Apocalipse de uma Nova Era: revelação para um mundo regenerado

Com as bênçãos de Deus, a paz de Jesus e a intercessão de Maria de Nazaré.

Vamos falar sobre o “Apocalipse de uma Nova Era: revelação para um mundo regenerado”, cujo título conjuga a palavra grega revelação com a interpretação espírita do surgimento de uma Nova Era, ou mundo regenerado, símbolo de uma sociedade mais feliz, justa, pacífica, amorosa e fraterna, que o Apocalipse ou a Revelação de Jesus Cristo, escrito por João Evangelista, ao invés de anunciar o fim revela o começo de uma nova fase de evolução espiritual e planetária da Terra.

Diz o Capítulo 1 (1-3) do Apocalipse: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto. Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo”. (Apocalipse 1: 1-3)

Mais adiante: Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo. Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia”. (Apocalipse 1: 9-11)

Desses versículos, destacamos: o Apocalipse é revelação de Jesus Cristo, dada por Deus, para mostrar as coisas que brevemente devem acontecer, de tudo o que tem visto, pois, o tempo está próximo.

João estava na ilha grega de Patmos, no mar Egeu, por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. João ouviu uma grande voz, que dizia: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro”. Assim, começa o Apocalipse de João Evangelista.

O Apocalipse, de difícil compreensão devido à linguagem utilizada por meio de símbolos, imagens, agentes, figuras, animais, cores, números, dentre outros, conduz a diferentes interpretações conforme as crenças religiosas e os pontos de vistas filosóficos e teológicos.

A questão da interpretação é fundamental para qualquer estudo e análise, ainda mais, quando se trata de desvendar as mensagens do Apocalipse. Dependendo do sentido das mensagens, pode-se ir em uma direção ou outra.

Por isso, importante aliar a fé e a razão, afastando-se o dogmático, as alegorias, o fantasioso, o maravilhoso, o prodígio, o místico, as paixões, as crenças específicas, as visões e os conceitos puramente humanos de seres imperfeitos que somos, e outros aspectos que possam contaminar as análises, as constatações, as reflexões e as possíveis conclusões para o tema proposto.

Contudo, buscar-se-á uma interpretação segundo a Doutrina Espírita, dentro do contexto da fé raciocinada e inabalável, que relaciona a própria fé com a razão sem contradizer o descoberto pela Ciência.

Para tanto, as revelações espíritas devem ser submetidas ao elevado foro de controle universal estabelecido por Allan Kardec, sem o que se pulverizará na vala comum, onde se dissolve tudo o que não tem suporte na eternidade.

Em “A Gênese”, Allan Kardec, sobre o caráter da revelação espírita, destaca que: “a caraterística essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por consequência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele; deve ser considerada produto de uma concepção humana”. (KARDEC, A Gênese, pg. 22)

No item 9 do mesmo Capítulo, acerca de revelações diretas de Deus e as revelações a espíritos e encarnados, selecionamos o seguinte:

“Há revelações diretas de Deus aos homens? É uma questão que não ousaríamos responder, nem afirmativa nem negativamente, de uma maneira absoluta. O fato não é radicalmente impossível, porém, nada nos dá a certeza dele. O que não se pode duvidar é que os espíritos mais próximos de Deus pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. Quanto aos reveladores encarnados, segundo a ordem hierárquica a que pertencem e ao grau de seu saber pessoal, podem tirar dos seus próprios conhecimentos as instruções que ministram, ou recebê-las de espíritos mais elevados, até mesmo dos mensageiros diretos de Deus. Esses, falando em nome de Deus, foram, às vezes, confundidos com o próprio Deus.

As comunicações desse gênero não têm nada de estranho para quem conhece os fenômenos espíritas e o modo pelo qual se estabelecem as relações entre encarnados e desencarnados. As instruções podem ser transmitidas por diversos meios: pela inspiração pura e simples, pela audição da palavra, pela visibilidade dos espíritos instrutores nas visões e aparições, quer em sonho, quer em estado de vigília, como se vê em muitos exemplos na Bíblia, no Evangelho e nos livros sagrados de todos os povos.

É, pois, rigorosamente exato dizer que quase todos os reveladores são médiuns inspirados, audientes ou videntes. Daí, entretanto, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, nem, ainda menos, intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros”. (KARDEC, A Gênese, pg. 25 e pg. 26)

No item 10, sobre a Palavra de Deus, extraem-se:

“Só os espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas sabe-se atualmente que nem todos os espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentam sob falsas aparências, o que levou João a dizer: ‘não acrediteis em todos os espíritos; vede antes se os espíritos são de Deus’. (1ª Epístola de João, 4: 1.)

Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como existem as apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é a da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros, ou sujeita a modificações, não pode emanar de Deus”. (KARDEC, A Gênese, pg. 26)

No item 13, quanto à natureza e ao caráter da revelação espírita, ressaltamos:

“A revelação espírita, por sua natureza, apresenta duas características: é ao mesmo tempo revelação divina e revelação científica.

Inclui-se na primeira, porque o seu aparecimento foi providencial e não o resultado da iniciativa de um desejo premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da Doutrina têm sua origem no ensino dado pelos espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca das coisas que ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos, e que deveriam conhecer agora que estão aptos a compreendê-las.

Inclui-se na segunda, porque esse ensino não é privilégio de indivíduo algum, mas é dado a todos da mesma maneira; porque os que o transmitem e os que o recebem não são, de maneira alguma, seres passivos, dispensados do trabalho de observação e pesquisa, porque não renunciam ao seu raciocínio e ao seu livre-arbítrio; porque a verificação não lhes é impedida, mas, ao contrário, recomendada; enfim, porque a Doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque ela é deduzida, pelo trabalho dos homens, a partir da observação dos fatos que os espíritos colocam sob os seus olhos, e das instruções que dão a eles, instruções que os homens estudam, comentam, comparam e das quais tiram suas próprias conclusões e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é que a sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos espíritos e que a elaboração é o fruto do trabalho do homem”. (KARDEC, A Gênese, pg. 27 e pg. 28)

De “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, na Parte 2 da Introdução, Autoridade da Doutrina Espírita: Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, destaco:

“Se os Espíritos tivessem revelado a Doutrina Espírita a um único homem, nada poderia lhe garantir a origem, pois seria preciso acreditar na palavra daquele que a tivesse recebido.

Um homem pode ser enganado ou enganar a si mesmo. Porém, não há como enganar milhões de pessoas quando elas veem e ouvem a mesma coisa em vários lugares e ao mesmo tempo. Isto é uma garantia para cada um e para todos.

Portanto, são os próprios Espíritos que fazem a propagação do Espiritismo, com o auxílio de incontáveis médiuns que surgem de todos os lados.

A força do Espiritismo reside na maneira universal com que os Espíritos passam seus ensinamentos, sendo também essa a causa de sua rápida propagação.

Cada Espírito possui um nível de conhecimento e por isso está longe de possuir, individualmente, toda verdade. Não é dado a todos conhecer certos mistérios. O que cada um sabe é proporcional à sua elevação moral e intelectual, e a maioria dos Espíritos vulgares não sabem mais do que os homens, pelo contrário, às vezes sabem até muito menos.

O primeiro exame a que deve ser submetido tudo o que vem dos Espíritos é, sem dúvida, o da razão. Assim, toda teoria que contrarie o bom senso, a lógica e os conhecimentos já adquiridos deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o autor da mensagem. 

A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”. (KARDEC. O Evangelho Segundo o Espiritismo, pg. 18 a 20)

De “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, selecionamos algumas perguntas:

“622. Deus deu a alguns homens a missão de revelar Sua lei?

Sim, certamente; em todos os tempos houve homens que receberam essa missão. São os Espíritos Superiores encarnados com o objetivo de fazer a humanidade avançar”.

Santo Tomás conseguiu estabelecer o perfeito equilíbrio nas relações entre fé e razão, distinguindo-as, mas não as separando.

Deus existe? É possível provar sua existência? Razão e fé são incompatíveis? Tais questões foram centrais, que subordinaram especulações filosóficas aos dogmas das escrituras sagradas da Igreja Católica.

Tomás de Aquino tornou a metafísica aristotélica não somente aceitável para os cânones papais como também argumento a favor da fé cristã. O pensamento tomista é construído em bases racionais e empíricas, separando filosofia de teologia, apesar de subordinar a primeira à segunda. Assim, o papel da razão é demonstrar e ordenar os mistérios revelados pela fé.

Razão e fé puderam ser harmonizadas, apesar de distintas, mesmo no que diz respeito às verdades que podem alcançar, conforme Tomás de Aquino na “Súmula contra os gentios”: “com efeito, existem a respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente as capacidades da razão humana. Uma delas é, por exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem verdades que podem ser atingidas pela razão: por exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc. Estas últimas verdades, os próprios filósofos as provaram por via demonstrativa, guiados que eram pelo lume da razão natural”.

Emmanuel ensina: “ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão, tocados pela luz do sentimento”.

Aprende-se no Espiritismo que, na sua caminhada evolutiva, o Espírito vai conhecendo as leis de Deus, vai percebendo a perfeição e, quanto mais as conhece, mais se identifica com elas, mais confia na justiça e no amor do Criador, mais se conscientiza da Sua perfeição, mais tem fé. Essa é a fé que nasce do entendimento. Inabalável e indestrutível.

As provas para a fé estão ao redor. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé inabalável é a que pode encarar de frente a razão. A esse resultado conduz o Espiritismo.

Para a Doutrina Espírita, o Apocalipse revela um novo porvir, uma nova geração e uma humanidade mais fraterna. Ao contrário de fim do mundo, trata do começo de uma Nova Era. O fim de tudo não se harmoniza com o Plano de Deus para a humanidade e os ensinamentos de Jesus Cristo.

Jesus em seu Evangelho, por diversas vezes, deu indicação da vida futura e da destinação da Terra, quer seja no sentido da evolução espiritual de cada ser na busca da perfeição, como também da progressão do planeta no contexto da transformação dos mundos segundo a lei da natureza, como morada na casa do Pai.

Nas bem-aventuranças, do Sermão da Montanha, Jesus deixa claro que a felicidade futura será alcançada com as práticas dos seus ensinamentos.

Os humildes, os que choram com o libertar da alma, os mansos, os pacientes, os afáveis, os que buscam a justiça de Deus, os misericordiosos com o próximo, os puros de coração, os pacificadores no trabalho pela paz e os perseguidos e injuriados por causa da fé, do amor e da justiça terão a felicidade prometida fruto da correspondente evolução espiritual.

Praticadas as primeiras ações das bem-aventuranças, estes serão considerados cidadãos do Reino de Deus, serão consolados, herdarão os benefícios da Terra, serão atendidos e fartos, terão misericórdia divina, verão a Deus, serão chamados filhos de Deus e alcançarão planos espirituais de níveis mais elevados.

Na parábola do trigo e do joio, Jesus esclarece aspectos fundamentais da convivência do bem com o mal, da luta do bem contra o mal, da seleção na ceifa e na colheita, do expurgo do mal, da vitória do bem e da vigilância necessária. Hoje, percebemos pessoas de bem convivendo com aquelas que abraçaram o mal, ocasionado uma verdadeira batalha no cotidiano. Mais adiante, ressaltaremos os principais ensinamentos desta Parábola.

Quanto aos esclarecimentos, Jesus disse: “se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito”. (João 14: 15 a 17 e 26)

Jesus prometeu outro consolador, o Espírito de Verdade, que o mundo não conhecia, pois que não estava maduro para compreendê-lo; e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse.

Se o Espírito de Verdade deveria vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pôde dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.

Esse esquecimento e essa mal compreensão dos ensinamentos de Jesus estão evidentes nos dias de hoje, com o afastamento do caminho da verdade e da vida em direção ao Pai.

A esse respeito, no livro “Transição Planetária”, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, destacamos: “Se observamos com cuidado, notaremos a degenerescência da Mensagem do Senhor, mesmo nos dias atuais, quando as seitas e igrejas que se multiplicam ferozmente, cada qual pretendendo a primazia do conhecimento e a dominação da verdade, transformam o dízimo, no que, oportunamente, foram indulgências… Recursos de mercado materialista são utilizados para atrair fregueses desatentos e ambiciosos que desejam comprar o reino sem que se operem a íntima transformação de conduta para melhor, amplia-se a área das licenças morais que são concedidas a inúmeras denominações religiosas ditas modernas, para estarem de acordo com a vulgaridade destes dias…” (MIRANDA. Transição Planetária, pg. 189)

Nesse sentido, no futuro, deveremos caminhar para a crença e a fé universais, baseadas nas leis de Deus, na verdade, na vida, no amor a Deus e ao próximo, na caridade e na fraternidade cósmica, quando a humanidade compreender verdadeiramente a Palavra de Deus, em toda a sua bondade, justiça e misericórdia, e os ensinamentos e exemplos do Mestre Jesus Cristo, momento em que entenderemos que toda crença, religião e fé são instrumentos meios na direção do Pai e não fim em si mesmos, abandonando as práticas exteriores puramente materialistas, o dogmático, a idolatria, o fantasioso e o místico, porquanto as leis de Deus são perfeitas, imutáveis, eternas e universais. A misericórdia, a justiça e a bondade de Deus, assim como a crença, a fé, o consolo, o alívio e a cura, não estão à venda.

O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras e tampouco alegorias; levanta o véu lançado sobre certos mistérios. Vem trazer consolação aos deserdados da Terra e aos que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

A Doutrina Espírita traz luz ao Apocalipse que trata das revelações para a humanidade e para o planeta Terra.

Allan Kardec, em sua codificação Espírita, esclarece sobre os sinais dos tempos, o juízo final, a nova geração, a regeneração da humanidade e as características de um mundo regenerado. Todos estes temas serão vistos mais adiante.

Essa compilação não pretende abordar o Apocalipse como um todo, mas tão somente acerca das revelações que apontam para uma Nova Era.

Para tanto, vai-se estabelecer algumas premissas para balizar o caminho entre as diversas interpretações do Apocalipse: 

  • as leis de Deus são perfeitas, imutáveis, eternas e universais. Elas permeiam o passado, o presente e o futuro;
  • não há verdade do passado que não seja mais verdade no presente e no futuro, se assim fosse o revelado no passado seria falso;
  • Jesus não veio destruir as leis de Deus, mas dar cumprimento a elas;
  • Jesus é o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai senão por Ele;
  • ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo;
  • o Reino de Deus ainda não está neste mundo, mas estará na Terra quando aceitarmos a Palavra, como pessoas regeneradas pela verdade na estrada do progresso e da fé, seguindo o caminho indicado por Jesus;
  • o livre arbítrio faz parte da evolução espiritual, porquanto será dado a cada um segundo as suas obras;
  • o Apocalipse, escrito por João Evangelista, por meio de visões, é diretamente de Jesus Cristo sobre as coisas que devem acontecer em breve;
  • o Apocalipse, sendo verdade, não pode contradizer as leis de Deus e os ensinamentos de Jesus, pois eles são universais de testemunho da verdade;
  • os ensinamentos de Jesus não se contaminam por questões puramente humanas;
  • Deus, em todos os tempos, sem cessar, deu a alguns seres, encarnados e desencarnados, a missão de revelar a Sua lei;
  • as instruções Espíritas podem ser transmitidas por diversos meios: pela inspiração pura e simples, pela audição da palavra, pela visibilidade dos espíritos instrutores nas visões e aparições, quer em sonho ou quer em estado de vigília;
  • os reveladores médiuns podem ser inspirados, audientes ou videntes. Contudo, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, tampouco intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros. Há diferentes tipos de médiuns e espíritos, conforme suas evoluções morais;
  • as revelações de Deus são verdades, se falsas não podem ser atribuídas a Ele, sendo consideradas produtos da concepção humana;
  • as revelações de único Espírito não se podem garantir a origem, pois seria preciso acreditar na palavra daquele que as tivesse recebido. Assim, há revelações de único espírito que devem ser confirmadas por outras revelações de diferentes espíritos, médiuns e lugares;
  • os Espíritos, que propagam o Espiritismo, contam com o auxílio de incontáveis médiuns que surgem de todos os lados, de maneira universal;
  • cada Espírito possui um nível de conhecimento, proporcional à sua elevação moral e intelectual, e por isso está longe de possuir, individualmente, toda verdade;
  • toda teoria que contrarie o bom senso, a lógica e os conhecimentos, já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o autor; e
  • a única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.

Como reforço às premissas balizadoras levantadas, Jesus não veio destruir a lei de Deus, mas dar seu cumprimento, o ser humano não pode destruir a lei de Deus, as crenças não podem destruir a lei de Deus, a Ciência não pode destruir a lei de Deus, porquanto a estuda e investiga, o Apocalipse não veio destruir a lei Deus, mas dar seu cumprimento, e a lei natural é lei de Deus: eterna, imutável e perfeita. Jesus é o legislador moral para toda a Humanidade.

“Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto”.  (Mateus, 5: 17-18)

O Apóstolo João Evangelista

João Evangelista (6-103 DC) foi um dos doze apóstolos de Cristo, sendo o mais jovem deles.

Nasceu em Batsaida na Galileia, sendo filho do pescador Zebedeu e de Maria Salomé, uma das mulheres que auxiliaram os discípulos de Jesus.

João e seu irmão mais velho, Tiago, foram convidados a seguir Jesus em suas peregrinações, logo depois dos apóstolos Pedro e André. João, Tiago, Pedro e André participaram do círculo mais íntimo de Jesus.

É o autor do quarto e último Evangelho Canônico, pertencente ao Novo Testamento. Escreveu a primeira, a segunda e a terceira Epístola de João.

Foi o “discípulo amado” e o único que acompanhou Jesus Cristo até a sua morte. Jesus confiou Maria, sua mãe, aos cuidados de João antes de morrer, em um ato de fraternidade, a Fraternidade de Maria.

Presenciou a ressurreição da filha de Jairo e a angústia de Jesus no Jardim das Oliveiras.

João e Tiago foram os únicos apóstolos que receberam de Cristo a autorização para sentar à direita e o outro à esquerda durante a última ceia.

João Evangelista em sua peregrinação esteve em Antioquia, por ocasião do Concílio dos Apóstolos. E após as perseguições sofridas em Jerusalém, transferiu-se com Pedro para a Samaria, onde desenvolveu uma intensa evangelização.

Mudou-se para Éfeso, onde dirigiu muitas Igrejas, e naquela localidade escreveu o quarto Evangelho.

Durante o reinado de Domiciano, foi exilado na ilha grega de Patmos, no mar Egeu, onde escreveu o Livro do Apocalipse.

Morreu em 103, na cidade de Éfeso, onde foi sepultado.

O Espírito Miramez, no Livro “Francisco de Assis”, conta acerca do Apóstolo João Evangelista, em que extraímos alguns trechos elucidativos:  

“João Evangelista, dentre os discípulos do Senhor, foi considerado o que mais se dedicou ao Mestre, pela força do Amor. Era bem moço quando assistira, juntamente com alguns familiares, às Bodas de Cana. O destino fê-lo acompanhar o Cristo nos seus mais difíceis testemunhos, assim como nas suas grandes alegrias. Presenciou várias curas fantásticas do Senhor, fez parte dos três no Monte Tabor; na agonia do Getsêmani, estava no Jardim das Oliveiras; assistiu às pregações mais profundas do Mestre, presenciou à Entrada Triunfal, subiu ao Calvário para se despedir do seu preceptor e, no topo mais dramático do mundo, recebeu como nova mãe, Maria, indicada pelo Divino Messias.

O Evangelista não deixava de ser um predestinado. Espírito escolhido dentre muitos, chamado para a consolidação do Amor na face da Terra. Viveu junto dos homens quase um século, dedicando-se à vida cristã; foram mais de oitenta anos na pura exemplificação dos conceitos da Boa Nova do Reino. Surpreendeu a muitos outros grandes pela humildade e pela fé, e ao lado de toda a vivência das virtudes preceituadas por Jesus, carregava consigo como patrimônio sagrado, lúcida inteligência, que aplicava com os devidos cuidados, a serviço da coletividade.

O profeta mais difícil de ser compreendido pelos homens, o apóstolo que teve a felicidade de fechar o pergaminho de luz com o Apocalipse.

Depois que Maria, mãe de Jesus, foi levada para a pátria espiritual, João se transformou definitivamente num andarilho do Cristo, propondo maneiras grandiosas às almas sofredoras e tristes.

Roma, que se sentira feliz e vitoriosa pela morte de alguns discípulos de Jesus, mandou várias missões ao encalço de João, não para exterminá-lo visivelmente, mas por algum respeito ao profeta e por sutileza política. (…)

João, no exílio, aprendera uma ciência mais profunda – que somente daqui a algum tempo os portadores de conhecimento espiritual compreenderão – a interpretação da linguagem dos outros reinos.

João era levado, em espírito, a todas as Igrejas nascentes e ajudava na limpeza do ambiente, na inspiração dos pregadores, na cura dos enfermos e na sustentação da fé nos corações vacilantes.

Cristo colocou João numa ilha pequena, como se fosse um barco no Mediterrâneo, para que Ele pudesse falar, por intermédio desse medianeiro, das coisas que haveriam de vir”. (MIRAMEZ, Francisco de Assis, pg. 15)

O Espírito Áureo, no Livro “Universo e Vida”, psicografado por Hernani T. Sant’Anna, conta sobre as reencarnações do Apóstolo João (Isaac, Daniel João Evangelista e Francisco de Assis):

“Tal como ele, Abraão, que foi mais tarde Salomão e depois Simão Pedro; Isaac, que seria Daniel e posteriormente João, o Evangelista; José, o Chanceler do Egito, que viria a ser Davi e depois Paulo de Tarso; e muitos outros, dentre os quais quase todos aqueles que, a chamado de Jesus, integrariam o seu Colégio Apostólico”. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 37)

“Ante tão lamentáveis descalabros e tão profunda deturpação dos ensinos do Divino Mestre, o grande Vidente de Patmos ofereceu-se a Jesus para voltar ao mundo, numa veste de carne, a fim de recordar, com o seu exemplo de amor e de pobreza, as lições imortais do Nazareno. Assim foi que nasceu em Assis, em 1182, o seráfico Francisco, cuja pureza e cuja doçura impregnariam para sempre as paisagens itálicas”. (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 186)

Entendendo o Apocalipse de uma Nova Era

Do “Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Cristianismo e Espiritismo”, Livro I, Módulo II, Roteiro 21, “O apocalipse de João”, extraímos:

“O apocalipse de João é constituído de um prólogo, de duas partes e de um epílogo:

No prólogo (1:1-3), João faz a abertura do seu livro, apresentando-o como uma revelação de Jesus Cristo sobre ‘‘as coisas que devem acontecer’’ (1:1, 3).

Indica quem são os destinatários: ‘‘os servos de Jesus Cristo’’ (1:1); a forma como a revelação divina se deu: ‘‘Ele a manifestou com sinais por meio do seu Anjo, ao seu Servo João’’ (1:1); fornece uma dimensão temporal – ainda que imprecisa – sobre a concretização dos fatos revelados: ‘‘o tempo está próximo’’ (1:3).

A primeira parte do Apocalipse está escrita na forma de diálogo. Apresenta três subdivisões: a) saudação às comunidades (1:4-8); b) confiança na ressurreição do Cristo (1:9-20) e c) cartas às sete igrejas da Ásia (2:1-22; 3:1-22).

Revela uma ação pastoral do apóstolo para com os cristãos – representados simbolicamente pelas ‘‘sete igrejas da Ásia’’ (1:4) –, e expressa uma mensagem de apoio aos que sofrem perseguições em nome do Cristo.

O propósito da mensagem é encorajar a comunidade cristã que passa por uma terrível provação: após o magnífico desenvolvimento na época de sua fundação, agora a Igreja parece seriamente ameaçada na unidade de sua fé (movimentos heréticos), na pureza dos costumes (relaxamento da vida religiosa, diminuição da caridade). Devido as perseguições, João pretende sustentar a coragem dos cristãos ‘‘até a morte’’ (2:14), garantindo-lhes a presença divina do Cristo, que vencerá o Dragão.

João narra como ocorreu a sua percepção mediúnica.

As palavras que ouviu ‘‘como a voz de trombeta’’ (1:10), e a recomendação que teve de se dirigir às ‘‘sete igrejas’’, representadas por ‘‘sete candeeiros’’, assistidas por ‘‘sete espíritos’’ (1:10-20).

Cada carta é específica e contém elogios e críticas, advertências e incentivos, como convinha.

Mas o plural ‘‘igrejas’’ no final de cada carta mostra que se pretendia que fosse lida por todas as igrejas.

Nessa visão salienta-se ‘‘espada de dois gumes’’ que sai da boca do excelso Espírito (Jesus).

Segunda parte (capítulos: 4 a 21) representa a essência da obra, tem um caráter profético-escatológico (previsões sobre o fim do mundo) e abrange duas visões paralelas: a primeira (4,18; 11,1) diz respeito aos destinos do mundo; a segunda (11: 9; 21:5) informa sobre o futuro da Igreja.

Podemos considerar cinco subdivisões (ou seções) nessa parte: a) introdutória (4:1-5;14) – fala sobre o trono, o Cordeiro e sobre o livro com sete selos; b) seção dos selos (6:1-7, 17) – são pontos importantes sobre a abertura dos quatro primeiros selos, sobre o clamor dos mártires (quinto selo) e a resposta de Deus ao clamor (sexto selo); c) seção das trombetas (8:1-11;14) – o toque da trombeta anuncia o julgamento de Deus; d) seção dos três sinais (11;15;16:16) – são sinais que marcam acontecimentos: o sinal da mulher, o sinal dos dragões e o sinal dos anjos com pragas; e) sessão conclusiva (16;17;2:5) – mostra que o Cristo julga e vence o mal.

No capítulo IV, o autor continua escrevendo sobre a sua visão, cheia de quadros que se desdobram às suas vistas e que representam as letras com que se escrevem as ‘‘coisas espirituais’’, que as palavras humanas não podem traduzir. A linguagem espiritual se manifesta por meio de símbolos que ferem a imaginação e dão uma ideia relativa das coisas que existem. Entretanto, não podem ser percebidas pelos nossos sentidos materiais, grosseiros.

Revela a existência de uma comunidade de Espíritos puros, representados por ‘‘vinte e quatro anciãos’’, os ‘‘Espíritos de Deus’’, indicados por ‘‘sete lâmpadas de fogo’’.

O seguinte resumo fornece informações gerais sobre a segunda parte do Apocalipse: a primeira visão começa com a apresentação do trono de Deus (4,1-11) e do Cordeiro vitorioso (5,1-14) e concentra-se em dois motivos: a abertura dos 7 selos (6,1; 8,1), símbolo da preparação no céu dos flagelos que recairão sobre o mundo (dos primeiros 4 selos sairão os famosos 4 cavalos), e o som das 7 trombetas (8,2; 11,18) que significam a execução daqueles flagelos na terra. A segunda visão começa com um duplo acontecimento: no céu, a luta do dragão (satanás) contra a mulher (que representa o povo eleito) (12,1-18); na terra, as duas bestas (que simbolizam o Império Romano e os falsos profetas) (13,1-18).

A esta dupla cena contrapõe-se a aparição do Cordeiro no monte Sião seguido da multidão de fiéis (14,1-5). O juízo escatológico é expresso por meio de várias representações: os 7 flagelos e as 7 taças (15-16), acompanhados da ‘‘condenação da grande prostituta’’ (Roma também chamada Babilônia ou nova Babilônia) (17-18), depois a vitória sobre as bestas (19,11-21) e sobre o Dragão com que se inaugura o reinado ‘‘de mil anos’’ de Cristo (20,1-10) e, por fim, a vitória definitiva sobre o mal (20,11-25).

No epílogo há uma recomendação severa, uma proibição categórica àqueles que lerem o livro, ou que o reimprimirem, de alterar qualquer coisa do que nele se acha escrito. O apóstolo previa as mistificações sectárias, os enxertos, as mutilações que havia de sofrer a Árvore da Vida, pelos papas e pelos concílios, e ameaçou, severamente, àqueles que modificassem o seu Apocalipse”. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, pg. 317 a pg. 319)

Linguagem usada no Apocalipse

Do “Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Cristianismo e Espiritismo”, Livro I, Módulo II, Roteiro 21, “O Apocalipse de João”, temos que:

“A linguagem simbólica do Apocalipse de João desestimula, em geral, a sua leitura. É possível, porém, torná-la compreensível, observando-se alguns pontos importantes: o entendimento do significado de apocalipse, quanto à etimologia e ao conceito; a visualização do contexto histórico da Igreja nascente, e a razão do advento do Apocalipse.

O termo ‘‘apocalipse’’ é a transcrição duma palavra grega que significa revelação; todo apocalipse supõe, pois, uma revelação que Deus fez aos homens, revelação de coisas ocultas e só por Ele conhecidas, especialmente de coisas referentes ao futuro.

É difícil definir exatamente a fronteira que separa o gênero apocalíptico do profético, do qual, de certa forma, ele não é mais que prolongamento; mas enquanto os antigos profetas ouviam as revelações divinas e as transmitiam, oralmente, o autor de um apocalipse recebia suas revelações em forma de visões, que consignava em livro.

Por outro lado, tais visões não têm valor por si mesmas, mas pelo simbolismo que encerram, pois em apocalipse tudo ou quase tudo tem valor simbólico: os números, as coisas, as partes do corpo e até os personagens que entram em cena. Ao descrever a visão, o vidente traduz em símbolos as ideias que Deus lhe sugere, procedendo então por acumulação de coisas, cores, números simbólicos, sem se preocupar com a incoerência dos efeitos obtidos.

Para entendê-lo, devemos, por isso, apreender a sua técnica e retraduzir em ideias os símbolos que ele propõe, sob pena de falsificar o sentido de sua mensagem”. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, pg. 315)

David Jeremiah, em seu livro “Agentes do Apocalipse”, sobre a linguagem usada no Apocalipse, explica:

“A palavra-chave é revelação, que é a tradução da palavra grega apokalypsis, ou “apocalipse”. (…) Quando ouvimos a palavra apocalipse, pensamos em desastres horríveis associados ao fim dos tempos. No grego, porém, a palavra simplesmente significa “descobrir, desvelar, manifestar algo”. (JEREMIAH. Agentes do Apocalipse, pg. 23)

“Os símbolos ocorrem ao longo de toda a Escritura Sagrada como veículos da divina revelação… (…) Às vezes, estes símbolos representam pessoas. Por exemplo, no capítulo 1, Jesus é visto como um juiz com uma espada de dois gumes que sai da sua boca. No capítulo 13, o Anticristo é apresentado como uma besta que sai do mar, e o Falso Profeta como uma besta que se origina da terra.

Porque existe tanto simbolismo no livro de Apocalipse?

Primeiramente, o simbolismo não é enfraquecido pelo tempo. Os símbolos bem escolhidos atravessam séculos, permitindo, dessa forma, que nós os apliquemos não somente a tempos antigos ou futuros, mas também à nossa época. (…)

Em segundo lugar, os símbolos transmitem valores e despertam emoções. Chamar um tirano de besta evoca um temor primitivo que a palavra ditador não consegue despertar. É mais representativo fazer referência ao sistema corrupto do mundo como sendo a Grande Babilônia, do que obscurecê-lo com uma lista mundana de adjetivos negativos. (…)

E, por último, mas não menos importante, estes símbolos funcionavam como uma espécie de código espiritual que era, geralmente, compreendido pelos crentes, mas não pelas pessoas de fora. O livro de João circulou pelas igrejas durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.). Caso ele tivesse sido escrito em linguagem mais direta e prosaica e, ocasionalmente, caído na mão dos romanos, as pessoas associadas com o livro teriam sido executadas”. (JEREMIAH. Agentes do Apocalipse, pg. 25 e pg. 26)

Assim, o Apocalipse é revelação de Jesus para a humanidade, dada por Deus, escrita por João Evangelista, especialmente sobre coisas futuras.

As revelações foram dadas em forma de visões, cujo vidente traduziu em símbolos as mensagens recebidas. Os símbolos ocorrem em toda Escritura Sagrada.

As visões têm importância pelo simbolismo, que transmitem valores e despertam emoções.

O simbolismo funciona como código espiritual, compreendido pelos mais esclarecidos, mas não pelos menos esclarecidos.

O livro de João circulou pelas igrejas durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.). Caso ele tivesse sido escrito em linguagem mais direta e, ocasionalmente, caído na mão dos romanos, as pessoas associadas com o livro teriam sido executadas.

Para compreender o Apocalipse, é preciso estudar profundamente o Antigo e o Novo Testamentos.

Do livro “A Revelação”, de C. Baxter Kruger, extrai-se alguns trechos que auxiliam a entender como se deve estudar e analisar o Apocalipse:

“Isto é sobre a vitória de Jesus sobre as trevas, como meu evangelho, só que diferente. Eu tive que encontrar uma maneira de passá-la pelos romanos. Eles pensaram que eram apenas os delírios sem sentido de um prisioneiro que tinha comido cogumelos alucinógenos”. (KRUGER, A Revelação, 2018, pg. 140)

“Eu escrevi para que eles pudessem ver Jesus como o vitorioso, o Cordeiro no Trono do cosmo, para que se apegassem com força ao testemunho de Jesus. A batalha foi vencida. Precisamos testemunhar a verdade e perseverar na tribulação da iluminação”. (KRUGER, A Revelação, 2018, pg. 141)

“Estude as escrituras antigas e você entenderá o Apocalipse”. (KRUGER, A Revelação, 2018, pg. 141)

Contexto histórico

David Jeremiah, em “Agentes do Apocalipse”, contextualiza o escrito do João, dizendo:

“O apóstolo João, ao escrever o seu incrível livro a partir da ilha de Patmos, uniu-se a um grupo exclusivo de servos que haviam recebido instruções similares da parte do Senhor e haviam feito a sua obra em circunstâncias adversas. Moisés escreveu o Pentateuco no deserto. Davi escreveu muito dos Salmos enquanto fugia de Saul, que procurava assassiná-lo. Isaias escreveu enquanto assistia a sua nação se degenerar e, segundo a tradição, morreu como mártir. Ezequiel escreveu enquanto estava no cativeiro na Babilônia. Jeremias levou uma vida em meio a provações e perseguições. Pedro escreveu as suas duas cartas pouco antes de ser martirizado. Paulo escreveu as suas cartas enquanto sofria surras, naufrágio, apedrejamentos, roubos e enquanto enfrentava fome, sede, frio, nudez, calúnias e todo tipo de tribulação que se possa imaginar que possa afetar a humanidade”. (JEREMIAH. Agentes do Apocalipse, pg. 22)

Do “Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Cristianismo e Espiritismo”, Livro I, Módulo II, Roteiro 21, “O Apocalipse de João”, destacamos:

“Os textos apocalípticos, nos dois séculos que precederam a vinda do Cristo, tiveram muito êxito em alguns ambientes judaicos. Tendo sido anteriormente elaborados pelas visões dos profetas como Ezequiel e Zacarias, esse gênero de escritura desenvolveu-se também no livro de Daniel.

Apenas um apocalipse ficou registrado no Novo Testamento. Seu autor é o apóstolo João, autor do quarto Evangelho, escrevendo-o quando de seu exílio na ilha de Patmos. No fim do Novo Testamento está a revelação de João, que, assim como o Livro de Daniel, é um apocalipse, um tipo de literatura conhecido na época. O Apocalipse se compõe de uma série de visões que evocam imagens de uma dramática cena final.

Distingue-se do Livro de Daniel, que é seu equivalente apocalíptico judaico, de duas maneiras importantes. Em primeiro lugar, é um livro cristão, no qual Cristo irá assumir definitivamente o controle e vencer o mal; em segundo lugar, no Apocalipse o fim do mundo [fim do mal] já começou. Não se trata de algo que ocorrerá num futuro distante.

É indispensável reinseri-lo no ambiente histórico que lhe deu origem: um período de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja nascente. Pois, do mesmo modo que os apocalipses que o precederam (especialmente o de Daniel) e nos quais manifestamente se inspira, é escrito de circunstância, destinado a reerguer e a robustecer o ânimo dos cristãos, escandalizados, sem dúvida, pelo fato de que perseguição tão violenta se tenha desencadeado contra a Igreja daquele que afirmara: ‘não temais, eu venci o mundo’ (João, 16:33).

No momento em que João escreve o seu livro de visões, a igreja primitiva sofre terrível perseguição de Roma e dos cidadãos do Império Romano (a ‘Besta’), por instigação de ‘Satanás’ (o adversário, por excelência, do Cristo – ou anticristo). O próprio João se encontrava prisioneiro na Ilha de Patmos, quando escreveu o seu Apocalipse, na época (81-96) do imperador Domiciano.

Solidário com os companheiros submetidos aos martírios das perseguições, o Apocalipse de João nos apresenta três conteúdos básicos: o protesto contra as injustiças sociais, o sofrimento que aguardam os perseguidores e a vitória do bem, manifestada no amor do Cristo pela Humanidade.

Depois da obra de Jesus pela salvação, já teve início a batalha decisiva entre o bem e o mal. O Apocalipse de João é, pois, mais que uma escritura profética. Redigido durante as perseguições contra os cristãos travadas no reinado (81-96) do Imperador Domiciano, descreve a situação dos cristãos da época, constantemente ameaçados de martírio.

Acima de tudo, portanto, é uma escritura consoladora destinada aos cristãos que viviam naquele período atribulado. Nela, o Estado Romano é chamado de a ‘besta’, ‘o dragão’ ou ‘a grande prostituta’. Mas, no embate final, Cristo, o Cordeiro, vencerá as forças da escuridão. O livro chega então ao final com uma visão de ‘um novo céu e uma nova terra’. Com suas imagens nascidas de uma necessidade histórica, o Apocalipse é pouco familiar aos leitores modernos e já recebeu variadas interpretações através dos tempos.

Pode-se dizer que nenhum outro livro da Bíblia tem sido tão mal-empregado. Com sua fé em Deus claramente expressa, levando a uma vitória final do bem sobre o mal, ele é, mesmo assim, uma conclusão apropriada para a maneira como a Bíblia descreve a grave situação do mundo”. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, pg. 313 a pg. 316)

O contexto histórico retrata a realidade de uma época, mas o maior ensinamento será transportar as lições do passado para os dias atuais e para o futuro da humanidade.

David Jeremiah afirma: “o livro do Apocalipse é cósmico e abrangente no seu alcance” (…) e “há aplicações para nós também nos dias de hoje …”. (JEREMIAH. Agentes do Apocalipse, pg. 24)

Logo, todo ensinamento será útil se servir de lição para gerações vindouras. Jesus não dispenderia tamanha energia no Apocalipse para o seu ensino ser útil tão somente àquele período. Se assim fosse, de nada mais serviria após as confirmações de algumas revelações.

Os ensinamentos de Jesus estão na implantação do Reino de Deus em cada um de nós, mesmo porque “o Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós”. (Lucas, 17: 20-21)

O caminho para o Reino de Deus não é largo, amplo e fácil, muito pelo contrário, ele é estreito e difícil.

Dessa maneira, larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal.

E estreita é a porta da salvação, porque o homem que a queira transpor é obrigado a grandes esforços sobre si mesmo para vencer as suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. É o complemento da máxima: “muitos são os chamados e poucos os escolhidos”.

Do “Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: Cristianismo e Espiritismo”, Livro I, Módulo II, Roteiro 21, “O Apocalipse de João”, tem-se:

“Alguns anos antes de terminar o primeiro século, após o advento da nova doutrina, já as forças espirituais operam uma análise da situação amargurosa do mundo, em face do porvir. Sob a égide de Jesus, estabelecem novas linhas de progresso para a civilização, assinalando os traços iniciais dos países europeus dos tempos modernos.

Roma já não representa, então, para o plano invisível, senão um foco infeccioso que é preciso neutralizar ou remover. Todas as dádivas do Alto haviam sido desprezadas pela cidade imperial, transformada num vesúvio de paixões e de esgotamentos.

O Divino Mestre chama ao Espaço o Espírito João, que ainda se encontrava preso nos liames da Terra, e o Apóstolo, atônito e aflito, lê a linguagem simbólica do invisível.

Recomenda-lhe o Senhor que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertência a todas as nações e a todos os povos da Terra, e o velho Apóstolo de Patmos transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do Apocalipse.

Todos os fatos posteriores à existência de João estão ali previstos. É verdade que frequentemente a descrição apostólica penetra o terreno mais obscuro; vê-se que a sua expressão humana não pôde copiar fielmente a expressão divina das suas visões de palpitante interesse para a história da Humanidade.

As guerras, as nações futuras, os tormentos porvindouros, o comercialismo, as lutas ideológicas da civilização ocidental, estão ali pormenorizadamente entre vistos. E a figura mais dolorosa, ali relacionada, que ainda hoje se oferece à visão do mundo moderno, é bem aquela da igreja transviada de Roma, simbolizada na besta vestida de púrpura e embriagada com o sangue dos santos. (MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, pg. 316 a pg. 317)

Do livro “Transição Planetária”, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Franco, verificamos que “desde as remotas páginas do Evangelho de Jesus, assim como das narrações do Apocalipse, e mesmo antes, existem revelações em torno de um mundo feliz na Terra, após as terríveis flagelações que alcançariam as criaturas e as dilacerações que sofreria o planeta.

Os sucessivos acontecimentos estarreceram a sociedade, convidando-a à análise em torno das convulsões que sacodem o mundo físico periodicamente, enquanto os atos hediondos de terrorismo e de atrocidade repetiam-se de maneira aparvalhante, eram sinais inequívocos da grande mudança que já estaria tendo lugar no orbe terrestre”. (MIRANDA. Transição Planetária, pg. 41)

“Conforme assinalado por Jesus, no Sermão profético registrado pelo evangelista Marcos, no capítulo 13 e seus versículos, vivemos a época dos sinais representativos das grandes mudanças que se operarão no planeta ao longo dos evos.

Posteriormente confirmadas as graves revelações por João evangelista, no seu memorial Apocalipse, vivemos já esses dias significativos, anunciadores das grandes transformações que se vêm apresentando no orbe amado”. (MIRANDA. Transição Planetária, pg. 132)

“Enquanto essa transformação não se realiza, embora esteja em franco desenvolvimento em toda a parte, nas sombras dos guetos espirituais inferiores, os inimigos do Bem urdem ataques e tramam vinganças odientas contra as criaturas”. (MIRANDA. Transição Planetária, pg. 208)

“O Armagedom bíblico do Apocalipse de João e das tradições judaico-cristão não se restringe apenas à estreita faixa do Vale do Megido, ou do monte do mesmo nome, quando os exércitos de todas a nações se reuniram para a batalha final…

Todo o planeta hoje pode ser denominado como o Vale de Jeosafá, onde já se trava as batalhas de extermínio em que o Senhor de misericórdia será o vencedor da impostura e da perversidade”. (MIRANDA. Transição Planetária, pg. 210)

As bestas apocalípticas

“Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia.

A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade.

Uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado. Todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta.

Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?

À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi autoridade para agir durante quarenta e dois meses.

Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam no céu.

Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação.

Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.

Aquele que tem ouvidos ouça: Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém há de ser morto à espada, à espada haverá de ser morto. Aqui estão a perseverança e a fidelidade dos santos.

Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão.

Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado.

E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.

Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra da besta que fora ferida pela espada e, contudo, revivera.

Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem.

Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome.

Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis”. (Apocalipse 13:1-18)

Nesses versículos, destacam-se como objetos de estudos: o contexto histórico; as Bestas; o poder dado pelo Dragão à Besta; a marca da Besta; a identificação das Bestas; e as Bestas futuras.

João descreve que viu subir do mar uma Besta de sete cabeças e dez chifres. A Besta era semelhante ao leopardo ou pantera, como pés de urso e a cabeça de um leão. Conta detalhes da Besta, suas características e ainda sobre um Dragão que interage com ela.

As sete cabeças da Besta seriam os sete montes de Roma, sob os quais aquela cidade estava estabelecida. Os chifres seriam os dez imperadores romanos, daí vem que: “tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia”.

O contexto histórico reporta para a época do Império Romano de perseguição aos cristãos, em tempos de tribulação, que: examinado o passado, o autor descobre que o imperialismo romano é a encarnação de todos os impérios opressores que já apareceram na história. De fato, a Besta parecia uma pantera (símbolo do império persa), com pés de urso (símbolo do império do medo) e com a boca de leão (símbolo do império babilônico)”. (BORTOLINI, Como Ler o Apocalipse, pg. 111)

Assim, o imperialismo romano sintetizava toda a crueldade e a opressão do passado, pois, na grande tribulação, levantava-se contra todos os cristãos remanescentes, perseguindo e eliminando os seguidores de Jesus.

O Império Romano parecia estar desaparecendo com a morte de Nero, que se suicidara, mas era preciso reerguer o Império pela obrigação de idolatria aos imperadores, perseguindo até a morte aqueles que não os adorassem, inclusive Nero. Bortolini comenta: é por isso que uma das cabeças da Besta (Nero) parecia ferida de morte, mas a ferida foi curada (13,3a). Nero, que se caracterizou pela crueldade e loucura, agora era adorado como deus”. (BORTOLINI, Como Ler o Apocalipse, pg. 112)

Do Apocalipse, todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta. Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?

O Dragão (Satanás ou Anticristo) deu à besta (Império Romano ou imperadores) o seu poder, o seu trono e a grande autoridade. O próprio Apocalipse (12:9) dá o significado de Dragão: “e foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo”.

A Besta persegue e mata os profetas (santos ou mártires por Jesus), que não aderiram ao seu projeto.

Em seguida, relata que viu subir da terra outra Besta (falso profeta), que será um homem, de dois chifres, semelhantes aos de um cordeiro (fingindo ser enviado de deus), e que falava como Dragão, sendo mais poderoso que a primeira Besta, podendo operar prodígios e maravilhas (enganações e mentiras). Este homem blasfemará contra Jesus Cristo (Anticristo) e distorcerá a verdade (falso profeta).

Para entender melhor a idolatria, a reverência, o Anticristo e o falso profeta, como ação de dominação e opressão, o Imperador Domiciano exigia que todos demonstrassem obediência às suas ordens como se fosse um enviado de deus (idolatria ao falso profeta), abandonando as crenças em Jesus Cristo (Anticristo), dobrando-se diante de sua imagem (reverência) e, caso se recusassem, seriam mortos (martírio pela crença e pelo testemunho).

Sobre a Besta operar prodígios e maravilhas, importante recordar os sinais dos tempos de Jesus: “e ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores”. (Mateus, 24: 6-8)

“Então, se alguém vos disser: eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito, porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”. (Mateus, 24: 23-24)

Para não ser enganado com falsos cristos ou falsos profetas, importante recordar as palavras do Mestre: e, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: então, nem uma hora pudeste vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus, 26: 40-41)

O sinal da besta é identificado com o número 666, que deve ser calculado de maneira inteligente: aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis”. (Apocalipse 13:18)

Nero recebe o número da besta baseado em seu nome. Nero foi Imperador Romano de uma dinastia, que findou com o reinado de Domiciano em 96 DC, ano em que fora escrito o Apocalipse. Domiciano se iguala a Nero em termos de crueldade.

Do Apocalipse, chama atenção que para identificar a Besta, que é número de homem, é preciso sabedoria e utilizar raciocínio lógico. Orai e vigiai!

A associação do tipo de marca da Besta busca relação ao costume de se marcar aquilo de sua propriedade.

Emblemas feitos a ferro e aquecidos ao fogo são usados para marcar e identificar animais de valor econômico, como gados, cavalos, etc.

O uso de marcas em homens, também, está relacionado à marcação dos escravos romanos, como um sinal aparente, a marca da Besta, a um controle de escravização do homem.

Os seguidores da Besta possuem as suas marcas e identificações.

As pessoas de bem também possuem as suas marcas, o traje nupcial para a festa de casamento ou união com Jesus, guia e modelo para a Humanidade terrestre. As marcas dos escolhidos!

Jesus, na Festa das Bodas, disse: entretanto, quando o rei entrou para saudar os convidados que estavam à mesa, percebeu que um homem não trajava as vestes nupciais. E indagou-lhe: amigo, como adentraste este recinto sem as suas vestes próprias para as bodas? Mas o homem não teve resposta. Então, ordenou o rei aos seus servos: amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o para fora, às trevas; ali haverá grande lamento e ranger de dentes. Portanto, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos! Dai a César o que é de César”. (Mateus 22: 11-14)

A narrativa revela duas ordens de ideias: primeira é que o estado de plenitude espiritual (Reino dos céus) é convite destinado a todos os seres humanos, indistintamente. A segunda diz respeito à forma como atingir a perfeição espiritual, por meio de uma festa de casamento, ou união com Jesus, guia e modelo da Humanidade terrestre.

Para participar da festa é preciso estar vestido adequadamente, com o “traje nupcial”, isto é, faz-se necessário que a pessoa traga puro o coração, livre de más intenções, ainda que não possua base religiosa ou moral significativas. A veste de núpcias simboliza o amor, a humildade, a boa vontade em encontrar a verdade para observá-la.

É preciso que o Espírito seja guiado pelos preceitos do Mandamento Maior: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Dessa forma, os hipócritas, os que promovem e executam lutas fratricidas, desuniões e perturbações; os egoístas, os orgulhosos e vaidosos; os falsos profetas e falsos cristos, oportunistas e embusteiros, que enganam as pessoas sob a aparência de bondade e de religiosidade; os que se mantêm indiferentes ao sofrimento do próximo, e que traficam com as coisas celestiais para obtenção de vantagens materiais, todos eles, serão retirados da festa por não vestirem o “traje nupcial”. Tais criaturas serão, portanto, conduzidos a reencarnações dolorosas, representadas, no texto, como “trevas exteriores” onde haverá “pranto e ranger de dentes”.

As interpretações dão ênfase à palavra cordeiro com a intenção de pôr-se semelhante ao Cristo, que também é chamado de “Cordeiro de Deus” que tira o pecado do mundo.

O suposto cordeiro faz oposição a Cristo, exigindo ser adorado que acarreta em idolatria, desqualificando o Deus bíblico.

Projetando para o presente e o futuro, podemos dizer que “Besta” é toda pessoa que causa mal e tribulações ao povo, manipula a verdade, apresenta-se como falso profeta, a exemplo de Nero e Domiciano. As Bestas, de hoje, têm outros nomes.

A Doutrina Espírita, sobre falsos profetas, esclarece:

“A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; porquanto, cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração e o mau tira as más do mau tesouro do seu coração; porquanto, a boca fala do que está cheio o coração”. (Lucas, 6: 43-45)

“Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por dentro são lobos rapaces. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. Podem colher-se uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? Assim, toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Conhecê-la-eis, pois, pelos seus frutos”. (Mateus, 7: 15-20)

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão muitas pessoas; e, porque a iniquidade abundará, a caridade de muitos esfriará; mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações, e é então que o fim chegará”. (Mateus, 24: 11-14)

Sobre falsos profetas, Allan Kardec, no Capítulo XXI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sob o título “Haverá falsos cristos e falsos profetas”, há alguns esclarecimentos.

Kardec alerta para ter se cuidado diante de alguém que vos seduza, porque muitos virão dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos.

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim se salvará. Então, se alguém vos disser: “o Cristo está aqui, ou está ali”, não acrediteis absolutamente; porquanto falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos”. (Mateus, 24:4, 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5, 6, 21 e 22.)

“Meus bem-amados, não creias em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. (João, 1ª Epístola, 4:1.)

Importante destacar que os fenômenos espíritas não abonam falsos cristos e falsos profetas.

O Espiritismo não opera prodígios e tampouco milagres.

A exemplo da Ciência, que revela leis do mundo material, o Espiritismo revela leis que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, as quais são leis da Natureza.

Os fenômenos e prodígios por si só nada provam.

O Espiritismo chama atenção para o perigo de falsos cristos e de falsos profetas, principalmente entre os desencarnados, por meio de Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias.

É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus.

João adverte os homens contra eles, dizendo: “meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.

O Espiritismo faculta os meios de experimentá-los, apontando as características pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, sempre morais, nunca materiais.

Uma maneira para se distinguir os bons dos maus Espíritos está nas palavras de Jesus: pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos.

Se vos disserem: “o Cristo está aqui”, não vades; ao contrário, tende-vos em guarda, porquanto numerosos serão os falsos profetas.

Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: estes são realmente enviados de Deus.

Desconfiai, porém, das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e dos fariseus que oram nas praças públicas, vestidos de longas túnicas. Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da verdade.

O Cristo não está entre esses, porquanto os seus enviados para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, brandos, modestos e humildes de coração.

De tudo que revele orgulho, fugi, como de uma moléstia contagiosa, que corrompe tudo em que toca. Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos, o cunho da sua grandeza ou da sua inferioridade.

Os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira.

Os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe deem crédito.

O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, no “Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, no Capítulo XXXI, faz alerta quanto às revelações místicas e singulares.

“Repeli impiedosamente todos esses Espíritos que reclamam o exclusivismo de seus conselhos, pregando a divisão e o insulamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes louvores exagerados, a fim de os fascinar e ter sob seu domínio.

São geralmente Espíritos famintos de poder que, déspotas, públicos ou privados, quando vivos, ainda se esforçam, depois de mortos, por ter vítimas para tiranizarem.

Em geral, desconfiai das comunicações que tragam caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevam cerimônias e atos extravagantes. Sempre haverá, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.

Por outro lado, crede que, quando uma verdade tenha de ser revelada aos homens, ela é comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que disponham de médiuns sérios, e não a tais ou quais, com exclusão de todos os outros. Ninguém é perfeito médium, se está obsidiado, e há obsessão manifesta, quando um médium só se mostra apto a receber as comunicações de determinado Espírito, por maior que seja a altura em que este procure colocar-se.

Conseguintemente, todo médium, todo grupo que julguem ter o privilégio de comunicações que só eles podem receber e que, por outro lado, estejam adstritos a práticas que orçam pela superstição, indubitavelmente se acham sob o guante de uma das obsessões mais bem caracterizadas, sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, Espíritos encarnados, devemos honrar e respeitar e não consentir seja profanado a qualquer propósito.

É incontestável que, submetendo ao cadinho da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil será descobrir-se o absurdo e o erro. Pode um médium ser fascinado, como pode um grupo ser mistificado.

Mas, a verificação severa dos outros grupos, o conhecimento adquirido e a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações dos principais médiuns, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, farão justiça rapidamente a esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos enganadores e malignos. Erasto (discípulo de São Paulo)”. (KARDEC. O Livro dos Médiuns, pg. 561 a pg. 562)

Parábola do trigo e do joio

Esta parábola apresenta vários ensinamentos, porquanto, para o tema, traz esclarecimentos fundamentais para a compreensão da convivência do bem com o mal, da luta do bem contra o mal, da seleção na ceifa e na colheita (julgamento), do expurgo do mal, da vitória do bem e da vigilância necessária.

Hoje, percebemos a convivência do bem com o mal, bastando observar as notícias do dia a dia, desde as manchetes das práticas de crimes hediondos e bárbaros, conflitos ideológicos ou armados, dentre outras. As pessoas de bem convivem com o mal no cotidiano. Haverá o tempo da ceifa e da colheita!

Em Apocalipse 14: 15-16, tem-se: “lança a sua foice e ceife. Chegou a hora da colheita, pois a lavoura da terra está madura. E aquele que estava assentado na nuvem lançou a foice na terra, e a terra foi ceifada”.

Segundo José Bortolini, em “Como Ler o Apocalipse”: “É Deus, portanto, quem ordena a Jesus para que recolha os que foram fiéis a seu projeto. A parábola do joio e do trigo (Mateus 13,24-30) já falava do julgamento enquanto separação entre bons (trigo) e maus (joio). Detalhe importante: o fim de cada pessoa corresponde exatamente ao modo como viu e agiu. Jesus simplesmente preside o julgamento. Quem amadureceu como ´trigo´ será preservado”. (BORTOLINI, Como Ler o Apocalipse, pg. 125)

Pela Federação Espírita Brasileira, no Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita sobre os Ensinos e Parábolas de Jesus, na parte que interpreta a Parábola do Trigo e do Joio (Mateus 13: 24-30), à luz do entendimento espírita, selecionamos alguns trechos.

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: o reino dos Céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se.

E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro (Mateus 13: 24-30).

Esta parábola tem um significado que pode ser assim expresso: nós somos o campo, a humanidade; o semeador é Jesus; a semente de trigo – o Evangelho; a erva má – as interpretações capciosas de seus textos; e o inimigo – aqueles que as tem lançado de permeio com a lídima doutrina cristã.

O crescimento do joio junto ao trigo representa a luta entre o bem e o mal, comum em mundos de expiação e provas como o nosso. Indica também as dificuldades e as bênçãos existentes na luta cotidiana.

Importa considerar que muitos “joios” encontrados na pauta da existência ocorrem como produto da nossa invigilância ou decorrentes de processos atávicos ainda não superados.

O homem que semeia é Jesus, nosso orientador maior e agricultor divino. A boa semente é o seu Evangelho de luz e amor que nos concede os meios de nos libertarmos das nossas imperfeições. A humanidade, representada pelo campo, indica os Espíritos, encarnados e desencarnados, em processo de aperfeiçoamento no Planeta.

Assim, temos um campo de atuação, característico do nosso nível evolutivo, onde desenvolvemos experiências importantes de aprimoramento espiritual. À medida que evoluímos descobrimos a necessidade da seleção de valores que devem ser aplicados nesse campo. A “boa semente” representa, pois, a semeadura de valores morais e intelectuais.

Jesus tem o seu campo de serviço no mundo inteiro. Nele, naturalmente, como em todo o campo de lavoura, há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção.

Semelhantemente, nos esforços de semear a boa semente devemos estabelecer condições propícias ao surgimento e manutenção da harmonia, da segurança e da paz na própria vida.

A outra assertiva: “mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se”, nos conduz a duas reflexões: uma relativa à necessidade de repouso, após as atividades laborais; outra, associada à preguiça.

Em “O Livro dos Espíritos” aprendemos que o descanso físico e mental é lei da natureza: “o repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria”. Entretanto, devemos aprender discernir descanso de ociosidade.

Urge, pois, que saibamos fugir, desassombrados, aos enganos da inércia, porque o espelho ocioso de nossa vida em sombra pode ser longamente viciado e detido pelas forças do mal que, em nos vampirizando, estendem sobre os outros as teias infernais da miséria e do crime.

 “Veio o seu inimigo…” pode simbolizar adversário, pessoa que não simpatiza conosco ou paixões e vícios que ainda albergamos. A despeito de ambos serem um instrumento avaliador do progresso que tenhamos alcançado, não devem ser objeto de inquietações.

Perante qualquer tipo de inimigo devemos dar “sempre o bem pelo mal, a verdade pela mentira e o amor pela indiferença…” O adversário, em qualquer contexto, representa as perigosas infiltrações do mal.

O mundo está cheio de enganos dos homens abomináveis que invadiram os domínios da política, da ciência, da religião e ergueram criações chocantes para os Espíritos menos avisados.

Mas o discípulo de Jesus, bafejado pelos benefícios do Céu todos os dias, que se rodeia de esclarecimentos e consolações, luzes e bênçãos, esse deve saber, de antemão, quanto lhe compete realizar em serviço e vigilância e, caso aceite as ilusões dos homens abomináveis, agirá sob responsabilidade que lhe é própria, entrando na partilha das aflitivas realidades que o aguardam nos planos inferiores.

As imperfeições morais são ferrenhos adversários. Quando menos esperamos, somos envolvidos pelas tramas das próprias imperfeições. Daí a importância do conselho de Jesus sobre o “vigiai e orai” (Mt 26:41).

Mencionamos com muita frequência que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo.

Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma.

Dentre eles, os mais implacáveis são o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que amamos; o orgulho que não nos permite acolher a luz do entendimento; a vaidade, que nos sugere superestimação do próprio valor; o desânimo, que nos impele aos princípios da inércia; a intemperança mental que nos situa na indisciplina; o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos as energias e depredando-nos a estabilidade mental.

É importante estarmos atentos porque as investidas do mal, alheias ou próprias, não marcam hora: surgem subitamente. O joio, caracterizado pela erva daninha, representa a ação contrária ao bem.

Semeado quando estivermos desatentos (“dormindo”) pode gerar resultados funestos. Daí, o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se contamine pelo mal.

A frase: “E semeou joio no meio do trigo” tem significado específico.

Jesus poderia ter escolhido outra semente, que não o joio, para ilustrar o adversário do bem. O joio, porém, é uma erva daninha que se parece com o trigo, e que se desenvolve no meio dele. Assim também acontece na vida: encontramos ações infelizes ao lado de sublimes realizações humanas.

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida.

O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto.

Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador divino, mas sim porque o otimismo do celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.

A luta da vida, como processo educativo, nos oferece contínuas oportunidades para semearmos o bem, evitando o mal. Empenhados nesse propósito, é comum termos que enfrentar padrões menos edificantes da própria personalidade, que surgem no caminho como poderosos adversários.

Jesus, porém, manda aplicar processos defensivos com base na iluminação e na misericórdia. O tempo e a bênção do Senhor agem devagarinho e os propósitos inferiores se transubstanciam.

O texto de Mateus nos fala que após a semeadura do joio o inimigo “retirou-se”. Percebemos, assim, que em todos os acontecimentos infelizes e decorrentes da invigilância ou da insinuação de forças inferiores, o mal opera às escondidas. Instaurado o processo de desarmonia, o agente causador da perturbação “retira-se”, observando, à distância, os seus efeitos.

E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mt 13: 26-30).

Na natureza não há saltos evolutivos: semeia-se, germina-se, cresce e frutifica-se. O mesmo ocorre com o bem e o mal. Quem planta, colhe a seu tempo, segundo a qualidade da sua semeadura.

Toda semente semeada irá crescer e frutificar, cedo ou tarde. Por este motivo devemos ter cuidado com nossos pensamentos, palavras, gestos e ações, pois receberemos da vida aquilo que oferecemos a ela. Nem sempre, todavia, conseguimos perceber a presença do mal, sendo necessário, então, que este cresça para que possa ser enxergado.

Por esta razão, nos alerta Jesus: “e quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio”.

Vemos, assim, que no plano evolutivo onde nos situamos é preciso que o bem esteja ao lado do mal. Não somente para que possamos exercitar a capacidade de discernimento, entre um e outro, mas permitir que os bons exemplos ajam sobre o mal, tornando-o melhor.

A parábola nos relata que os servos, surpreendidos com a presença do joio no meio do trigo, indagaram ao Senhor se deveriam arrancá-lo. A orientação que o Senhor lhe ofereceu foi sábia: “não, deixai-os crescer juntos até a ceifa”.

Analisando este trecho do registro de Mateus, percebemos que “os servos” citados são os trabalhadores da seara divina. O “pai de família” é Deus, o Criador supremo.

Neste sentido, os servos são os instrumentos utilizados por Jesus, o semeador da boa semente, nas múltiplas expressões de serviço existentes em sua seara bendita. Metaforicamente, os servos podem ser entendidos também como mãos operantes ou inteligência sublimada, subordinadas aos ditames da lei de amor.

A gleba imensa do Cristo reclama trabalhadores devotados, que não demonstrem predileções pessoais por zonas de serviço ou gênero de tarefa.

Apresentam-se muitos operários ao Senhor do Trabalho, diariamente, mas os verdadeiros servidores são raros.

A maioria dos tarefeiros que se candidatam à obra do Mestre não seguem além do cultivo de certas flores, recuam à frente dos pântanos desprezados, temem os sítios desertos ou se espantam diante da magnitude do serviço, recolhendo-se a longas e ruinosas vacilações ou fugindo das regiões infecciosas.

Em algumas ocasiões costumam ser hábeis horticultores ou jardineiros, no entanto, quase sempre repousam nesses títulos e amedrontam-se perante os terrenos agressivos e multiformes.

A ceifa expressa o momento final da produção agrícola. No plano individual, trata-se do momento em que a criatura colhe o que cultivou. Gratificados seremos quando os frutos positivos puderem superar, na colheita, os valores menos felizes que a invigilância permitiu crescessem no transcurso das experiências.

Merece destaque a seguinte afirmativa de Jesus: “e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio”.

Observemos que antes da colheita os trabalhadores eram denominados “servos”. Por ocasião da ceifa, porém, o Mestre os nomeia de “ceifeiros”. Os segundos são diferentes dos primeiros. Ceifeiros, no conceito geral, são trabalhadores que exercem atividades específicas.

São, no contexto interpretativo do ensinamento de Jesus, os cooperadores conscientes, detentores de responsabilidades maiores. O plantio pode ser feito por qualquer um de nós, a ceifa, porém, cabe a tarefeiros sintonizados com as fontes do eterno bem.

Essa ceifa tem um significado especial, considerando o sentido não literal do texto evangélico.

O joio, ao brotar, é muito parecido com o trigo e arrancá-lo antes de estar bem crescido seria inconveniente, por motivos óbvios. Na hora de produção de frutos, em que será perfeita a distinção entre ambos, já não haverá perigo de equívoco: será ele, então, atado em feixes para ser queimado. Coisa semelhante irá ocorrer com a humanidade.

Aproxima-se a época em que a Terra deve passar por profundas modificações, física e socialmente, a fim de transformar-se num mundo regenerador, mais pacífico e, consequentemente, mais feliz.

A seguinte orientação de Jesus define o programa que deverá ser executado pelos Espíritos ceifeiros, na ocasião propícia: “e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”.

Chegada a inevitável hora da colheita, joio – representado pelas lágrimas, dores e amarguras, decepções, desilusões e conturbações – é reunido e expurgado da seara do Senhor, pelo funcionamento natural da engrenagem de quitação dos débitos adquiridos. A lei de causa e efeito, agindo de forma inderrogável, encaminha o ser a novas experiências.

O joio, reunido em feixes para ser queimado, simboliza os momentos de real aferição do aprendizado desenvolvido pelo Espírito. Percebe-se, então, que as dificuldades não vêm isoladas, mas formam, quase sempre, um conjunto de apreensões e desafios que devemos superar.

Muitas plantas espinhosas ou estéreis são modificadas em sua natureza essencial pelos filtros amorosos do Administrador da Seara, que usa afeições novas, situações diferentes, estímulos inesperados ou responsabilidades ternas que falem ao coração; entretanto, se chega a época da ceifa, depois do tempo de expectativa e observação, faz-se então necessária a eliminação do joio em molhos.

Eis por que, aparecendo o tempo justo, de cada homem e de cada coletividade exige-se a extinção do joio, quando os processos transformadores de Jesus foram recebidos em vão.

Nesse instante, vemos a individualidade ou o povo a se agitarem em razão de aflições e hecatombes diversas, em gritos de alarme e socorro, como se estivessem nas sombras de naufrágio inexorável.

O último ensino de Jesus (“mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”) do texto em estudo, mostra que no Celeiro divino só há espaço para o bem, para o Evangelho do Reino, representado pela semente de trigo.

Praticando o bem, estaremos dando expansão ao que há de divino em nós, e, em consequência, experimentando a felicidade plena. É imperioso guardar confiança no Senhor, tendo fé em suas promessas e contando com a sua proteção, sobretudo nos momentos de sofrimento em que se faz necessário separar o joio do trigo e aquele seja atado em molhos para serem queimados.

O seguinte cântico-oração de Davi expressa a confiança no Senhor, concedendo-nos a fortaleza moral para superar os obstáculos que surgem na nossa caminhada evolutiva: o Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias” (Sl 23:1-6).(MOURA. Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, Livro II, Ensinos e parábolas de Jesus, Parte I, Pg. 149 a pg. 158)

Sinais dos tempos

Em o Livro “A Gênese”, de Allan Kardec, sobre os sinais dos tempos, destacamos alguns ensinamentos.

A respeito da chegada dos tempos marcados por Deus, em que ocorrerão grandes acontecimentos para a regeneração da humanidade, o esclarecimento é de que na criação tudo é harmonia e revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores nem nas maiores coisas.

Deve-se afastar qualquer ideia de capricho inconciliável com a sabedoria divina. Se a nossa época está marcada pela realização de certas coisas, é porque elas têm sua razão de ser na marcha do conjunto.

O nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à lei do progresso, pela transformação dos elementos que o compõem e moralmente pela depuração dos espíritos encarnados e desencarnados que o povoam.

Esses dois tipos de progresso seguem juntos, uma vez que a perfeição da habitação está relacionada com a do habitante.

Fisicamente, o globo sofreu transformações, constatadas pela Ciência, que o tornaram progressivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados.

Moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes.

Ao mesmo tempo em que a melhoria do globo se realiza sob o poder das forças materiais, os homens também concorrem para isso com os esforços da sua inteligência.

Esse duplo progresso se realiza de duas maneiras: uma lenta, gradual e insensível; a outra, por mudanças mais bruscas, cada uma delas resulta em um movimento ascensional mais rápido, que marca, por características acentuadas, os períodos progressivos da humanidade.

Esses movimentos, subordinados ao livre-arbítrio dos homens, são fatais no seu conjunto, porque estão submetidos a leis, visto que a finalidade da humanidade é o progresso, apesar da marcha retardatária de algumas individualidades.

É por isso que o movimento progressivo é algumas vezes parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação, de outras vezes é geral.

Quando a humanidade está madura para subir um degrau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus são chegados, como também se pode dizer que em tal estação eles são chegados para a maturação dos frutos e a colheita.

Pelo fato de o movimento progressivo da humanidade ser inevitável, porque ele está na natureza, não se segue que Deus lhe seja indiferente, e que, depois de ter estabelecido leis, tenha se recolhido à inação, deixando as coisas caminharem por si mesmas.

Suas leis são eternas e imutáveis, a sua própria vontade é eterna e constante, e o seu pensamento anima todas as coisas, sem interrupção.

Assim, Deus vela incessantemente pela execução das suas leis, e os espíritos que povoam o espaço são os seus ministros, encarregados dos pormenores, segundo as atribuições que correspondem ao seu grau de adiantamento.

O Universo é um mecanismo incomensurável, conduzido por um número não menos incomensurável de inteligências, um imenso governo onde cada ser inteligente tem a sua parcela de ação sob as vistas do soberano Senhor, cuja vontade única mantém a unidade por toda a parte.

Sob o império dessa vasta potência reguladora, tudo se move, tudo funciona em perfeita ordem.

Até o presente, a humanidade tem realizado progressos incontestáveis. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam sido alcançados, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material.

Ainda lhes falta um imenso progresso a realizar: o de fazerem reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade, para assegurar o bem-estar moral.

Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, resquícios de um outro tempo, boas para uma certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que podiam, seriam hoje um entrave, tal como uma criança estimulada por móbiles, que se tornam impotentes quando vem a idade madura.

Não é só o desenvolvimento da inteligência que é necessário aos homens, é a elevação do sentimento e, para isso, é preciso destruir tudo o que pode estimular neles o egoísmo e o orgulho.

Esse é o período em que vão entrar doravante e que marcará uma das principais fases da humanidade. Essa fase, que se elabora neste momento, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade adulta é o complemento da juventude. Ela podia, então, ser prevista e predita de antemão, e é por isso que se diz que os tempos marcados por Deus são chegados.

Nestes tempos, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende a se estabelecer, e os homens que mais se lhe opõem trabalham para o seu insucesso.

A geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada por elementos mais depurados, se encontrará animada de ideias e de sentimentos muito diferentes dos da geração presente, que se vai a passos de gigante.

O velho mundo estará morto e viverá na História, tal como hoje os tempos da Idade Média com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas.

O bem-estar só pode estar no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais se sente o que falta, sem, no entanto, poder ainda o definir claramente: é o efeito do trabalho íntimo que se realiza para a regeneração.

Tem-se desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor. Entretanto, uma mudança tão radical como a que se elabora não pode se realizar sem comoção; há uma luta inevitável entre as ideias.

Desse conflito nascerão, forçosamente, perturbações temporárias, até que o terreno esteja aplainado e o equilíbrio restabelecido.

Assim, é da luta de ideias que surgirão os graves acontecimentos anunciados, e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais.

Os cataclismos gerais foram a consequência do período de formação da Terra; hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam, são as da humanidade.

A humanidade é um ser coletivo em que acontecem as mesmas revoluções morais que em cada ser individual, com a diferença de que umas se realizam de ano em ano e as outras de século em século.

Acompanhando-se a evolução da humanidade através dos tempos, pode-se ver a vida das diversas raças marcadas por períodos que dão a cada época uma fisionomia particular.

Ao lado dos movimentos parciais, há um movimento geral que dá impulsão à humanidade inteira, mas o progresso de cada parte do conjunto é relativo ao seu grau de adiantamento.

Assim ocorre com as diferentes partes da humanidade, as mais atrasadas avançam, mas não poderiam, de um salto, atingir o nível das mais avançadas.

A humanidade, tornando-se adulta, tem novas necessidades, aspirações maiores, mais elevadas; ela compreende o vazio das ideias com que foi embalada, a insuficiência de suas instituições para a sua felicidade; ela não acha mais, no estado atual das coisas, as legítimas satisfações para as quais se sente chamada; e então sacode seus cueiros e se lança, impelida por uma força irresistível, através de regiões desconhecidas, para a descoberta de novos horizontes menos limitados.

E é no momento em que ela se acha bastante limitada na sua esfera material, em que a vida intelectual alcança altos níveis, em que o sentimento da espiritualidade desabrocha, que os homens, dizendo-se filósofos, esperam encher o vazio com doutrinas niilistas e materialistas!

Esses mesmos homens que pretendem impulsioná-la para a frente, se esforçam em circunscrevê-la no círculo estreito da matéria, de onde ela aspira sair; eles lhe obstruem a visão da vida infinita e lhe dizem, mostrando-lhe o túmulo: nec plus ultra! (não mais além; com esta expressão costuma-se determinar um limite que não deve ser ultrapassado)

É o cataclismo moral que dissipa as instituições do passado, sobrevindo uma nova ordem de coisas que se assenta pouco a pouco.

Parecerá que um mundo novo saiu das ruínas do antigo. O caráter, os costumes, os usos, tudo mudou; é que, com efeito, surgiram homens novos, ou melhor, homens regenerados; as ideias levadas pela geração que se extinguiu deram lugar às ideias novas na geração que se ergue.

É a um desses períodos de transformação, de crescimento moral, que a humanidade chegou. Da adolescência ela passa à idade viril.

O passado já não é suficiente às suas novas aspirações, às suas novas necessidades; ela não pode mais ser conduzida pelos mesmos meios; ela não se contenta mais com ilusões e artifícios; faltam, à sua razão amadurecida, alimentos mais substanciosos.

O presente é demasiado efêmero; ela sente que o seu destino é mais vasto e que a vida corporal é excessivamente restrita para encerrá-lo inteiramente; por isso, mergulha o olhar no passado e no futuro, a fim de neles descobrir o mistério da sua existência e adquirir uma confiança consoladora.

O homem não caminha mais às cegas: sabe de onde vem, para onde vai e por que está na Terra.

O futuro se mostra a ele na sua realidade, despojado dos preconceitos da ignorância e da superstição; não é mais uma vaga esperança: é uma verdade palpável, tão certa para ele como a sucessão dos dias e das noites.

Ele sabe que o seu ser não está limitado a alguns instantes de uma existência efêmera; que a vida espiritual não é interrompida pela morte; que ele já viveu, que viverá outra vez e que de tudo o que ele adquiriu em perfeição, pelo trabalho, nada é perdido; ele encontra nas suas existências anteriores a razão do que é hoje em dia; e, do que o homem se faz hoje, ele pode deduzir o que será um dia.

Todas as ações, então, terão uma finalidade, uma vez que, trabalhando para todos, cada um trabalha para si mesmo e reciprocamente, de maneira que nem o progresso individual nem o progresso geral jamais serão estéreis; deles aproveitarão as gerações e as individualidades futuras, que não são outras senão as gerações e individualidades do passado, chegadas a um grau mais alto de adiantamento.

A vida espiritual é a vida normal e eterna do espírito, e a encarnação é apenas uma forma temporária de sua existência. Salvo a vestimenta exterior, há pois identidade entre os encarnados e os desencarnados; são as mesmas individualidades sob dois aspectos diferentes, que pertencem tanto ao mundo visível quanto ao mundo invisível e se reencontram, seja em um seja em outro, concorrendo em ambos para o mesmo objetivo, por meios apropriados à sua situação.

Dessa lei emana a da perpetuidade das ligações entre os seres; a morte não os separa e não põe fim às suas relações simpáticas nem aos seus deveres recíprocos.

Daí a solidariedade de todos para cada um e de cada um para todos, daí, também, a fraternidade. Os homens só viverão felizes sobre a Terra no momento em que esses dois sentimentos entrarem em seus corações e em seus costumes, porque, então, adequarão suas leis e suas instituições a esses sentimentos. Esse será um dos principais resultados da transformação que se realiza.

Pela lei da pluralidade das existências, o homem se liga ao que fez e ao que fará, aos homens do passado e aos do futuro; ele não pode mais dizer que não tem nada de comum com aqueles que morrem, pois uns e outros se reencontrarão incessantemente, neste mundo e no outro, para subirem juntos a escala do progresso e se prestarem um mútuo apoio.

A fraternidade não está mais circunscrita a alguns indivíduos que o acaso reúne durante a duração efêmera da vida; ela é perpétua como a vida do espírito, universal como a humanidade, que constitui uma grande família em que todos os membros são solidários uns com os outros, qualquer que seja a época em que viveram.

Tais são as ideias que ressaltam do Espiritismo, e que ele suscitará entre todos os homens, quando for universalmente difundido, compreendido, ensinado e praticado. Com o Espiritismo, a fraternidade – sinônimo da caridade pregada pelo Cristo – não é mais uma palavra inútil; ela tem a sua razão de ser.

Do sentimento da fraternidade nasce o da reciprocidade e dos deveres sociais, de homem para homem, de povo para povo, de raça para raça; desses dois sentimentos bem compreendidos sairão, forçosamente, as instituições mais proveitosas ao bem-estar de todos.

A fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social, mas não há fraternidade real, sólida e efetiva, se ela não está apoiada em uma base inabalável, e essa base é a fé; não a fé em tais ou quais dogmas particulares que mudam com o tempo e os povos e que se apedrejam mutuamente, uma vez que se amaldiçoando elas alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que todo o mundo pode aceitar: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido e a perpetuidade das relações entre os seres.

Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, não pode querer nada de injusto, que o mal vem dos homens e não dele, eles se olharão como os filhos de um mesmo Pai e estenderão as mãos uns aos outros.

Essa é a fé que o Espiritismo proporciona e que doravante será o eixo em torno do qual se moverá o gênero humano, quaisquer que sejam o seu modo de adoração e as suas crenças particulares, que o Espiritismo respeita, mas dos quais não pode se ocupar.

Somente dessa fé pode sair o verdadeiro progresso moral, porque somente ela dá uma sanção lógica aos legítimos direitos e aos deveres; sem ela, o direito é aquele que a força dá; o dever, um código humano imposto pelo constrangimento.

O progresso intelectual realizado até o presente nas mais largas proporções é um grande passo e marca a primeira fase da humanidade, mas sozinho ele é impotente para regenerá-la.

Enquanto o homem for dominado pelo orgulho e pelo egoísmo, ele utilizará sua inteligência e seus conhecimentos em proveito de suas paixões e de seus interesses pessoais, razão por que ele os aplica no aperfeiçoamento dos meios de prejudicar os outros e de destruí-los.

Somente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra, colocando um freio nas más paixões; somente ele pode fazer com que reinem a concórdia, a paz e a fraternidade entre os homens.

É ele que derrubará as barreiras entre os povos, que fará cair os preconceitos sociais e calará os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se olharem como irmãos chamados a se auxiliarem mutuamente e não a viverem à custa uns dos outros.

É ainda o progresso moral, secundado aqui pelo progresso da inteligência, que unirá os homens numa única crença estabelecida sobre as verdades eternas, não sujeitas à discussão e por isso mesmo aceitas por todos.

A unidade de crença será o laço mais poderoso, o mais sólido fundamento da fraternidade universal, destruí da em todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem ver no próximo os inimigos que é preciso evitar, combater, exterminar, em vez de irmãos que é preciso amar.

Um tal estado de coisas pressupõe uma mudança radical no sentimento das massas, um progresso geral que só podia acontecer fora do círculo das ideias estreitas e terra-a-terra que fomentam o egoísmo.

A humanidade está madura para lançar seu olhar mais alto do que havia feito, para assimilar ideias mais amplas e compreender o que não havia compreendido.

A geração que desaparece levará consigo seus preconceitos e seus erros; a geração que surge, retemperada em uma fonte mais pura, imbuída de ideias mais sãs, imprimirá ao mundo o movimento ascensional, no sentido do progresso moral que deve marcar a nova fase da humanidade.

Essa fase já se revela por sinais inequívocos, por tentativas de reformas úteis, por ideias grandes e generosas que aparecem e começam a encontrar os ecos.

É assim que se veem fundar uma imensidade de instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras, pela iniciativa e sob o impulso de homens evidentemente predestinados à obra da regeneração, e que as leis penais vão se impregnando, a cada dia, de sentimentos mais humanos.

Os preconceitos raciais se enfraquecem, os povos começam a se olhar como os membros de uma grande família. Pela uniformidade e facilidade dos meios de transação, eles suprimem as barreiras que os separavam; de todas as partes do mundo eles se reúnem em comícios universais para os torneios pacíficos da inteligência.

Falta, porém, a essas reformas, uma base para se desenvolverem, se completarem e se consolidarem; uma predisposição moral mais generalizada para frutificarem e se fazerem aceitar pelas massas. Isso é um sinal característico da época, o prelúdio do que se realizará em uma maior escala, à medida que o terreno se tornar mais propício.

Outro sinal, não menos característico do período em que entramos, é a reação evidente que se realiza no sentido das ideias espiritualistas; uma repulsão instintiva se manifesta contra as ideias materialistas.

O espírito de incredulidade que se apossara das massas, ignorantes ou esclarecidas, e as havia feito rejeitar, com a forma, o próprio fundamento de toda a crença, parece ter sido um sono, de cujo despertar sente-se a necessidade de respirar um ar mais vivificante. Involuntariamente, onde o vazio se fez, procura-se qualquer coisa, um ponto de apoio, uma esperança.

Nesse grande movimento regenerador, o Espiritismo tem um papel considerável, não o Espiritismo ridículo inventado por uma crítica zombeteira, mas o Espiritismo filosófico, tal como o compreende todo aquele que se der ao trabalho de procurar a amêndoa sob a casca.

Pelas provas que fornece das verdades fundamentais ele preenche o vazio que a incredulidade criou nas ideias e nas crenças; pela certeza que ele dá de um futuro de acordo com a justiça de Deus, e que a razão mais severa pode admitir, ele ameniza as amarguras da vida e previne os funestos efeitos do desespero.

Fazendo conhecer novas leis da natureza, ele oferece a solução de fenômenos incompreendidos e de problemas insolúveis até hoje, e, por sua vez, destrói a incredulidade e a superstição. Para ele não há nem sobre natural nem maravilhoso, no mundo tudo se realiza em virtude de leis imutáveis.

Longe de substituir um exclusivismo por outro, ele se apresenta como campeão absoluto da liberdade de consciência; ele combate o fanatismo sob todas as formas, e o corta pela raiz proclamando a salvação para todos os homens de bem, e a possibilidade, para os mais imperfeitos, de chegar, por seus esforços, pela expiação e pela reparação, à perfeição que só conduz à suprema felicidade. Em lugar de desencorajar o fraco, ele o encoraja mostrando-lhe o porto que ele pode alcançar.

Ele não diz: fora do Espiritismo não há salvação, mas com o Cristo: Fora da caridade não há salvação, princípio de união, de tolerância, que reunirá os homens num sentimento comum de fraternidade, em lugar de dividi-los em seitas inimigas.

Por este outro princípio: não há fé inquebrantável senão aquela que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade, o Espiritismo destrói o império da fé cega que aniquila a razão, da obediência passiva que embrutece; ele emancipa a inteligência do homem e ergue seu moral.

Coerente consigo mesmo, ele não se impõe; diz o que é, o que quer, o que dá, e espera que venham a ele livremente, voluntariamente; ele quer ser aceito pela razão e não pela força. Ele respeita todas as crenças sinceras, e só combate a incredulidade, o egoísmo, o orgulho e a hipocrisia, que são as chagas da sociedade e os obstáculos mais sérios ao progresso moral; mas ele não condena a ninguém, mesmo aos seus inimigos, porque está convencido de que a estrada do bem está aberta aos mais imperfeitos, e que cedo ou tarde eles entrarão nela.

Se supusermos a maioria dos homens imbuídos desses sentimentos, poderemos facilmente imaginar as modificações que eles farão nas relações sociais: caridade, fraternidade, benevolência para todos e tolerância para todas as crenças, tal será a sua divisa.

É o alvo para o qual tende evidentemente a humanidade; é o objetivo das suas aspirações, dos seus desejos, sem que, entretanto, ela perceba os meios de realizá-los.

Ensaia, tateia, mas é detida por muitas resistências ativas ou pela força de inércia dos preconceitos, das crenças estagnadas e refratárias ao progresso. Estas são as resistências que é preciso vencer, e essa será a obra da nova geração; se se acompanhar o curso atual das coisas se reconhecerá que tudo parece predestinado a lhe abrir o caminho. Ela terá a seu favor a dupla vantagem do número de adeptos e das ideias, além da experiência do passado.

A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento que tiver alcançado. O Espiritismo caminhando para o mesmo alvo, e realizando os seus objetivos, se encontrará com ela no mesmo terreno.

Não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da humanidade que faz dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, pelas suas tendências progressistas, pela amplitude de seus objetivos e pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo está, mais que qualquer outra doutrina, apto a secundar o movimento regenerador.

Dizendo que a humanidade está madura para a regeneração, não significa que todos os indivíduos estejam no mesmo grau, porém muitos têm, por intuição, o germe das novas ideias que as circunstâncias farão eclodir; então eles se mostrarão mais avançados do que se supunha, e seguirão com solicitude o impulso da maioria.

Entretanto, existem aqueles que são, por natureza, refratários, mesmo entre os mais inteligentes, e que, seguramente, não se reunirão jamais, pelo menos nesta existência: uns de boa-fé, por convicção, outros por interesse. Aqueles cujos interesses materiais estão ligados ao estado de coisas atual, e que não são bastante avançados para renunciar a eles, aqueles a quem o bem geral preocupa menos que o seu próprio bem, e que não podem ver, sem apreensão, o mínimo movimento reformador.

A verdade é, para eles, uma questão secundária, ou melhor dizendo, a verdade, para certas pessoas, está absolutamente inteira naquilo que não lhes cause nenhuma perturbação.

Todas as ideias progressivas são, aos seus olhos, ideias subversivas, é por isso que eles lhes devotam um ódio implacável e lhes fazem uma guerra encarniçada. Muito inteligentes para não ver no Espiritismo um auxiliar dessas ideias e os elementos da transformação que eles receiam, porque não se sentem à sua altura, eles se esforçam para abatê-lo. Se o julgassem sem valor, sem importância, não se preocupariam com ele. Nós já dissemos anteriormente: “quanto mais uma ideia é grande, mais adversários ela encontra, e pode-se avaliar sua importância pela violência dos ataques dos quais ela é objeto”.

O número de retardatários ainda é grande em relação à geração que se eleva, mas os tempos determinados por Deus são chegados.

Juízo final

No Livro “A Gênese”, de Allan Kardec, sobre o juízo final, temos alguns esclarecimentos:

Ora, quando o Filho do Homem vier na sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono da sua glória; e, todas as nações estando reunidas diante dele, ele separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: vinde, vós, que fostes benditos por meu Pai…” (Mateus, XXV: 31 a 46; O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV.)

Devendo o bem reinar sobre a Terra, é necessário que sejam excluídos dela os espíritos endurecidos no mal que poderiam acarretar-lhe perturbações. Deus permitiu que eles aqui permanecessem o tempo necessário para o seu melhoramento, mas, chegado o momento em que a Terra, pelo progresso moral dos seus habitantes, deve se elevar na hierarquia dos mundos, a permanência deles, como espíritos e como encarnados, será interditada àqueles que não tenham aproveitado os ensinamentos que se achavam em condições de ali receber. Serão exilados para mundos inferiores, como outrora foram exilados para a Terra os espíritos da raça adâmica, sendo substituídos por espíritos melhores. É esta separação, que será presidida por Jesus, que está figurada nestas palavras do juízo final: “os bons passarão à minha direita e os maus à minha esquerda”. (Cap. XI, item 31 e ss.)

A doutrina de um juízo final, único e universal, pondo um fim para sempre na humanidade, repugna à razão, no sentido em que ele implicaria a inatividade de Deus durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e a eternidade que se seguirá à sua destruição.

Pergunta-se então que utilidade teriam o Sol, a Lua e as estrelas, que, segundo a Gênese, foram feitos para iluminar o nosso mundo. Causa espanto que uma obra tão grandiosa tenha sido feita para durar tão pouco tempo e para benefício de seres cuja maior parte estava votada, de antemão, aos suplícios eternos.

Materialmente, a ideia de um julgamento único era, até certo ponto, admissível, para os que não procuram a razão das coisas, numa época em que se acreditava que toda a humanidade estava concentrada sobre a Terra, e que tudo no Universo havia sido feito para os seus habitantes.

Ela é inadmissível, desde que se sabe que existem milhares de mundos semelhantes, que perpetuam as humanidades durante a eternidade, e entre os quais a Terra é um ponto imperceptível dos menos consideráveis.

Vê-se por esse único fato que Jesus tinha razão para dizer aos seus discípulos: “há muitas coisas que não posso vos dizer, porque não as compreenderíeis”, visto que o progresso das ciências era indispensável para a interpretação correta de algumas das suas palavras.

Os apóstolos, Paulo e os primeiros discípulos, certamente teriam estabelecido alguns dogmas de uma forma diferente se tivessem os conhecimentos astronômicos, geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que hoje em dia se tem. Por isso Jesus adiou a conclusão dos seus ensinamentos e anunciou que todas as coisas deviam ser restabelecidas.

Moralmente, um juízo definitivo e sem apelação não condiz com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta continuamente como um bom Pai, que sempre deixa um caminho aberto para o arrependimento e que está sempre pronto a estender os braços ao filho pródigo. Se Jesus houvesse entendido o juízo daquela maneira, teria desmentido suas próprias palavras.

Por outro lado, se o juízo final deve surpreender os homens de improviso, em meio às suas atividades, e as mulheres grávidas, pergunta-se com que finalidade Deus, que não faz nada inútil nem injusto, faria nascer crianças e criaria almas novas nesse momento supremo, no termo fatal da humanidade, para fazê-los passar por um julgamento ao sair do ventre materno, antes de terem consciência de si mesmas, enquanto que outros têm milhares de anos para se reconhecerem? Para que lado, direito ou esquerdo, passariam essas almas, que ainda não são nem boas nem más, e para quem todos os caminhos de progresso posterior estariam desde então fechados, visto que a humanidade não existiria mais?

O juízo por via de emigração, conforme foi definido, é racional; ele está fundado sobre a mais rigorosa justiça, uma vez que deixa, eternamente, ao espírito, o seu livre-arbítrio; que não constitui privilégio para ninguém; que uma igual liberdade de ação é dada por Deus a todas as suas criaturas, sem exceção, para progredirem; que a porta do céu está sempre aberta para aqueles que se tornam dignos de nele entrar; que mesmo o aniquilamento de um mundo, ocasionando a destruição do corpo, não causa nenhuma interrupção à marcha progressiva do espírito. Esta é a consequência da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências.

Segundo essa interpretação, a qualificação de juízo final não é exata, uma vez que os espíritos passam por julgamentos semelhantes a cada renovação dos mundos que eles habitam, até que tenham atingido um certo grau de perfeição.

Portanto, não há juízo final propriamente dito, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, através das quais ocorrem as grandes emigrações e imigrações de espíritos. (KARDEC. A Gênese, pg. 452 a pg. 455)

Céus, terra, mundo espiritual e inferno

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, na pergunta 1016, tem-se que o sentido da palavra céu deve ser é “do espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade”.

Na pergunta 1017, acerca de alguns Espíritos estar habitando o quarto, o quinto céus, etc., a explicação é que “perguntando-lhes que céu habitam, é que formais ideia de muitos céus dispostos como os andares de uma casa. Eles, então, respondem de acordo com a vossa linguagem. Mas, por estas palavras – quarto e quinto céus – exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno. Se for desgraçado, dirá – sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro”.

Na nota esclarecedora, diz que o mesmo ocorre com outras expressões análogas, tais como: cidade das flores, cidade dos eleitos, primeira, segunda, ou terceira esfera, etc., que apenas são alegorias usadas por alguns Espíritos, quer como figuras, quer, algumas vezes, por ignorância da realidade das coisas, e até das mais simples noções científicas.

De acordo com a ideia restrita que se fazia outrora dos lugares das penas e das recompensas e, sobretudo, de acordo com a opinião de que a Terra era o centro do Universo, de que o firmamento formava uma abóbada e que havia uma região das estrelas, o céu era situado no alto e o inferno embaixo. Daí as expressões: subir ao céu, estar no mais alto dos céus, ser precipitado nos infernos.

Hoje, que a Ciência demonstrou ser a Terra apenas, entre tantos milhões de outros, um dos menores mundos, sem importância especial; que traçou a história da sua formação e lhe descreveu a constituição; que provou ser infinito o espaço, não haver alto nem baixo no Universo, teve-se que renunciar a situar o céu acima das nuvens e o inferno nos lugares inferiores.

Quanto ao purgatório, nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritismo dar de tudo isso a explicação mais racional, mais grandiosa e, ao mesmo tempo, mais consoladora para a Humanidade. Pode-se assim dizer que trazemos em nós mesmos o nosso inferno e o nosso paraíso. O purgatório, achamo-lo na encarnação, nas vidas corporais ou físicas.

Bezerra de Menezes esclarece: há muitas moradas, muitos planetas, todos plenos de vidas – prodigalidade do amor do Criador. São infinitas as moradas onde o espírito se instala como arquiteto de suas construções, elaboradas com suas mais íntimas emanações. Tudo sob os auspícios do Pai, que, por extremado amor, não nega a Seus amados a oportunidade de transitar por diversos mundos do Universo infinito no processo de evolução que Sua caridade incomensurável lhes oferta. (MENEZES. Estudando o Evangelho com Bezerra de Menezes, pg. 59)

No Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, Livro II, temos a explicação de “Céus” como estados vibracionais da alma em sua feição positiva de amor, fora dos limites da matéria, que se correlacionam com mundos, planos, regiões ou esferas espirituais, a saber.

Durante muito tempo, o vocábulo “céu” foi entendido como um lugar circunscrito. Esta concepção é ainda alimentada por muitos, que costumam delimitá-lo, como regiões superiores dos planos espirituais.

“Céus” (no plural ou singular) sugere a ideia de plano mais elevado. As faixas inferiores (“inferno”), por sua vez, são os campos vibracionais trevosos, infelizes.

Podemos nos ligar às vibrações superiores quando nosso Espírito se vincula aos componentes da paz e da segurança, no alicerce da humildade operante. Compreendemos, então, que “céu” ou “inferno” são estados de alma, resultantes da harmonia ou dos desequilíbrios íntimos.

Operar nos “céus” significa educar-se, renovar-se, desenvolvendo a capacidade de elevar-se, de forma que o estado de bem-aventurança se torne uma realidade. Urge compreender “céus” como um estado vibracional da alma, em sua feição positiva de amor. É óbvio, que esse território está fora dos limites estreitos da matéria, mas vinculado aos meandros profundos do superconsciente. (Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, Ensinos e parábolas de Jesus, Livro II, Parte 1, pg. 100)

A respeito de terra ou Terra, em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, extraímos que os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.

Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.

Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.

Na literatura, encontramos tanto “Terra”, o planeta onde vivemos, como “terra”, no sentido de solo, região, nação, crosta, superfície, chão, território, etc. Algumas vezes, observamos a utilização dessa palavra sem a preocupação de diferenciá-la pela primeira letra maiúscula ou minúscula, procurando atribuir o mesmo conceito.

Em termos espirituais, Terra ou terra está relacionada ao mundo visível ou corpóreo, como morada dos encarnados.

Do Livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec, sobre céu, temos que em geral, a palavra céu designa o espaço indefinido que circunda a Terra, e mais particularmente a parte que está acima do nosso horizonte.

Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro. Girando essas esferas em torno da Terra, arrastavam consigo os astros que se achavam em seu circuito.

Essa ideia, provinda da deficiência de conhecimentos astronômicos, foi a de todas as teogonias, que fizeram dos céus, assim escalados, os diversos degraus da bem-aventurança: o último deles era abrigo da suprema felicidade.

Segundo a opinião mais comum, havia sete céus e daí a expressão – estar no sétimo céu – para exprimir perfeita felicidade. Os muçulmanos admitem nove céus, em cada um dos quais se aumenta a felicidade dos crentes.

O astrônomo Ptolomeu contava onze e denominava ao último Empíreo por causa da luz brilhante que nele reina. É este ainda hoje o nome poético dado ao lugar da glória eterna.

A teologia cristã reconhece três céus: o primeiro é o da região do ar e das nuvens; o segundo, o espaço em que giram os astros, e o terceiro, para além deste, é a morada do Altíssimo, a habitação dos que o contemplam face a face. É conforme a esta crença que se diz que Paulo foi alçado ao terceiro céu.

As diferentes doutrinas relativamente ao Paraíso repousam todas no duplo erro de considerar a Terra centro do universo, e limitada a região dos astros. É além desse limite imaginário que todas têm colocado a residência afortunada e a morada do Todo-Poderoso.

A Ciência, com a lógica inexorável da observação e dos fatos, levou o seu archote às profundezas do Espaço e mostrou a nulidade de todas essas teorias.

A Terra não é mais o eixo do universo, porém um dos menores astros que rolam na imensidade; o próprio Sol mais não é do que o centro de um turbilhão planetário; as estrelas são outros tantos e inumeráveis sóis, em torno dos quais circulam mundos sem conta, separados por distâncias apenas acessíveis ao pensamento, embora se nos afigure tocarem-se.

Neste conjunto grandioso, regido por leis eternas – reveladoras da sabedoria e onipotência do Criador –, a Terra não é mais que um ponto imperceptível e um dos planetas menos favorecidos quanto à habitabilidade.

E, assim sendo, é lícito perguntar por que Deus faria da Terra a única sede da vida e nela degredaria as suas criaturas prediletas? Ao contrário, tudo anuncia a vida por toda parte e a humanidade é infinita como o universo.

Revelando-nos a Ciência mundos semelhantes ao nosso, Deus não podia tê-los criado sem intuito, antes deve tê-los povoado de seres capazes de os governar.

O Espiritismo vem resolvê-las demonstrando o verdadeiro destino do homem. Tomando-se por base a natureza deste último e os atributos divinos, chega-se a uma conclusão; isto quer dizer que partindo do conhecido atinge-se o desconhecido por uma dedução lógica, sem falar das observações diretas que o Espiritismo faculta.

O homem compõe-se de corpo e Espírito: o Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento.

O corpo, usado, destrói-se e o Espírito sobrevive à sua destruição. Privado do Espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função; sem o corpo, o Espírito é tudo; a vida, a inteligência. Ao deixar o corpo, torna ao mundo espiritual, onde paira, para depois reencarnar.

Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no Espaço, sem limite algum designado.

Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem-na eles em toda parte em que se encontram, seja à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no Espaço.

O mundo espiritual tem esplendores por toda parte, harmonias e sensações que os Espíritos inferiores, submetidos à influência da matéria, não entreveem sequer, e que somente são acessíveis aos Espíritos purificados.

No intervalo das existências corporais o Espírito torna a entrar no mundo espiritual, onde é feliz ou desgraçado segundo o bem ou o mal que fez.

A reencarnação pode dar-se na Terra ou em outros mundos. Há entre os mundos alguns mais adiantados onde a existência se exerce em condições menos penosas que na Terra, física e moralmente, mas onde também só são admitidos Espíritos chegados a um grau de perfeição relativo ao estado desses mundos.

A vida nos mundos superiores já é uma recompensa, visto nos acharmos isentos, aí, dos males e vicissitudes terrenos. Os corpos menos materiais, quase fluídicos, não sujeitos aí às moléstias, às enfermidades, tampouco têm as mesmas necessidades. Excluídos os Espíritos maus, gozam os homens de plena paz, sem outra preocupação além da do adiantamento pelo trabalho intelectual.

Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir o fraco. Comparados à Terra, esses mundos são verdadeiros paraísos, quais pousos ao longo do caminho do progresso conducente ao estado definitivo.

Sendo a Terra um mundo inferior destinado à purificação dos Espíritos imperfeitos, está nisso a razão do mal que aí predomina, até que praza a Deus fazer dela morada de Espíritos mais adiantados.

Assim é que o Espírito, progredindo gradualmente à medida que se desenvolve, chega ao apogeu da felicidade; porém, antes de ter atingido a culminância da perfeição, goza de uma felicidade relativa ao seu progresso. A criança também frui os prazeres da infância, mais tarde os da mocidade, e finalmente os mais sólidos, da madureza.

Posto que os Espíritos estejam por toda parte, os mundos são de preferência os seus centros de atração, em virtude da analogia existente entre eles e os que os habitam. Em torno dos mundos adiantados abundam Espíritos superiores, como em torno dos atrasados pululam Espíritos inferiores.

Cada globo tem, de alguma sorte, sua população própria de Espíritos encarnados e desencarnados, alimentada em sua maioria pela encarnação e desencarnação dos mesmos. Esta população é mais estável nos mundos inferiores, pelo apego dos Espíritos à matéria, e mais flutuante nos superiores.

Destes últimos, porém, verdadeiros focos de luz e felicidade, Espíritos se destacam para mundos inferiores a fim de neles semearem os germens do progresso, levar-lhes consolação e esperança, levantar os ânimos abatidos pelas provações da vida. Por vezes também se encarnam para cumprir com mais eficácia a sua missão.

Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.

Ante este quadro grandioso que povoa o universo, que dá a todas as coisas da Criação um fim e uma razão de ser, quanto é pequena e mesquinha a doutrina que circunscreve a humanidade a um ponto imperceptível do Espaço, que lhe mostra começando em dado instante para acabar igualmente com o mundo que a contém, não abrangendo mais que um minuto na eternidade! (KARDEC. O Céu e o Inferno, pg. 25 a pg. 35)

O Apocalipse de João faz diversas referências a céu e a terra, das quais destacaremos a seguir.

Vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, bem selado com sete selos. Vi também um anjo forte, clamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de romper os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. (Apocalipse 5: 1-3)

Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos: e os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram. (Apocalipse 5: 13-14)

E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: o reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.

E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, porque tens tomado o teu grande poder, e começaste a reinar.

Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.

Abriu-se o santuário de Deus que está no céu, e no seu santuário foi vista a arca do seu pacto; e houve relâmpagos, vozes e trovões, e terremoto e grande saraiva. (Apocalipse 11: 15-19)

Essas linguagens confirmam a existência dos vários planos, esferas ou comunidades espirituais do planeta, em diferentes níveis de evolução moral, tendo a terra, ou a crosta terrestre, como referencial: acima (níveis espirituais mais elevados) ou abaixo (treva e abismo).

Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvira, voz como de trombeta, falando comigo, disse: sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. Imediatamente fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono; (Apocalipse 4: 1-2)

Desses versículos, destaca-se o arrebatamento em Espírito que se transporta para o céu.

Arrebatamento é o efeito ou a ação de arrebatar, ou seja, retirar algo repentinamente de um lugar. Arrebatamento pode, ainda, estar relacionado com a condição do estado de espírito.

Para algumas doutrinas religiosas, o arrebatamento é conceito relacionado com os últimos sete anos que precedem o chamado “Juízo Final”. Para essa interpretação, o arrebatamento será um episódio em que os verdadeiros crentes em Deus serão, repentinamente, levados para os céus.

Importante destacar, a exemplo da ressurreição da carne, ou a volta à vida com o mesmo corpo, já decomposto, que esse dogma não tem base científica, o arrebatamento do corpo também se defronta com as leis da natureza.

Uma interpretação espírita liga arrebatamento à desencarnação, ou seja, o arrebatamento de nosso espírito do corpo físico para o plano espiritual. Nesse caso, é arrebatamento do Espírito e não da carne, ou do corpo.

No Apocalipse, João, na Ilha de Patmos, foi, de súbito, arrebatado em Espírito, ouvindo atrás de si a voz do Cristo, instruindo-o no sentido de escrever tudo aquilo que passaria a ver. Esse fato indica que o Apocalipse foi uma manifestação espiritual.

O desdobramento é a capacidade que todo o ser humano possui de projetar a consciência para fora do corpo, utilizando-se dos corpos sutis de manifestação.

Assim, arrebatamento poderá ter ainda o sentido de desdobramento, em um processo de saída do corpo físico. 

O dom da mediunidade, ou de se auto arrebatar, inclui o desdobramento, o dom de a pessoa poder estar presente em dois locais diferentes, ao mesmo tempo.

Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele. (Apocalipse 12: 7-9)

E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.

Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom. (Apocalipse 16: 13-16)

O Arcanjo Miguel e seus anjos pelejaram (batalha espiritual) contra o dragão no céu, assim como os anjos e o dragão, provavelmente nas regiões umbralinas, porquanto não se pode conceber a existência do dragão (espírito mau) nas esferas superiores.

O livro “Nosso Lar” discorre sobre um bloqueio para a entrada de espíritos movidos pelo mal, a semelhança de uma muralha.

O dragão, a antiga serpente, foi expulso do céu (do Umbral) para a terra junto de seus anjos.

Depois da obra de Jesus pela salvação, teve início a batalha decisiva (Armagedon) entre o bem e o mal. Essa batalha final, também conhecida por Grande Tribulação, envolverá todas as nações, bem como os seres desencarnados das esferas próximas.

E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo. (Apocalipse 20: 1-3)

Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. (Apocalipse 20: 7-8)

Abismo é a primeira e a mais inferior das esferas espirituais, só habitada por joio em sua pior condição.

Para a Doutrina Espírita, Satanás não representa uma entidade tomada individualmente, mas uma falange de Espíritos que se feriram profundamente perante a Lei.

Os Espíritos caídos no mal operam em zonas inferiores da vida. Não são, todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o bem, no curso dos séculos, qual acontece aos próprios homens.

No Evangelho de Mateus, até as entidades obsessoras, atuantes na crosta terrestre, denotam conhecer e temer a região abissal. Quando Jesus ordenou aos Espíritos imundos que saíssem do endemoniado geraseno, eles lhe rogaram que não os mandasse sair para o abismo. Preferiram a manada de porcos.

E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que desde muito tempo estava possesso de demônios, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros.
E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.

Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso, com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelo demônio para os desertos.

E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo. E andava ali pastando no monte uma vara de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lhe. (Lucas 8: 27-32)

Nova Jerusalém, um novo céu e uma nova terra

“Então ouvi uma voz do céu, que dizia; escreve: bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham.

E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro, e na mão uma foice afiada.

E outro anjo saiu do santuário, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: lança a tua foice e ceifa, porque é chegada a hora de ceifar, porque já a seara da terra está madura.

Então aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi ceifada”. (Apocalipse 14: 13-16)

“A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome”. (Apocalipse 3: 12)

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.

E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo.

E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.

Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.

E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.

Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida.

Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte.

E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.

E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima, como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.

Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas, e ao ocidente três portas.

O muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. (Apocalipse 21: 1-14)

O novo céu e a nova terra serão o início de uma Nova Era, onde a justiça reinará, uma humanidade renovada, ou um mundo regenerado.

Importante destacar que a renovação acontecerá tanto na terra com no céu, passando uma ideia de universalidade. Logo, estaremos habitando, como moradas da Casa do Pai, o novo céu e a nova terra.

A Nova Jerusalém”, ou “Jerusalém celeste”, ou “Jerusalém libertada”, será símbolo da humanidade regenerada.

Durante milênios, a humanidade amargou dolorosas provações em razão dos erros cometidos contra a Lei de Deus.

Uma geração nova surge, afinal, na Terra. Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral.

A nova geração e mundo regenerado

Allan Kardec esclareceu acerca da nova geração nos Livros “A Gênese” e “Obras Póstumas”, porquanto para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é preciso que ela seja povoada somente por bons espíritos encarnados e desencarnados, que só queiram o bem.

O tempo sendo chegado, uma grande emigração se verifica, neste momento, entre os que a habitam; a dos que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque, caso contrário, lhe trariam de novo a perturbação e a confusão, e seriam um obstáculo ao progresso.

Eles irão expiar o endurecimento dos seus corações, uns em mundos inferiores, outros em raças terrestres atrasadas que serão o equivalente de mundos inferiores, para onde levarão seus conhecimentos adquiridos, e terão por missão fazê-las avançar.

Serão substituídos por espíritos melhores que farão reinar entre eles a justiça, a paz e a fraternidade.

A Terra, no dizer dos espíritos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova a sucederá da mesma maneira, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Tudo, pois, se passará exteriormente, como de hábito, com uma única diferença, mas uma diferença capital, a de que uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não voltará mais a encarnar nela. Em uma criança que nasça, no lugar de um espírito atrasado e inclinado ao mal, que nela poderia encarnar, virá um espírito mais adiantado e propenso ao bem.

Trata-se, pois, muito menos de uma nova geração corpórea do que de uma nova geração de espíritos. Assim, aqueles que esperam ver a transformação ocorrer através de efeitos sobrenaturais e maravilhosos, ficarão decepcionados.

A época atual é a da transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados no ponto intermediário, nós assistimos à partida de uma e à chegada da outra, e cada uma já se assinala no mundo pelas características que lhe são próprias.

As duas gerações que se sucedem têm ideias e pontos de vista opostos. Pela natureza das disposições morais, mas, sobretudo, pelas disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

Devendo fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma inteligência e uma razão, geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior.

Ela não será composta exclusivamente por espíritos eminentemente superiores, mas pelos que, já tendo progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.

O que, ao contrário, distingue os espíritos atrasados, é, em primeiro lugar, a revolta contra Deus, pela recusa em reconhecer algum poder superior à humanidade; depois a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos antifraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de apego a tudo o que é material.

São esses os vícios de que a Terra tem que ser expurgada pelo afastamento daqueles que se recusam em se emendar, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade, e porque os homens de bem sempre sofrerão com o seu contato; quando a Terra estiver livre deles, os homens caminharão sem empecilhos para o futuro melhor que lhes está reservado desde este mundo, como recompensa de seus esforços e de sua perseverança, enquanto esperam que uma depuração ainda mais completa lhes abra a entrada dos mundos superiores.

Por essa emigração dos espíritos, não se deve entender que todos os espíritos retardatários serão expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Muitos, ao contrário, aqui voltarão, uma vez que muitos cederam ao arrastamento das circunstâncias e do exemplo. Nesses, a aparência era pior do que o íntimo.

Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos preconceitos do mundo corporal, a maioria deles verá as coisas de uma maneira inteiramente diferente da que viam quando em vida, como nos provam numerosos exemplos.

Nisso, eles são ajudados pelos espíritos benévolos que se interessam por eles e que se apressam em esclarecê-los e mostrar-lhes o falso caminho que seguiram. Nós mesmos, com as nossas preces e exortações, podemos contribuir para que se melhorem, porque há uma perpétua solidariedade entre os mortos e os vivos.

A maneira pela qual se opera a transformação é muito simples, e, como se vê, ela é toda moral, e não se afasta em nada das leis da natureza.

Que os espíritos da nova geração sejam novos espíritos melhores, ou os antigos espíritos que se melhoraram, o resultado é o mesmo; desde o instante em que eles apresentem melhores disposições, é sempre uma renovação.

Assim, segundo as suas disposições naturais, os espíritos encarnados formam duas categorias: de um lado, os retardatários que partem, e do outro, os progressistas que chegam. A situação dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, diretamente relacionada com aquela categoria que, entre as duas, tiver preponderância.

Nós assistimos a esta transformação, ao conflito que resulta da luta das ideias contrárias que buscam se implantar; umas marcham com a bandeira do passado, outras com a do futuro.

Se examinarmos o estado atual do mundo, reconheceremos que, tomada no seu conjunto, a humanidade terrestre ainda está longe do ponto intermediário onde as forças se equilibram; que os povos, considerados isoladamente, estão a uma grande distância uns dos outros nessa escala; que alguns chegam a esse ponto, mas nenhum ainda o ultrapassou.

Não obstante, a distância que os separa dos pontos extremos está longe de ser igual em duração, e uma vez o limite vencido, a nova rota será percorrida com muito mais rapidez, porque inúmeras circunstâncias virão aplaná-la.

Assim se realiza a transformação da humanidade. Sem a emigração, isto é, sem a partida dos espíritos retardatários que não devem voltar, ou que só podem voltar após se terem melhorado, a humanidade terrestre não ficaria por isso indefinidamente estacionada, porque os espíritos mais atrasados, por sua vez, avançam; mas seriam precisos séculos, talvez milhares de anos, para alcançar o resultado que meio século bastaria para realizar.

As grandes partidas coletivas não têm somente por objetivo ativar as saídas, mas também transformar mais rapidamente o espírito das massas, livrando-as das más influências, e dar maior ascendência às novas ideias. É porque muitos estão maduros para essa transformação, apesar das suas imperfeições, que partem, a fim de irem se retemperar em uma fonte mais pura.

Enquanto que se ficassem no mesmo meio e sob as mesmas influências, teriam persistido nas suas opiniões e na sua maneira de ver as coisas. Uma estada no mundo dos espíritos basta para lhes descerrar os olhos, porque ali eles veem o que não podem ver sobre a Terra.

O incrédulo, o fanático e o absolutista poderão, então, voltar com ideias inatas de fé, tolerância e liberdade. Ao regressarem, encontrarão as coisas mudadas e sofrerão a influência do novo meio em que nascerão. Em lugar de fazer oposição às novas ideias, eles serão seus auxiliares.

A regeneração da humanidade, portanto, não tem absolutamente necessidade da renovação integral dos espíritos; basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação ocorre com todos os que estão predispostos a ela, quando são subtraídos à influência perniciosa do mundo. Assim, os que voltam não são sempre outros espíritos, mas frequentemente os mesmos espíritos, pensando e sentindo de uma outra maneira.

Quando essa melhora é isolada e individual, ela passa despercebida e não tem influência ostensiva sobre o mundo. O efeito é muito diferente quando a melhora ocorre simultaneamente sobre grandes massas, porque, então, conforme as suas proporções, em uma geração, as ideias de um povo ou de uma raça podem ser profundamente modificadas.

É o que se observa quase sempre após os grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem o corpo, não atingem o espírito; ativam o movimento de vai-e-vem entre o mundo corporal e o mundo espiritual e, por consequência, o movimento progressivo dos espíritos encarnados e desencarnados. É de se notar que, em todas as épocas da História, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso.

É um desses movimentos gerais o que acontece neste momento, e que deve realizar a remodelação da humanidade.

A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, uma vez que elas devem apressar a eclosão dos novos germens. São as folhas de outono que caem, e que serão substituídas por novas folhas plenas de vida, visto que a humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm as suas idades. As folhas mortas da humanidade caem levadas pelas rajadas e pelos golpes do vento, mas para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.

Para o materialista, os flagelos destruidores são calamidades sem compensações, sem resultados úteis, uma vez que, segundo ele, aniquilam os seres para sempre. Porém, para aquele que sabe que a morte destrói apenas o envoltório, tais flagelos não têm as mesmas consequências, e não lhe causam o mínimo pavor.

Ele compreende o seu objetivo, e também sabe que os homens não perdem mais por morrerem juntos do que por morrerem isoladamente, uma vez que, de uma forma ou de outra, isso sempre terá de acontecer.

Os incrédulos rirão dessas coisas e as tratarão de quimeras; mas, digam o que disserem, não escaparão à lei comum; a seu turno, eles tombarão, como os outros, e, então, o que lhes acontecerá? Eles dizem: “Nada!” Porém, viverão, apesar de si mesmos, e um dia serão forçados a abrir os olhos.(KARDEC. A Gênese, pg. 457 a pg. 480)

No Livro “Obras Póstumas”, de Allan Kardec, sobre a nova geração da humanidade, temos:

A Terra treme de alegria; aproxima-se o dia do Senhor; todos os que entre nós estão à frente disputam porfiadamente por entrar na liça.

Já o Espírito de algumas valorosas almas encarnadas agita seus corpos até quase despedaçá-los.

A carne interdita não sabe o que há de pensar, desconhecido fogo a devora.

Elas serão libertadas, porque chegaram os tempos. Uma eternidade está a ponto de expirar, uma eternidade gloriosa vai despontar em breve e Deus conta seus filhos.

O reinado do ouro cederá lugar a um reinado mais puro; o pensamento será dentro em pouco soberano e os Espíritos de escol, que hão vindo desde remotas eras iluminar os séculos em que viveram e servir de balizas aos séculos vindouros, encarnarão entre vós.

Muitos se acham encarnados. A sábia palavra deles será uma chama destruidora, que causará devastações irreparáveis no seio dos velhos abusos.

Quantos prejuízos antigos vão desmoronar em bloco, quando o Espírito, como uma acha de duplo gume, vier decepá-los pelos fundamentos.

O sorriso zombeteiro já não constituirá um escudo que valha e, sob pena de desmoralização, forçoso será responder.

Então, o círculo vicioso em que se metem os mestres da vã filosofia mostrar-se-á completamente, porquanto os novos campeões levam consigo não só um facho, que é a inteligência desimpedida dos véus grosseiros, senão também muitos dentre eles gozarão desse estado particular, que é privilégio das grandes almas, como Jesus, e que dá o poder de curar e de operar essas maravilhas chamadas milagres.

O materialismo será abatido em seus discursos por uma palavra mais eloquente do que a sua e pelo fato patente, positivo e averiguado por todos, visto que grandes e pequenos, novos Tomés, poderão tocar com o dedo.

O velho mundo carcomido estala por toda parte; o velho mundo acaba e com ele todos esses velhos dogmas, que só reluzem ainda pelo dourado que os cobre.

Espíritos valorosos, cabe-vos a tarefa de raspar esse ouro falso. Para trás, vós que em vão quereis escorar o velho ídolo. Atingido de todos os lados, ele vai ruir e vos arrastará na sua queda.

Ide com a onda que nos arrasta; necessitamos do movimento, que é vida, ao passo que vós nos apresentais a imobilidade, que é a morte.

Os vossos santos mártires absolutamente não estão mortos, para que lhes imobilizeis o presente. Eles entreviram a nossa época e se lançaram à morte como à estrada que havia de conduzi-los lá. A cada época o seu gênio. Queremos lançar-nos à vida, porquanto os séculos vindouros, que divisamos, têm horror à morte.

Eis aí, meus amigos, o que os valorosos Espíritos que presentemente encarnam vão tornar compreensível.

Este século não terminará sem que muitos destroços junquem o solo. A guerra mortífera e fratricida desaparecerá em breve diante da discussão; o espírito substituirá a força brutal.

Depois que todas essas almas generosas houverem combatido, voltarão ao vosso mundo espiritual, para receberem a coroa do vencedor.

Aí está a meta, meus amigos. Por demais aguerridos são os campeões, para que seja duvidoso o êxito. Deus escolheu a nata dos seus combatentes e a vitória é alcançada para a Humanidade.

Rejubilai-vos, pois, todos vós que aspirais à felicidade e que desejais participem dela os vossos irmãos, como vós mesmos: o dia chegou! A Terra trepida de alegria, porquanto vai assistir ao começo do reinado da paz que o Cristo, o divino Mestre, prometeu, reinado cujos fundamentos ele desceu a assentar. Um Espírito (KARDEC. Obras Póstumas, pg. 289 a pg. 291)

Nos mundos regeneradores, os habitantes são mais felizes do que na Terra, embora ainda tenham débitos a expiar. Todavia essa expiação já não é feita com tanta angústia e sofrimento como na Terra, visto que seus habitantes a compreendem como libertação de um passado de ignorância e faltas contra seus irmãos. Expiam-nas com alegria, no exercício do bem a todos.

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se.

Sem dúvida, em tais mundos, o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria.

A Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação.

Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel.

Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes.

Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.

Nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.

No Livro “Obras Póstumas”, de Allan Kardec, sobre a regeneração da humanidade, temos que se precipitam com rapidez os acontecimentos, pelo que já não vos dizemos, como outrora: “aproximam-se os tempos”.

Agora, dizemos: “os tempos são chegados”. Não suponhais que as nossas palavras se referem a um novo dilúvio, nem a um cataclismo, nem a um revolvimento geral.

Revoluções parciais do globo se hão produzido em todas as épocas e ainda se produzem, porque decorrem da sua constituição, mas não representam os sinais dos tempos.

Entretanto, tudo o que está predito no Evangelho tem de cumprir-se e neste momento se cumpre, conforme o reconhecereis mais tarde.

Não tomeis, porém, os sinais anunciados, senão como figuras, que precisam ser compreendidas segundo o espírito e não segundo a letra.

Todas as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu da alegoria e, por se terem apegado à letra, é que os comentadores se transviaram. Faltou-lhes a chave para lhes compreenderem o verdadeiro sentido. Essa chave está nas descobertas da Ciência e nas leis do mundo invisível, que o Espiritismo vem revelar. Daqui em diante, com o auxílio desses novos conhecimentos, o que era obscuro se tornará claro e inteligível.

Tudo segue a ordem natural das coisas e as leis imutáveis de Deus não serão subvertidas. Não vereis milagres, nem prodígios, nem fatos sobrenaturais, no sentido vulgarmente dado a essas palavras.

Não olheis para o céu em busca dos sinais precursores, porquanto nenhum vereis, e os que lhe anunciarem estarão a enganar-vos. Olhai em torno de vós, entre os homens: aí é que os descobrireis.

O mundo se acha na expectativa e como que presa de um vago pressentimento de que a tempestade se aproxima.

Não acrediteis no fim do mundo material. A Terra tem progredido, desde a sua transformação; tem ainda que progredir e não que ser destruída.

A Humanidade, entretanto, chegou a um dos períodos de sua transformação e o mundo terreno vai elevar-se na hierarquia dos mundos.

O que se prepara não é, pois, o fim do mundo material, mas o fim do mundo moral. É o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do orgulho, do egoísmo e do fanatismo que se esboroa. Cada dia leva consigo alguns destroços. Tudo dele acabará com a geração que se vai e a geração nova erguerá o novo edifício, que as gerações seguintes consolidarão e completarão.

De mundo de expiação, a Terra se mudará um dia em mundo ditoso e habitá-lo será uma recompensa, em vez de ser uma punição. O reinado do bem sucederá ao reinado do mal.

Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso se faz que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que unicamente ao bem aspirem.

A Terra não será transformada por um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança na ordem natural das coisas.

Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá na sua cegueira e a resistência que virá a opor mascarará, por meio de terríveis lutas, o fim do reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à sua própria perda; provocarão destruições que darão origem a um sem-número de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era de renovação.

E os suicídios se multiplicarão em proporções inauditas, até entre as crianças. A loucura jamais terá atingido tão grande quantidade de homens que, antes mesmo de morrerem, estarão riscados do número dos vivos. São esses os verdadeiros sinais dos tempos e tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, como já o dissemos, sem que haja a mais ligeira derrogação das leis da Natureza.

Contudo, através da escura nuvem que vos envolve e em cujo seio ronca a tempestade, já podeis ver despontando os primeiros raios da era nova.

Com a geração que se extingue desaparecerão os últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social. (KARDEC. Obras Póstumas, pg. 294 a pg. 300)

O Espírito Áureo, no livro “Universo e Vida”, psicografado por Hernani T. Sant’Anna, “No porvir”, extraímos:

Mesmo depois que passar a grande tempestade, o coração augusto do Cristo sangrará de dor, porque não será sem uma profunda e divina melancolia que verá partir, para rudes degredes reeducativos, os afilhados ingratos e rebeldes que não lhe quiseram aceitar a doce proteção…

Os filhos da iniquidade, empedernidos no crime e cristalizados no orgulho, deixarão as fronteiras fisiomagnéticas da Terra, em demanda das novas experiências a que fizeram jus; mas aqui, no orbe aliviado e repleto de escombros, uma nova idade de trabalho e de esperança nascerá, ao Sol da Regeneração e da Graça.

Nesse mundo renovado, a paz inalterável instituirá um progresso sem temores e uma civilização sem maldade. Os habitantes do planeta estarão muito longe da angelitude, mas serão operosos e sinceros, um tanto sofredores e endividados para com a Eterna Justiça, mas fraternos e dóceis à inspiração superior.

A subsistência exigirá esforços titânicos, na agricultura dignificada e no trato exaustivo das águas despoluídas, mas não haverá penúria nem fome.

Por algum tempo, muitos corações sangrarão no sacrifício de missões ásperas, na solidão e no silêncio dos sentimentos em penitência; mas não existirá desespero nem prostituição, viciações letais ou mendicância, infância carente ou velhice abandonada.

A morte fisiológica continuará enlutando, na amargura de separações indesejadas, mas o merecimento e a intercessão poderão proporcionar periódicos reencontros das almas amantes e saudosas, em fraternizações de fenomenologia sublimai.

A Ciência alcançará culminâncias jamais sonhadas… Naves esplêndidas farão viagens regulares a esferas superiores e as excursões de férias serão comuns, a mundos de sempiterna beleza.

Necessidades e fraquezas não poderão ser extirpadas por milagre, mas os frutos venenosos da maldade jamais chegarão aos extremos do homicídio.

O Estatuto dos Povos manterá o Parlamento das Nações, onde Excelsos Espíritos materializados designarão, em nome e por escolha do Cristo, os Governadores da Terra.

Sem monarquias, oligarquias, plutocracias ou democracias, haverá apenas uma Espiritocracia Evangélica, fundada no celeste platonismo do mérito maior, do maior saber e da maior virtude, para o serviço mais amplo e mais fecundo.

Reinarão na Terra a Ordem e a Paz.

O Amor Universal será Estatuto Divino.

A Terra pertencerá aos mansos de coração… (ÁUREO. Universo e Vida, pg. 239 a pg. 240)

O Evangelho e o futuro (pelo Espírito Emmanuel)

O Espírito Emmanuel, no Livro “A caminho da luz”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, sobre o “Evangelho e o futuro”, assim esclareceu:

“Um modesto escorço da História faz entrever os laços eternos que ligam todas as gerações nos surtos evolutivos do planeta.

Muita vez, o palco das civilizações foi modificado, sofrendo profundas renovações nos seus cenários, mas os atores são os mesmos, caminhando, nas lutas purificadoras, para a perfeição d’Aquele que é a Luz do princípio.

Nos primórdios da Humanidade, o homem terrestre foi naturalmente conduzido às atividades exteriores, desbravando o caminho da natureza para a solução do problema vital, mas houve um tempo em que a sua maioridade espiritual foi proclamada pela sabedoria da Grécia e pelas organizações romanas.

Nessa época, a vinda do Cristo ao planeta assinalaria o maior acontecimento para o mundo, de vez que o Evangelho seria a eterna mensagem do Céu, ligando a Terra ao reino luminoso de Jesus, na hipótese da assimilação do homem espiritual, com respeito aos ensinamentos divinos. Mas a pureza do Cristianismo não conseguiu manter-se intacta, tão logo regressaram ao plano invisível os auxiliares do Senhor, reencarnados no globo terrestre para a glorificação dos tempos apostólicos.

O assédio das trevas avassalou o coração das criaturas.

Decorridos três séculos da lição santificante de Jesus, surgiram a falsidade e a má-fé adaptando-se às conveniências dos poderes políticos do mundo, desvirtuando-se lhe todos os princípios, por favorecer doutrinas de violência oficializada.

Debalde enviou o Divino Mestre seus emissários e discípulos mais queridos ao ambiente das lutas planetárias. Quando não foram trucidados pelas multidões delinquentes ou pelos verdugos das consciências, foram obrigados a capitular diante da ignorância, esperando o juízo longínquo da posteridade.

Desde essa época, em que a mensagem evangélica dilatava a esfera da liberdade humana, em virtude da sua maturidade para o entendimento das grandes e consoladoras verdades da existência, estacionou o homem espiritual em seus surtos de progresso, impossibilitado de acompanhar o homem físico na sua marcha pelas estradas do conhecimento.

É por esse motivo que, ao lado dos aviões poderosos e da radiotelefonia, que ligam todos os continentes e países da atualidade, indicando os imperativos das leis da solidariedade humana, vemos o conceito de civilização insultado por todas as doutrinas de isolamento, enquanto os povos se preparam para o extermínio e para a destruição. É ainda por isso que, em nome do Evangelho, se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos.

A realidade é que a civilização ocidental não chegou a se cristianizar. Na França temos a guilhotina, a forca na Inglaterra, o machado na Alemanha e a cadeira elétrica na própria América da fraternidade e da concórdia, isto para nos referirmos tão-somente às nações supercivilizadas do planeta. A Itália não realizou a sua agressão à Abissínia, em nome da civilização cristã do Ocidente? Não foi em nome do Evangelho que os padres italianos abençoaram os canhões e as metralhadoras da conquista? Em nome do Cristo espalharam-se, nestes vinte séculos, todas as discórdias e todas as amarguras do mundo.

Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos “ais” do Apocalipse, a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico, conduzindo-as para o bem de toda a Humanidade.

O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de declives da sua História; só ele pode, na sua feição de Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos.

No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova era. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o seu império perecível.

Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão com a vertigem de um pesadelo.

A vitória da força é uma claridade de fogos de artifício.

Toda a realidade é a do Espírito e toda a paz é a do entendimento do reino de Deus e de sua justiça.

O século que passa efetuará a divisão das ovelhas do imenso rebanho. O cajado do pastor conduzirá o sofrimento na tarefa penosa da escolha e a dor se incumbirá do trabalho que os homens não aceitaram por amor.

Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra. Os filhos da Jerusalém de todos os séculos devem chorar, contemplando essas chuvas de lágrimas e de sangue que rebentarão das nuvens pesadas de suas consciências enegrecidas.

Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos, a superioridade europeia desaparecerá para sempre, como o Império Romano, entregando à América o fruto das suas experiências, com vistas à civilização do porvir.

Vive-se agora, na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite; e ao século XX compete a missão do desfecho desses acontecimentos espantosos.

Todavia, os operários humildes do Cristo ouçamos a sua voz no âmago de nossa alma: “Bem-aventurados os pobres, porque o reino de Deus lhes pertence! Bem-aventurados os que têm fome de justiça, porque serão saciados! Bem-aventurados os aflitos, porque chegará o dia da consolação! Bem-aventurados os pacíficos, porque irão a Deus!”

Sim, porque depois da treva surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento. O homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões, que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado.

Trabalhemos por Jesus, ainda que a nossa oficina esteja localizada no deserto das consciências.

Todos somos dos chamados ao grande labor e o nosso mais sublime dever é responder aos apelos do Escolhido.

Revendo os quadros da História do mundo, sentimos um frio cortante neste crepúsculo doloroso da civilização ocidental. Lembremos a misericórdia do Pai e façamos as nossas preces. A noite não tarda e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção”. (EMMANUEL. A caminho da luz, pg. 211 a pg. 214)

Destruição necessária e destruição abusiva

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, sobre a destruição necessária e destruição abusiva, colhemos alguns esclarecimentos.

Na pergunta 728, se a destruição é lei da Natureza, a resposta diz que é preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque o que chamamos de destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.

Na indagação 732, se será idêntica, em todos os mundos, a necessidade de destruição? A resposta é que guarda proporções com o estado mais ou menos material dos mundos. Cessa, quando o físico e o moral se acham mais depurados. Muito diversas são as condições de existência nos mundos mais adiantados do que o vosso.

Na pergunta 733, se entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição? Expressa que essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria.

Na questão 737, com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores? A resposta é que para fazê-la progredir mais depressa, porquanto é uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento. Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.

Na 738, para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?  Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.

Na questão 739, têm os flagelos destruidores utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam? Têm. Muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam.

Na, 740, não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades? Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo. (KARDEC. O Livro dos Espíritos, pg. 423 a pg. 431)

Cataclismos futuros

No Livro “A Gênese”, de Allan Kardec, acerca de cataclismos futuros, alguns esclarecimentos.

As grandes comoções da Terra aconteceram em uma época em que a crosta sólida, por sua pequena espessura, oferecia apenas uma frágil resistência à efervescência das matérias incandescentes do interior.

À proporção que a crosta foi se consolidando, elas foram diminuindo de intensidade e de frequência.

Muitos vulcões encontram-se hoje extintos, outros foram encobertos por terrenos de formação posterior.

Certamente, ainda poderão ocorrer perturbações locais, por efeito de erupções vulcânicas, pela eclosão de alguns novos vulcões, por inundações súbitas de certas regiões, pelo surgimento de algumas ilhas e a submersão de outras, porém, passou o tempo dos cataclismos gerais, como os que marcaram os grandes períodos geológicos.

A Terra adquiriu uma estabilidade que, embora não seja invariável, doravante coloca o gênero humano a salvo de perturbações gerais, a menos que ocorram por causas desconhecidas, estranhas ao nosso globo, e que nada poderia fazer prever.

Quanto aos cometas, hoje em dia se está plenamente tranquilo em relação à influência que exercem, mais salutar que nociva, por parecerem destinados a revitalizar os mundos, se assim pudermos nos expressar, trazendo-lhes os princípios vitais que armazenam durante sua corrida pelo espaço e na aproximação com os sóis. Assim, eles seriam antes uma fonte de prosperidade que mensageiros de desgraças.

Por sua natureza fluídica, atualmente constatada, o receio de choques violentos deve ser afastado, uma vez que se um deles viesse de encontro a Terra, esta o atravessaria, como se passasse através de um nevoeiro.

Menos temível é a sua cauda, ela não é mais que o reflexo da luz solar na imensa atmosfera que os envolve, tanto assim que se acha sempre voltada para o lado oposto ao Sol, mudando a sua direção de acordo com o posicionamento do cometa em relação àquele astro.

Essa matéria vaporosa também poderia, em virtude da rapidez da sua marcha, formar uma espécie de cabeleira, como a esteira deixada por um navio em movimento, ou a fumaça de uma locomotiva.

Aliás, muitos cometas já se aproximaram da Terra, sem lhe causarem qualquer dano. Em virtude da grande diferença de massa, a Terra exerceria sobre o cometa uma atração maior que a do cometa sobre a Terra. Somente resquícios de velhos preconceitos podem fazer com que a presença de um cometa inspire terror.

A possibilidade da colisão da Terra com um outro planeta também deve ser relegada para o rol das hipóteses quiméricas. A regularidade e a invariabilidade das leis que presidem os movimentos dos corpos celestes suprimem toda probabilidade de um tal encontro.

A Terra, no entanto, terá um fim. Como? Isso é impossível de prever, mas, visto que ela ainda está longe da perfeição que poderá alcançar e do envelhecimento que seria um sinal de declínio, os seus habitantes atuais podem estar certos de que tal fato não ocorrerá em sua época.

Fisicamente, a Terra teve as convulsões da sua infância, agora, entrou em um período de estabilidade relativa, no do progresso pacífico, que se realiza pelo retorno regular dos mesmos fenômenos físicos e o concurso inteligente do homem. Porém, ela ainda está em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa das suas maiores comoções.

Até que a humanidade haja crescido o suficiente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações serão causadas mais pelos homens que pela natureza, isto é, serão antes morais e sociais que físicas. (KARDEC. A Gênese, pg. 145 a pg. 146)

Doutrina dos anjos decaídos

No Livro “A Gênese”, de Allan Kardec, quanto aos anjos decaídos, alguns ensinamentos relacionados ao tema.

A palavra anjo, como muitas outras, tem muitas acepções; indiferentemente ela pode ser interpretada para o bem ou para o mal, já que se diz: os bons e os maus anjos, o anjo de luz e o anjo das trevas, de onde se conclui que, em sua acepção geral, ela significa simplesmente espírito.

Os anjos não são seres fora da humanidade, criados perfeitos, mas espíritos que chegaram à perfeição, pelos seus esforços e seu mérito, como todas as criaturas.

Os mundos progridem fisicamente pela elaboração da matéria, e moralmente pela depuração dos espíritos que os habitam. Neles a felicidade é diretamente proporcional à predominância do bem sobre o mal, e a predominância do bem é o resultado do adiantamento moral dos espíritos.

Logo que um mundo atinge um dos seus períodos de transformação, que deve fazê-lo subir na hierarquia, ocorrem mudanças na sua população encarnada e desencarnada; é quando acontecem as grandes emigrações e imigrações.

Aqueles que, apesar da sua inteligência e do seu saber, perseveram no mal, na sua revolta contra Deus e suas leis, seriam dali por diante um obstáculo ao progresso moral posterior, uma causa permanente de perturbação para a tranquilidade e felicidade dos bons, razão por que eles são excluídos e enviados para mundos menos adiantados.

Nestes mundos, eles aplicarão sua inteligência e a intuição dos conhecimentos que adquiriram para o progresso daqueles entre os quais foram chamados a viver, ao mesmo tempo em que expiarão, em uma série de existências penosas e por meio de um árduo trabalho, as suas faltas passadas e o seu endurecimento voluntário.

O que serão então esses seres, entre essas populações, novas para eles, ainda na infância da barbárie, senão anjos ou espíritos decaídos, enviados em expiação? A terra de onde foram expulsos não é para eles um paraíso perdido? Não era ela um lugar de delícias, em comparação com o meio ingrato onde ficarão relegados durante milhares de séculos, até o dia em que terão o mérito da sua liberdade? A vaga lembrança intuitiva que conservam dela é como uma longínqua miragem que lhes recorda o que perderam por culpa própria.

Mas, ao mesmo tempo que os maus partem do mundo que habitavam, são substituídos por espíritos melhores, vindos seja da erraticidade desse mesmo mundo, seja de um mundo menos adiantado que eles tiveram o mérito de deixar, e para os quais sua nova morada é uma recompensa.

Com a população espiritual sendo assim renovada e purgada dos seus piores elementos, ao final de algum tempo o estado moral do mundo se encontra melhorado. Essas mudanças às vezes são parciais, isto é, limitadas a um povo, a uma raça; de outras são gerais, quando chega o período de renovação para o globo.

A raça adâmica tem todas as características de uma raça proscrita. Os espíritos que a ela pertencem foram exilados na Terra, já povoada, mas de homens primitivos, mergulhados na ignorância, e que eles tiveram por missão fazer progredir, levando-lhes as luzes de uma inteligência desenvolvida. Não é esse, com efeito, o papel que essa raça tem desempenhado até hoje? Sua superioridade intelectual prova que o mundo de onde eles vieram era mais adiantado que a Terra, porém, como esse mundo devia entrar em uma nova fase de progresso – e aqueles espíritos, pela sua obstinação, não souberam se colocar à altura desse progresso – eles ali teriam ficado deslocados tornando-se um obstáculo à marcha providencial das coisas. Eis por que foram excluídos enquanto outros tiveram o mérito de substituí-los.

Deus, relegando aquela raça para esta terra de trabalhos e sofrimentos, teve razão em dizer: “dela tirarás o alimento com o suor da tua fronte”.

Na sua mansuetude, ele prometeu que lhe enviaria um Salvador, isto é, aquele que devia esclarecê-la sobre o caminho a seguir, para sair deste lugar de miséria, deste inferno, e chegar à felicidade dos eleitos.

Esse Salvador, Deus o enviou na pessoa do Cristo, que ensinou a lei de amor e de caridade que ela desconhecia e que devia ser a verdadeira âncora de salvação. O Cristo não somente ensinou a lei como deu o exemplo da prática dessa lei, com a sua mansuetude, sua humildade, sua paciência ao sofrer sem queixas os tratamentos mais ignominiosos e as maiores dores.

Para que uma tal missão fosse cumprida sem desvios, era preciso um espírito acima das fraquezas humanas.

É igualmente com o objetivo de fazer avançar a humanidade em um determinado sentido que espíritos superiores, embora sem as qualidades do Cristo, encarnam de tempos em tempos na Terra, para ali desempenharem missões especiais, que aproveitam para o seu progresso pessoal se as cumprirem de acordo com os desígnios do Criador.

Sem a reencarnação, a missão do Cristo, assim como a promessa feita por Deus, seria um contrassenso.

Com efeito, suponhamos que a alma de cada homem seja criada por ocasião do nascimento do seu corpo, e que ela não faça mais que aparecer e desaparecer na Terra. Assim sendo, não haveria nenhuma relação entre as almas que vieram desde Adão até Jesus Cristo, nem entre as que vieram depois; todas seriam estranhas umas às outras.

A promessa de um Salvador feita por Deus não podia se aplicar aos descendentes de Adão, se suas almas ainda não estavam criadas.

Para que a missão do Cristo pudesse corresponder às palavras de Deus, era necessário que ela pudesse se aplicar às mesmas almas. Se essas almas são novas, não podem estar maculadas pela falta do primeiro pai, que é apenas um pai carnal e não o pai espiritual. Se assim fosse, Deus teria criado almas maculadas com uma falta que elas não teriam cometido.

Assim sendo, a doutrina vulgar do pecado original implica a necessidade de uma relação entre as almas do tempo do Cristo e as do tempo de Adão, e, por consequência, da reencarnação.

Diga-se que todas essas almas faziam parte da colônia de espíritos exilados na Terra ao tempo de Adão, e que elas estavam maculadas pelas faltas que as haviam excluído de um mundo melhor, e ter-se-á a única interpretação racional do pecado original, pecado próprio a cada indivíduo e não o resultado da responsabilidade da falta de um outro a quem jamais conheceu.

Diga-se que essas almas ou espíritos renascem por diversas vezes na Terra, na vida corpórea, para progredirem e se purificarem; que o Cristo veio esclarecer essas mesmas almas, não somente sobre suas vidas passadas, mas também em relação às suas vidas futuras, e só então, dar-se-á à sua missão um objetivo real e sério, que a razão pode aceitar.

À primeira vista, a ideia da decaída parece contradizer o princípio de que os espíritos não podem retroceder, porém, é preciso considerar que não se trata de um retorno ao estado primitivo.

O espírito, ainda que numa posição inferior, não perde nada do que adquiriu; o seu desenvolvimento moral e intelectual é o mesmo, qualquer que seja o meio onde se encontre situado. Ele está na posição do homem comum condenado à prisão pelos seus delitos. Esse homem, certamente, encontra-se, do ponto de vista social, decaído, mas nem por isso ficou mais estúpido, ou mais ignorante.

Pela mesma razão, os espíritos da raça adâmica, quando foram transplantados para a terra do exílio, não se despojaram instantaneamente do seu orgulho e dos seus maus instintos.

Por muito tempo ainda conservaram as tendências da sua origem, um resto do velho fermento; ora, não é isso o pecado original? A mácula que eles trouxeram ao nascer é a da raça de espíritos culpados e punidos à qual pertenciam, mácula que eles podem apagar pelo arrependimento, a expiação e a renovação do seu ser moral.

O pecado original – considerado como a responsabilidade de uma falta cometida por outra pessoa – é um contrassenso e a negação da justiça de Deus; considerado, ao contrário, como consequência e resto de uma imperfeição primitiva do indivíduo, não somente a razão o admite, como se encontra, com toda a justiça, a responsabilidade que dela decorre. (KARDEC. A Gênese, pg. 175 a pg. 179)

O Apocalipse de João (pelo Espírito Miramez)

“E eis o Apocalipse!

Nem o Céu, nem a Terra poderão modificar esse roteiro, porque está fundamentado na Lei Maior. Faz parte da evolução das criaturas e o mundo não vai acabar, como instigam os falsos profetas. Nada se acaba, como a própria ciência confirma; porém, se transforma sempre para melhor, alcançando valores mais dignos.

O temor é próprio da inferioridade, e é por essas e outras falhas humanas que o Cristo nos ensina a exercitar a fé, a confiança em Deus e a nos apoderarmos de toda a certeza de que Ele é todo Amor e Sabedoria. A Sua onisciência nos garante a eterna confiança nos Seus desígnios e a Sua Justiça nos sustenta na maior alegria de viver.

Guerras, pestes, fomes e calamidades de toda ordem são meios usados por Deus para educação dos Espíritos – essa é a marcha do progresso desde o vírus até as constelações.

O homem da Terra está próximo de se libertar dos meios grosseiros que a evolução tem usado para disciplinar os ignorantes. Eis que os fins destes correspondem ao último vestibular para os seres de boa vontade, para as almas amadurecidas nas hostes do bem.

E depois, o terceiro milênio abrirá outras portas para os que ficarem na Terra, vivendo em outra dimensão, em termos de justiça, onde haverá leite e mel com abundância, no qual o Amor corresponderá ao centro de todos os sentimentos da humanidade.

Pai João continuou o seu sermão: – o Cristo nos prometeu um novo Céu e uma nova Terra, nos quais haverá justiça e abundância de tudo, onde a segurança será uma lei visível para todos os viventes, e a paz, um clima para todos os Seus filhos do coração. Este que vos fala, está marcado para o sacrifício e não merece prêmio melhor, pois já confia na Providência Divina e sabe, por experiência, que ninguém morre, como nada se acaba na criação de Deus. O modo pelo qual nos transformaremos, deve ser dos melhores, porquanto Deus, que tudo sabe, o escolheu, como Pai amoroso e bom, justo e misericordioso.

Confiai, esperai e trabalhai, que dia chegará em que todos nós, sem exceção, nos encontraremos no Reino da Luz, para gozarmos a felicidade daqueles que fazem parte, por direito divino, do grande rebanho do Mestre de todos nós – o Cristo!

Pátius passou a servir de instrumento para que o Cristo falasse a João Evangelista na Ilha de Patmos. Pela confiança que o Apóstolo depositava nele, como a um filho, passou a saber da sua missão na íntegra, de vez em quando passavam temporadas na ilha, quando o Mestre chamava João para revelar a difícil engrenagem espiritual que restava para o fim do livro santo: o Apocalipse do Fim dos Tempos.

Cristo enviou, por intermédio de João, mensagens às sete igrejas da Ásia: Éfeso, Smirna, Pérgamo, Tiatira, Sardo, Filadélfia e Laodiceia. A mensagem foi universal. Não poderia ficar circunscrita a mensagem divina a restrito ambiente, sem uma certa expressão para o futuro. Ela correspondia a um ditado cósmico, como que dividindo o mundo em sete continentes.

O Apocalipse seria o fecho do Evangelho, não assombrando os povos com acontecimentos fantásticos e violentos de um Deus vingativo, mas mostrando com serenidade, o fim de uma era e o alvorecer de um novo estágio de vida, pois essa é uma lei em todos os quadrantes da criação: tudo se renova para melhor, tudo se modifica para engrandecer.

Os preceitos que herdamos do Divino Doador, foram e serão para nos fortalecer, a fim de passarmos as provações anunciadas, com serenidade, convictos de que somos filhos de um Pai de infinito Amor.

O Apocalipse representa a janela pela qual a humanidade restante poderá passar para o terceiro milênio e sentir a vida nos moldes preceituados pelo Evangelho do Cristo.

A felicidade para os eleitos na Terra é hoje mesclada de grandes tormentos, pois as provações coletivas induzem as criaturas a afogadilhas intenções, ao desespero, à vingança e ao ódio. Fugiu do mundo a serenidade, assim como dificilmente nele se encontra o amor; o período é de transição. Que Deus nos abençoe, pois ele é temporário… mas desnorteia aqueles que ainda são fracos na fé.

Nos últimos acontecimentos do orbe terrestre, que finalizarão os dois mil anos, nas grandes catástrofes físicas e morais, quem não tiver fé, dificilmente se salvará. A salvação a que nos referimos é a estabilidade de consciência, é a paz interna no meio das tormentas que se aproximam.

Parece, para os cépticos, que a fé é sinônimo de fanatismo, e esse engano é que vai levá-los ao caos do terrorismo e da depressão. A vida alegre é a que se consubstancia na luz da Fé, porque ela eleva o espírito até a plenitude do Amor. Queira Deus que despertemos cada vez mais para o Cristo, no resto de tempo que nos é dado, que também representa resto de imprudência.

O Apocalipse é um aviso com dois mil anos de antecedência; todavia, o Evangelho, na sua retaguarda, nos fala do clima que poderemos formar em nós, a fim de que soframos os desastres coletivos. Quem se apegar ao Amor, aquele que universaliza todos os sentimentos, se livrará da rede selecionadora, que retirará uma grande cota do rebanho para mundos inferiores, onde haverá prantos e ranger de dentes.

Quem não acreditar, e cruzar os braços diante do Cristo, dará sinal de que pertence às sombras, e para elas será entregue, pela sintonia do coração. Não vai, neste sentido, haver opressão nem oprimidos, nem tampouco divisões por qualidade, pois cada um receberá o que realmente merecer; essa é a lei da justiça.

Pai Francisco escrevia tudo o que presenciava naquele pedaço de vulcão extinto; os fenômenos exteriores eram revelados por Pátius, mas nem tudo ficou registrado no Novo Testamento; havia impedimentos, como há até nos dias de hoje, talvez necessários a uma ordem divina, no divino concerto da vida.

Seres translúcidos iam e vinham, visivelmente, como se estivessem passando de uma dimensão a outra, com a facilidade de grandes mágicos que fazem aparecer e desaparecer as coisas.

Nos sete anos vividos na ilha sagrada – que se tomou palco dos mais sensacionais acontecimentos entre o Céu e a Terra – Pai Francisco ficava sabendo o que se passava no mundo cristão e enviava seus recursos para todas as igrejas nascentes e pessoas em dificuldade.

Certa ocasião, alta madrugada em Patmos, o vidente ouviu Cristo falar-lhe com todo o empenho: “João, vai para Éfeso e depois vem ter comigo. Que a paz seja contigo”.

O apóstolo desembaraçou-se do transe mediúnico, pensou bastante no que ouvira e sentiu que se aproximava do fim das suas atividades, na borbulhante cidade da Ásia Menor. Sentiu, por um momento, apego àquela região. Sentiu saudades do povo que o amava, das igrejas que sustentava e com as quais difundia o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todavia, no mesmo instante, reconheceu que nada se acaba e que tudo é de todos, nas bênçãos do Divino Doador do universo.

Olhou para as estrelas que já se despediam da visão humana, e deu o último sorriso em Patmos, agradecendo por tudo que recebera por misericórdia de Deus e por intermédio do Cristo. Entrou no barco sem tirar os olhos da ilha que, cada vez mais, ficava distante.

A Igreja de Éfeso era uma das sete mencionadas no Apocalipse e pela qual João tinha especial carinho. Principalmente, porque Paulo, com quem muito aprendera, endereçava muitas cartas a essa casa de Deus, por ordem do Cristo.

Em Éfeso, certa noite, pediu a Pátius que o levasse ao templo cristão, como que se despedindo dos companheiros frente a frente.

Pai Francisco era muito conhecido pelos frequentadores da igreja, para os quais a sua orientação era uma segurança em toda ordem de problemas. Abençoava as águas e impunha as mãos, sem que os fenômenos de cura se processassem por seu intermédio, para não tumultuar a sua vida, que fora escolhida para outra missão.

Éfeso foi escolhida para o fechamento do Evangelho da vida. João iria escrever as últimas palavras da Boa Nova, em uma das sete igrejas da Ásia, entregando ao povo, não só aos frequentadores das sete casas de Deus, mas ao mundo inteiro, o testamento de Jesus Cristo, a herança de luz a todas as criaturas visíveis e invisíveis.

Esta é uma fração da história do grande vidente do Apocalipse. (MIRAMEZ, Francisco de Assis, pg. 15 a pg. 45)

Transição Planetária (pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda)

Do livro “Transição Planetária”, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, novas revelações são apresentadas que não se contradizem com a codificação de Allan Kardec, em especial quanto a emigração e imigração de espíritos.

Como vimos nos textos de Allan Kardec, o juízo por via de emigração, conforme foi definido, é racional, pois ele está fundado sobre a mais rigorosa justiça, uma vez que deixa, eternamente, ao espírito, o seu livre-arbítrio, que não constitui privilégio para ninguém, sendo uma consequência da pluralidade dos mundos e da pluralidade das existências. E ainda, não há juízo final propriamente dito, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, através das quais ocorrem as grandes emigrações e imigrações de espíritos.

Este romance Espírita, conta a história de uma reunião na Colônia Redenção (Espiritual), onde vive Manoel Philomeno de Miranda (Espírito).

Nesta reunião, acontece a palestra de um Espírito, Órion, residente em outra dimensão, “que viria da constelação do Touro, particularmente de uma das Plêiades, a fim de apresentar-nos considerações relevantes a respeito do momentoso projeto sobre reencarnações em massa, conforme vinha acontecendo no amado planeta, desde a segunda metade do século passado, e ora se intensificaria”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 26)

Nessas revelações, o palestrante discorre sobre as mudanças climáticas e as catástrofes naturais que ocorreram no planeta, bem como da migração dos espíritos mais embrutecidos a um novo planeta primitivo.

Informa que se vive, na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e de expiações para mundo de regeneração.

As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os paradigmas da justiça, do dever, da ordem e do amor.

Boa parte do enredo trata do auxílio às vítimas do Tsunami na Indonésia, juntamente com companheiros espirituais de outras denominações religiosas.

A equipe espiritual formada dirige-se à cidade de Sumatra, na Indonésia, logo após o tsunami, cuja primeira onda ceifou mais de 150 mil vidas. Lá encontraram um cenário de total penúria, tanto do ponto de vista espiritual quanto material. Resgataram e orientaram espíritos em total desespero, ainda presos em restos carnais e combateram grupos de ladrões de duplo etéreo.

Comentam que, ao longo dos últimos anos, as mentes geraram psicosfera doentia nas regiões agora afetadas pela calamidade que teve uma função purificadora para toda a região, alterando os costumes e propondo novos comportamentos morais pela dor, advertindo a respeito da fragilidade e temporalidade da vida orgânica.

Manoel integra um grupo de espíritos que irão acompanhar a reencarnação de entidades de outras esferas, do aglomerado estelar das Plêiades (grupo de setes estrelas), da constelação do Touro, muito evoluídas, que chegarão ao planeta Terra com a missão de auxiliar o progresso da humanidade. Mais especificamente, comenta da estrela Alcione, ou Alcyone. Além disso, filósofos e cientistas do passado estarão reencarnando na Terra com a mesma missão.

Dessa ação de encarnação em massa de espíritos evoluídos, a exemplo dos exilados da Capela, para auxiliar o progresso da humanidade, extraímos alguns trechos do mencionado livro, para melhor situar e elucidar essa Transição Planetária. 

O nobre Espírito agradeceu com um sorriso jovial e iniciou a sua exposição:

– Veneráveis administradores, almas irmãs nossas de todas as dimensões:

Saudamo-vos a todos em nome do Senhor do Universo.

Representando a formosa Esfera de amor que se encontra instalada numa das Plêiades, envolta em vibrações especiais constituídas de fótons que formam uma luminosidade em tons azuis, aqui estamos, atendendo à invitação do Sublime Governador do planeta terrestre.

Embora sem condições de falar em nome dos nossos Guias espirituais, trago o compromisso de contribuir convosco no programa de elevação da Humanidade através da reencarnação de servidores do Bem, adrede preparados para o mister sublime.

Esta não é a primeira vez que o mundo terreno recebe viajores de outras moradas, atendendo à solicitação de Jesus Cristo, qual aconteceu no passado, no momento da grande transição das formas, quando modeladores do vaso orgânico mergulharam na densa massa física fixando os caracteres que hoje definem os seus habitantes.

Da constelação do Cocheiro vieram aqueles nobres embaixadores da luz que contribuíram para a construção da Humanidade atual, inclusive outras inteligências, todavia, não moralizadas, que após concluídos alguns estágios evolutivos retornaram, felizes, aos lares queridos.

Em outras oportunidades, luminares da Verdade submergiram nas sombras do mundo terrestre, a fim de apresentarem as suas conquistas e realizações edificantes, auxiliando os seus habitantes a crescer em tecnologia, ciência, filosofia, religião, política, ética e moral.

Nada obstante, o desenvolvimento mais amplo ocorreu na área da inteligência e não do sentimento, assim explicando o atual estágio de evolução em que se encontram, rico de conhecimentos e pobre de edificações espirituais.

Periodicamente, por sua vez, o planeta experimenta mudanças climáticas, sísmicas em geral, com profundas alterações na sua massa imensa, ou sofre o impacto de meteoros que lhe alteram a estrutura, tornando-o mais belo e harmônico, embora as destruições que, na ocasião, ocorrem, tendo sempre em vista o progresso, assim obedecendo à planificação superior com o objetivo de alcançar o seu alto nível de mundo de regeneração.

Concomitantemente, a fim de poderem viajar na grande nave terrestre que avança moralmente nas paisagens dos orbes felizes, incontáveis membros das tribos bárbaras do passado, que permaneceram detidos em regiões especiais durante alguns séculos, de maneira que não impedissem o desenvolvimento do planeta, renascem com formosas constituições orgânicas, fruto da seleção genética natural, entretanto, assinalados pelo primitivismo em que se mantiveram.

Apresentam-se exóticos uns, agressivos outros, buscando as origens primevas em reação inconsciente contra a sociedade progressista, tendo, porém, a santa oportunidade de refazerem conceitos, de aprimorarem sentimentos e de participarem da inevitável marcha ascensional.

Expressivo número, porém, permanece em situações de agressividade e indiferença emocional, tornando-se instrumentos de provações rudes para a sociedade que desdenha. Fruem da excelente ocasião que, malbaratada, os recambiará a mundos primitivos, nos quais contribuirão com os conhecimentos de que são portadores, sofrendo, no entanto, as injunções rudes que serão defrontadas.

Repete-se, de certo modo, o exílio bíblico de Lúcifer e dos seus comparsas, no rumo de estâncias compatíveis com o seu nível emocional grosseiro, onde a saudade e a melancolia se lhes instalarão, estimulando-os à conquista do patrimônio de amor desperdiçado na rudeza, e então lutarão com afã para a conquista do bem”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 31 a pg. 33)

As moradas do Pai são em número infinito, mantendo, como é compreensível, intercâmbio de membros, de modo a ser preservada a fraternidade sublime, porquanto, aqueles mais bem aquinhoados devem contribuir em benefício dos menos enriquecidos de momento. A sublime lei de permutas funciona em intercâmbio de elevado conteúdo espiritual.

Da mesma forma que, da nossa Esfera, descerão ao planeta terrestre, como já vem sucedendo, milhões de Espíritos enobrecidos para o enfrentamento inevitável entre o amor abnegado e a violência destrutiva, dando lugar a embates caracterizados pela misericórdia e pela compaixão, outros missionários da educação e da solidariedade, que muito se empenharam em promovê-las, em existências pregressas, estarão também de retorno, contribuindo para a construção da nova mentalidade desde o berço, assim facilitando as alterações que já estão ocorrendo, e sucederão com maior celeridade.

Nesse sentido, o psiquismo terrestre e a genética humana encontram-se em condições de receber novos hóspedes que participarão do ágape iluminativo, conforme o egrégio Codificador do Espiritismo referiu-se em sua obra magistral A Gênese, constituída por todos aqueles que se afeiçoem à verdade e se esforcem por edificar-se, laborando em favor do próximo e da sociedade como um todo.

Desse modo, qual ocorre em outros orbes, chega o momento em que a Mãe Terra também ascenderá na escala dos mundos, conduzindo os seus filhos e aguardando o retorno daqueles que estarão na retaguarda por algum tempo, porquanto o inefável amor de Deus a ninguém deixa de amparar, ensejando-lhes oportunidade de refazimento e de evolução.

Nesse inevitável esforço, estaremos todos empenhados, experienciando a vivência do amor em todas as suas expressões, formando um contingente harmonioso e encantador.

Ninguém que se possa eximir desse dever que nos pertence a todos, individual e coletivamente, porquanto o Reino dos Céus está dentro de nós e é necessário ampliar-lhe as fronteiras para o exterior, dando lugar ao Paraíso anelado que, no entanto, jamais será dentro dos limites territoriais da organização física.

A realidade que somos, Espíritos imortais em essência, tem sua origem e permanência fora das limitações materiais de qualquer mundo físico, que poderia não existir, sem qualquer prejuízo para o processo de evolução. Nada obstante, quando o Criador estabeleceu a necessidade do desenvolvimento nas organizações fisiológicas, à semelhança da semente que necessita dos fatores mesológicos para libertar a vida que nela jaz, razões ponderosas existem para que assim aconteça, facultando-nos percorrer os degraus que nos levam ao Infinito”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 33 a pg. 35)

Qual seria, então, a razão por que deveriam vir Espíritos de outro orbe, para o processo de moralização do planeta?

Primeiro, porque, não tendo vínculos anteriores como defluentes de existências perturbadoras, não enfrentariam impedimentos interiores para os processos de doação, para os reencontros dolorosos com aqueles que permanecem comprometidos com o mal, que têm interesse em manter o atraso moral das comunidades, a fim de explorá-las psiquicamente em perversos fenômenos de vampirização, de obsessão individual e coletiva.

Estrangeiros em terras preparadas para a construção do progresso, fazem-no por amor, convocados para oferecer os seus valores adquiridos em outros planos, facilitando o acesso ao desenvolvimento daqueles que são os nacionais anelantes pela felicidade.

Segundo, porque mais adiantados moralmente uns, podem contribuir com exemplos edificantes capazes de silenciar as forças da perversidade e obstaculá-las com os recursos inexcedíveis do sacrifício pessoal, desde que, as suas não são as aspirações imediatas e interesseiras do mundo das formas.

Enquanto outros estarão vivenciando uma forma de exílio temporário, por serem desenvolvidos intelectualmente, mas ainda necessitados da vivência do amor, e em contato direto com os menos evoluídos, sentirão a necessidade do afeto e do carinho, aprendendo, por sua vez, o milagroso fenômeno da solidariedade. Tudo se resume, portanto, no dar, que é receber e no receber, que convida ao doar.

A fim de que o programa seja executado, neste mesmo momento, em diferentes comunidades espirituais próximas à Terra, irmãos nossos, procedentes de nossa Esfera, estão apresentando o programa a que nos referimos, de forma que, unidos, formemos uma só caravana de laboriosos servidores, atendendo as determinações do Governador terrestre, o Mestre por excelência.

De todas essas comunidades seguirão grupos espirituais preparados para a disseminação do programa, comunicando-se nas instituições espíritas sérias e convocando os seus membros à divulgação das diretrizes para os novos cometimentos.

Expositores dedicados e médiuns sinceros estarão sendo convocados a participarem de estudos e seminários preparatórios, para que seja desencadeada uma ação internacional no planeta, convidando as pessoas sérias à contribuição psíquica e moral em favor do novo período.

As grandes transformações, embora ocorram em fases de perturbação do orbe terrestre, em face dos fenômenos climáticos, da poluição e do desrespeito à Natureza, não se darão em forma de destruição da vida, mas de mudança de comportamento moral e emocional dos indivíduos, convidados uns ao sofrimento pelas ocorrências e outros pelo discernimento em torno da evolução.

A semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente, sorvendo as rendas de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e tecnologia, imprimindo novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que, momentaneamente, encontram-se adormecidos.

Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a abjeção, os escândalos e a corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio.

Frutos das paixões das criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de consumpção libertadora, lentamente surgirão os valores da saúde integral, da alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico da vida.

Como em toda batalha, momentos difíceis surgirão exigindo equilíbrio e oração fortalecedora, os lutadores estarão expostos no mundo, incompreendidos, desafiados por serem originais na conduta, por incomodarem os insensatos que, ante a impossibilidade de os igualarem, irão combatê-los, e padecendo diversas ocasiões de profunda e aparente solidão. Nunca, porém, estarão solitários, porque a solidariedade espiritual do Amor estará com eles, vitalizando-os e encorajando-os ao prosseguimento.

Todo pioneirismo testa as resistências morais daquele que se atreve a ser diferente para melhor quando a vulgaridade predomina, razão pela qual são especiais todos esses que se dedicam às experiências iluminativas e libertadoras. Nunca, porém, deverão recear, porque o Espírito do Senhor os animará, concedendo-lhes desconhecida alegria de viver, mesmo quando, aparentemente, haja uma conspiração contra os seus superiores propósitos.

O modelo a seguir permanece Jesus, e a nova onda de amor trará de retorno o apostolado, os dias inesquecíveis das perseguições e do martirologio que, na atualidade, terá características diversas, já que não se podem matar impunemente os corpos como no passado.

Isso não implica que não se assaquem acusações vergonhosas e se promovam campanhas desmoralizadoras contra eles, a fim de dificultar-lhes o empreendimento superior. Assim mesmo, deverão avançar, joviais e estoicos, cantando os hinos da liberdade e da fé raciocinada que dignificam o ser humano e o promovem no cenário interior.

Trata-se, portanto, de um movimento que modificará o planeta para melhor, a fim de auxiliá-lo a alcançar o patamar que lhe está reservado.

Quem não se entrega à luta, ao movimento, candidata-se ao insulamento, à morte.

Assim sendo, sob o comando do Cancioneiro das bem-aventuranças, sigamos todos empenhados na lídima fraternidade, oferecendo-nos em holocausto de amor à verdade, certos do êxito que nos está destinado.

Louvando, portanto, Aquele que nos convidou, misericórdia solicitamos”.  (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 35 a pg. 39)

Seria sob o comando desse eminente Espírito que aproximadamente quinhentos obreiros retornaríamos ao amado planeta para a preparação da nova era, abrindo espaço para as reencarnações em massa dos migrantes de uma das estrelas da constelação das Plêiades, na tarefa sublime de ajudar a Terra a alcançar o patamar de mundo de regeneração”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 129)

É certo que outras caravanas já vinham visitando a Terra com o mesmo objetivo, desde os anos da década de 1970/80, tomando as providências compatíveis para as reencarnações valiosas.

Agora, no entanto, soava o momento de intensificar o intercâmbio entre os terrícolas e os visitantes de Alcíone, que já se movimentavam em torno da psicosfera do planeta, aguardando o momento adequado.

Tomei conhecimento de que um grande número deles encontrava-se em Colônias próximas da Terra, assimilando o psiquismo do orbe, assim como dos seus habitantes, visitando sociedades espíritas que mantêm ligação com as Esferas superiores, onde alguns se comunicavam, explicando a razão de ali se encontrarem. (…)

A nossa primeira atividade estava programada para a noite seguinte, quando estariam reunidos em uma praia do litoral brasileiro, mais de dez mil alienígenas desencarnados para ouvirem a palavra do Dr. Artêmio, a respeito dos compromissos de autoiluminação e de desenvolvimento espiritual da Terra”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 144 a pg. 145)

A nossa participação, assim como a dos devotados trabalhadores que se encontram vinculados ao mister que abraçamos, não será permanente, sendo realizada apenas em alguns casos especiais, porquanto, desde há alguns anos do século passado, os nossos irmãos de Alcíone estão reencarnando-se na Terra, sem alarde, tornando-se expoentes de sabedoria e portadores de grande contribuição cultural e espiritual.

A medida que os anos se passaram desde as primeiras ocorrências, estamos agora vivenciando o período para os renascimentos em massa, enquanto tem lugar, a princípio lentamente, o expurgo dos irmãos infelizes vinculados à revolta e à truculência de que se utilizam em tentativa inútil para impedir a felicidade dos seres humanos.

De maneira equivalente, à medida que os anos se sucederem. Número bem expressivo de desatinados será encaminhada ao exílio temporário, de forma que irão contribuir para o desenvolvimento dos seres que encontrarão em os novos ninhos domésticos, para volverem em triunfo, quando se depurarem das graves imperfeições que lhes dificultam a marcha do progresso”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 172 a pg. 173)

“Quando os filhos de Alcíone se instalarão, expulsando os terrícolas?

– Não exatamente conforme assinalado. Estamos recebendo visitantes de outra dimensão, que se propõem a ajudar-nos nas transformações que já se vêm operando no planeta, porque a Lei que vige no Universo é a da harmonia, da solidariedade, dos princípios morais estabelecidos pelo Pai Criador”. (MIRANDA. Transição Planetária, da pg. 224)

Os Exilados da Capela (Edgard Armond)

No livro “Os Exilados da Capela”, de Edgard Armond, observamos esclarecimentos que se harmonizam com as revelações de Allan Kardec e outras que, aparentemente, se conflitam, em particular quando faz referência ao astro intruso.

Da codificação de Allan Kardec, constatamos que os cataclismos gerais foram a consequência do período de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam, são as da humanidade.

É o cataclismo moral que dissipa as instituições do passado, sobrevindo uma nova ordem de coisas que se assenta pouco a pouco. Parecerá que um mundo novo saiu das ruínas do antigo. É a um desses períodos de transformação, de crescimento moral, que a humanidade chegou.

A Terra, no dizer dos espíritos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova a sucederá da mesma maneira, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.

Tudo se passará exteriormente, como de hábito, com uma única diferença, mas uma diferença capital, a de que uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não voltará mais a encarnar nela.

Aqueles que esperam ver a transformação ocorrer através de efeitos sobrenaturais e maravilhosos, ficarão decepcionados.

Revoluções parciais do globo se hão produzido em todas as épocas e ainda se produzem, porque decorrem da sua constituição, mas não representam os sinais dos tempos. Entretanto, tudo o que está predito no Evangelho tem de cumprir-se e neste momento se cumpre, conforme o reconhecereis mais tarde. Não tomeis, porém, os sinais anunciados, senão como figuras, que precisam ser compreendidas segundo o espírito e não segundo a letra.

Todas as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu da alegoria e, por se terem apegado à letra, é que os comentadores se transviaram. Faltou-lhes a chave para lhes compreenderem o verdadeiro sentido. Essa chave está nas descobertas da Ciência e nas leis do mundo invisível, que o Espiritismo vem revelar.

Assim sendo, não farei referência ao astro intruso, esperando outras confirmações a esse respeito da Ciência e das fontes da literatura espírita.

Como já dissemos, toda mudança de ciclo evolutivo acarreta profundas alterações, materiais e espirituais, nos orbes em que se dão; nos céus, na terra e nas águas há terríveis convulsões, deslocamentos, subversões de toda ordem com dolorosos sofrimentos para todos os seus habitantes.

Logo, após, os primeiros contatos que se deram com os seres primitivos e, reencarnados os capelinos nos tipos selecionados já referidos, verificou-se de pronto tamanha dessemelhança e contraste, material e intelectual, entre essas duas espécies  de  homens,  que  sentiram  aqueles imediatamente a evidente e assombrosa superioridade dos ádvenas, que passaram logo a ser considerados super­homens, semideuses, Filhos de Deus, como diz a Gênese mosaica, e, como é natural, a dominar e dirigir os terrícolas.

Formidável impulso, em consequência, foi então imprimido à incipiente civilização terrestre em todos os setores de suas atividades primitivas”.(ARMOND. Os Exilados da Capela, da pg. 68 a pg. 69)

Relatados, assim, os dois cataclismos anteriores e os acontecimentos que se lhes seguiram até o estabelecimento dos Árias nas Índias, resta-nos agora descrever o dilúvio asiático – que é aquele a que a Gênese se refere – que foi o último ato do grande expurgo saneador da Terra, naquelas épocas heroicas que estamos descrevendo”. (ARMOND. Os Exilados da Capela, da pg. 127)

Assim atingimos o último ciclo. Dois mil anos são transcorridos, após o sublime avatar; entretanto, eis que a humanidade vive agora um novo período de ansiosa e dolorosa expectativa; mais que nunca, e justamente porque seu entendimento se alargou, crescendo sua responsabilidade, necessita ela de um Redentor. Porque os ensinamentos maravilhosos do Messias de Deus foram, em grande parte, desprezados ou deturpados.

O rumo tomado pelas sociedades humanas não é aquele que o Divino Pastor apontou ao rebanho bruto dos primeiros dias, aos Filhos da Promessa que desceram dos céus, e continua a apontar às gerações já mais esclarecidas e conscientes dos nossos tempos. Os homens se desviaram por maus caminhos e se perderam nas sombras da maldade e do crime.

Como da primeira vez, os degredados e seus descendentes deixaram-se corromper pelas paixões e foram dominados pelas tentações do mundo material. Sua inteligência, grandemente desenvolvida no transcorrer dos séculos, foi aplicada na conquista de bens perecíveis; os templos dos deuses da guerra, transferidos agora para as oficinas e as chancelarias, nunca mais, desde muito, se fecharam, e a violência e a corrupção dominam por toda a terra.

O amálgama das raças e sua espiritualização na unidade – que era a tarefa planetária dos Exilados – não produziram os desejados efeitos, pois que parte da humanidade vive e se debate na voragem nefanda da morte, destruindo-se mutuamente, enquanto muitos dos Filhos da Terra ainda permanecem na mais lamentável barbárie e na ignorância de suas altas finalidades evolutivas.

Pode hoje o narrador repetir como antigamente: – “e viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra…” (Gênesis,6:5)

Por isso, agora, ao nos avizinharmos do encerramento deste ciclo, nossos corações se confrangem e atemorizam: tememos o dia do novo juízo, quando o Cristo, sentado no seu trono de luzes, pedir-nos contas de nossos atos.

Porque está escrito, para se cumprir como tudo o mais se tem cumprido: – “O Filho do Homem será o juiz. Pois, como o Pai tem em si mesmo a vida, concede também ao Filho possuir a vida em si; igualmente deu-lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem.” (João, 5:22,26­27)

Não virá Ele, é certo, conviver conosco novamente na Terra, como nos tempos apostólicos, mas, conforme estiver presente ou ausente em nossos corações, naquilo que ensinou e naquilo que, essencialmente, Ele mesmo é, a saber: sabedoria, amor e pureza, assim seremos nós apartados uns dos outros.

Já dissemos e mostramos que, de tempos em tempos, periodicamente, a humanidade atinge um momento de depuração, que é sempre precedido de um expurgo planetário, para que dê um passo avante em sua rota evolutiva.

Estamos, agora, vivendo novamente um período desses e, nos planos espirituais superiores, já se instala o divino tribunal; seu trabalho consiste na separação dos bons e dos maus, dos compatíveis e incompatíveis com as novas condições de vida que devem reinar na Terra futuramente.

No Evangelho, como já dissemos, está claramente demonstrada pelo próprio mestre a natureza do veredicto: passarão para a direita os espíritos julgados merecedores de acesso, aqueles que, pelo seu próprio esforço, conseguiram a necessária transformação moral; os já então incapazes de ações criminosas conscientes; os que tiverem dominado os instintos da violência, pela paz; do egoísmo, pelo desprendimento; da ambição, pela renúncia; da sensualidade, pela pureza.

Todos aqueles, enfim, que possuírem em seus perispíritos a luminosidade reveladora da renovação, esses passarão para a direita; poderão fazer parte da nova humanidade redimida; habitarão o mundo purificado do Terceiro Milênio, onde imperarão novas leis, novos costumes, nova mentalidade social, e no qual os povos, pela sua elevada conduta moral, tornarão uma realidade viva os ensinamentos do Messias.

Quanto aos demais, aqueles para os quais as luzes da vida espiritual ainda não se acenderam, esses passarão para a esquerda, serão relegados a mundos inferiores, afins, onde viverão imersos em provas mais duras e acerbas, prosseguindo na expiação de seus erros, com os agravos da obstinação.

Todavia, a misericórdia, como sempre, os cobrirá, pois terão como tarefa redentora o auxílio e a orientação das humanidades retardadas desses mundos, com vistas ao apressamento de sua evolução coletiva.

Então, como sucedeu com os capelinos, em relação à Terra, assim sucederá com os terrícolas em relação aos orbes menos felizes, para onde forem degredados e, perante os quais como antigamente sucedeu, transformar-se-ão em Filhos de Deus, em anjos decaídos.

E o Senhor disse: – “Em verdade, vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”. (Mateus, 24:34)

Em sua linguagem sugestiva e alegórica referia-se o Mestre a esta geração terrena, formada por todas as raças, cuja evolução vem da noite dos tempos, nos períodos geológicos, alcança os nossos dias e prosseguirá pelo tempo adiante.

Não passará, quer dizer: não ascenderá na perfectibilidade, não habitará mundos melhores, não terá vida mais feliz, antes que redima os erros do pretérito e seja submetida ao selecionamento que se dará neste fim de ciclo que se aproxima.

Assim, o expurgo destes nossos tempos – que já está sendo iniciado nos planos etéreos – promoverá o alijamento de espíritos imperfeitos para outros mundos e, ao mesmo tempo, a imigração de espíritos de outros orbes para este.

Os que já estão vindo agora, formando uma geração de crianças tão diferentes de tudo quanto tínhamos visto até o presente, são espíritos que vão tomar parte nos últimos acontecimentos deste período de transição planetária, que antecederá a renovação em perspectiva; porém, os que vierem em seguida, serão já os da humanidade renovada, os futuros homens da intuição, formadores de nova raça – a sexta – que habitará o mundo do Terceiro Milênio.

Já estão descendo à Terra os Espíritos Missionários, auxiliares do Divino Mestre, encarregados de orientar as massas e ampará-las nos tumultos e nos sofrimentos coletivos que vão entenebrecer a vida planetária nestes últimos dias do século.

Lemos no Evangelho e também ouvíamos, de há muito, a palavra dos Mensageiros do Senhor advertindo que os tempos se aproximavam e, caridosamente, aconselhando aos homens que se guardassem do mal, orando e vigiando, como recomendara o Mestre.

Mas, agora, essas mesmas vozes nos dizem que os tempos já estão chegados, que o machado já está posto novamente à raiz das árvores e os fatos que se desenrolam perante nossos olhos estão de forma evidente, comprovando as advertências.

Estas, como também sucedeu nos tempos da Codificação, são uniformes nos seus termos em todos os lugares e ocasiões, demonstrando, assim, que há uma ordenação de caráter geral, vinda dos Planos Superiores, para a coordenação harmoniosa concordante dos acontecimentos planetários.

Que ninguém, pois, permaneça indiferente a estes misericordiosos avisos, para que possa, enquanto ainda é tempo, engrossar as fileiras daqueles que, no próximo julgamento, serão dignos da graça e da felicidade da redenção.

O novo ciclo – que se chamará o Reino do Evangelho – será iniciado pelos homens da Sexta Raça e terminado pelos da Sétima, e em seu  transcurso a Terra se transformará de mundo de expiação em mundo regenerado.

Em grande maioria, julgamos, os atuais moradores da Terra não serão dignos de habitar esse mundo melhor, porque o nível médio da espiritualização planetária é ainda muito precário; todavia, nem por isso seremos privados, qualquer que seja a nossa sorte, dos benefícios da compaixão do Senhor e de Sua ajuda divina; e essa esperança nos levanta, ainda em tempo, para novas lutas, novas tentativas, novos esforços redentores.

Cristo, essa luz que não pudemos ainda conquistar, representa para nossos espíritos retardados, um ideal humano a atingir, um arquétipo de sublimada expressão espiritual e seu Evangelho, de beleza ímpar e de sabedoria incomparável, uma meta a alcançar algum dia.

O homem desviou-se de seus rumos, fugiu do aprisco acolhedor, entronizando a inteligência e desprezando os sentimentos do coração.

A ciência produziu frutos em largas messes que, entretanto, têm sido amargos, não servindo para alimentar a alma, enobrecendo-a.

Agora chegará o momento em que o coração dirá ao cérebro: “basta”, e o homem, com base nas palavras do Messias, provará que somente o amor redime para a eternidade.

Por isso, no novo ciclo que se vai abrir, repetimos: um novo paraíso será perdido para muitos; novos Filhos de Deus mais uma vez acharão formosas as Filhas da Terra, tomá-las-ão para si e ouvirão novamente a palavra do Senhor, dizendo: – “Frutificai e multiplicai e enchei a Terra”. (Gênesis,1:22)

E um pouco mais os sinais desse dia surgirão no mundo, não mais somente provocados pela Natureza, como no passado, mas pelo próprio homem, com a aplicação do próprio engenho, desvairado, para que, assim, a responsabilidade do espírito seja completa.

O Evangelho foi ensinado para aplicação em todo um período de tempo e não para uma só época. Por isso, o que o Mestre disse ontem é como se o dissesse hoje, porque, com ligeiras modificações, tão bem se aplica aos dias em que Ele viveu como aos que nós estamos vivendo.

Os cataclismos antigos eram necessários para o sofrimento coletivo tanto quanto os modernos, visto que o homem pouca coisa evoluiu em todo esse tempo, e o sofrimento continua sendo o elemento mais útil ao seu progresso espiritual. (ARMOND. Os Exilados da Capela, da pg. 165 a pg. 174)

Bibliografia:

ARMOND, Edgard. Os Exilados da Capela. 5ª Edição. São Paulo/SP: Editora Alainça, 2011.

AUREO (Espírito); (psicografado por) Hernani Trindade Sant’Anna. Universo e Vida. 9ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

BÍBLIA SAGRADA.

BORTOLINI, José. Como ler o Apocalipse: resistir e denunciar. 11ª Edição. São Paulo/SP: Paulus, 2014.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. A Caminho da Luz. 38ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

FRIGÉRI, Mário Ribeiro. As setes esferas da Terra: estudo dos multiplanos do planeta, à luz do espiritismo e do apocalipse. 4ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

JEREMIAH, Dr. David. Traduzido por Marcelo Siqueira. Agentes do Apocalipse: uma análise instigante dos personagens-chave do Fim dos Tempos. 1ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: CPAD, 2016.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. A Gênese. 52ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010.

KARDEC, Allan; tradução de Manuel Quintão. O Céu e o Inferno. 61ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; coordenação de Cláudio Damasceno Ferreira Junior. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 4ª Edição. Porto Alegre/RS: Edições Besouro Box, 2011.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 92ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2011.

KARDEC, Allan; Tradução de Salvador Gentile. O Livro dos Médiuns. 6ª Edição. Catanduva/SP: Boa Nova Editora, 2013.

KARDEC, Allan; Tradução de Maria Ângela Baraldi. Obras Póstumas. 1ª Edição. São Paulo/SP: Mundo Maior Editora, 2013.

KRUGER, C. Baxter. Tradução de Débora Chaves. A Revelação. Rio de Janeiro/RJ: Sextante, 2018.

MENEZES, Bezerra de (Espírito), (psicografado por) Alda Maria. Estudando o Evangelho com Bezerra de Menezes. 1ª Edição. Belo Horizonte/MG: Centro Espírita Manoel Felipe Santiago (CEMFS), 2014.

MIRAMEZ (Espírito); psicografia de João Nunes Maia. Francisco de Assis. 30ª Edição. Belo Horizonte/MG: Editora Espírita Fonte Viva, 2013.

MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito); Divaldo Pereira Franco (psicografado por). Transição Planetária. 5ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2017.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Livro I: Cristianismo e Espiritismo: orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2010.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I: orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte II. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo / Marta Antunes de Oliveira Moura (organizadora). 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

VERDADE MUNDIAL; enviado pela colaboradora Manoela Z. Bruscatto. O Astro Intruso e o Novo Ciclo Evolutivo da Terra. Disponível em: http://verdademundial.com.br/2014/04/o-astro-intruso-e-o-novo-ciclo-evolutivo-da-terra/. Publicado em 2014. Acesso em 12 de agosto de 2017.

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