Algumas premissas para interpretar o Apocalipse

Apocalipse é uma palavra grega que significa revelação. Não significa fim do mundo.

Ao invés de anunciar o fim, o Apocalipse revela o começo de uma nova fase de evolução espiritual e planetária da Terra.

Revela, segundo a interpretação Espírita, o surgimento de uma Nova Era, ou mundo regenerado, símbolo de uma sociedade mais feliz, justa, pacífica, amorosa e fraterna.

O Apocalipse, escrito por João Evangelista, é uma revelação de Jesus Cristo, dada por Deus, de coisas que irão ocorrer no futuro, em breve, pois o tempo está próximo.

Vivemos uma transição planetária: de um mundo de expiação e provas para um mundo regenerado.

O Apocalipse é de difícil compreensão devido à linguagem utilizada por meio de símbolos, imagens, agentes, figuras, animais, cores, números, que conduz a diferentes interpretações conforme as crenças religiosas e os pontos de vistas filosóficos e teológicos.

A questão da interpretação é fundamental para qualquer estudo e análise, quando se trata de desvendar as mensagens, pois pode-se ir em uma direção ou outra.

Importante aliar a fé e a razão, afastando-se o dogmático, as paixões, as crenças específicas, as visões e os conceitos puramente humanos de seres imperfeitos que somos, e outros aspectos que possam contaminar as análises e as possíveis conclusões.

Algumas premissas para balizar o caminho entre as diversas interpretações do Apocalipse: 

•    as leis de Deus são perfeitas, imutáveis, eternas e universais;

•    não há verdade do passado que não seja mais verdade no presente e no futuro, se assim fosse o revelado no passado seria falso;

•    Jesus não veio destruir as leis de Deus, mas dar cumprimento a elas;

•    Jesus é o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai senão por Ele;

•    ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo;

•    o Reino de Deus ainda não está neste mundo, mas estará na Terra quando aceitarmos a Palavra, como pessoas regeneradas pela verdade na estrada do progresso e da fé, seguindo o caminho indicado por Jesus;

•    o livre arbítrio faz parte da evolução, porquanto será dado a cada um segundo as suas obras;

•    o Apocalipse, escrito por João Evangelista, por meio de visões, é diretamente de Jesus Cristo sobre as coisas que devem acontecer;

•    o Apocalipse, sendo verdade, não pode contradizer as leis de Deus e os ensinamentos de Jesus, pois eles são universais de testemunho da verdade;

•    os ensinamentos de Jesus não se contaminam por questões puramente humanas;

•    Deus, em todos os tempos, sem cessar, deu a alguns seres, encarnados e desencarnados, a missão de revelar a Sua lei;

•    as instruções Espíritas podem ser transmitidas por diversos meios (inspiração, audição, visões e aparições, quer em sonho ou em estado de vigília);

•    as revelações de Deus são verdades, se falsas não podem ser atribuídas a Ele, sendo produtos da concepção humana;

•    as revelações de único Espírito não se podem garantir a origem, pois seria preciso acreditar na palavra daquele que revela;

•    os Espíritos, que propagam o Espiritismo, contam com o auxílio de incontáveis médiuns, de todos os lados, de maneira universal;

•    cada Espírito possui um nível de conhecimento, proporcional à sua elevação moral e intelectual;

•    toda teoria, que contrarie o bom senso, a lógica e os conhecimentos, já adquiridos, deve ser rejeitada; e

•    a única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas, espontaneamente, através de grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.

Como reforço às premissas balizadoras levantadas: Jesus não veio destruir a lei de Deus, mas dar seu cumprimento; o ser humano não pode destruir a lei de Deus; as crenças não podem destruir a lei de Deus; a Ciência não pode destruir a lei de Deus, porquanto a estuda e investiga; o Apocalipse não veio destruir a lei Deus, mas dar seu cumprimento; e a lei natural é lei de Deus, eterna, imutável e perfeita. Jesus é o legislador moral para toda a Humanidade.

Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto”.  (Mateus, 5: 17-18)

O Apocalipse é revelação de Jesus para a humanidade, dada por Deus, escrita por João Evangelista, especialmente sobre coisas futuras.

As revelações foram dadas em forma de visões, cujo vidente traduziu em símbolos as mensagens recebidas. Os símbolos ocorrem em toda Escritura Sagrada.

As visões têm importância pelo simbolismo, que transmitem valores e despertam emoções.

O simbolismo funciona como um código espiritual, compreendido pelos mais esclarecidos, mas não pelos menos esclarecidos.

O livro de João circulou pelas igrejas durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.). Caso ele tivesse sido escrito em linguagem mais direta e, ocasionalmente, caído na mão dos romanos, as pessoas associadas com o livro teriam sido executadas.

Para compreender o Apocalipse, é preciso estudar profundamente o Antigo e o Novo Testamentos.

O contexto histórico retrata a realidade de uma época, mas o maior ensinamento será transportar as lições do passado para os dias atuais e para o futuro da humanidade.

Todo ensinamento será útil se servir de lição para gerações vindouras. Jesus não dispenderia tamanha energia no Apocalipse para o seu ensino ser útil tão somente àquele período. Se assim fosse, de nada mais serviria após as confirmações de algumas revelações.

O caminho para o Reino de Deus não é largo, amplo e fácil, muito pelo contrário, ele é estreito e difícil.

Dessa maneira, larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal.

E estreita é a porta da salvação, porque o homem que a queira transpor é obrigado a grandes esforços sobre si mesmo para vencer as suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. É o complemento da máxima: “muitos são os chamados e poucos os escolhidos”.

João encontrava-se prisioneiro na Ilha de Patmos, quando escreveu o Apocalipse (81-96 DC; época do imperador Domiciano).

Vivia-se período de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja nascente por parte de Roma e dos cidadãos do Império Romano (a ‘‘Besta’’), mediante instigação de ‘‘Satanás’’ (anticristo).

O Apocalipse foi destinado a reerguer e a robustecer o ânimo dos cristãos, escandalizados pelo fato de que perseguição tão violenta se tenha desencadeado contra a Igreja daquele que afirmara: ‘‘não temais, eu venci o mundo’’ (João, 16: 33).

Apresenta três conteúdos básicos: protesto contra as injustiças sociais; sofrimento que aguardam os perseguidores; e vitória do bem, manifestada no amor do Cristo pela Humanidade.

Assim, o Apocalipse foi uma escritura consoladora destinada aos cristãos que viviam naquele período atribulado, ou seja, um Livro de resistência e de perseverança na fé em Deus e no Mestre Jesus Cristo, a exemplo de Paulo de Tarso: combater o bom combate, na luta do bem contra o mal, e guardar (manter) a fé. 

Mas também foi um Livro de esperança e fé no futuro de um mundo melhor e regenerado, pois o bem vence o mal, diante de um Jesus Cristo vitorioso.

No embate final, Cristo, o Cordeiro, vencerá as forças da escuridão, descrevendo uma vitória final do bem sobre o mal.

No final, há a visão de ‘‘um novo céu e uma nova Terra’’.

O novo céu e a nova Terra serão o início de uma Nova Era, onde a justiça reinará, uma humanidade renovada, ou um mundo regenerado.

Importante destacar que a renovação acontecerá tanto na Terra com no céu, passando uma ideia de universalidade. Logo, estaremos habitando, como moradas da Casa do Pai, o novo céu e a nova Terra.

A “Nova Jerusalém”, ou “Jerusalém celeste”, ou “Jerusalém libertada”, será símbolo da humanidade regenerada.

Durante milênios, a humanidade amargou dolorosas provações em razão dos erros cometidos contra a Lei de Deus.

Uma geração nova surge, afinal, na Terra. Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral.

Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos! Orai e vigiai!

Bibliografia:

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MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I: orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte II. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo / Marta Antunes de Oliveira Moura (organizadora). 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

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