezes achardes conveniente, até que essa mesma Terra vos conheça e se torne um reino de paz e uma escola de amor. Eu sou a vossa escrava; fazei de mim, segundo a vossa vontade”! (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 46)

A Virgem Santíssima estava preparada para vir à Terra: “Maria de Nazaré é um desses grandes seres que renunciou, como ave de luz, ao seu ninho de bem-estar angelical, para ajudar a humanidade, apagando a sua própria luz, para que se ascendesse a Luz Maior”. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 15)

Fica clara a contribuição de Maria para a realização dos processos que marcaram a vinda de Jesus para a Terra. Maria foi decisiva para a vinda do Nazareno. A sua escolha não foi por acaso. Se Jesus retirara dela os elementos para o seu próprio “corpo”, então a fonte deveria ser pura, evoluída e cheia de amor.

Em vídeo do Youtube, Hélio Tinoco, da União Espírita Cristã (UEC), em uma palestra sobre Maria de Nazaré, disse que no livro “A Caminho da Luz”, do Espírito Emmanuel e psicografado por Chico Xavier, há referência à comunidade de espíritos puros que existe e dirige o Universo, e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias.

Nada está perdido e fora de controle. O controle do planeta Terra e do Universo está nas mãos de Deus.

Em uma segunda reunião da comunidade de seres angélicos e perfeitos, nas proximidades da Terra, da qual Jesus é um dos membros, foi decidida a vinda de Jesus Cristo à Terra, trazendo a lição imortal de seu Evangelho de amor e redenção.

Hélio Tinoco cita as ordens da hierarquia dos espíritos do “Livro dos Espíritos”, nas questões 96 e 97, em que posiciona os espíritos puros na primeira categoria, os quais são designados para tarefas de altíssima importância, que estão ao redor de todos os orbes e já alcançaram a perfeição. Espíritos de extrema relevância e envergadura moral para cooperarem diretamente com os Cristos. Espíritos altamente desenvolvidos na arte do amor e da abnegação.

Foi lhe revelado por Haroldo Dutra Dias, em um seminário, que, naquela reunião, um dos assuntos seria quem substituiria o governador na direção do planeta, Jesus, e quem seria escolhida para ser a mãe de Jesus, Maria de Nazaré, os quais tiveram que preparar seus perispíritos para encarnar na Terra (Jesus de 3.000 a 4.000 anos; e Maria de 800 a 1.000 anos).

Eles deixaram locais de altíssima elevação para vir à Terra, visando ao grande projeto de Jesus para o resgate da Humanidade. Tudo devidamente planejado. Nada por acaso. Nada de escolha favorecida. Tudo devido à conquista de patrimônios morais e da arte de amar. Então, Maria foi a escolhida, porque obedeceu aos mais rigorosos critérios de avaliação, pautados na justiça divina e na moral ilibada dos valores crísticos. Por isso, o nome indicado teria sido o de Maria de Nazaré.

No Livro “O Sublime Peregrino”, do Espírito Ramatís, psicografado por Hercílio Maes, no Capítulo VIII, sob o título “Maria e sua missão na Terra”, extraímos:

PERGUNTA: Por que motivos os Mestres Siderais escolheram o espírito de Maria, para ser mãe de Jesus?

RAMATÍS: O Alto escolheu Maria para essa missão porque se tratava de um espírito de absoluta humildade, terno e resignado, que não iria interferir na missão de Jesus. Ela seria a mãe ideal para ele, amorosa e paciente, sem as exigências despóticas dos caprichos pessoais; deixando-o, enfim, manifestar seus pensamentos em toda sua espontaneidade original. Aliás, ainda no Espaço, antes de Maria baixar à Terra, fora combinado que as inspirações e orientações na infância de Jesus seriam exercitadas diretamente do mundo invisível pelos seus próprios Anjos Tutelares. (…)

Jesus era um espírito de graduação angélica, distinto de todos os seus contemporâneos; e sua autoridade espiritual dava-lhe o direito de contrapor-se à própria família, desde que ela teimasse em afastá-lo do seu empreendimento messiânico! Eis, portanto, o motivo por que o Alto preferiu o espírito dócil e passivo de Maria, para a missão sublime de ser mãe do Messias, protegê-lo em sua infância e não turbar-lhe a missão de amplitude coletiva.

PERGUNTA: Como entenderíamos melhor essa condição passiva de Maria em não intervir ou influir na formação psicológica de Jesus durante sua infância, sendo ela sua genitora?

RAMATÍS: (…) Maria era um espírito amoroso, terno e paciente, completamente liberta do personalismo tão próprio das almas primárias e sem se escravizar à ancestralidade da carne. Possuía virtudes excelsas oriundas do seu elevado grau espiritual.(RAMATÍS. O Sublime Peregrino, pg. 90 a pg. 91)

6. Descenção de Maria

Descenção de Maria

Por que descensão? Espírito Miramez explica: “Maria de Nazaré, que todos conhecemos e amamos como roteiro de luz dos nossos passos, desceu de plano em plano, sem choques de ansiedade de servir, para ajudar na correspondência da fraternidade pura. Na descensão, em cada estágio, organizou trabalhos para o aprimoramento das almas. Ela objetivava, como centenas de outras companheiras do seu plano, a organizar o ambiente na atmosfera da Terra, no sentido de poder descer o Rei de todos nós, o Pastor da humanidade toda“. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 21)

Maria de Nazaré desceu aos fluidos da carne, cândida entre todas as mulheres, flor de luz que perfumou toda a Terra das sensibilidades humanas; foi coração que muito amou, não encontrando lugar para a sabedoria que pretendeu ocultar na consciência profunda, celeiro de reserva de outras épocas. (…) como instrumento divino, era necessário que ela se diminuísse, para que seu filho crescesse diante de todos!” (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 18 e pg.19)

Foi decidido, no mundo espiritual, que Maria deveria nascer na Palestina, onde milhares de seres espiritualizados a esperavam para a sua grandiosa e honrosa missão. (…) E foi quase no centro da Palestina, que baixou a Ave da Luz, Nazaré, a cidade que lhe serviu de berço, fica lado do Monte Tabor, símbolo da força mediúnica fornecida pelo Divino Mestre”. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 27)

O Espírito Miramez, no Capítulo Seareiros do Bem, que significa grupo de Espíritos trabalhadores do bem na vinha do Senhor, conta toda a preparação ocorrida antes da vinda de Maria e do Senhor, em que Espíritos de alta estirpe vieram para a Palestina criar o ambiente propício e estabelecer os meios para que Maria e o Cristo pudessem encontrar os caminhos preparados para a grande mensagem de fraternidade aos corações sofredores.

Os Seareiros do Bem cruzavam a Palestina fazendo a limpeza espiritual e desfazendo as trevas organizadas há muito tempo, inclusive tomavam todos os cuidados referentes àquela que iria figurar como mãe do Meigo Cordeiro de Deus. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 37 a pg. 40)

Assim, Nazaré seria o centro da atuação desse grupo de Espíritos, onde os seareiros concentravam a preparação e a limpeza do ambiente.

O nascimento, a família e a jornada inicial de Maria

Segundo Miramez, não somente Maria foi escolhida para o Plano de Deus, mas também a sua família.

 “A família escolhida tinha sido avisada pelos processos do sono. Eli e Ana, em desdobramento, foram levados a regiões espirituais altamente dignas e cientificados do nascimento de uma filha, na programação da vinda do Messias. (…) À frente dos dois apresentava-se a entidade Gabriel (…) E falou-lhes com simplicidade na acústica de suas consciências: (…) Eli e sua companheira não suportavam as emoções; (…) Se é da vontade de Deus que essa vontade se cumpra em nós, em favor de toda a humanidade, aqui estamos como servos”.

Em vossos braços de pais, iremos depositar e assistir um Espírito que, pela herança da carne, será vossa filha do coração – alma lapidada na força do amor, que já percorreu muitas pátrias e que conhece inúmeras estrelas. (…) Ela é um anjo a revestir-se com a roupagem de carne! Tomai todas as providências, para que ela não saia do ambiente da escola dos sentimentos elevados, porque o Espírito, ao voltar ao ambiente terreno, perde grande parte da consciência e com isso, pode tomar rumos opostos àquele programado. (…) Ela será o símbolo de todas as mães, o roteiro de todas as mulheres e a inspiração para todos os deveres morais das mães do mundo”.  (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 33 e pg. 34)

Outra fonte da literatura Espírita, que trata dessa fase da vida de Maria, extraímos de “O Sublime Peregrino”, de Ramatís, a pergunta: Reza a tradição bíblica que um anjo visitou Maria e anunciou-lhe que ela casaria com um homem da linhagem de Davi; e conceberia um filho varão destinado a salvar o mundo. Que dizeis sobre essa tradição religiosa?

RAMATÍS: Maria contava 15 anos de idade quando seus pais, Joaquim e Ana, faleceram, com alguns meses de diferença entre os óbitos. Foi então acolhida por Sünão e Eleazar, parentes de seu pai, que a encaminharam para o grupo das Virgens de Sião, no templo de Jerusalém. Ali permaneceu cerca de dois anos, onde se dedicava a trabalhos tais como a confecção de túnicas de seda para as moças, mantos para os sacerdotes, ornamentos, enxovais e pequenos tapetes de veludo e de lã para as cerimônias religiosas. Além disso, tocava citara e cantava os salmos de Davi, em coro com as demais jovens.

Era uma jovem de raríssima beleza e avançada sensibilidade psíquica na época. Espírito dócil, todo ternura e benevolência, fortaleceu a sua juventude no ambiente monástico do templo, sem rebeldia ou problemas emotivos, no qual ainda mais aprimorou o seu alto dom mediúnico.

Desde menina tinha visões espirituais, reconhecendo velhos parentes desencarnados e depois os seus próprios pais, que lhe apareciam de modo surpreendente. Em sonhos eles diziam-lhe que ela ainda seria rainha do mundo, como a mediadora consagrada para um elevado anjo em missão junto aos homens.

Em sua consciência física, Maria desconhecia que também era entidade de condição angélica; e quando identificava pela sua vidência, uma belíssima criatura, ela supunha tratar-se do “anjo de guarda”, porque ele se assemelhava, fisionomicamente, às velhas oleografias dos anjos da tradição hebraica.

Não conseguia explicar satisfatoriamente aos seus familiares e amigos os fenômenos incomuns que se davam consigo, mas afirmava sempre que o seu anjo de guarda não só a visitava em sonhos, mas também em estado de vigília, ministrando-lhe conselhos e orientações para o futuro.

Quando José, viúvo, embora mais velho e pai de cinco filhos, a pediu para esposa, ela aceitou-o imediatamente, sem mesmo refletir, explicando que há muito tempo o seu anjo tutelar lhe havia aconselhado tal esponsalício com um homem bem mais idoso e viúvo. É óbvio que se tratava de visões reais, conforme a fenomenologia espírita hoje as explica satisfatoriamente mediante as faculdades mediúnicas.

Embora Maria ignorasse a que estranhos caminhos o destino a levaria, as entidades que lhe assistiam aconselhavam-na a aceitar o viúvo José, como esposo e companheiro, pois havia sido escolhido no Espaço para a elevada missão de pai do Messias, na Terra.

A tarefa desses espíritos não era isenta de decepções e obstáculos, porquanto enfrentavam a mais acirrada e furiosa investida das Sombras, na tentativa de impedir o advento de Jesus na face do orbe terráqueo.

José e Maria, além de suas próprias virtudes espirituais defensivas, gozavam do prestígio e apoio de algumas falanges de menor graduação espiritual, porém, vigorosas e decididas, que também se propuseram a cooperar na proteção do Salvador dos homens!

E então, saneavam as imediações de Belém, desintegrando fluidos mórbidos e eliminando cargas magnéticas maléficas, a fim de proteger o nascimento de Jesus sob circunstâncias satisfatórias.

Depois de casada, certa vez, achando-se em profundo recolhimento, sob o doce enlevo de uma prece, Maria, dominada por estranha força espiritual, sentiu-se fora do organismo carnal e situada num ambiente de luzes azuis e róseas, rendilhadas por uma encantadora refulgência de raios safirinos e reflexos opalinos; e então, com grande júbilo, ela reconheceu, de súbito, o seu devotado anjo de guarda, que a felicitou, dizendo que o Senhor a escolhera para ser mãe de iluminado Espírito, o qual aceitara o sacrifício da vida humana para redimir as pecados dos homens!

Envolvida por um halo de perfumes, misto da doçura do lírio e da fragrância do jasmim, sentindo-se balsamizada por suave magnetismo, viu seu guia apontar-lhe alguém, a seu lado, dizendo-lhe que se tratava do Espírito do seu futuro filho.

Maria vibrou de júbilo e quis postar-se de joelhos, quando percebeu a sublime entidade recortada num halo de luz esmeraldina claríssima, cuja aura se franjava de tons róseos e safirinos respingados de prata, a sorrir-lhe docemente.

Então a entidade que seria Jesus, o Enviado do Cristo à Terra, chamou-a sob inconfundível ternura e pelo seu “nome sideral”, recordando a Maria o compromisso de fidelidade espiritual assumido antes de ela encarnar-se. No recesso de sua alma, ela evocou o passado, sentindo-se ligada ao magnífico Espírito ali presente, e clareou-se-lhe a mente ante a promessa que também fizera de recebê-lo no seu seio como filho carnal.

O maravilhoso contato espiritual com Jesus fez Maria reavivar todas as recordações do pretérito e recrudescer-lhe a saudade do seu mundo paradisíaco. Enquanto uma sombra de angústia lhe invadia a alma, ao assumir novamente o comando do corpo carnal, ela sentiu prolongar-se na sua consciência física aquele êxtase de Paz e Amor, que a envolvera ante a presença do ente sublime e amoroso a encarnar-se como o seu primeiro filho!

Embora sem poder definir claramente o acontecimento tão singular, Maria narrou a José o impressionante quadro que lhe despertara a mais sublime emoção espiritual, e a certeza de vir a ser mãe de um formoso anjo descido dos céus! José, homem de senso prático e prudente, avesso a sonhos e a fantasias improváveis em sua vida tão pobre, fitou a jovem esposa e apenas sorriu, certo de que todas as mães só esperam príncipes, como filhos, e não homens comuns. (RAMATÍS. O Sublime Peregrino, pg. 104 a pg. 107)

No cruzamento de fontes, faz-se referência ao Protoevangelho de Tiago, “Natividade de Maria”, para tentar completar laguna na história de Maria de Nazaré.

Ana, mãe de Maria, era considerada estéril, o que seria uma maldição de Deus para o povo judeu.

Joaquim e Ana, pais de Maria, que eram velhos, não sonhavam mais com a possibilidade de serem abençoados por Deus. Pelo contrário, a maldição em que Joaquim se encontrou com os sacerdotes no Templo de Jerusalém.

No “Dia do Senhor”, como era de costume, os filhos de Israel apresentavam suas oferendas. Quando Joaquim foi apresentar a sua oferta no Templo, o Sacerdote a recusou sob a alegação de que não possuía descendência (incapaz de gerar filhos) em Israel.

Joaquim, em profunda tristeza, retirou-se para o deserto, durante 40 dias, evocando a Deus. Ana, nesse período, lamentava a ausência do marido e a sua esterilidade.

Depois das orações, Ana foi avisada por um Anjo que Deus ouvira as suas preces e ela daria luz a uma criança. O mesmo Anjo manifestou-se para Joaquim, dizendo: “A criança estará no Templo de Deus. Sobre ela repousará o Espírito Santo. Sua bem-aventurança será superior à de todas as mulheres santas. Ninguém poderá dizer que antes dela houve outra igual e, neste mundo, depois dela não haverá outra como ela”. (FARIA. História de Maria, p. 25)

7. Nascimento de Jesus

Anunciação do anjo Gabriel sobre a vinda de Jesus

E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.

E, entrando o anjo onde ela estava, disse: salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.

Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, e eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.

E disse Maria ao anjo: como se fará isso, visto que não conheço varão? E, respondendo o anjo, disse-lhe: descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. Porque para Deus nada é impossível. Disse, então, Maria: eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. (Lucas 1: 26-38)

A advertência do Anjo, de que “não temas”, era para acalmar Maria diante daquela situação de sua gravidez, pois viria a devida explicação.

O anjo anuncia a vinda de Jesus:“salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres”. (Lucas, 1: 28) Da visita à prima Isabel:“bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do teu ventre”. (Lucas, 1: 42)

Maria era abençoada pela escolha de Deus, dentre as mulheres, para ser a mãe de Jesus. Abençoado era o fruto do seu ventre.

Por ser escolhida, ela foi especial também no nascimento. Maria é modelo de santidade. Desde a sua concepção, foi escolhida por Deus para revelar o seu mistério de encarnação, em Jesus, no meio de nós (FARIA. História de Maria, pg. 27).

Maria: o livre-arbítrio, a aceitação, a graça e a servidão

Embora Espírito puro e haver um Plano divino, Maria submeteu-se ao esquecimento temporário das realidades espirituais. Por isso necessitava da revelação do anjo e de aceitar a sua missão no Plano de Deus. Tanto que “disse Maria ao anjo: como se fará isso, visto que não conheço varão?” (Lucas 1: 34)

Com a aceitação, Maria se ajusta ao Plano de Deus para a vinda de Jesus, conforme a vontade do Pai, usando o seu livre-arbítrio para a aceitação, em obediência como uma serva, e fez-se portadora da graça divina.

Por este motivo, Maria foi escolhida dentre todas as mulheres.

A esse respeito, há de se destacar algumas passagens do Livro do Frei Faria: “Todos aguardavam que uma insignificância como eu, uma menina de quinze anos que apenas começara a ser mulher, desse permissão ao Todo-Poderoso para inaugurar uma nova criação, uma nova aliança, uma história definitiva e eterna com um povo na qual cabiam todos os homens. O fato é que eu disse ‘sim’. Disse ao mensageiro para levar o recado ao Senhor”.(FARIA. História de Maria, pg. 51)

“Fui eu que escolhi. Ninguém impôs nada, quando foi me pedida permissão para que pudesse nascer o Messias. Porém, devido à liberdade que tenho, digo-lhe: aqui me tens, sou tua escrava, pode fazer de mim o que quiseres, abandono-me em ti, utiliza-me para teus fins e só peço que seja Tu a cuidar de mim”. (FARIA. História de Maria, pg. 52)

O comportamento de Maria, sua humildade, obediência às orientações espirituais que recebia, a fortaleza de ânimo diante dos sofrimentos, tudo isso demonstra que se tratava de um Espírito muito elevado.

Devemos ver nela nossa mãe espiritual, dedicada e atenciosa, que nos ouve e envia seus prepostos para nos ajudar nos momentos difíceis, sempre que recorremos à sua bondade com a sintonia do coração.

Ressalte-se que muitos problemas, muitas dores, muitos desvios evitaremos se, observando o exemplo de Maria, soubermos acatar os desígnios divinos nos momentos decisivos de nossa vida, proclamando intimamente: “Senhor! Cumpra-se em mim segundo a tua vontade”.

A visão Espírita da aceitação de Maria

A vinda de Jesus à Terra constituiu um grande plano de salvação de suas almas atrasadas. Sua descida, já antecipada pelas profecias, foi acompanhada de vários espíritos que auxiliaram nesta missão de esclarecimento.

Maria de Nazaré fazia parte deste grupo de almas que contribuíram para que o Nazareno pudesse nos ensinar o caminho do amor através de seus exemplos e do Evangelho, imortalizado pela ação de seus apóstolos.

No processo de anúncio de sua gravidez, percebe-se mais uma vez suas elevadas características morais. Em oração, Maria, ávida de luz, por meio de sua mediunidade transcendente, absorve a mensagem do legionário dos céus a quem se deu o nome de Gabriel, o anjo do Senhor.

Em comunhão espiritual com os Espíritos do Senhor, mas submetida à lei da encarnação material humana tal qual a sofreis, médium inconsciente, ela recebeu, como médium vidente, audiente e intuitivo, no sentido de ter consciência do ser que se lhe apresentava, a predição que lhe era feita. Sua inteligência, entorpecida pelo invólucro material, não se achava em estado de lembrar-se. É o que explica tenha feito sentir ao anjo, ou Espírito, a impossibilidade de conceber durante a virgindade”. (Roustaing, Os Quatro Evangelhos, Tomo I, pág. 156).

Mas a virgem não possuía a mesma condição espiritual que seu filho, apesar de já naquela época pertencer à falange de espíritos evoluídos. Quando o Anjo Gabriel aparece para Maria e lhe anuncia que ela receberia Jesus como mãe, surge em sua mente a seguinte pergunta: “Então Maria perguntou ao anjo: como será isso, uma vez que não conheço homem?” (Lucas: 34)

Esta indagação demonstra que Maria não possuía condições de entender de pronto todas as situações que caracterizavam a sua missão. Apesar de ser ela Espírito elevado, estava entorpecida pela encarnação, e não podia manifestar a mesma lucidez que seu filho. Maria necessitava da revelação do anjo Gabriel para colaborar com o nascimento.

Mas o fator fundamental deste contexto é a revelação de que Maria posicionou-se em estágio de extrema aceitação. Apesar de ter sido preparada no plano espiritual para receber o menino Jesus, sua tarefa não foi fácil ou simples como poderíamos concluir em uma análise prematura ou superficial da história.

O fato de Maria ser dotada de alta evolução espiritual não a privava de estar submetida às leis físicas características de mundos atrasados como o nosso.

Fosse outra a sua condição moral e a decisão de aceitar os desígnios de Deus poderia ter sido outra. Por isso reafirmamos que não poderia ter sido outro Espírito que por aqui vivia o portador desta responsabilidade. Foi escolhida propositadamente não somente pelo seu grau de evolução, mas também por ter aceitado decididamente a sua tarefa. O momento de aceitação reveste-se da mais profunda importância espiritual.

A Hora do Ângelus

Há entre os encarnados, principalmente os que adotam a fé católica, um importante momento do dia, às dezoito horas, quando a suavidade do início da noite sugere momentos de reflexão, em que têm o hábito de reverenciar a Mãe das mães.

A literatura espírita através da mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira sugere que esta reverência é fruto de um reflexo do Plano Maior já que na Espiritualidade muitos Espíritos também reverenciam a Santa de Nazaré neste mesmo horário.

Vejam os vários textos que citam a Hora do Ângelus:

“Seis melodiosas pancadas de um relógio que não víamos, ecoaram docemente na amplidão da sala, como anunciando o início da reunião. E cântico harmonioso de prece, envolvente, emocional, elevou-se em surdina como se até nossa audição chegasse através de ondas invisíveis do éter, provindo de local distante, que não poderíamos avaliar, enquanto se desenhava em uma tela junto à cátedra de Irmão Teócrito o sugestivo quadro da aparição de Gabriel à Virgem de Nazaré, participando a descida do Redentor às ingratas praias do Planeta. Era o instante amorável do Ângelus… Levantando-se, o diretor fez breve e emocionante saudação a Maria, apresentando-nos reunidos pela primeira vez para uma invocação”.(BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 112)

“- Certo dia, ao entardecer – ia dizendo o enclausurado do Isolamento – encontrava-me quase absolutamente só, perambulando tristemente pelas ruas melancólicas do imenso parque que vedes… Aproximava-se o doce, emocionante momento do Ângelus. A unção religiosa – consolo e esperança dos desafortunados irremediáveis – sutilmente infiltrou-se  pelos escaninhos de meu ser, reportando-me o pensamento ao seio maternal de Maria, Mãe boníssima dos pecadores e aflitos… Não ignorais que o momento da  saudação a Maria é fielmente respeitado pelos seus legionários, homenageado com sinceras demonstrações de gratidão nesta Colônia, a  qual se edificou, cresceu e produziu excelentes frutos de amor e caridade, para servir-me das expressões que ouço dos meus bondosos instrutores, à sombra augusta da sua proteção”. (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 261)

“As solenidades do Ângelus encontravam-nos, frequentemente, ainda no parque. Acentuava-se a penumbra em nossa Cidade e nostalgia dominante envolvia nossos sentimentos. Do Templo, situado na Mansão da Harmonia, região onde se demoravam com frequência os diretores e educadores da Colônia, partia o convite às homenagens que, naquele momento, seria de bom aviso prestarmos à Protetora da Legião a que pertencíamos todos – Maria de Nazaré”.(BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 416)

Gravidez de Maria

Maria avisa seus pais sobre a gravidez e eles se alegraram com a notícia. Louvaram a Deus pela escolha de Maria e de sua família.

Preocupados com o desenlace dos fatos, decidiram mandar Maria para a casa da prima Isabel, permanecendo lá por cerca de três meses. (FARIA. História de Maria, pg. 56 e pg. 57)

A gravidez de Maria provocou escândalo entre o povo, pois ela ainda era prometida em casamento, noiva de José.

José foi repreendido pelo pontífice e sacerdotes.

Ele e Maria foram levados ao tribunal para serem testados, conforme previa a tradição de Israel, descrita em Número 5, 11-29. A mulher teria que jurar diante do sacerdote e do altar que não era culpada, dentro do ritual do mandamento da lei mosaica.

Depois de cumprido o ritual, Maria recebe as desculpas pelo mau juízo. Segundo relato apócrifo, José também fez o teste e considerado inocente. (FARIA. História de Maria, pg. 59 a pg. 61)

Nascimento de Jesus

Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. E todos iam para a sua cidade natal, a fim de alistar-se.

Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi.

Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos. E aconteceu que um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor resplandeceu ao redor deles; e ficaram aterrorizados.

Mas o anjo lhes disse: não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Isto lhes servirá de sinal: encontrarão o bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura.

De repente, uma grande multidão do exército celestial apareceu com o anjo, louvando a Deus e dizendo: “glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”.

Quando os anjos os deixaram e foram para os céus, os pastores disseram uns aos outros: “vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer”. Então correram para lá e encontraram Maria e José, e o bebê deitado na manjedoura.

Depois de o verem, contaram a todos o que lhes fora dito a respeito daquele menino, e todos os que ouviram o que os pastores diziam ficaram admirados. Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração.(Lucas 2: 1-19)

O nascimento de Jesus provocou a perseguição de Herodes aos inocentes. Ele mandou matar todas as crianças com menos de 2 anos de idade. Então, Maria tomou o menino e junto de José foram para o Egito, na companhia de Salomé e Tiago. (FARIA. História de Maria, pg. 77)

Maria e José viveram no Egito, possivelmente, em uma colônia judaica, na cidade de Alexandria, até a morte de Herodes e quando o anjo avisasse que havia passado o perigo.  Depois desse tempo, regressaram a Nazaré, na Galileia, sem passar por Jerusalém. (FARIA. História de Maria, pg. 81 e pg. 82)

Maria, então, teve que peregrinar para salvar a vida de seu filho. Fugia da maldade humana, simbolizada neste ato por Herodes, tentando preservar a vida daquele que seria nosso Salvador. Nesta sequência, observamos que Maria teve que viajar por causa do recenseamento, e após este, agora com o filho pequeno, esconder-se do tirano.

O desenrolar dos fatos nos mostra que o Espírito evoluído, mesmo sem nada dever à Terra, quando da realização de missão salvadora, sofre e chora neste vale de lágrimas.

8. Educação de Jesus

Maria educa Jesus

Maria como qualquer mãe educa o seu filho e acompanha o crescimento de Jesus. Ela sabia que tudo que ocorria com o menino Jesus era mistério de Deus, assim como fora a sua concepção. Percebe que Ele é diferente e tem poder divino. Não compreendendo, ela guardava tudo no coração.

Maria encontra Jesus no Templo com os sacerdotes

Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; e, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa. E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe.

Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; e, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.

E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.

E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. E ele lhes disse: por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.

E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas.

E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens. (Lucas 2: 41-52)

Nessa passagem, Jesus no Templo trocava sabedorias com os doutores da Lei, deixando claro a sua consagração total a uma missão decorrente de sua filiação divina: “não sabíeis que devo ocupar-me com as coisas de meu Pai”? Maria e José “não compreenderam”, mas a acolheram na fé, e Maria “guardava a lembrança de todos esses fatos em seu coração”.

Maria sabia, desde a anunciação, quem era Jesus. Só quem já passou pela experiência de perder um filho é que sente o desespero de Maria naquele momento em que percebeu que seu filho não estava com ninguém da caravana.

Os doutores da Lei tiveram de estudar muito. E aquele Menino de 12 anos sabia de tudo. Eles já estavam desconfiados da origem daquele Menino. Por isso que tinham tanto interesse de dialogar com Ele.

De todo este período, Jesus era submisso a seus pais e crescia em sabedoria, em estatura, em graça diante de Deus e diante dos homens.

A submissão de Jesus para com a sua Mãe e o seu pai cumpre com o mandamento de “honrar pai e mãe”, o qual dirige-se expressamente aos filhos em suas relações com o pai e a mãe, e implica e subentende os deveres dos pais e de todos os que exercem uma autoridade sobre outros ou sobre uma comunidade. A observância do mandamento acarreta em recompensa: “Honra teu pai e tua mãe para teres uma longa vida na terra, que o Senhor Deus te dá”. (Êxodo 20: 12)

9. Bodas de Caná

E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.

E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? (ou que queres de mim, mulher?) Ainda não é chegada a minha hora.

Sua mãe disse aos serventes: fazei tudo quanto ele vos disser. E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus: enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.

E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo, e disse-lhe: todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.(João 2: 1-12)

As bodas de Caná é o lugar do primeiro milagre (fenômeno natural) de Jesus. Contudo, não era o momento de Jesus revelar o Seu poder, pois sabia que seria o início de sua missão no plano de Deus até a paixão na cruz.

Permanece a incógnita, para os historiadores e para todos nós, os acontecimentos da vida de Jesus ocorridos entre os seus 13 e 30 anos de idade. Existem muitas especulações, mas sem nenhuma comprovação efetiva. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, Livro I, Cristianismo e Espiritismo, pg. 77) A missão de Jesus iniciou-se aos 30 anos, e, antes disso, foi a sua preparação.

A preocupação de Jesus com a hora fixada por Deus para a sua glorificação, que ainda não havia chegado, significava o momento em que seu sangue seria derramado em nome de uma Aliança, o mesmo sangue que momentos antes de sua morte, na Última Ceia, quando Jesus dirá ser o vinho que ele compartilha com os apóstolos. Jesus estava associando aquele momento ao dia de sua crucificação. (ALVAREZ. Maria, pg. 101)

Em Caná, Maria inicia o caminho da fé. Ela percebe que o vinho está acabando, o que poderá constranger os noivos, pois faltará o principal para festa, o vinho, que simbolizava a alegria e fartura.

Maria dirige a Jesus: “Eles não têm mais vinho”; porque em seu coração sabia que seu filho podia ajudar. A resposta de Jesus foi: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”.

As palavras de Jesus não fizeram Maria desistir. Jesus a amava. A intercessão de Maria convenceu Jesus a fazer aquilo que ela pedia. O primeiro milagre de Jesus ocorreu pela fé da Mãe no seu divino Filho.

Ao fazer com que o filho mudasse de ideia, Maria conquistou lugar no coração dos cristãos, como intercessora, aquela que pode pedir a Jesus que atenda aos desejos das pessoas. (ALVAREZ. Maria, pg. 101 e 102)

Em um diálogo, Jesus diz a Maria: “Essa mãe, sempre igual, mas quero ver quem consegue lhe negar alguma coisa”. (FARIA. História de Maria, pg. 104 e pg. 105)

A respeito de Maria como advogada e intercessora junto a Jesus, destacamos do Livro Universo e Vida, do Espírito Áureo:

Jesus disse à esposa de Zebedeu que só se assentariam à sua direita e à sua esquerda, no reino dos Céus, aqueles a quem o Pai havia reservado esses lugares, porque sabia que o Eterno já elegera para esses supremos ministérios o grande Batista e a magnânima Maria de Nazaré; o primeiro para reger, sob a sua crística supervisão, os problemas planetários da Justiça, e ela para superintender, sob a sua soberana influência, as benevolências do amor. Por isso, todos os decretos lavrados pelo sublime Chanceler da Justiça somente são homologados pelo Cristo depois de examinados e instruídos pela excelsa Advogada da humanidade, a fim de que nunca falte, em qualquer processo de dor, as bênçãos compassivas da misericórdia e da esperança. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 39)

Estrela divina do universo das grandes Almas, também ela teve de peregrinar do paraíso excelso de sua felicidade para o nosso vale de lágrimas, a fim de ajudar e servir a uma humanidade paupérrima de espiritualidade, da qual se fez, para sempre, a grande Mãe, a grande Advogada e a grande Protetora. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 162)

Quanto a fazer tudo o que Jesus nos orienta, no Livro “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, nas interpretações dos textos sagrados, na lição 171 – Palavras de Mãe, temos:

Sua mãe disse aos serventes: fazei tudo quanto ele vos disser.” – (JOÃO, capítulo 2, versículo 5.)

(…) Temos igualmente, no Documento Sagrado, reminiscências de Maria. Examinemos suas preciosas palavras em Caná, cheias de sabedoria e amor materno.

Geralmente, quando os filhos procuram a carinhosa intervenção de mãe é que se sentem órfãos de ânimo ou necessitados de alegria. Por isso mesmo, em todos os lugares do mundo, é comum observarmos filhos discutindo com os pais e chorando ante corações maternos.

Interpretada com justiça por anjo tutelar do Cristianismo, às vezes é com imensas aflições que recorremos a Maria. (…)

Em muitas ocasiões, esgota-se o vinho da esperança. Sentimo-nos extenuados, desiludidos… Imploramos ternura maternal e eis que Maria nos responde: fazei tudo quanto ele vos disser.

O conselho é sábio e profundo e foi colocado no princípio dos trabalhos de salvação. Escutando semelhante advertência de Mãe, meditemos se realmente estaremos fazendo tudo quanto o Mestre nos disse”. (EMMANUEL. Caminho, Verdade e Vida, pg. 178)

10. Maria na crucificação de Jesus

Do Livro “Boa Nova”, no Capítulo 30 (da pg. 191 à pg. 202), do Espírito Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, temos vários relatos sobre Maria de Nazaré.

Junto da cruz, Maria de Nazaré regredia ao passado em amarguradas recordações. Com pensamento ansioso e torturado, na hora extrema, ali estava o filho bem-amado.

Que fizera Jesus por merecer tão amargas penas? Que profundos desígnios haviam conduzido seu filho adorado à cruz do suplício?

Contudo, reconhecia a intervenção da Providência e a missão celestial.

Uma voz lhe falava ao espírito, dizendo das determinações insondáveis e justas de Deus, que precisam ser aceitas para a redenção divina das criaturas. Maria repetia a sua afirmação: “faça-se na escrava a vontade do Senhor”!

Em meio de algumas mulheres compadecidas, que lhe acompanhavam o angustioso transe, Maria reparou que alguém lhe pousara as mãos, de leve, sobre os ombros. Deparou-se com João (Evangelista) que lhe estendia os braços amorosos e reconhecidos.

Maria deixou-se enlaçar pelo discípulo querido e ambos, ao pé da cruz, buscaram a luz daqueles olhos misericordiosos, no cúmulo dos tormentos. Foi aí que a fronte do divino supliciado se moveu vagarosamente, revelando perceber a ansiedade daquelas duas almas em extremo desalento.

– “Meu filho! Meu amado filho!… “exclamou a mártir, em aflição diante da serenidade daquele olhar de melancolia intraduzível”.

O Cristo pareceu meditar no auge de suas dores, mas, como se quisesse demonstrar, no instante derradeiro, a grandeza de sua coragem e a sua perfeita comunhão com Deus, replicou com significativo movimento dos olhos vigilantes: – Mãe, eis aí teu filho!… – e dirigindo-lhes, de modo especial, com um leve aceno, ao Apóstolo, disse: – Filho, eis aí a tua mãe!

Do Evangelho de João (19: 25-27) a mesma narrativa: “E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Ora, Jesus, vendo ali a sua mãe, e o discípulo a quem ele amava estando presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”.

Em continuação ao Livro “Boa Nova”, Maria envolveu-se no véu de seu pranto doloroso, mas o grande evangelista compreendeu que o Mestre, na sua derradeira lição, ensinava que o amor universal era o sublime coroamento de sua obra.

Entendeu que, no futuro, a claridade do Reino de Deus revelaria aos homens a necessidade da cessação de todo egoísmo e que, no santuário de cada coração, deveria existir a mais abundante cota de amor, não só para o círculo familiar, senão também para todos os necessitados do mundo, e que no templo de cada habitação permaneceria a fraternidade real, para que a assistência recíproca se praticasse na Terra, sem serem precisos os edifícios exteriores, consagrados a uma solidariedade claudicante.

Ao dirigir-se à Mãe e ao discípulo João Evangelista, Jesus estabelecia novas relações de amor entre os cristãos, que vai muito além da necessidade de resolver um problema familiar. O intento era de entregar o discípulo a Maria, atribuindo-lhe uma nova missão materna para com todos nós: fraternidade de Maria.

A fraternidade de Maria está nas novas relações de parentesco e de amor entre os cristãos, em que se desenvolvem sentimentos de afeto próprios dos irmãos de sangue, o laço de união entre os homens, e de amor ao próximo.

Com a chegada de João Evangelista, que abraça Maria na hora extrema de Jesus, o Mestre nos deixa uma linda lição sobre o verdadeiro parentesco e a vida após a morte. Ao apontar João e dizer à própria mãe “eis aí teu filho”, Jesus dá a Maria uma chave para libertar o próprio coração pela perda de um ente querido: o desapego.

Num olhar mais profundo, quer mostrar que o seguimento de Jesus para fazer parte de sua família ultrapassa os laços de parentesco. Jesus inaugura uma nova família constituída não mais do sangue e dos laços de parentesco (valor absoluto nas sociedades antigas) e sim daqueles que se juntam ao redor de Jesus para fazer a vontade do Pai. Ensina que até Maria, a criatura mais estreitamente ligada a Jesus pelos laços de sangue (maternidade) teve que elevar a ordem mais alta dos seus valores.

Assim, Jesus nos ensinou a realidade do Deus Amor e também a caridade (amor ao próximo em ação) como maior dos mandamentos. O Mestre quis mostrar que, ao perder um filho, uma mãe ganha a humanidade inteira de “próximos” por quem pode fazer o bem: a mãe de todos.

O pai, a mãe, os filhos ou parentes próximos são sempre obras de amor inadiáveis, a primeira escola da caridade. Mas o lar será sempre o início do trabalho para que o Espírito chegue ao amor universal. Eis o sentido de enxergarmos a todos como “irmãos”, verdadeiro parentesco espiritual.

11. Maria após a ressurreição de Jesus

Os Evangelhos canônicos narram diversas aparições de Jesus Ressuscitado, mas não o encontro de Jesus com a sua Mãe.

No Evangelho de Marcos (16:1-13), descrevem-se as presenças de “Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé” que “foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol”.

Mais adiante: “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando. E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo. E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram.

No Evangelho de Mateus (28: 1-10): “E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. (…) E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão”.

No mesmo sentido, “Foi então, quando, na manhã do terceiro dia, e ex-pecadora de Magdala se acercou do sepulcro com perfumes e flores. (…) – Maria!… (…) reconhecia a voz inesquecível do Mestre (…) Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurreição era a essência divina, que daria eternidade ao Cristianismo”. (Humberto de Campos. Boa Nova, pg. 147)

Maria Madalena, a quem Jesus apareceu, é descrita no Novo Testamento como uma das discípulas mais dedicadas de Jesus Cristo. É considerada santa pelas igrejas Católica. O nome de Maria Madalena indica ser de Magdala, cidade localizada às margens do Mar da Galileia.

A literatura espírita, assim como alguns evangelhos apócrifos, narra o encontro com Jesus antes da morte de Maria, como se verá mais adiante.

Do Livro “Boa Nova”, após a separação dos discípulos, que se dispersaram por lugares diferentes, para a difusão da Boa Nova, Maria retirou-se para a Betaneia (a 6 km de Jerusalém, hoje Palestina), onde alguns parentes mais próximos a esperavam com especial carinho.

Em Jerusalém, digladiavam-se cristãos e judeus, com veemência e acrimônia. Na Galileia, os antigos cenáculos simples e amoráveis da Natureza estavam tristes e desertos.

Sua vida era uma devoção incessante ao rosário imenso da saudade, às lembranças mais queridas. Nazaré voltava à imaginação de Maria, com as suas paisagens de felicidade e de luz.

De vez em quando, parecia ver Jesus em seus sonhos repletos de esperança, que lhe prometia o júbilo encantador de sua presença e participava da carícia de suas recordações.

A esse tempo, João, filho de Zebedeu, tendo presentes as observações que o Mestre lhe fizera da cruz, surgiu na Betaneia, oferecendo àquele espírito saudoso de mãe o refúgio amoroso de sua proteção. Maria aceitou o oferecimento, com satisfação imensa.

E João lhe contou a sua nova vida. Instalara-se definitivamente em Éfeso (Turquia), onde as ideias cristãs ganhavam terreno entre almas devotadas e sinceras.

João continuava a expor-lhe os seus planos mais insignificantes. Levá-la-ia consigo, andariam ambos na mesma associação de interesses espirituais. Seria seu filho desvelado, enquanto receberia de sua alma generosa a ternura maternal, nos trabalhos do Evangelho.

12. Casa da Santíssima

Do Livro “Boa Nova”, do Espírito Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, da pg. 191 a pg. 202, temos o esclarecimento a respeito da Casa da Santíssima, o que veremos a seguir.

Faltava uma casa a João, por isso demorara a vir, mas um dos membros da família real de Adiabene, convertido ao amor do Cristo, doara uma casinha pobre, ao sul de Éfeso (Turquia).

Estabeleceriam ali um pouso e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho a todos os espíritos de boa-vontade e, como mãe e filho, iniciariam uma nova era de amor, na comunidade universal. O que Maria aceitou alegremente.

A casa de João, ao cabo de algumas semanas, transformou-se num ponto de assembleias adoráveis, onde as recordações do Messias eram cultuadas por espíritos humildes e sinceros.

Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados acorriam ao sitio singelo e generoso. A notícia de que Maria descansava, agora, entre eles, espalhara um clarão de esperança por todos os sofredores. Ao passo que João pregava na cidade as verdades de Deus, ela atendia, no pobre santuário doméstico, aos que a procuravam exibindo suas úlceras e necessidades.

Sua choupana era conhecida pelo nome de “Casa da Santíssima”.

O fato tivera origem em certa ocasião, quando um miserável leproso, depois de aliviado em suas chagas, lhe osculou as mãos, reconhecidamente murmurando: “Senhora, sois a mãe de nosso Mestre e nossa Mãe Santíssima”!

O título de maternidade fazia vibrar em seu espírito os cânticos mais doces. Diariamente, acorriam os desamparados, suplicando a sua assistência espiritual. Eram velhos trôpegos e desenganados do mundo, que lhe vinham ouvir as palavras confortadoras e afetuosas, enfermos que invocavam a sua proteção, mães infortunadas que pediam a bênção de seu carinho.

– “Minha mãe – dizia um dos mais aflitos – como poderei vencer as minhas dificuldades? Sinto-me abandonado na estrada escura da vida”…

Maria lhe enviava o olhar amoroso da sua bondade, deixando nele transparecer toda a dedicação enternecida de seu espírito maternal.

– “Isso também passa! – dizia ela, carinhosamente – só o Reino de Deus é bastante forte para nunca passar de nossas almas, como eterna realização do amor celestial”.

A igreja de Éfeso exigia de João a mais alta expressão de sacrifício pessoal, pelo que, com o decorrer do tempo, quase sempre Maria estava só, quando a legião humilde dos necessitados descia o promontório desataviado, rumo aos lares mais confortados e felizes.

13. Jesus vem buscar Maria

Transcrevem abaixo trechos do Livro Boa Nova, das páginas 198 a 200.

Enlevada nas suas meditações, Maria viu aproximar-se o vulto de um pedinte.

– “Minha mãe – exclamou o recém-chegado, como tantos outros que recorriam ao seu carinho -, venho fazer-te companhia e receber a tua bênção”.

Maternalmente, ela o convidou a entrar, impressionada com aquela voz que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu, confortando-a delicadamente. Comentou as bem-aventuranças divinas que aguardam a todos os devotados e sinceros filhos de Deus, dando a entender que lhe compreendia as mais ternas saudades do coração.

Maria sentiu-se empolgada por tocante surpresa. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos? Nenhum lhe surgira até então para dar; era sempre para pedir alguma coisa.

No entanto, aquele viandante desconhecido lhe derramava no íntimo as mais santas consolações. Onde ouvira noutros tempos aquela voz meiga e carinhosa?! Que emoções eram aquelas que lhe faziam pulsar o coração de tanta carícia? Seus olhos se umedeceram de ventura, sem que conseguisse explicar a razão de sua terna emotividade.

Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor: – “Minha mãe, vem aos meus braços!”

Nesse instante, fitou as mãos nobres que se lhe ofereciam, num gesto da mais bela ternura. Tomada de comoção profunda, viu nelas duas chagas, como as que seu filho revelava na cruz e, instintivamente, dirigindo o olhar ansioso para os pés do peregrino amigo, divisou também aí as úlceras causadas pelos cravos do suplício. Não pôde mais.

Compreendendo a visita amorosa que Deus lhe enviava ao coração, bradou com infinita alegria: – “Meu filho! Meu filho! As úlceras que te fizeram!…“

E precipitando-se para ele, como mãe carinhosa e desvelada, quis certificar-se, tocando a ferida que lhe fora produzida pelo último lançaço, perto do coração. Suas mãos ternas e solícitas o abraçaram na sombra visitada pelo luar, procurando sofregamente a úlcera que tantas lágrimas lhe provocara ao carinho maternal. A chaga lateral também lá estava, sob a carícia de suas mãos. Não conseguiu dominar o seu intenso júbilo. Num ímpeto de amor, fez um movimento para se ajoelhar. Queria abraçar-se aos pés do seu Jesus e osculá-los com ternura. Ele, porém, levantando-a, cercado de um halo de luz celestial, se lhe ajoelhou aos pés e, beijando-lhe as mãos, disse em carinhoso transporte: – “Sim, minha mãe, sou eu!… Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos”.

Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura. Queria dizer da sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus; mas o corpo como que se lhe paralisara, enquanto aos seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação do Anjo, qual se a entoassem mil vozes cariciosas, por entre as harmonias do céu.

No outro dia, dois portadores humildes desciam a Éfeso, de onde regressaram com João, para assistir aos últimos instantes daquela que lhes era a devotada Mãe Santíssima.

Maria já não falava. Numa inolvidável expressão de serenidade, por longas horas ainda esperou a ruptura dos derradeiros laços que a prendiam à vida material. (Humberto de Campos. Boa Nova, pg. 198 a pg. 200)

O Espírito Miramez, com narrativa semelhante a de Humberto de Campos, cita: “Por último, vinha um velhinho com muita dificuldade de andar e ela à espera, com piedade, teve vontade de ir ao encontro do ancião. (…) o velhinho se aproximava lentamente. Maria sentiu um perfume diferente, uma fragrância que lhe comoveu a alma, que somente a presença de seu filho a fazia sentir. (…) parecia que a imagem de Jesus saía da cabeça do ancião, de modo que ela poderia tocar-lhe e sentir a sua magnânima presença!… Maria pegou as mãos do ancião e sentiu vontade de beijá-las, o que fez com ternura. No mesmo instante, notou os sinais dos cravos. Olhou para os pés e viu a mesma coisa. Ergueu a vista e certificou-se que realmente era Jesus, o seu filho do coração!… (…) – Vem, mãe! Meu Pai quer que sejas a rainha dos anjos no meu reino! (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 480 e pg. 481)

14. Elevação de Maria

Assunção, elevação ou ascensão?

Do livro “Boa Nova”, pelo Espírito Humberto de Campos: “A alvorada desdobrava o seu formoso leque de luz quando aquela alma eleita se elevou da Terra, (…) mas, extensas multidões de entidades angélicas a cercavam cantando hinos de glorificação. Experimentando a sensação de se estar afastando do mundo, desejou rever a Galileia com os seus sítios preferidos. (…) Dulcíssimas alegrias lhe invadiam o coração e já a caravana espiritual se dispunha a partir, (…) Emitindo esse pensamento, imprimiu novo impulso às multidões espirituais que a seguiam de perto. (…) Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de nossa Mãe Santíssima”. (Humberto de Campos, Boa Nova, pg. 201 e pg. 202)

Certo perfume é citado por Humberto de Campos: “por essa razão, irmãos meus, quando ouvirdes o cântico nos templos das diversas famílias religiosas do Cristianismo, não vos esqueçais de fazer no coração um brando silêncio, para que a Rosa Mística de Nazaré espalhe aí o seu perfume”! (Humberto de Campos, Boa Nova, pg. 202)

Por essa revelação sobre Maria, podemos destacar: “aquela alma eleita se elevou da Terra”; “multidões de entidades angélicas a cercavam cantando hinos de glorificação”; “sensação de se estar afastando do mundo”; “desejou rever a Galileia”;“a caravana espiritual se dispunha a partir”; “multidões espirituais que a seguiam de perto”; “a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres”; e “não vos esqueçais de fazer no coração um brando silêncio, para que a Rosa Mística de Nazaré espalhe aí o seu perfume”.

Em narrativa semelhante, Espirito Miramez escreveu: “o perfume recendeu em todas as direções. Uma falange de espíritos-luz cantava a alegria dos céus. Luzes e cores inundaram o ambiente. Cristo, pairando no alto, como que numa carruagem de luz… (…) Cumprida a sublime missão de favorecer a instauração de uma nova era para a humanidade, regressa a ambientes condizentes com a sua magnitude de estrela”… (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 481)

Assim, por Humberto de Campos, Maria subiu, elevando-se da Terra, acompanhada de uma caravana de anjos, cantando hinos de glorificação, que a conduziu para o Reino do Mestre.  Antes, desejou rever a Galileia.

Por Miramez, Maria regressou com uma falange de espíritos-luz, cantando a alegria do céu, como uma carruagem de luz.

Hélio Tinoco, em sua palestra, diz que Maria é levada por um cortejo de Espíritos Superiores às regiões mais sublimes do mundo espiritual. 

Para a Igreja Católica, ascensão e assunção ocorreram após a ressurreição do Mestre, com Jesus em sua Ascensão e Maria em sua Assunção ao céu, após completaram suas missões na Terra.

A palavra ascensão vem do latim “ascênsio, ascensionis”, que é a ação ou efeito de ascender ou elevar-se, significando para a Igreja Católica que Jesus subiu, por si mesmo, de corpo e alma, para junto de Deus.

A Assunção de Nossa Senhora vem do latim, de “assumptio, de assumere”, que significa associar a, tomar para si, aceitar, dar por garantido. Neste caso, Nossa Senhora estava pronta e disponibilizou-se, depois de concluída a sua missão na Terra, foi elevada pelos anjos até a presença de Deus. Maria foi elevada, de corpo e alma, para a o céu.

A Assunção de Maria é um dogma da Igreja Católica, sendo celebrada em quinze de agosto de cada ano.

Alguns apócrifos narram a vinda de Jesus para buscar Maria, acompanhando de uma multidão de anjos. Dizem que esse encontro com Jesus ocorreu três dias antes de sua morte. Os apóstolos adormeceram no terceiro dia, até a terceira hora. Jesus estava presente com seus anjos. Acrescentam que o corpo de Maria foi resgatado pelo Arcanjo Miguel, que fez girar a pedra da porta do sepulcro. Os anjos levaram Maria para o céu. Um apócrifo expressa que Jesus ressuscitou Maria do sepulcro, sem deixar o corpo dissolver. Também narra acerca de que santo sepulcro desprendia um delicado perfume. (FARIA. História de Maria, pg. 162, pg. 171, pg. 172 e pg. 173)

Do livro de Rodrigo Alvarez, tem-se: “ela teria morrido na cidade turca de Éfeso. Mas – como se sabe e aqui se lembra – há também em Jerusalém um túmulo no lugar que dizem ter sido aquele de onde Maria foi levada aos céus, sem que jamais seu corpo fosse entregue aos vermes dessa terra como o corpo de qualquer outro humano”. (ALVAREZ. Maria, pg. 16)

Mais adiante, “De acordo com as visões da freira alemã Anne Catherine Emmerich – anotadas pelo poeta Clemens Brentano, e depois editadas pelo reverendo Carl Schmöger em uma obra literária quase do tamanho da Bíblia –, depois da suposta viagem dos apóstolos, Maria morreu em Éfeso, foi enterrada, ressuscitou e foi elevada aos céus. Na imaginação da freira, Pedro comandou a cerimônia de despedida, fez a unção dos enfermos e ofereceu a Maria uma hóstia. Depois, a mãe de Jesus ficou em silêncio. Formou-se um caminho de luz entre o corpo e a cidade de Jerusalém, a muito e muitos quilômetros dali. O espírito de Maria foi a Jerusalém, e em seguida fez sua primeira viagem ao céu”. (ALVAREZ. Maria, pg. 43)

Em outro contexto, Alvarez reafirma que Maria “ressuscitou e teve seu corpo resgatado por Jesus Cristo”. (ALVAREZ. Maria, pg. 46)

Mais adiante, Alvarez comenta: “Em Jerusalém, no entanto, o patriarca Juvenal contou a Pulquéria que não havia praticamente nada no túmulo, porque três dias depois da morte de Maria, quando resolveram abri-lo, descobriram que não havia corpo nenhum ali dentro. Pelo que disse Juvenal, dentro do túmulo só foram encontrados alguns pedaços de roupa e um pano branco”. (ALVAREZ. Maria, pg. 125)

Do que foi pesquisado, tanto para o Espiritismo quanto para a Igreja Católica, Maria elevou-se acompanhada de uma legião de anjos, que a glorificavam, sem deixar quaisquer vestígios de seu corpo, assim como ocorreu com Jesus.

Voltando ao livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos, podemos verificar a descrição dos momentos que antecederam a elevação de Maria, repetindo alguns trechos já citados anteriormente.

A alvorada desdobrava o seu formoso leque de luz quando aquela alma eleita se elevou da Terra, onde tantas vezes chorara de júbilo, de saudade e de esperança. Não mais via seu filho bem-amado, que certamente a esperaria, com as boas-vindas, no seu reino de amor; mas, extensas multidões de entidades angélicas a cercavam cantando hinos de glorificação.

Experimentando a sensação de se estar afastando do mundo, desejou rever a Galileia com os seus sítios preferidos. Bastou a manifestação de sua vontade para que a conduzissem à região do lago de Genesaré, de maravilhosa beleza. Reviu todos os quadros do apostolado de seu filho e, só agora, observando do alto a paisagem, notava que o Tiberíades, em seus contornos suaves, apresentava a forma quase perfeita de um alaúde. Lembrou-se, então, de que naquele instrumento da Natureza Jesus cantara o mais belo poema de vida e amor, em homenagem a Deus e à humanidade. Aquelas águas mansas, filhas do Jordão marulhoso e calmo, haviam sido as cordas sonoras do cântico evangélico.

Dulcíssimas alegrias lhe invadiam o coração e já a caravana espiritual se dispunha a partir, quando Maria se lembrou dos discípulos perseguidos pela crueldade do mundo e desejou abraçar os que ficariam no vale das sombras, à espera das claridades definitivas do Reino de Deus. Emitindo esse pensamento, imprimiu novo impulso às multidões espirituais que a seguiam de perto. Em poucos instantes, seu olhar divisava uma cidade soberba e maravilhosa, espalhada sobre colinas enfeitadas de carros e monumentos que lhe provocavam assombro. Os mármores mais ricos esplendiam nas magnificentes vias públicas, onde as liteiras patrícias passavam sem cessar, exibindo pedrarias e peles, sustentadas por misérrimos escravos. Mais alguns momentos e seu olhar descobria outra multidão guardada a ferros em escuros calabouços. Penetrou os sombrios cárceres do Esquilino, onde centenas de rostos amargurados retratavam padecimentos atrozes. Os condenados experimentaram no coração um consolo desconhecido.

Maria se aproximou de um a um, participou de suas angústias e orou com as suas preces, cheias de sofrimento e confiança. Sentiu-se mãe daquela assembleia de torturados pela injustiça do mundo. Espalhou a claridade misericordiosa de seu espírito entre aquelas fisionomias pálidas e tristes. Eram anciães que confiavam no Cristo, mulheres que por ele haviam desprezado o conforto do lar, jovens que depunham no Evangelho do Reino toda a sua esperança. Maria aliviou-lhes o coração e, antes de partir, sinceramente desejou deixar-lhes nos espíritos abatidos uma lembrança perene. Que possuía para lhes dar? Deveria suplicar a Deus para eles a liberdade?! Mas, Jesus ensinara que com ele todo jugo é suave e todo fardo seria leve, parecendo-lhe melhor a escravidão com Deus do que a falsa liberdade nos desvãos do mundo. Recordou que seu filho deixara a força da oração como um poder incontrastável entre os discípulos amados. Então, rogou ao Céu que lhe desse a possibilidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da alegria. Foi quando, aproximando-se de uma jovem encarcerada, de rosto descarnado e macilento, lhe disse ao ouvido:

– “Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!… Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu”!..

A triste prisioneira nunca saberia compreender o porquê da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração. De olhos extáticos, contemplando o firmamento luminoso, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, em que traduzia sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando todas as suas amarguras em consoladoras rimas de júbilo e esperança. Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho.

Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de nossa Mãe Santíssima.

Por essa razão, irmãos meus, quando ouvirdes o cântico nos templos das diversas famílias religiosas do Cristianismo, não vos esqueçais de fazer no coração um brando silêncio, para que a Rosa Mística de Nazaré espalhe aí o seu perfume!” (Humberto de Campos, Boa Nova, pg. 200 a pg. 202)

15. Retrato de mãe

Em belíssima e comovente poesia, intitulada “Retrato de Mãe”, o Espírito Maria Dolores, por intermédio de Chico Xavier, descreve a assistência maternal e efetiva prestada pelo Espírito de Maria a Judas, que se encontrava em região umbralina, cego e solitário, muito tempo depois da crucificação do Mestre.

Depois de muito tempo,

Sobre os quadros sombrios do calvário, 

Judas, cego no além, errava solitário… 

Era triste a paisagem,

O céu era nevoento… 

Cansado de remorso e sofrimento, 

Sentara-se a chorar… 

Nisso, nobre mulher de planos superiores, 

Nimbada de celestes esplendores, 

Que ele não conseguia divisar, 

Chega e afaga a cabeça do infeliz. 

Em seguida, num tom de carinho profundo, 

Quase que, em oração, ela diz: 

– Meu filho, porque choras?

Acaso não sabeis? – Replica o interpelado, 

Claramente agressivo, 

Sou um morto e estou vivo. 

Matei-me e novamente estou de pé, 

Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé… 

Não ouvistes falar em Judas, o traidor? 

Sou eu que aniquilei a vida do Senhor… 

A princípio, julguei

Poder fazê-lo rei, 

Mas apenas lhe impus

Sacrifício, martírio, sangue e cruz. 

E em flagelo e aflição 

Eis que a minha vida agora se reduz… 

Afastai-vos de mim, 

Deixai-me padecer neste inferno sem fim… 

Nada me pergunteis, retirai-vos senhora, 

Nada sabeis da mágoa que me agita,

Nunca penetrareis minha dor infinita… 

O assunto que lastimo é unicamente meu…

No entanto a dama calma respondeu: 

– Meu filho, sei que sofres, sei que lutas,

Sei a dor que causa o remorso que escutas, 

Venho apenas falar-te 

Que Deus é sempre amor em toda parte… 

E acrescentou serena: 

– A bondade de Deus jamais condena: 

Venho por mãe a ti, buscando um filho amado. 

Sofre com paciência a dor e a prova; 

Terás, em breve, uma existência nova… 

Não te sintas sozinho ou desprezado.

Judas interrompeu-a e bradou, rude e pasmo: 

– Mãe? Não venhais aqui com mentira e sarcasmo. 

Depois de me enforcar num galho de figueira, 

Para acordar na dor, 

Sem mais poder fugir à vida verdadeira, 

Fui procurar consolo e força de viver

Ao pé da pobre mãe que forjara o ser! 

Ela me viu chorando e escutou meus lamentos, 

Mas teve medo dos meus sofrimentos.

Expulsou-me a esconjuros, 

Chamou-me monstro, por sinal,

Disse que eu era

Unicamente o espírito do mal;

Intimidou-me a terrível retrocesso, 

Mandando que apressasse o meu regresso

Para a zona infernal, de onde, por certo, eu vinha… 

Ah! Detesto lembrar a horrível mãe que eu tinha… 

Não me faleis de mães, não me faleis de amor, 

Sou apenas um monstro sofredor… 

– Inda assim – disse a dama docemente: 

Por mais que me recuses, não me altero, 

Amo-te, filho meu, amo-te e quero 

Ver-te, de novo, a vida 

Maravilhosamente revestida 

De paz e luz, de fé e elevação… 

Virás comigo à Terra, 

Perderás, pouco a pouco, o ânimo violento, 

Terás o coração 

Nas águas de bendito esquecimento. 

Numa existência de esperança, 

Levar-te-ei comigo 

A remansoso abrigo. 

Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!…

E Judas, neste instante. 

Como quem olvidasse a própria dor gigante 

Ou como quem se desgarra de pesadelo atroz, 

Perguntou: – Quem sois vós? 

Que me falais assim, sabendo-me traidor? 

Sois divina mulher, irradiando amor 

Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?!…

No entanto, ela a fitá-lo, frente a frente, 

Respondeu simplesmente: 

– Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus. (XAVIER. Do Espírito Maria Dolores. Maria, Mãe de Jesus, pg. 79 a pg. 82)

Hélio Tinoco também fala, em sua palestra, sobre o socorro e o resgate de Judas por Maria de Nazaré no vale dos suicidas, na poesia Retrato de Mãe de Maria Dolores. Maria deixa a sua região e vai ao socorro de Judas.

Esta mensagem psicografada é a grande lição do perdão incondicional dado por Maria a Judas, o traidor do seu próprio filho. Maria continua a velar por nós como fez com Judas.

Dessa mensagem de perdão, veio à minha lembrança um trecho do Livro Boa Nova, do Espírito Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, em que todos são filhos de Deus:

– Senhor, os Espíritos do mal são também nossos irmãos? – Inquiriu, admirado, o Apóstolo.

– Toda a criação é de Deus. Os que vestem a túnica do mal envergarão um dia a da redenção pelo bem. Acaso, poderias duvidar disso? O discípulo do Evangelho não combate propriamente o seu irmão, como Deus nunca entra em luta com seus filhos… (Boa Nova; Espírito Humberto de Campos; psicografado por Chico Xavier; pg. 49)

16. Hospital Maria de Nazaré e Mansão da Esperança

Yvonne do Amaral Pereira, por mensagens de áudio e por visão, no livro “Memórias de um Suicida”, relata as experiências do Espírito Camilo Cândido Botelho (Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco) após o cometimento de um ato atentatório contra sua própria vida e, por conseguinte, o novo amanhecer no mundo espiritual.

Camilo revela que Maria de Nazaré dirige no plano Espiritual várias organizações de socorro aos necessitados, dentre elas o Hospital Maria de Nazaré e a Mansão da Esperança.

Nessas instituições, sob a influência e as orientações de Maria mãe de Jesus, prestam-se socorro, por intermédio da Legião dos Servos de Maria, àqueles que abreviaram voluntariamente a sua vida e por isso padecem atrozes dores no mundo espiritual.

Naquele Hospital, “os avisos e as ordens vêm de Mais Alto… de lá, onde paira a assistência magnânima da piedosa Mãe da Humanidade, a Governadora de nossa Legião (…) se a outro eminente Espírito for dirigida a súplica, será esta encaminhada a Maria e seguir-se-ão as mesmas providências, pois, como vimos afirmando, é Maria a sublime acolhedora dos réprobos que se arrojaram aos temerosos abismos da morte voluntária…” (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 204)

Camilo conta a sua trajetória. Depois do suicídio, enfrentando atrozes sofrimentos, Camilo foi conduzido ao Vale dos Suicidas, região de muitas dores do plano espiritual que abriga aqueles que tentaram pôr fim à própria vida. (XAVIER. Maria, mãe de Jesus, pg. 84)

Porém, mesmo em lugar tão terrível, a misericórdia de Deus se manifesta: (…) Periodicamente, singular caravana visitava esse antro de sombras: Era como a inspeção de alguma associação caridosa, assistência protetora de instituição humanitária, cujos abnegados fins não se poderiam pôr em dúvida. Vinha à procura daqueles dentre nós cujos fluidos vitais arrefecidos pela desintegração completa da matéria, permitissem locomoção para as camadas do Invisível intermediário, ou de transição. Suponhamos tratar-se, a caravana, de um grupo de homens. Mas na realidade eram Espíritos que estendiam a fraternidade. (XAVIER. Maria, mãe de Jesus, pg. 85 e pg. 86)

A Legião, caridosa e protetora, é identificada no peito por uma pequena cruz azul-celeste e uma flâmula, onde se lê também em azul-celeste a legenda: “Legião dos Servos de Maria”. 

Entravam aqui e ali, pelo interior das cavernas habitadas, examinando seus ocupantes. Curvavam-se, cheios de piedade, junto das sarjetas, levantando aqui e acolá algum desgraçado tombado sob o excesso de sofrimento; retiravam os que apresentassem condições de poderem ser socorridos e colocavam-nos em macas conduzidas por varões que se diriam serviçais ou aprendizes. (XAVIER. Maria, mãe de Jesus, pg. 86)

Passaram-se os anos, e finalmente Camilo tem condições de ser socorrido, sendo transferido para o Hospital Maria de Nazaré.

Para além da cornija, caprichosamente trabalhada, e urdida em letras artísticas e graúdas, lia-se em idioma português esta inscrição já nossa conhecida, a qual, como por encanto, serenou nossa agitação logo que a descobrimos: “Legião dos Servos de Maria”, seguindo-se esta indicação que, emocionante, compeliu-nos a novas apreensões: Colônia Correcional.

(…) Sobre o pórtico da torre principal lia-se esta outra inscrição, parecendo-nos tudo muito interessante, como um sonho que nos cumulasse de incertezas: Torre de Vigia. (…)

Com surpresa verificamos que entrávamos em cidade movimentadíssima, conquanto recoberta por extensos véus de neve, ou cerração pesada. Não fazia, porém, frio intenso, o que nos surpreendeu, e o Sol, mostrando-se a medo entre a cerração, deixava ocasião não só para nos aquecermos, mas também para distinguirmos o que houvesse em derredor.

Edifícios soberbos impunham-se à apreciação, apresentando o formoso estilo português clássico, que tanto nos falava à alma. Indivíduos atarefados, neles entravam e deles saiam em afanosa movimentação, todos uniformizados com longos aventais brancos, ostentando ao peito a cruz azul celeste ladeada pelas iniciais: L. S. M.

Dir-se-iam edifícios, ministérios públicos ou departamentos. Casas residenciais alinhavam-se, graciosas e evocativas na sua estilização nobre e superior, traçando ruas artísticas que se estendiam laqueadas de branco, como que asfaltadas de neve. À frente de um daqueles edifícios parou o comboio e fomos convidados a descer. Sobre o pórtico definia-se sua finalidade em letras visíveis: Departamento de Vigilância (Seção de Reconhecimento e Matrícula).

Tratava-se da sede do Departamento onde seríamos reconhecidos e matriculados pela direção, como internos da Colônia. Daquele momento em diante estaríamos sob a tutela direta de uma das mais importantes agremiações pertencentes à Legião chefiada pelo grande Espírito Maria de Nazaré, ser angélico e sublime que na Terra mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitudes maternais, aquele que foi o Redentor dos homens! (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 52 e pg. 53)

Ao cabo de uma hora de corrida moderada, durante a qual deixávamos para trás o bairro da Vigilância, penetrando, por assim dizer, o campo, porque avançando em região despovoada, conquanto as estradas se apresentassem caprichosamente projetadas, orladas de arbustos níveos quais flores dos Alpes, avistamos grandes marcos, como arcos de triunfo, assinalando o ingresso em novo Departamento, nova província dessa Colônia Correcional localizada nas fronteiras invisíveis da Terra com a Espiritualidade propriamente dita.

Com efeito. Lá estava a indicação necessária entestando a arcada principal, norteando o recém-chegado por auxiliá-lo no esclarecimento de possíveis dúvidas: Departamento Hospitalar.

A um e outro lado destacavam-se outras em que setas indicavam o início de novos trajetos, enquanto novas inscrições satisfaziam a curiosidade ou necessidade do viajante:

À direita – Manicômio.

À esquerda – Isolamento.

Nossos condutores fizeram-nos ingressar pela do centro, onde também se lia, em subtítulo: Hospital Maria de Nazaré.

Imenso parque ajardinado surpreendeu-nos para além dos marcos, enquanto amplos edifícios se elevavam em locais aprazíveis da situação. Padronizando sempre o estilo português clássico, esses edifícios apresentavam muita beleza e amplas sugestões com suas arcadas, colunas, torres, terraços, onde flores trepadeiras se enroscavam acentuando agradável estética. Para quem, como nós, angustiados e miseráveis, procedia das atrasadas regiões, semelhante localidade, não obstante insulsa, graças à inalterável brancura, aparecia como suprema esperança de redenção! E nem faltavam, aformoseando o parque, tanques com repuxos artísticos a esguicharem água límpida e cristalina, a qual tombava em silêncio, cascateando mimosas gotas como pérolas, enquanto aves mansas, bando de pombos graciosos esvoaçavam ligeiros entre açucenas.

Ao contrário das demais dependências hospitalares, como o Isolamento e o Manicômio, o Hospital Maria de Nazaré, ou “Hospital Matriz”, não se rodeava de qualquer barreira. Apenas árvores frondosas, tabuleiros de açucenas e rosas teciam-lhe graciosas muralhas. Muitas vezes pensei, quando dos meus dias de convalescença, como seria arrebatadora a paisagem se a policromia natural rompesse o sudário níveo que tudo aquilo envolvia entristecendo o ambiente de incorrigível monotonia!

Fatigados, sonolentos e tristes, subimos a escadaria. Grupos de enfermeiros atenciosos, todos homens, chefiados por dois jovens trajados à indiana, assistentes do diretor do Departamento, os quais mais tarde soubemos chamarem-se Romeu e Alceste, receberam-nos das mãos dos funcionários da Vigilância incumbidos, até então, da nossa guarda, e, amparando-nos bondosamente, conduziram-nos ao interior.

Penetramos galerias magníficas, ao longo das quais portas largas e envidraçadas, com caixilhos levemente azuis, deixavam ver o interior das enfermarias, o que vinha esclarecer que o enfermo jamais se reconheceria a sós. Nossos grupos separaram-se à indicação dos enfermeiros: dez à direita… dez à esquerda… Cada dormitório continha dez leitos alvíssimos e confortáveis, amplos salões com balcões para o parque. Forneceram-nos, caridosamente, banho, vestuário hospitalar, o que nos proporcionou lágrimas de reconhecimento e satisfação. A cada um de nós foi servido delicioso caldo, tépido, reconfortante, em pratos tão alvos quanto os lençóis: e cada um sentiu o sabor daquilo que lhe apetecia. Fato singular: enquanto fazíamos a refeição frugal, era o lar paterno que acudia às nossas lembranças, as reuniões em família, a mesa da ceia, o doce vulto de nossas mães servindo-nos, a figura austera do pai à cabeceira… E lágrimas indefiníveis se misturaram ao alimento reconfortador…

Num ângulo favorável aos dez leitos uma lareira aquecia o recinto, proporcionando-nos reconforto. E acima, suspensa ao alto da parede, que se diria estruturada em porcelana, fascinante tela a cores, luminosa e como animada de vida e inteligência, despertou nossa atenção tão logo transpusemos os acolhedores umbrais. Era um quadro da Virgem de Nazaré, algo semelhante ao célebre painel de Murilo, que eu tão bem conhecia, mas sublimado por virtuosidades inexistentes entre os gênios da pintura na Terra! (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 54 a pg. 56)

Esse quadro da Virgem chama a atenção para um fato que será revelado pelo Espírito Emmanuel a Chico Xavier, em Retrato de Maria.

A respeito do tratamento a Camilo diante do ato praticado em vida corporal, destacamos alguns trechos.

Sei que os tecidos semimateriais das regiões já citadas do meu perispírito, profundamente afetadas, receberam sondagens de luz, banhos de propriedades magnéticas, bálsamos quintessenciados, intervenções de substâncias luminosas extraídas dos raios solares; que deles extraíram fotografias e mapas movediços, sonoros, para análises especiais; que tais fotografias e mapas mais tarde seriam encaminhados à “Seção de Planejamento de Corpos Físicos”, do Departamento de Reencarnação, para estudos concernentes à preparação da nova vestidura carnal que me caberia para o retorno aos testemunhos e expiações na Terra, aos quais julgara poder furtar-me com o tresloucado gesto que tivera. Sei que, submetido ao estranho tratamento, envolvido em aparelhos sutis, luminosos, transcendentes, permaneci uma hora, durante a qual o velho doutor de Canalejas e o cirurgião hindu desvelaram-se carinhosamente, reanimando-me com palavras encorajadoras, exortando-me a confiança no futuro, a esperança no Supremo Amor de Deus! E sei também que causei trabalhos árduos, mesmo fadigas àqueles abnegados servos do Bem; que exigi preocupações, obrigando-os a devotamentos profundos até que em meu físico astral se extinguissem as correntes magnéticas afins com o físico terreno, as quais mantinham o clamoroso desequilíbrio que nenhuma expressão humana será bastante veraz para descrever!

É que o “corpo astral”, isto é, o perispírito – ou ainda o “físico espiritual” – não é uma abstração, figura incorpórea, etérea, como supuseram. Ele é, ao contrário disso, organização viva, real, sede das sensações, na qual se imprimem e repercutem todos os acontecimentos que impressionem a mente e afetem o sistema nervoso, do qual é o dirigente. (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 74 e pg. 75)

A Mansão da Esperança é citada no livro de Yvonne do Amaral, onde a Legião dos Servos de Maria também atua em clima vibratório mais ameno. Nesse local, abrigam entidades com alta do Hospital Maria de Nazaré.

Pelos recantos dessa Mansão, na Cidade Universitária, ressoam doces acordes, melodias suaves, entoadas pelos vigilantes.

Tudo indicava que gravitáramos, segundo as nossas afinidades, para uma Cidade Universitária, onde ciclos novos de estudo e aprendizagem se franqueariam para nós, segundo nosso desejo. (…)

Emocionados, detivemo-nos diante das Escolas que deveríamos cursar. Lá estavam, entestando-as, os letreiros descritivos dos ensinamentos que receberíamos: – Moral, Filosofia, Ciência, Psicologia, Pedagogia, Cosmogonia, e até um idioma novo, que não seria apenas uma língua a mais, a ser usada na Terra como atavio de abastados, ornamento frívolo de quem tivesse recursos monetários suficientes para comprar o privilégio de aprendê-la.

Não! O idioma cuja indicação ali nos surpreendia seria o Idioma definitivo, que havia de futuramente estreitar as relações entre os homens e os Espíritos, por lhes facilitar o entendimento, removendo igualmente as barreiras da incompreensão entre os humanos e contribuindo para a confraternização ideada por Jesus de Nazaré: (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 385 e pg. 386)

O diretor da Cidade Esperança, Irmão Sóstenes, ao receber um grupo de aprendizes, explica: “Maria, sob o beneplácito de seu Augusto Filho, ordenou sua criação para que vos fosse proporcionada ocasião de preparativos honrosos para a reabilitação indispensável. Encontrareis no seu amor de mãe sustentáculo sublime para vencerdes o negror dos erros que vos afastaram das pegadas do Grande Mestre a quem deveis antes amor e obediência! Espero que sabereis compreender com inteligência as vossas próprias necessidades…” (BOTELHO. Memórias de um suicida; pg. 387)

Hélio Tinoco, da mesma maneira, comenta sobre as obras beneméritas de Maria no Hospital Maria de Nazaré, na Mansão da Esperança e da Legião dos Servos de Maria que socorre os sofredores no vale dos suicidas.

Esclarece que, depois do tratamento recebido no Hospital Maria de Nazaré, uma colônia correcional, vão para uma cidade universitária, onde na Mansão da Esperança recebem o treinamento, a informação para que possam mais uma vez reencarnar e tentar, dessa vez, corrigir, melhorar e avançar no caminho da perfeição.

Disso, fica outra lição de Maria de Nazaré, que é a do constante servir, porquanto na vida espiritual não é somente contemplação, descanso ou lugar de tranquilidade. Engana-se, porque do outro lado vamos trabalhar incessantemente, porque é servindo que construímos a capacidade de amar. Assim, temos que começar a servir e praticar a compaixão e a caridade, e amar os nossos irmãos incondicionalmente.  

17. Retrato de Maria

Um quadro de Maria, Mãe de Jesus, foi divulgado num programa da TV Record, de São Paulo, com a presença de Chico Xavier.

Chico, na reunião do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, em 1º de dezembro de 1984, durante homenagem ao dia das mães de 1984, contou que o Espírito de Emmanuel ditou, por ele, um retrato falado de Maria de Nazaré ao fotógrafo Vicente Avela, de São Paulo.

Esse trabalho artístico foi realizado aos poucos, desde 1983, com retoques sucessivos realizados pela grande habilidade de Vicente, em mais de vinte contatos com o médium mineiro, na Capital paulista.

Chico frisou que a fisionomia de Maria revela tal qual Ela é conhecida quando de Suas visitas às esferas espirituais mais próximas e perturbadas da crosta terrestre; como por exemplo, disse-nos ele, na Legião dos Servos de Maria, grande instituição de amparo aos suicidas descrita detalhadamente no livro “Memórias de um Suicida”, de Yvonne do Amaral Pereira.

O artista destacou que não houve pintura e sim um trabalho fotográfico, fruto de retoques sucessivos num retrato falado inicial, sob a orientação mediúnica de Chico Xavier.

Quando Vicente concluiu a tarefa, ampliou o retrato e coloriu com tinta a óleo, com experiência adquirida na época em que não havia filmes coloridos e as fotos em preto-e-branco eram coloridas a mão, dando origem à tela que foi divulgada.

Hélio Tinoco, em sua palestra, fala deste retrato de Maria de Nazaré, lembrando Chico Xavier, grande devoto e admirador de Maria, que, em sua curiosidade, queria saber como seria Maria e indaga a Emmanuel.

Emmanuel diz a Chico Xavier: você acha que na minha condição de elevação eu consigo ver Maria?  Chico insiste, lembrou-se do Livro de Yvonne do Amaral Pereira, Memórias de um suicida, em que no Hospital Maria de Nazaré havia um quadro de Maria na parede; e solicitou a Emmanuel ir àquele local. Lá Emmanuel poderia ir. Chico disse: vá lá e vamos fazer o retrato falado de Maria de Nazaré. Então, chamou um amigo conhecido, desenhista e fotografo, e começam a psicografar e a desenhar Maria em vinte seções.

18. Bezerra de Menezes, Celina e Maria

No dia 29 de agosto, comemora-se o nascimento de Bezerra de Menezes, que sempre se empenhou em amenizar a dor do próximo.

Em 1950, ocorreu no plano espiritual uma reunião para homenagear os 50 anos de sua desencarnação. Chico Xavier, um dos convidados, relata que Bezerra achava-se naquele ambiente de luz vivendo com grande emoção aqueles momentos em que recordava dos 69 anos vividos na Terra como o Médico dos Pobres, o Irmão dos sofredores.

De repente, sob a surpresa dos que compunham a grande assembleia, uma Estrela luminescente dá presença. Era Celina, a enviada de Maria que chega e lê a sua mensagem, promovendo Bezerra a uma tarefa maior em uma Esfera mais alta.

Ele chora emocionadíssimo e ajoelha-se agradecendo entre lágrimas, a graça recebida, suplicando-lhe, por intermédio de sua enviada sublime, para ficar no seu humilde posto, junto a Terra, a fim de continuar atendendo seus irmãos terrestres que tantas provas lhe dão de estima.

O espírito luminoso de Celina sobe às esferas elevadas de onde veio e se dirige à Mãe Celestial, submetendo à sua apreciação o pedido de seu servo agradecido. Daí a instantes, volta e traz a resposta de Maria, Mãe de Jesus. “Que sim, que Bezerra ficasse no seu Posto o tempo que quisesse e sempre sob suas bênçãos”!

19. Conclusão

“Maria de Nazaré escreveu uma página de luz na história de todos os povos; ela foi uma chama universal, que ainda hoje sustenta a esperança em todas as criaturas que conhecem a fé e reconhecem Nosso Senhor Jesus como Pastor de todo o rebanho terreno”. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 11) 

“Ela foi um ‘anjo’ que se revestiu de carne no planeta Terra, para favorecer a descida mais arrojada que a Divindade determinou em favor dos homens. Ela trabalhou na sua mais profunda simplicidade, porque veio para ampliar os conceitos do seu filho, pelo exemplo”. (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 14)

Bibliografia:

ALVAREZ, Rodrigo. Maria: a biografia da mulher que gerou o homem mais importante da história, viveu um inferno, dividiu os cristãos, conquistou meio mundo e é chamada Mãe de Deus. 1ª Edição. São Paulo: Editora Globo S. A., 2015.

ARMOND, Edgard. Os Exilados da Capela. 5ª Edição. São Paulo/SP: Editora Aliança, 2011.

AUREO (Espírito); (psicografado por) Hernani Trindade Sant’Anna. Universo e Vida. 9ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

BÍBLIA SAGRADA.

BOTELHO, Camilo Cândido (Espírito); (psicografado por) Yvonne do Amaral Pereira. Memórias de um suicida. 27ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

CAMPOS, Humberto de (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Boa Nova. 37ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. A Caminho da Luz. 38ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Caminho, Verdade e Vida. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, (1948).

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Há dois mil anos. 49ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Pão nosso. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Paulo e Estevão. 45ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

FARIA, Jacir de Freitas. História de Maria, mãe e apóstola de seu Filho, nos evangelhos apócrifos. 3ª Edição. Petrópolis, Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2012.

IBBIS – Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser.  Maria de Nazaré. Disponível em: <http://www.ibbis.org.br/matrizes/maria-de-nazare/>. Acesso em 31 de janeiro de 2016.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. A Gênese. 52ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010.

KARDEC, Allan; coordenação de Cláudio Damasceno Ferreira Junior. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 4ª Edição. Porto Alegre/RS: Edições Besouro Box, 2011.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 92ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2011.

LEAL, José Carlos. Maria Madalena – A Testemunha da Paixão. Rio de Janeiro/RJ: Léon Denis – Gráfica e Editora, 2009.

MIRAMEZ (Espírito); (psicografado por) João Nunes Maia. Maria de Nazaré. 12ª Edição. Belo Horizonte/MG: Fonte Viva, 2011.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Livro I: Cristianismo e Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2010.

PROTOEVANGELHO DE TIAGO.

RAMATÍS (Espírito); (psicografado por) Hercílio Maes; revista por José Fuzeira. O Sublime Peregrino. 6ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Livraria Freitas Bastos S. A., 2011.

XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por). Momentos de Ouro. Vários Espíritos.  Editora Geem, 1977.

XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por); PEREIRA, Yvonne do Amaral (psicografado por); CARNEIRO, Edison (organizado por). Maria, Mãe de Jesus. 2ª Edição. São Paulo: Editora Aliança, 2011.

TV Mundial de Espiritismo: Associação Mundo Espírita (AME). Renato Luiz e Silvânia Eleusa. Espiritismo em Ação: Maria de Nazaré. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=OKF4j0ImfFM>. Publicado em 5 de agosto de 2015. Acesso em 31 de janeiro de 2016.

UEC – União Espírita Cristã. Hélio Tinoco. Maria de Nazaré. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=jAVrNxNw1-4. Publicado em 29 de maio de 2015. Acesso em 31 de janeiro de 2016.

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