O Desejo e o Destino (Palestra de Haroldo Dutra Dias)

Para acessar a palestra, clicar no link do YouTube abaixo:

Principais aspectos abordados por Haroldo Dutra Dias na sua palestra:

  1. Começa comentando a ideia de um “demônio” e um “anjo” falando aos seus ouvidos, fazendo sugestões e querendo lhe influenciar. Essa visão religiosa de tentação é ultrapassada, pois ela não é algo tão simples, como se resumisse em duas personalidades: uma totalmente voltada para o mal; e outra para o bem.
  2. A tentação tem um componente forte do desejo, significando que há uma divisão em você. Um lado do seu psiquismo deseja repetir e extrair o prazer da sua experiência. Outro lado, mais esclarecido, deseja e sabe que é preciso avançar.
  3. Destaca que os estados de angelitude e pureza da alma não são conquistados sem esforços pelos Espíritos, pois essas condições de elevação são forjadas na luta, na renúncia, no sacrifício, no trabalho, na disciplina, porque conhecem a desilusão e a amargura de perto, têm compaixão porque sabem exatamente as vulnerabilidades de um ser encarnado.
  4. Cita a passagem do Evangelho de Mateus (26: 41): “… na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”; para explicar o sentido evangélico às vulnerabilidades do ser encarnado.
  5. Comenta Emmanuel: o Espírito representando a nossa fonte, o nosso núcleo divino, discorrendo que temos o DNA de Deus, pois somos imagem e semelhança do Criador, sendo destinados à pureza e à perfeição relativa da criatura. Somos preparados para uma felicidade sem mescla, que será alcançada em processo árduo e longo de construção de si mesmo, porque a evolução respeita um princípio da lei divina, que é o espírito de sequência da Natureza. Toda realidade começa na semente, desabrocha, torna-se uma grande árvore, até que ofereça frutos. E a espiritualidade superior não é diferente disso.
  6. Quanto ao sentido de “carne”, ela nos permite operar no mundo material, como uma consequência do corpo espiritual. Ela é instrumento. O corpo físico reflete a consciência espiritual. Quando o Evangelho cita “carne”, refere-se ao conjunto de características do ser encarnado; a “carne” representando as nossas vulnerabilidades.
  7. Pela impermanência (transitoriedade) do Espírito na “carne”, somos seres peregrinos, sem saber quanto tempo permaneceremos encarnados.
  8. Outros elementos devem, ainda, ser considerados.
  9. Não estamos de posse de toda a nossa memória. Há aspectos positivos e negativos nisso. Se pudéssemos lembrar de todos os nossos vínculos de sofrimento e de todas as nossas ações inconsequentes, talvez não tivéssemos um sorriso tão espontâneo. Mas, Deus nos quer sorrindo. O Criador nos concede a benção do esquecimento para poder recomeçar, reconstruir, refazer, reconstituir, recompor o destino, sem julgamentos e condenações. Por outro lado, também não nos lembramos, com nitidez, as nossas potencialidades, as quais fluem para o inconsciente como intuições, aptidões ou talentos. Seria como se fosse um processo de memória reduzida.
  10. Outra questão levantada: quando encarnados, não temos uma sustentação magnética mais direta daqueles Espíritos que foram do nosso círculo familiar, os quais se encontram em estágios mais avançados. Isso nos conduz a duas situações: uma de saudade na vontade de ser nutrido novamente, de estar ao lado deles, cujas nutrições magnéticas fluem menos. Encarnado, você vai experimentar carência, solidão, necessidade de aprovação, acolhimento, envolvimento; partilhará de todas as necessidades da condição humana. Dentre elas, o próprio desejo de ser mãe. E encontrará com seres com os quais terá vínculos afetivos muito fortes.
  11. É esse o conjunto de vulnerabilidades que Paulo de Tarso chama de “carne”. Tudo isso relacionado às vulnerabilidades que nos exige um estado de vigilância permanente. É aí que começam os processos de tentação. Todos sofremos tentações. O processo de tentação é natural na evolução, é lei Natural, lei física. Lei Natural é mesma que lei moral.
  12. Compara o processo de tentação com os exemplos de mudanças nas velocidades de reduzir e acelerar um veículo, que causam inercias, jogando o corpo para frente ou para trás. Pela analogia, voltamos várias vezes (reencarnações) até ter a força moral para sustentar o novo movimento da nova experiência (proposta acolhida pela própria pessoa), pela inercia provocada devido à repetição de velhos padrões de condutas, crenças, comportamentos inconscientes. Essa é a tentação.
  13. Quer você avance ou estacione, continua ser amado por Deus. A experiência evolutiva é pessoal, individual e intransferível. Não há empréstimos de aquisições espirituais. Há intercessões que integram o regime de amor de Deus, que sempre nos socorre. Quem se propõe a uma evolução consciente, sempre estará em tentação. Sempre lidando com comportamentos, hábitos, cujas raízes se tendem ao profundo do nosso psiquismo. São raízes em experiências remotas do nosso Espírito. É a nossa história, nossa genealogia de reencarnações passadas. Há uma multidão de personalidades dentro de nós no “eu profundo”. É uma consciência que se observa.
  14. Se o “eu profundo” olha para a encarnação anterior, ele vai ver uma outra pessoa, assim como de outras encarnações. Você ficará surpreso em saber quantas coisas já foi, e tendo, em cada época, um círculo de relações em determinado contexto social e cultural, agindo segundo os padrões do grupo que se encontrava atuando de acordo com o estágio evolutivo da Humanidade daquele período. Não se pode ter a percepção da Idade Média com o que se tem hoje. Quando se mistura tudo isso, é um desafio.
  15. Citando Emmanuel, em “Origem das tentações”, do livro “Caminho, verdade e vida”, disse: “Recorda-te de que cada dia tem situações magnéticas específicas. Considera a essência de tudo o que te atraiu no curso das horas e eliminarás os males próprios, atendendo ao bem que Jesus deseja”. Todo dia vivemos circunstâncias que funcionam como imãs, que possuem uma força atrativa. Por exemplo, uma cesta de diamantes não atrai um cavalo, mas uma cesta de milho sim. Há um processo vibratório.
  16. Comenta o texto de Emmanuel sobre a Carta de Tiago (1: 14), “Antes, cada qual é provado pela própria concupiscência, que o arrasta e seduz”. A concupiscência (cobiças de bens materiais e prazeres sensuais dentro de você) exterioriza a sedução (atração). Tal como pensamos será a nossa vida.  A tentação é a exteriorização da concupiscência.
  17. Emmanuel diz o que é a concupiscência: “… constitui o fundo viciado e perverso da natureza humana primitivista”. Há dois componentes da natureza humana: vício e perversidade. O componente muito especial é o desejo. Ele é insaciável. Ninguém vive sem desejo. Mas, ele precisa ser conduzido com sabedoria, pois o desejo é o motor do nosso barco. Ele dá euforia. O leme do barco precisa direcionar. A submissão ao desejo gera um psiquismo viciado; gera uma frouxidão da vontade; uma incapacidade de autodomínio; gera uma inconsciência.
  18. Se não reconheço a sombra e a minha fragilidade, não posso regenerar. Ninguém regenera o que não reconhece.
  19. Mas tem o elemento da perversidade, que é algo paradoxal e nos deixa perplexo. Como o ser humano apresenta tamanha perversidade, quando a maldade vira prazer? É um descolamento de razão e sentimento. Somente grandes inteligências podem chegar a tamanha perversidade. Inteligência distorcida, sem compromisso com o bem comum, o amor. Porque você não se torna feliz pelo que sabe.
  20. No ápice do sentimento, está o amor. Ele tem que atuar por dentro. Não se pode isolar do mundo; não se pode anestesiar a consciência, afastando-se de lugares e de pessoas.
  21. No livro Ação e Reação, em alguns textos, destaca que a consciência possui múltiplo níveis, não é compartimentado, é uma teia dinâmica.
  22. Um dos aspectos da nossa consciência é a sensorial, que diz respeito a nós encarnados, em que eu só faço o que é agradável e fujo do que é desagradável. Se der prazer eu faço, se não der prazer eu não faço. É a consciência apegada aos sentidos. Mas para desenvolver o senso moral, é preciso coragem para sobrepujar a nossa consciência sensorial. O que faz você abandonar a consciência sensorial de agradabilidade é o senso moral, o senso do dever. A consciência moral se orienta por outro padrão, pois o bom nem sempre é agradável. Por isso, o ato de superar uma tentação não é algo agradável. O agradável é cair na tentação; é deixá-la dominar-lhe.
  23. O desagradável é vencer-se, superar-se. Para isso, qual é a força para superar a tentação? O propósito da vida trabalha em nós para nos guiarmos em direção da perfeição. Deus mora dentro de mim e age na minha consciência. Deus é essa força que trabalha em nós e conosco. Todas as plantas da Terra buscam a luz. A vida é essa procura. E os seres humanos sempre buscam o seu máximo realizável. Dentre os potenciais divinos, está o potencial de amar, renunciar, aprender e cooperar com Deus. Porque somos filhos do Criador. Há uma fome de amor em todos nós. Porém, podemos cercear essa comunhão com Deus. Isso gera aflição e sofrimento.  
  24. A lei de Deus está escrita na nossa consciência. Caminhar para a angelitude é lembrar as leis de Deus. É o acordar, o despertar da consciência.
  25. Todos possuímos, além dos desejos imediatistas comum, um desejo comum central dos nossos interesses mais íntimos, que tem a ver com a nossa interrelação com os outros, sendo que cada um de nós possui um tema básico, como, por exemplo, de riqueza, poder, sexualidade, etc.; um desejo central que gera uma vibração e tem cor, frequência, cheiro, raio, energia que atrai, definindo o que nós somos.
  26. O maior desafio é a auto confrontação. Conhecer-se. Identificar-se, para poder, com o auxílio das forças divinas que atuam em nós e conosco, estabelecer um novo movimento; um novo rumo; uma nova alvorada.

Bibliografia

DIAS, Haroldo Dutra. O Desejo e o Destino. Disponível no Canal YouTube em: https://www.youtube.com/watch?v=eZrB_rcVQyQ. Publicado por: Taberna do Saber. Acessado em: 22 de setembro de 2021.

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