Esferas espirituais

Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos o lugar, e quando for e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também, e para onde vou, conheceis o caminho”. (João, 14: 2- 4)

As palavras de Jesus se aplicam tanto aos diferentes mundos habitados no Universo quanto aos planos evolutivos ou esferas espirituais existentes no nosso planeta. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. Independente da diversidade dos mundos, as palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade.

Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente e as percepções que tenha. Enquanto uns não se podem afastar da esfera onde viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos.

Alguns Espíritos culpados erram nas trevas, outros bem-aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do infinito. Também nisso há muitas moradas, embora não circunscritas e nem localizadas.

O Espírito André Luiz informa sobre a vida no plano espiritual, esclarecendo que são mundos sutis dentro dos mundos grosseiros, esferas que se interpenetram. Tais esferas espirituais permanecem invisíveis ao ser humano encarnado devido às limitações biológicas da visão física e ao pouco desenvolvimento das faculdades espirituais. Com a morte do corpo físico, o Espírito passa a viver em outra dimensão da vida, associando-se aos que lhe são afins, em estado de felicidade ou de infelicidade, uma vez que cada “consciência vive e evolve entre os próprios reflexos”, como consequência dos atos cometidos na existência que ora finda.

O mundo espiritual comporta várias regiões (esferas vibratórias, no dizer do Espírito André Luiz), compostas de níveis ou planos evolutivos, nos quais os Espíritos se agrupam em cidades de pequeno, médio ou grande porte, genericamente denominadas colônias espirituais.

As comunidades espirituais do plano extrafísico são constituídas de Espíritos que apresentam semelhanças de aptidões e gostos: as relações entre eles estabelecem a existência de “diferentes ordens, conforme o grau de perfeição a que chegaram”. As regras da vida em sociedade são estabelecidas de acordo com o grau de moralidade e de conhecimento dos seus habitantes.

“Os Espíritos têm, uns sobre os outros, uma autoridade relativa à sua superioridade, autoridade que eles exercem por um ascendente moral irresistível”. Entre os Espíritos superiores essa ascendência moral é natural, sempre de natureza benéfica, de respeito ao livre-arbítrio de cada um.

Os Espíritos inferiores usam da inteligência ou da imposição da vontade para serem ouvidos ou para subjugarem, ignorando que toda a “sujeição absoluta de um homem a outro homem é contrária à Lei de Deus. A escravidão é um abuso da força e desaparecerá com o progresso, como desaparecerão pouco a pouco todos os abusos”.

Podem ser classificadas em 3 grandes categorias, segundo as condições espirituais dos seus habitantes e as características do ambiente onde se encontram inseridas: comunidades de sofrimento e dor; Umbral; e comunidades devotadas ao bem.

As comunidades de sofrimento e dor são constituídas por 2 grupos distintos de Espíritos: os sofredores, que revelam expressiva inferioridade moral, percebida nas expressões fisionômicas, nos gestos, nas palavras e nos atos, integrando as chamadas comunidades abismais ou de sombras (trevas); e os de diferentes viciações, porém não tão superlativas quanto os anteriores. Formam um vasto e heterogêneo grupo que compõe as comunidades do Umbral.

Várias são as características gerais das comunidades de sofrimento e dor: predomínio de paixões inferiores; há ações maldosas, brigas, intrigas, desarmonias variadas e perturbações generalizadas; ociosidade e preguiça; e muitos habitantes se comprazem em subjugar o próximo, instituindo trabalho escravo ou imposição autoritária da vontade, fato que conduz a processos obsessivos.

Obsessores e dominadores mantêm controle mental sobre aqueles a quem subjugam pelos recursos da hipnose e das chantagens emocionais; uso de palavras articuladas na comunicação interpessoal de forma semelhante à utilizada no plano físico; volitação restrita, quase inexistente e, quando ocorre, não há deslocamentos significativos, permanecendo nas proximidades do solo. O comum é o uso das pernas e dos pés; o acesso às regiões mais elevadas está interditado, em razão das limitadas condições vibratórias desses habitantes.  

Nessas comunidades, a natureza não revela beleza: há predomínio de cores fortes e sombrias. Uma espécie de névoa envolve a região. As árvores e os animais são estranhos, diferentes, feios, sem viço. O relevo apresenta aridez e aspereza, sendo que o solo é desprovido de verdor. Não se encontram paisagens harmônicas. Há muitos vales, permeados de cavernas, grutas, abismos e pântanos; cidades com edificações bizarras e predominância de tons berrantes. As músicas exóticas e irritantes são usuais; exercem influência direta e contínua sobre os encarnados.

As comunidades abismais ou de sombras (trevas) habitam regiões ou esferas espirituais inferiores situadas abaixo e na superfície do globo terráqueo.

O Umbral é zona obscura que se inicia na crosta terrestre, espécie de região purgatória, caracterizada por grandes perturbações decorrentes da presença de compactas legiões de almas irresolutas, ignorantes e desesperadas, em graus variáveis. Essas legiões não são tão perversas para serem enviadas às colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. 

O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra, concentrando tudo que não tem finalidade para a vida superior. No Umbral, vivem e agrupam-se os revoltados de toda espécie, formando núcleos invisíveis de notável poder pela concentração das tendências e desejos gerais. É zona de verdugos e vítimas, de exploradores e de explorados.

Nas localidades umbralinas mais próximas da Crosta o clima é, predominantemente frio pela ausência de luz solar. Ventania sopra em todas as direções. A topografia ambiental forma um conjunto de paisagens misteriosas ou lúgubres, que observamos em alguns filmes. Há picos altíssimos, que se assemelham a agulhas de treva. Nos precipícios e abismos encontramos esquisita vegetação. Aves horripilantes enchem o silêncio de pios angustiantes.

Apesar da desolação e desarmonia reinantes, as comunidades de Espíritos sofredores não se encontram abandonadas. Devotados benfeitores, alguns de alta hierarquia espiritual, ali se encontram em periódicas visitas de auxílio e amparo. Muitos desses benfeitores encontram-se instalados em plenas regiões abismais e umbralinas, em edificações denominadas núcleos ou postos de auxílio, realizando trabalho sacrificial de amor ao próximo.

Nas esferas espirituais de transição, situadas acima do Umbral e abaixo das regiões superiores, como, por exemplo, a Colônia espiritual “Nosso Lar”, nelas ainda existem sofrimento, mas os seus habitantes, de evolução mediana, são mais esclarecidos. Essa posição espiritual favorece a natureza, caracterizada por belezas e harmonias inexistentes nos planos inferiores.

A Colônia possui várias avenidas enfeitadas de árvores frondosas. O ar é puro e a atmosfera é de profunda tranquilidade espiritual. Não há qualquer sinal de inércia ou de ociosidade, visto que as vias públicas estão sempre repletas de entidades numerosas em constantes atividades. Colônia essencialmente de trabalho e realização, dividindo-se administrativamente em 6 Ministérios, orientados por 12 ministros: Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. Os 4 primeiros aproximam-se das esferas terrestres, e os 2 últimos ligam-se ao plano Superior. Os serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, e os mais sublimes, no da União Divina.

As comunidades devotadas ao bem são sociedades beneméritas do Além constituídas de grupos de Espíritos ligados entre si por simpatias mútuas ou por interesses comuns. Os seus habitantes apresentem gradação de conhecimento e moralidade, mas todos demonstram necessidade de auxiliar o próximo, sentimento manifestado, de forma inequívoca, nos estudos, trabalhos e inúmeras atividades que realizam. Localizadas em planos elevados ou em regiões de transição, situadas acima do umbral e dos abismos.

Espalhadas por todos os locais de sofrimento e dor, nos agrupamentos denominados Postos de Auxílio, ali executando atividades de esclarecimento e orientação aos trabalhadores locais e prestando auxílio direto aos Espíritos sofredores.

As regras da administração têm por base a natural ascendência intelecto-moral dos seus dirigentes. Labor intenso em todos os setores. Habitantes têm livre trânsito nas comunidades similares e nas esferas inferiores. Em decorrência do grau de evolução, moral e intelectual, alguns trabalhadores são levados periodicamente a visitar regiões elevadas, para estágios de aprendizado.

A volitação é locomoção comum, mas também utilizam outros meios de transporte, terrestre e aéreo, operados por máquinas. Mas, se assim preferirem, nada os impede de caminharem com auxílio das pernas e dos pés. A comunicação é realizada por via mental ou pela palavra articulada.

As edificações públicas e particulares primam pelo bom gosto, simplicidade e utilidade. Há escolas, ministérios e outros órgãos públicos, centros de estudos e pesquisa, bibliotecas, templos religiosos, setores de lazer e recreação, torres, hospitais, setores de recuperação ou de reequilíbrio, etc.

A natureza é rica e bela, contendo colorido e luminosidade próprios, que causa admiração. Há rios, lagos, oceanos, cascatas d’água, montanhas, campos, planícies, planaltos, floretas, bosques, etc. A vegetação, árvores, flores, arbustos etc., retratam o harmonioso equilíbrio mental dos seus habitantes. Há animais que compartilham a companhia dos humanos, sendo por estes estimados, havendo alguns que participam de tarefas beneméritas quais sejam: resgate, vigilância, etc.

A influência espiritual aos encarnados e desencarnados é indireta, respeitando-se, necessariamente, o livre-arbítrio de cada um.

As esferas espirituais ou regiões espirituais superiores são verdadeiros paraísos. Exprimem diferentes graus de purificação e de felicidade.

André Luiz relata a experiência para onde foi conduzido durante o sono, enquanto o seu perispírito repousava no leito em Nosso Lar. Não podia enumerar nem definir as belezas do caminho e as magnificências da paisagem. A embarcação seguia célere em ascensão até um porto maravilhoso. Abraçou a mãe e foi conduzido a prodigioso bosque onde as flores eram dotadas de singular propriedade, a de reter a luz, revelando a festa permanente do perfume e da cor. Tapetes dourados e luminosos estendiam-se sob grandes árvores. As impressões de felicidade e paz eram inexcedíveis.

As esferas superiores apresentam diferentes graus de elevação espiritual. As comunidades formam um conjunto do Plano dos Imortais. Situadas nas regiões mais elevadas da região espiritual da Terra. Seus habitantes vivem muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação da vida. Já perdeu todo o contato direto com a Crosta Terrestre e só poderia fazer-se sentir, por lá, através de enviados e missionários de grande poder.

A respeito dos elementos constitutivos das esferas espirituais, o homem desencarnado vai lidar com fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, a nascer-lhe da própria alma, de vez que podemos defini-lo por subproduto do fluido cósmico, absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante à respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanante do Criador, esparsa em todo o Cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para influenciar na Criação, a partir de si mesma. Esse fluido é seu próprio pensamento contínuo, gerando potenciais energéticos com que não havia sonhado.

Na esfera espiritual, o Espírito encontra a matéria conhecida no mundo, em nova escala vibratória. Elementos atômicos mais complicados e sutis, aquém do hidrogênio e além do urânio, em forma diversa daquela que se caracterizam na gleba planetária.

O solo do mundo espiritual, com semelhantes recursos raiando na quintessência, corresponde ao peso específico do Espírito, de possibilidades e riquezas virtuais que povoam de glória e beleza.

Quanto às condições ambientais das esferas espirituais, na morada espiritual, encontra o homem as mesmas leis de gravitação que controlam a Terra, com os dias e as noites marcando a conta do tempo, embora os rigores das estações estejam suprimidos pelos fatores de ambiente que asseguram a harmonia da Natureza, estabelecendo clima quase constante e quase uniforme.

Plantas e animais domesticados pela inteligência humana, durante milênios, podem ser aí aclimatados e aprimorados, por determinados períodos de existência, ao fim dos quais regressam aos seus núcleos de origem no solo terrestre, para que avancem na romagem evolutiva, compensados com valiosas aquisições de acrisolamento, pelos quais auxiliam a flora e a fauna habituais à Terra, com os benefícios das chamadas mutações espontâneas.

Os mundos Transitórios são destinados aos seres errantes, mundos que servem de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso. São, entre os outros mundos, posições intermédias, graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a elas podem ter acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem-estar. Os Espíritos nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir.

Durante a estada nessas localidades, os Espíritos progridem, porque os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos atingem.

Dois pontos merecem ser destacados, em relação a tais mundos: não se conservam perpetuamente destinados a receber Espíritos errantes: a condição deles é meramente temporária; e seres corpóreos não habitam esses mundos, pois a superfície estéril não favorece a reencarnação. Entretanto, esta esterilidade é também temporária, em razão da evolução natural do mundo.

 Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa I. 2ª Edição. Brasília/DF, Federação Espírita Brasileira, 2018.

ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa complementar. Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

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