Auto-obsessão e autodesobsessão

Auto-obsessão

“O sentimento de culpa normalmente estabelece um circuito mental vicioso em que a alma se torna incapaz de se auto perdoar, de se aceitar e superar o trauma gerado por suas ações inferiores. Sem forças ou coragem para reparar o erro cometido, deprime-se, tornando-se obsessora de si mesma. Outros estados emocionais podem também estabelecer o mesmo processo enfermiço como, por exemplo, a ansiedade, o egoísmo, o orgulho e o medo descontrolados.

Reconhecer os tipos e graus da obsessão é essencial para se estabelecer o auxílio efetivo aos envolvidos. Impede, também, a não julgar precipitadamente, acusando o desencarnado de responsável único pela enfermidade do encarnado, uma vez que este é sempre partícipe da distonia que sofre”. (Marta Antunes de Oliveira Moura. Mediunidade: estudo e prática, Programa I)

“O homem não raramente é o obsessor de si mesmo’, é o que assevera o Codificador.

Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julgam, de maiores responsabilidades.

Kardec vai mais longe e explica: ‘Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo’.

Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não conseguem fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vítimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora.

Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vítimas ou os comparsas a lhes baterem às portas da alma.

Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente.

Um médico espírita disse­-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males – para os quais não existem medicamentos eficazes – e que são tipicamente portadores de auto-obsessão. São cultivadores de ‘moléstias fantasmas’. Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia a dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vítimas de si próprios, atormentados por si mesmos.

Esse estado mental abre campo para os desencarnados menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se, aí sim, o desequilíbrio por obsessão”. (Suely Caldas Schubert. Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas)

Autodesobsessão

“Autodesobsessão – Ato de promover a própria pessoa a sua desobsessão, através da reforma íntima, tal como esclarece a Doutrina Espírita.

Autodesobsessão, sinônimo de auto­evangelização, de autorreforma. É o ser humano lutando para dominar as suas más tendências e inclinações.

Nos dias atuais o Espiritismo vem lembrar aos homens a imorredoura lição do Mestre: ‘Não tornes a pecar’. Nisto consiste a participação do obsesso quanto ao próprio tratamento.

Ninguém se engane: o obsidiado só se libertará quando ele mesmo se dispuser a promover a sua autodesobsessão. O Espiritismo não poderá fazer por ele o que ele não fizer por si mesmo. Muito menos os médiuns, ou alguém que lhe queira operar a cura.

Entretanto, muitos pensam, erroneamente, que no Centro Espírita se verão livres de todos os males. De modo geral, quando recorrem aos Centros, trazem o pensamento preconcebido de que todos os seus problemas serão ali resolvidos, como por encanto. Julgam que, pelo fato de buscar auxílio espiritual, passam de imediato toda a responsabilidade de seu tratamento para os Espíritos e para os espíritas. Fazem como quem traz um grande e pesado fardo, que aluam de seus próprios ombros, na tentativa de entregá-lo totalmente aos guias e médiuns. Aos primeiros sinais de que seus problemas não estão sendo resolvidos com a presteza que imaginavam, desiludem-se e vão buscar ajuda em outra parte.

A primeira coisa a ser feita, portanto, é esclarecer ao paciente o quanto a sua participação é fundamental para o tratamento. E nisso reside quase toda a possibilidade de êxito.

Sabemos que existem obsessões incuráveis na presente encarnação. Que determinados casos de subjugação, de possessão não serão solucionados agora. São aqueles que exigem tratamento a longo prazo – o lento, mas belo processo de redenção da alma que se esforça por sua transformação; que luta consigo mesma para superar o passado tiranizante. É uma batalha prolongada.

A Doutrina Espírita vem trazer para essas criaturas o consolo e o remédio, ensinando-­lhes o novo caminho que deverão trilhar.

Jesus Cristo legou ao futuro a terapêutica indicada a quaisquer casos de obsessão, e também a medida profilática, por excelência, imprescindível à Humanidade de todos os tempos. Ao dizer aos obsidiados a quem libertava dos maus Espíritos: ‘Não tornes a pecar’, lecionava a moralização interior da criatura. Ensinando que não deviam reincidir nos vícios, pregava a autodesobsessão.

Todos os recursos espíritas são canalizados em auxílio aos obsidiados, mas é evidente que unicamente alcançarão resultados positivos os que derem de si mesmos a sua quota de colaboração, aliás imprescindível, e quantos se valerem de todas as instruções apresentadas, pois de nada lhes adiantará conhecerem a medicação se não a utilizarem em si próprios. Os resultados serão assim ineficazes. A terapêutica do Espiritismo é para ser usada e não apenas admirada.

Quando da primeira entrevista com o obsidiado (ou com a família), quando da orientação inicial para o seu caso, dá-se início também ao seu processo de reeducação.

Isto se faz através de todos esses esclarecimentos, motivando-o, estimulando-o a se modificar interiormente, fornecendo-lhe noções do quanto o Espiritismo dispõe para ajudá-lo.

E, sobretudo, que ele se sinta envolvido em vibrações de muita solidariedade e de muito amor, essenciais para dar-lhe confiança e a esperança que tanto busca.

A partir daí, deverá começar o processo de autodesobsessão.

Yvonne A. Pereira tem uma recomendação muito importante no seu livro Recordações da mediunidade, cap. 10:

O obsidiado, se não procurar renovar-se diariamente, num trabalho perseverante de autodomínio ou autoeducação, progredindo em moral e edificação espiritual, jamais deixará de se sentir obsidiado, ainda que o seu primitivo obsessor se regenere. Sua renovação moral, portanto, será a principal terapêutica, nos casos em que ele possa agir” (Suely Caldas Schubert. Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas)

Bibliografia:

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa I. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas. 3ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

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