Imigração espiritual de Alcione na transição planetária

Essa reflexão tratará da ajuda espiritual de Alcione na transição planetária, com apoio nos livros “Amanhecer de uma nova era” e “Transição planetária”, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, da Editora LEAL.

Antes de mergulhar no tema, faremos uma conexão com a Codificação Espírita de Allan Kardec, em “A Gênese” e “O Livro dos Espíritos”, com foco nos tempos marcados por Deus e na preparação espiritual para a vinda do auxílio espiritual de outro mundo mais evoluído que o nosso.

Vivemos momentos de transição planetária, passando de mundo de provas e expiações a caminho de um mundo regenerado. Mudanças que a Humanidade deverá passar decorrentes da lei de progresso, do surgimento de uma Nova Era, símbolo de uma sociedade mais feliz, justa, pacífica, amorosa e fraterna.

Trata-se do fim de um ciclo evolutivo da Humanidade, dos tempos de um mundo velho, com o desaparecimento de tudo que é contrário à moral, à justiça e à lei de Deus, com o surgimento de um mundo novo sob a égide da verdade, do bom entendimento, da lisura de caráter, da equidade, do amor, da paz e da fraternidade universal.

Chegados os tempos marcados por Deus de transição planetária, ocorrerão grandes transformações, emigrações e imigrações de Espíritos, quer no céu como na Terra.

Os Espíritos que continuarem praticando o mal, não tocados pelo bem e indignos de permanecer no planeta transformado, serão excluídos espiritualmente a outros mundos para não obstaculizar o progresso inexorável da Humanidade.

Esses Espíritos renitentes, que serão substituídos por outros melhores, expiarão em mundos inferiores de raças atrasadas, levando os conhecimentos adquiridos e tendo por missão fazê-las avançar no estágio em que se encontram.

As grandes partidas coletivas têm por objetivo ativar as saídas desses Espíritos e transformar mais rapidamente o espírito da massa, livrando-a das más influências e o de dar maior ascendente às ideias novas.

Na partida de uma geração e na chegada da outra, a nova geração se distinguirá por sua inteligência e pela razão geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.

A nova geração marchará para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Pela natureza das disposições morais, torna-se fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

Não permanecerão no orbe terrestre somente Espíritos superiores, mas principalmente os que já tendo progredido, aptos a vivenciar o movimento de regeneração.

Haverá, ainda, o auxílio de Espíritos benévolos que se interessam pelos retardatários, dando pressa em esclarecê-los e a mostrar-lhes o falso caminho em que seguem.

Nesses tempos marcados, tem-se informações, também, da vinda de Espíritos de outras dimensões, no caso de Alcione, que nos auxiliarão nas tarefas de regeneração para o novo ciclo evolutivo do planeta, o que veremos mais adiante.

Assim, os Espíritos da nova geração serão compostos de Espíritos melhores e de antigos que se melhoraram.

Nesse contexto, Allan Kardec, no livro “A Gênese”, no Capítulo XI, em “Emigrações e imigrações dos Espíritos”, nos itens de 35 a 37, esclarece sobre as emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos, formando novas raças de Espíritos, vindo a misturar-se às existentes, como veremos a seguir:

“35. No intervalo de suas existências corpóreas, os Espíritos se encontram no estado de erraticidade e formam a população espiritual ambiente do globo. Pelas mortes e pelos nascimentos, as duas populações, terrestre e espiritual, deságuam incessantemente uma na outra. Há, pois, diariamente, emigrações do mundo corpóreo para o mundo espiritual e imigrações do mundo espiritual para o mundo corpóreo: é o estado normal.

36. Em certas épocas, reguladas pela sabedoria divina, essas emigrações e imigrações se operam em massas mais ou menos consideráveis, em virtude das grandes revoluções que lhes acarretam a partida simultânea em quantidades enormes, logo substituídas por quantidades equivalentes de encarnações. Devem-se, portanto, considerar os flagelos destruidores e os cataclismos como ocasiões de chegadas e partidas coletivas, meios providenciais de renovamento da população corporal do globo, de ela se retemperar pela introdução de novos elementos espirituais mais depurados. É verdade que há destruição de grande número de corpos nessas catástrofes; isso, contudo, não passa de vestimentas que se rasgam, já que nenhum Espírito perece; eles apenas mudam de planos; em vez de partirem isoladamente, partem em bandos; essa a única diferença, visto que, por uma causa ou por outra, cedo ou tarde fatalmente terão que partir.

As renovações rápidas, quase instantâneas, que se produzem no elemento espiritual da população, em consequência dos flagelos destruidores, apressam o progresso social; sem as emigrações e imigrações que de tempos em tempos lhe vêm dar violento impulso, esse progresso só se realizaria com extrema lentidão.

É de notar-se que todas as grandes calamidades que dizimam as populações são sempre seguidas de uma era de progresso de ordem física, intelectual ou moral e, por conseguinte, no estado social das nações nas quais elas ocorrem. É que têm por fim operar uma transformação na população espiritual, que é a população normal e ativa do globo.

37. Essa transfusão, que se opera entre a população encarnada e desencarnada de um mesmo planeta, igualmente se efetua entre os mundos, quer individualmente, nas condições normais, quer por massas, em circunstâncias especiais. Há, pois, emigrações e imigrações coletivas de um mundo para outro, donde resulta a introdução, na população de um deles, de elementos inteiramente novos. Novas raças de Espíritos, vindo misturar-se às existentes, constituem novas raças de homens. Ora, como os Espíritos nunca mais perdem o que adquiriram, trazem consigo a inteligência e a intuição dos conhecimentos que possuem, imprimindo, por conseguinte, o caráter que lhes é peculiar à raça corpórea que venham animar. Para isso, não precisam que novos corpos sejam criados exclusivamente para serem usados por eles. Desde que a espécie corpórea existe, eles encontram sempre corpos prontos para os receber. Nada mais são, portanto, do que novos habitantes. Quando chegam à Terra, integram-lhe, a princípio, a população espiritual, para depois encarnarem como os outros.”

Por esses esclarecimentos, verificamos a cooperação existente entre os mundos do Universo por meio de emigrações e imigrações coletivas de Espíritos para acelerar a transição necessária, auxiliando um mundo a galgar mais um degrau evolutivo na busca da perfeição.

Da imigração coletiva de Espíritos de outro mundo, Kardec destaca que: “Quando chegam à Terra, integram-lhe, a princípio, a população espiritual, para depois encarnarem como os outros.”

Em face do estágio vibratório da Esfera de onde procedem, há toda uma preparação espiritual e de adaptações perispirituais, compatíveis com os impositivos terrestres, para a encarnação desses Espíritos voluntários, começando com suas adaptações à psicosfera do novo temporário domicílio.

Isso porque, para o Espiritismo, o ser humano integral possui três coisas: o corpo físico ou ser material; a alma ou ser imaterial, com o Espírito encarnado no corpo; e o perispírito, o primeiro envoltório do Espírito, sendo o laço que prende a alma ao corpo, elo entre a matéria e o Espírito.

A alma é o Espírito encarnado, e o corpo físico é apenas o seu envoltório grosseiro, material, temporário e perecível, cuja destruição pela morte restitui a liberdade ao Espírito, pois o seu estado natural é ser livre.

A morte é a destruição do corpo físico, mas o Espírito imortal sobrevive e prossegue a sua jornada evolutiva na busca da perfeição relativa à Humanidade, tendo Jesus Cristo como modelo e guia, o caminho, a verdade e a vida em direção ao Pai.

Depois de uma existência, o Espírito abandona o antigo corpo, retornando ao plano Espiritual, o mundo invisível ao homem.

O perispírito, que prende o Espírito ao corpo físico, desde a fecundação até a morte carnal, é uma espécie de envoltório semimaterial, um corpo etéreo invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se visível e tangível em certas circunstâncias, como sucede nos fenômenos das aparições espirituais dos Espíritos desencarnados.

O perispírito se constitui de variados fluidos que se agregam, decorrentes da energia universal primitiva de que se compõe cada orbe, gerando uma matéria hiper física, que se transforma em mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dele se utiliza.

Os Espíritos extraem seu perispírito do meio onde se encontram, isso quer dizer que esse envoltório é formado dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constituintes do perispírito devem variar segundo os mundos.

Sendo Júpiter considerado um mundo muito adiantado, em comparação à Terra, onde a vida corpórea não tem a materialidade da nossa, lá os envoltórios perispirituais devem ser de uma natureza infinitamente mais quintessenciada que os da Terra.

Assim, nós não poderíamos existir naquele mundo com o nosso corpo carnal. Os nossos Espíritos não poderiam ali penetrar com o seu perispírito terrestre. Abandonando a Terra, o Espírito ali deixa o seu invólucro fluídico e reveste um outro apropriado ao mundo onde deve habitar.

A natureza do envoltório fluídico está sempre de acordo com o grau de adiantamento moral do Espírito.

Os Espíritos Superiores podem vir aos mundos inferiores e neles até encarnar. Eles tiram, dos elementos constitutivos do mundo onde entram, os materiais necessários à formação do envoltório fluídico ou carnal apropriado ao meio em que se encontram.

Fazem como o nobre que despe as suas roupas finas para vestir momentaneamente um traje grosseiro, sem por isso deixar de ser nobre. É assim que os Espíritos de categoria mais elevada podem se manifestar aos habitantes da Terra, ou encarnar em missão entre eles. Esses Espíritos trazem consigo, não o invólucro, mas a lembrança, por intuição, das regiões de onde vieram, e que eles veem pelo pensamento.

A camada de fluidos espirituais que envolve a Terra pode ser comparada às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras que as camadas superiores. Esses fluidos não são homogêneos; são uma mistura de moléculas de diversas qualidades, entre as quais se encontram necessariamente as moléculas elementares que formam a sua base, porém mais ou menos modificadas. Os efeitos que esses fluidos produzem são proporcionais à soma das partes puras que eles contêm.

Os Espíritos chamados a viver nesse meio, retiram dele os seus perispíritos; porém, conforme o próprio Espírito seja mais ou menos depurado, seu perispírito se forma das partes mais puras ou das mais grosseiras desse meio.

O Espírito aí produz, sempre por comparação e não por assimilação, o efeito de um reagente químico que atrai para si as moléculas que a sua natureza pode assimilar. Disso, resulta esse fato capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda.

O mesmo não acontece com o corpo carnal que é formado dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Por isso, em todos eles, os efeitos produzidos pelo corpo são os mesmos, as necessidades semelhantes, enquanto que diferem em tudo que é inerente ao perispírito.

Daí também resulta que o envoltório perispiritual de um mesmo Espírito se modifica com o progresso moral que ele realiza em cada encarnação, embora encarnando no mesmo meio; que os Espíritos Superiores, encarnando excepcionalmente em missão num mundo inferior, têm um perispírito menos grosseiro. O meio está sempre em relação com a natureza dos seres que devem nele viver.

O fluido etéreo é para as necessidades do Espírito, o que a atmosfera é para as necessidades dos encarnados.

Do mesmo modo que os peixes não podem viver no ar e os animais terrestres não podem viver numa atmosfera muito rarefeita para os seus pulmões, os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos.

Eles não morreriam no meio desses fluidos, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os mantém afastados, como nos afastamos de um fogo muito forte ou de uma luz muito ofuscante. Eis por que eles não podem sair do meio apropriado à sua natureza.

Para mudarem de meio é preciso que primeiro mudem de natureza, que se despojem dos instintos materiais que os retêm nos meios materiais; em uma palavra, que se depurem e se transformem moralmente.

Então, gradualmente, eles se identificarão com um meio mais depurado, que se lhes torna uma carência, uma necessidade, assim como os olhos daquele que viveu longo tempo na escuridão, se habituam insensivelmente à luz do dia e ao fulgor do Sol.

Assim, tudo se liga e se encadeia no Universo, estando submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a materialidade mais compacta até a mais pura espiritualidade. E o perispírito pode variar e mudar ao infinito.

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Amanhecer de uma nova era”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, traz informações sobre a imigração espiritual de Alcione, cujos Espíritos voluntários de regiões felizes já se encontram na psicosfera do planeta, adaptando-se aos fluidos e aos condicionamentos do nosso orbe, em preparação para suas encarnações em auxílio à Humanidade rumo à sua ascenção evolutiva.

A seguir, algumas narrativas que discorrem sobre esse auxílio de Alcione:

“Mais tarde, após visitarmos algumas dessas sociedades espíritas que vêm sofrendo impedimentos, vítimas da invasão dos irmãos perniciosos, que tentaremos trazer à comunicação, também conviveremos um pouco com alguns dos imigrantes de Alcione que se encontram na psicosfera da nossa Terra amada, adaptando-se-lhe aos fluidos e aos condicionamentos, tendo em vista que procedem de regiões já felizes, onde não mais experimentam as dores nem as constrições próprias do nosso planeta. (…)

Com a expressão iluminada pela paz profunda de que era portador, São Francisco acercou-se da tribuna que recebeu um jato de luz, qual ocorre nos teatros quando estão em destaque algumas cenas ou pessoas, e permaneceu nimbado de bênçãos, numa atitude de ímpar humildade, enunciando:

– Irmãos de todos os quadrantes da Terra e almas grandiosas de Alcione:

Seja com todos nós a paz irretocável do Senhor Jesus!

Vivemos o grande momento da luta sem quartel, na qual os exércitos do Senhor e Mestre estarão equipados com os instrumentos do amor e da misericórdia, a fim de ser restaurado, na Terra, o reino da mansidão e da caridade para com tudo e com todos. (…)

Ao silenciar, podíamos ouvir o pulsar da Natureza em festa e a sinfonia emocionante da gratidão que vibrava em todos nós, os espíritos terrestres e os abençoados visitantes de Alcione, que também tinham lágrimas que lhes perolavam nos olhos. (…)

Percebendo-nos a estranheza e o encantamento que nos tomou conta a todos que o acompanhávamos, o nobre guia esclareceu:

– Trata-se de uma comunidade reservada à preparação dos nossos irmãos de Alcione que se candidatam à reencarnação na Terra.

Por eleição geral é denominada Santuário da Esperança, pois que, de algumas delas, têm partido os construtores da Era Nova para os cometimentos em nosso formoso planeta, enquanto os demais missionários que retornam do passado, virão diretamente, deixando os seus redutos de iluminação onde ora se encontram, para o mergulho direto no mundo celular…

Em face do estágio vibratório da Esfera de onde procedem, os irmãos da esperança necessitam de algumas adaptações perispirituais compatíveis com os impositivos terrestres, assim como de adaptação à psicosfera do novo temporário domicílio…

Esses santuários vêm sendo construídos desde o fim do século passado, quando começaram a hospedar nossos generosos amigos benfeitores, em muitos países do nosso querido orbe.

Considerando-se que os missionários estarão reencarnando-se nas mais diversas áreas do conhecimento, assim como nos mais variados segmentos da sociedade, os que vêm de fora do nosso sistema passam por uma fase de adaptação perispiritual necessária ao êxito do ministério que irão desempenhar.

Submetem-se a experimentos especiais, de modo que a sua adaptação ao novo corpo, que deverão modelar, seja menos penosa. Isto porque, vivendo em uma Esfera onde as dores e enfermidades físicas já não vigem, na condição de procedimentos depuradores, torna-se-lhes indispensável condensar no períspirito energias próprias à habitabilidade terrestre.

Esse voluntariado por amor é também sacrificial, porque é muito mais gratificante a ascensão aos planos superiores da vida, enquanto que a descida às furnas provacionais constitui verdadeiro desafio.

Mediante essa reflexão, pode-se ter uma ideia, pálida embora, do que significou o mergulho de Jesus nas densas trevas e pesadas energias do nosso planeta, quando nos veio ensinar os sublimes processos do amor e da elevação. Como consequência, Ele sempre reservou períodos constantes do Seu tempo para manter a sintonia com o Pai, a fim de orar e meditar, fosse no deserto ou na movimentação urbana com os companheiros, mantendo silêncios significativos e preciosos para a continuidade da Sua incomparável missão.

Silenciou, por um momento, ante o nosso espanto.

Confesso que, pessoalmente, ignorava a existência dessas nobres Comunidades que se encontravam espalhadas no planeta querido, servindo de laboratórios especiais para a reencarnação dos visitantes abnegados. (…)

É natural que o Senhor Jesus haja providenciado o retorno dos Seus mensageiros que assinalaram suas épocas com as características de amor e sabedoria, de modo que impulsionaram o progresso da Humanidade até este momento culminante, agora necessários para o grande enfrentamento com as heranças enfermiças que permanecem na psicosfera do planeta, em razão da condição primária de alguns dos seus habitantes.

Concomitantemente, torna-se indispensável a presença de missionários de outra dimensão que, ao lado desses, conseguirão vencer as urdiduras e programações dos desastres morais, modificando a estrutura moral do globo, que irá ascendendo a situação mais própria a mundo de regeneração. (…)

O nosso acompanhante apresentou-nos ao responsável pelo centro de pesquisas, informando que éramos um dos muitos grupos encarregados de divulgar a presença dos trabalhadores de Alcione no futuro do planeta terrestre.

Com especial deferência ao nosso mentor e bondade para conosco, o diretor da área explicou a necessidade da adaptação dos visitantes de outra dimensão às condições planetárias em que deveriam operar.

Conduzindo-nos a outra sala, pudemos observar que um número expressivo de Espíritos encontrava-se sob forte jato de energia luminosa em concentração profunda. Naquele estado, concentrados nos objetivos que os traziam à Terra, desdobravam as características de expansibilidade perispiritual, neles quase que absorvidas pelo espírito, a fim de poderem plasmar as necessidades típicas do veículo carnal de que se revestiriam quando no ministério reencarnatório.

À medida que os Espíritos progridem, as funções do corpo intermediário são absorvidas lentamente pelo ser imortal, em face da desnecessidade de construir corpos com os sinais do processo evolutivo, corrompidos, degenerados, limitados… Atingindo uma faixa mais elevada, o ser espiritual proporciona o renascimento por meio de automatismo, tendo como modelo a forma saudável e bela, cada vez mais sutil e nobre até alcançar o estado de plenitude, o reino dos Céus interior…

Aquela operação delicada de remodelagem perispiritual facultava ao Espírito o retorno psíquico ao período em que as reencarnações eram-lhe penosas, e, portanto, imprimiam nos tecidos delicados da sua estrutura as necessidades evolutivas.

Era grande o número de cooperadores do processo de recuperação perispiritual nos moldes terrenos, e enquanto isso ocorria, aparelhos delicados acoplados à cabeça, transmitiam acontecimentos planetários do nosso orbe, a fim de que se acostumassem com as ocorrências do cotidiano, objetivando facilitar-lhes o trânsito com os demais membros da grande família humana em que se localizariam.

Todas essas informações eram-nos transmitidas mentalmente, em formoso processo de telepatia, como acontecia, às vezes, em determinadas intervenções de trabalhos espirituais, que nos permitiam captar o pensamento dos mentores e até as ocorrências que tiveram lugar na existência dos pacientes.

A sensação de harmonia nesse intercâmbio comovia-nos, elucidava-nos muito mais do que por meio das palavras.

Desapareciam quaisquer dúvidas, porquanto, ao reflexionar, à medida que tomávamos conhecimento das informações, automaticamente recebíamos também o esclarecimento, sem necessidade de interrogação.

Dr. Bezerra, que certamente estava familiarizado com todo aquele trabalho, havendo sido o intermediário para conduzir-nos àquele centro de realizações, exteriorizava ondas de bem-estar e de alegria, igualmente falando-nos da Terra do amanhã, quando as dores batessem em retirada e as criaturas, voltadas para o bem, pudessem fruir as dádivas da harmonia.

Por aproximadamente duas horas estivemos sendo instruídos pelo nobre cientista, anunciando-se o momento do nosso retorno.

O amado benfeitor agradeceu em nome de todos nós a deferência dos bondosos amigos e fomos conduzidos de volta ao pórtico de entrada da fascinante cidade da esperança, despedindo-nos jubilosamente.

Foi, nesse ínterim, enquanto retornávamos ao nosso núcleo de apoio, que o venerável benfeitor nos explicou que as construções, à semelhança do que ocorreu quando da edificação da torre de vigia no Amor e Caridade, haviam sido programadas e executadas por engenheiros de Alcione que, antes da chegada dos que se deveriam reencarnar, criaram os pousos onde ficariam preparando–se, para depois poderem transitar na psicosfera terrestre, comunicando-se mediunicamente e participando dos labores espirituais…

Verdadeiras vias de comunicação entre a bela estrela e a Terra haviam sido abertas, vencendo as colossais distâncias, a fim de que o intercâmbio se fizesse com segurança, utilizando-se recursos específicos de volição… (…)

O programa que dizia respeito aos trabalhadores de Alcione que mergulhavam na atmosfera terrestre para o sublime labor da transição planetária, tinha continuidade segura, desenhando-se novos cometimentos cujos frutos já se podiam colher no comportamento social de alguns idealistas, iniciando-se a Era de paz que, embora ainda demorasse, já apresentava os sinais de elevação e de harmonia.”

Ainda o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Transição planetária”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, esclarece mais sobre os cooperadores espirituais de Alcione:

“É certo que outras caravanas já vinham visitando a Terra com o mesmo objetivo, desde os anos da década de 1970/80, tomando as providências compatíveis para as reencarnações valiosas. Agora, no entanto, soava o momento de intensificar o intercâmbio entre os terrícolas e os visitantes de Alcione, que já se movimentavam em torno da psicosfera do planeta, aguardando o momento adequado. Tomei conhecimento de que um grande número deles encontrava-se em Colônias próximas da Terra, assimilando o psiquismo do orbe, assim como dos seus habitantes, visitando sociedades espíritas que mantêm ligação com as Esferas superiores, onde alguns se comunicavam, explicando a razão de ali se encontrarem. (…)

Antes do retorno, conhecemos superficialmente os Espíritos que estariam sob a direção do nosso mentor, com os quais deveríamos participar no seu processo de renascimento na matéria densa.

Segundo informações do Dr. Sílvio, eram aproximadamente mil, que também deveriam seguir-nos para o acampamento adrede construído pelos especialistas nessa área, que nos haviam antecedido.

Ao primeiro ensejo, a programação previa um encontro entre os visitantes e os transeuntes do carreiro carnal, o que ficou estabelecido para a noite seguinte.

Durante o dia mantivemos contatos afetuosos com alguns deles, dialogando, ouvindo-os em suas belas narrações a respeito da vida que desfrutavam em Alcione.

As palavras do meu vocabulário são insuficientes para repetir as narrações através de projeção mental por eles propiciada, dando-nos uma ideia ainda que imperfeita do esplendor do Reino, que a todos nos aguarda, na marcha sublime da evolução.

Pude aquilatar a respeito da sábia informação de Jesus, quando se referiu, conforme João 14:1 e 2: ‘Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na Casa de meu Pai há muitas moradas’.

Não poderia ser diferente. Caso fosse a Terra privilegiada exclusivamente com habitantes, e inúteis seriam os bilhões de astros que gravitam no Universo, produzindo a sinfonia intérmina e majestosa da Criação. (…)

Os nossos visitantes de Alcione haviam sido informados anteriormente do tempo necessário para o primeiro contato, mantendo o período estabelecido. (…)

Reflexionando em torno dos dias do futuro, não pude furtar-me ao desejo de contribuir de alguma forma com esses missionários do Bem, prometendo-me intensificar os esforços para melhor servir, pelo menos no período de preparação para os seus renascimentos no corpo físico.

Dialogando com o querido amigo Ivon, exteriorizamos os sentimentos que vigiam em nós, pensando nas grandes e desconhecidas batalhas que seriam travadas, como, aliás, vem acontecendo no dia-a-dia de todas as existências nobres, afeiçoadas ao dever e à verdade. Desse modo, fomos convocados por Dr. Sílvio para visitarmos alguns casais que se haviam comprometido em receber os irmãos de Alcione. (…)

A nossa participação, assim como a dos devotados trabalhadores que se encontram vinculados ao mister que abraçamos, não será permanente, sendo realizada apenas em alguns casos especiais, porquanto, desde há alguns anos do século passado, os nossos irmãos de Alcione estão reencarnando-se na Terra, sem alarde, tornando-se expoentes de sabedoria e portadores de grande contribuição cultural e espiritual.

À medida que os anos se passaram desde as primeiras ocorrências, estamos agora vivenciando o período para os renascimentos em massa, enquanto tem lugar, a princípio lentamente, o expurgo dos irmãos infelizes vinculados à revolta e à truculência de que se utilizam em tentativa inútil para impedir a felicidade dos seres humanos. De maneira equivalente, à medida que os anos se sucederem. Número bem expressivo de desatinados será encaminhada ao exílio temporário, de forma que irão contribuir para o desenvolvimento dos seres que encontrarão em os novos ninhos domésticos, para volverem em triunfo, quando se depurarem das graves imperfeições que lhes dificultam a marcha do progresso. (…)

Na programação em torno do renascimento dos Espíritos procedentes de Alcione, considerando-se que os mesmos não têm compromisso negativo no planeta terrestre, destacou-se a desnecessidade de estabelecimento de metas proporcionadoras do ressarcimento de débitos morais em relação às existências anteriores, como sempre ocorria nos casos convencionais a que estávamos acostumados.

No Departamento de Reencarnações, os mapas, adrede estabelecidos, apresentavam organismos saudáveis, sujeitos, entretanto, aos fenômenos normais de desgaste da energia, assim como às ocorrências de enfermidades menos graves, de forma que todo o tempo de que dispunham os Espíritos fosse dedicado ao labor edificante da fraternidade, dos estudos e aplicações das propostas sobre o próprio progresso moral e espiritual, assim como do planeta. (…)

Em nossas reflexões, nas noites seguintes, podíamos ver, sem qualquer dúvida, as caravanas de luminares descendo na direção da Terra, com a missão sublime de facilitar a reencarnação dos novos condutores do futuro ao lado dos imigrados de Alcione em verdadeira sinfonia de bênçãos. Foi numa dessas oportunidades, quando, em grande silêncio, nosso grupo, encontrando-se ao ar livre, contemplava o zimbório de estrelas lucilantes e de prateado luar, que o nosso mentor nos convidou à oração, propondo-nos a entrega total ao Celeste Amigo que viera, há dois mil anos, clarear a grande noite com a luminescência do Seu inefável amor.

Agora enviava, conforme o prometera, neste momento de tantas aflições, o Consolador, que já se encontrava no mundo terrestre há mais de um século, como uma constelação de seres elevados, para que as sombras fossem definitivamente diluídas ante as divinas claridades siderais.  (…)

Sem apresentar qualquer enfado, o generoso amigo elucidou:

– Empenhados, conforme nos encontramos, ao lado de milhares de outros grupos de Espíritos que trabalham pela implantação dos novos tempos, especialmente na atividade preparatória da reencarnação dos luminares do passado, assim como dos nossos irmãos convidados de Alcione, acompanhamos o cerco negativo daqueles amigos referidos, tentando impedir a execução do programa em marcha. (…)

De igual maneira, estarão reencarnando-se elevados Espíritos da filosofia e da arte, da religião e da política do passado, considerados pais dessas doutrinas, a fim de poderem reformular, atualizar e conduzir às origens do ideal, dos quais os seus postulados foram afastados, facilitando a transição da sociedade em outros segmentos de que constitui. (…)

Adentramo-nos em um desses lúgubres redutos, e note que, de uma humílima construção, exteriorizava-se uma suave claridade. Percebendo-me a muda indagação pelo motivo daquela diferença, o benfeitor acercou-se-me e socorreu-me, esclarecendo:

– É a residência de Hermenegildo e Rosalinda, um jovem casal de nossa esfera, que renasceu em condição de penúria econômica, a fim de ressarcir antigos comportamento extravagantes, e que se comprometeram a cooperar com a reencarnação de um dos visitantes de Alcione. (…)

Adeptos do Espiritismo, permanecem fiéis aos compromissos abraçados antes do túmulo, havendo-se consorciado faz poucos meses, após o reencontro feliz na Casa Espírita em bairro próximo, onde experimentam conforto e servem com abnegação.

– Quando os filhos de Alcione se instalarão, expulsando os terrícolas? – Indagou, dominado por refinado sarcasmo.

– Não exatamente conforme assinalado. Estamos recebendo visitantes de outra dimensão, que se propõem a ajudar-nos nas transformações que já se vêm operando no planeta, porque a Lei que vige no Universo é a da harmonia, da solidariedade, dos princípios morais estabelecidos pelo Pai Criador. Gargalhada horripilante estrugiu por entre os lábios deformados do ser que se comunicava, agora apresentando-se em toda a sua hediondez de fera, vítima que se permitira ser da licantropia. (…)

O trabalho do bem, que não cessa nunca, prosseguiria em outras áreas, contribuindo para o progresso da Sociedade e do amado planeta. Após as instruções, como lhe era habitual, iniciamos a jornada visitando alguns dos muitos casais que se ofereceram para o programa das reencarnações dos convidados de Alcione, assim como dos ilustres missionários do passado, ora de retorno, ficando, para a etapa final, a instituição espírita onde nos sediáramos em outra ocasião, de modo a encerrarmos o compromisso assumido naquele reduto de amor e de caridade, onde incontáveis bênçãos eram prodigalizadas a todos.”

Por tudo isso, o momento de transição pede maior espiritualização, substituindo as velhas fórmulas da ignorância, da opressão política ou religiosa, moral ou econômica, pelas elevadas noções de fraternidade do Cristianismo. Quando nos moralizarmos e tornarmos realmente altruístas, nos converteremos em fontes luminosas, ligando o Céu e a Terra.

A Era do Espírito pede a conquista de nós mesmos, luta incessante, trabalho e responsabilidades. É o futuro acenando-nos com as suas mãos de luz para a realização das obras celestiais.

Sejam bem-vindos irmãos de Alcione!

Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito); psicografado por Divaldo Pereira Franco. Amanhecer de uma nova era. 2ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2021.

MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito); psicografado por Divaldo Pereira Franco. Transição Planetária. 5ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2017.

ROCHA, Cecília (organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Programa Complementar – Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

2 comentários em “Imigração espiritual de Alcione na transição planetária

  1. Neynaldo Silva 24/12/2021 — 09:08

    Muito bom os textos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Estimado Neynaldo Silva, boa noite! Gratidão pelo seu comentário. Juan Carlos

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