Amor e cura (Joanna de Ângelis)

“O amor é o grande medicamento das almas, que as cura com eficiência.

O amor não é uma atitude que se assume, a fim de demonstrar-lhe a presença. É um estado de espírito que se expande e domina, proporcionando paz e alegria de viver, resultado de uma perfeita consonância entre o sentimento e a razão. O sentimento dulcifica-se e a razão ilumina-se quando se ama, sem que haja paixão, dependência, submissão, receio de perda ou tampouco exigência, retribuição, comparação do que se dá e de como é utilizado, do sacrifício que isso significa.

O amor nunca espera resposta, porque na forma como se expressa já é portador de mensagens que vão e voltam no seu próprio conteúdo.

Quase sempre o amor se circunscreve ao grupo biológico, aos afetos que facilitam o intercâmbio sexual, aos compromissos assumidos, hipertrofiando-se diante das circunstâncias, pelo receio de dar sem receber, de ser enganado, colocado à margem, tido como ingênuo…

Essas manifestações, embora significativas, não expressam em realidade a plenitude do amor, porquanto nessas formas apresentadas estão presentes deveres e contingências quase compulsórios, calculados, objetivando o futuro como uma atividade de previdência para o porvir, para as horas amargas da enfermidade, da solidão, da velhice, da morte…

Trata-se, isto sim, de experiências afetivas ainda muito limitadas, não obstante muito nobres, que se transformarão em exercício para novos tentames, expandindo-se na direção dos desconhecidos, dos que obstinadamente são contra, dos antipáticos, dos perversos e críticos contumazes.

Quando se alcança o nível de entendimento desses difíceis de ser amados, não significa estar-se do lado deles, mas de uma emoção que não está contra eles, porque os envolve em compaixão, descobrindo que se encontram enfermos, vítimas das dificuldades que trouxeram da infância desamada, da família desajustada, do meio social indiferente às suas necessidades, dos maus tratos de que foram vítimas.

Enlouqueceram, é certo, mas estão ainda em fase de possível recuperação.

O amor é o grande medicamento das almas, que as cura com eficiência. Não apenas auxilia a quem se dirige, mas principalmente àquele que o cultiva.

Quem recebe amor sente-se motivado a renovar-se, a crescer espiritualmente, a transformar-se para melhor. No entanto, somente encontra a cura para os males e revezes da jornada, quando passa a amar.

As ondas de amor, que são geradas pelo cérebro, invadem o sistema nervoso central, percorrem o endocrínico e saturam de energias saudáveis o imunológico.

A sucessão de energias, que são exteriorizadas pelos neurônios, produz uma corrente de vigor e de bem-estar que revitaliza os órgãos enfermos, combate a vida microbiana destrutiva, restaura o equilíbrio vibratório que deve viger entre as células como unidades de consciência, como partes integrantes da consciência global.

As ondas contínuas de vibração mental captadas por todo o organismo transformam-se em vitalidade que reorganiza o aparelho fisiológico, auxiliando-o nas diversas funções, ao tempo em que se esparzem pelo universo emocional e psíquico do ser humano propiciando-lhe saúde.

Em razão do amor, os fenômenos cármicos alteram-se, especialmente quando negativos, ensejando a diminuição dos processos de resgate doloroso, porque o amor é sublime mensagem de vida, que verte de Deus e se espalha por todo o Cosmo.

O amor é tão poderoso, que nem sequer a morte o interrompe; antes faz que todos aqueles que desencarnam, após o despertar feliz, dando-se conta do prosseguimento da vida, retornem ditosos para falar da sua ressurreição e alegria, ou para advertirem em razão dos sofrimentos com que se depararam como consequência da conduta insana, dos erros cometidos ou difíceis situações geradas, que aguardam reparação…

Somente o amor pode proporcionar esse maravilhoso fenômeno do intercâmbio entre aqueles que partiram e os demais que ficaram na retaguarda, na maioria das vezes ignorando as ocorrências que têm lugar após o túmulo.

Como esquecer Jesus retornando para consolar os companheiros assustados e tíbios, a mãezinha saudosa, confirmando as assertivas de que a vida é eterna?

O Apóstolo Paulo afirmava que, se não houvesse ocorrido a ressurreição do Mestre, toda a Sua mensagem careceria de autenticidade.

Após haver sofrido apodos, perseguições, traição, negativas, julgamentos arbitrários, dilacerações insuportáveis, carregado a própria cruz até a morte infamante, Ele retornou em júbilo, qual madrugada incomparável após noite tormentosa, para demonstrar a excelência do Seu amor pelos que ficaram e por todas as criaturas do futuro.

Esplendente e triunfante, saudável e ditoso, volveu entoando o Seu hino de amor inconfundível.

Enquanto não se atinge esse amor incomparável, pode-se e deve-se amar dentro das próprias limitações, crescendo, à medida que as experiências da atitude assumida ampliem o círculo que envolverá os mais distantes, os mais difíceis, os enfermos da alma…

Amar as enfermidades é a maneira de penetrar-lhes o significado, de descobrir o que desejam dizer, qual a orientação de que dispõem, a advertência de que se revestem para que sejam evitados danos muito mais graves depois.

Assim fazendo, tornam-se menos doloridas e mais naturais, e porque envolvidas em ondas de ternura e de compaixão, não terão o caráter punitivo que se lhes atribuem, nem a função destrutiva que se lhes dão.

O amor comove-se ante tudo quanto acontece, sem que se torne piegas. Sucede que a sua dimensão de entendimento amplia-se, auxiliando-o a descobrir tudo aquilo que era destituído de sentido e agora adquire significado.

No leito de morte, o amor alegra o paciente que se encontra em desolação, oferecendo-lhe certeza de que não será esquecido, da gratidão que se sente em razão da convivência experienciada, como também da certeza que logo mais aquele que ficou seguirá no mesmo rumo, onde estará sendo aguardado para uma efusão de júbilos sem limites…

São muitos os milagres do amor, desde as quase despercebidas e renovadoras até as grandiosas realizações.

Quando alguém ama e pretende ampliar esse amor, esquece-se de si mesmo, altera o rumo dos seus objetivos existenciais, entrega-se sem reclamação e supera as dimensões relativas de tempo e de espaço, alongando-se até os mais difíceis redutos e às maiores distâncias, onde opera com diligência.

Portador de bênçãos, o amor cura, especialmente se não é direcionado para esse fim, mas como efeito da sua existência no indivíduo.

Certamente que, ao ser canalizado para a renovação do ser psicofísico, desempenha salutar papel na reconquista da saúde. Entretanto, no ato mesmo de amar, a cura dá-se natural e enriquecedora.

Amorterapia e vida são termos da mesma equação existencial”.

Bibliografia:

ÃNGELIS, Joanna de (Espírito); (psicografia por) Divaldo Pereira Franco. Garimpo de amor. 6ª Edição. Salvador/BA, LEAL, 2015.

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