Dialogando com Espíritos: tipos de Espíritos comunicantes

Continuando com a reflexão sobre dialogando com Espíritos, importante identificar os tipos de Espíritos comunicantes que poderão comparecer às reuniões mediúnicas espíritas, principalmente para entender as necessidades a serem trabalhadas.

Suely Caldas Schubert, no livro “Obsessão / Desobsessão”, na “Terceira Parte: Reunião de desobsessão”, Capítulo 12, “Tipos de Espíritos comunicantes”, ensina:

“ESPÍRITOS QUE NÃO CONSEGUEM FALAR

São bastante comuns as manifestações de entidades que não conseguem falar. Essa dificuldade pode ser resultante de problemas mentais que interferem no centro da fala, como também em virtude do ódio em que se consomem, que, de certa maneira, oblitera a capacidade de transmitir o que pensam e sentem. Em outros casos, pode ser um reflexo de doenças de que eram portadores antes da desencarnação e que persistem no além-túmulo, por algum tempo, de acordo com o estado de cada uma. Finalmente, existem aqueles que não querem falar para não deixar transparecer o que pensam, representando essa atitude uma defesa contra o trabalho que pressentem (ou sabem) estar sendo feito junto deles. Neste último caso, o médium pode conseguir traduzir as suas intenções, paulatinamente.

Não há necessidade de tentar insistentemente que falem, forçando-os com perguntas, pois nem sempre isso é o melhor para eles. O doutrinador deve procurar sentir, captar os sentimentos que trazem. Geralmente não é difícil apreendê-los. Os que sofrem ou os que se rebolcam no ódio deixam transparecer o estado em que se encontram. De qualquer forma são sumamente necessitados do nosso amor e atenção. O doutrinador deve dizer-lhes palavras de reconforto, aguardando que respondam espontaneamente. Muitos conseguem conversar ao cabo de alguns minutos, outros não resistem e acabam aceitando o diálogo, cabendo ao doutrinador atendê-los de acordo com a problemática que apresentam.

Os que têm problema de mudez, por exemplo, conseguirão através de gestos demonstrá-lo. Ciente disso, o doutrinador pode ir aos poucos conscientizando-o de que esse problema pode ser resolvido, que era uma consequência de deficiência do corpo físico, mas que no estado atual ele poderá superar, se confiar em Jesus, se quiser com bastante fé, etc. Nesse momento, o passe e a prece ajudam muito.

Em qualquer circunstância deve-se deixar que tudo ocorra com naturalidade, sem querer forçar a reação por parte dos que se comunicam.

ESPÍRITOS QUE DESCONHECEM A PRÓPRIA SITUAÇÃO

Não têm consciência de que estão no plano espiritual. Não sabem que morreram e sentem-se imantados aos locais onde viveram ou onde está o centro de seus interesses.

Uns são mais fáceis de serem conscientizados e o doutrinador, sentindo essa possibilidade, encaminhará o diálogo para isso. Outros, porém, trazem a ideia fixa em certas ocorrências da vida física e torna-se mais difícil a tarefa de aclarar-lhes a situação. Certos Espíritos não têm condições de serem informados sobre a própria morte, apresentando um total despreparo para a verdade. Essa explicação será feita com tato, dosando-se a verdade conforme o caso. Deve-se procurar infundir-lhes a confiança em Deus e noções de que a vida se processa em vários estágios, que ninguém morre (a prova disso é ele estar ali falando) e que a vida verdadeira é a espiritual.

ESPÍRITOS SUICIDAS

São seres que sofrem intensamente. Quando se comunicam apresentam um sofrimento tão atroz, que comove a todos. Às vezes, estão enlouquecidos pelas alucinações que padecem, em virtude da repetição da cena em que destruíram o próprio corpo, pelas dores superlativas daí advindas e ao chegarem à reunião estão no ponto máximo da agonia e do cansaço.

Cabe ao doutrinador socorrê-los, aliviando-lhes os sofrimentos através do passe.

Não necessitam tanto de doutrinação, quanto de consolo. Estão buscando uma pausa para os seus aflitivos padecimentos. A vibração amorosa dos presentes, os eflúvios balsamizantes do Alto atuarão como brando anestésico, aliviando-os, e muitos adormecem, para serem levados em seguida pelos trabalhadores espirituais.

ESPÍRITOS ALCOÓLATRAS E TOXICÔMANOS

Quase sempre se apresentam pedindo, suplicando ou exigindo que lhes deem aquilo de que tanto sentem falta. Sofrem muito e das súplicas podem chegar a crises terríveis, delírios em que se debatem e que os desequilibram totalmente. Sentem-se cercados por sombras, perseguidos por bichos, monstros que lhes infundem pavor, enquanto sofrem as agonias da falta do álcool ou do tóxico.

De nada adiantará ao doutrinador tentar convencê-los das inconveniências dos vícios e da importância da temperança, do equilíbrio. Não estão em condições de entender e aceitar tais tipos de conselhos. Deve-se tentar falar-lhes a respeito de Jesus, de que nele é que encontramos forças para resistir. De que somente com Jesus seremos capazes de vencer os condicionamentos ao vício.

Se, entretanto, estiverem em delírios, o passe é o meio de aliviá-los.

ESPÍRITOS QUE DESEJAM TOMAR O TEMPO DA REUNIÃO

Vêm com a ideia preconcebida de ocupar o tempo dos trabalhos e assim perturbarem o seu desenrolar.

Usam muito a técnica de acusar os participantes, os espíritas em geral, ou comentam sobre as comunicações anteriores, zombando dos problemas apresentados. Tentam alongar a conversa, têm resposta para tudo.

Observando o seu intento, o doutrinador não deve debater com eles, tentando provar a excelência do Espiritismo, dos propósitos da reunião e dos espíritas, mas sim levá-los a pensar em si mesmos. Procurar convencê-los de que enquanto analisam, criticam ou perseguem outras pessoas, esquecem-se de si mesmos, de buscar a sua felicidade e paz interior.

Quase nunca são esclarecidos de uma só vez. Voltam mais vezes.

ESPÍRITOS IRÔNICOS

São difíceis para o diálogo. E, geralmente, sendo muito inteligentes, usam a ironia como agressão. Ferem o doutrinador e os participantes com os comentários mais irônicos e contundentes. Ironizam os espíritas, acusando-os de usarem máscara; de se fingirem de santos; de artifícios dos quais, dizem, utilizam para catequizar os incautos; de usar magia, hipnotismo, etc.

Alguns revelam que seguem os participantes da reunião para vigiar-lhes os passos e que ninguém faz nada do que prega.

Em hipótese alguma deve-se ficar agastado ou melindrado com isso. É, aliás, o que almejam. Pelo contrário, devemos aceitar as críticas ferinas, inclusive porque apresentam grande fundo de verdade. Essa aceitação é a melhor resposta. A humildade sincera, verdadeira, nascida da compreensão de que em realidade somos ainda muito imperfeitos.

Tentar defender-se, mostrar que os espíritas trabalham muito, que naquele Centro se produz muito, é absolutamente ineficaz. Será até demonstração de vaidade de nossa parte, visto que temos ciência de nossa indigência espiritual e do pouco que produzimos e progredimos. E eles sabem disto.

Aceitando as acusações e sentindo, acima de tudo, o quanto existe de razão no que falam, eles aos poucos se desarmarão. Simultaneamente ir conscientizando-os do verdadeiro estado em que se encontram; da profunda solidão em que vivem, afastados dos seus afetos mais caros; que, em realidade, são profundamente infelizes – eis alguns dos pontos que podem ser abordados.

Tais entidades voltam mais vezes, pois esse esclarecimento demanda tempo.

ESPÍRITOS DESAFIANTES

Vêm desafiar-nos. Julgam-se fortes, invulneráveis e utilizam-se desse recurso para amedrontar. Ameaçam os presentes com as mais variadas perseguições e desafiam-nos a que prossigamos interferindo em seus planos.

Cabe ao doutrinador ir encaminhando o diálogo, atento a alguma observação que o comunicante fizer e que sirva como base para atingir-lhe o ponto sensível. Todos nós temos os nossos pontos vulneráveis – aquelas feridas que ocultamos cuidadosamente, envolvendo-as na couraça do orgulho, da vaidade, do egoísmo, da indiferença.

Em geral, os obsessores, no decorrer da comunicação, acabam resvalando e deixando entrever os pontos suscetíveis que tanto escondem. Aparentam fortaleza, mas, como todos, são indigentes de amor e de paz. Quase sempre estão separados de seus afetos mais caros, seja por nível evolutivo, seja por terem sido feridos por eles.

O doutrinador recorrerá à energia equilibrada – dosada no amor –, serena e segura, quando sentir necessidade.

Espíritos desse padrão vibratório quase sempre têm que se comunicar mais vezes, O que se observa é que a cada semana eles se apresentam menos seguros, menos firmes e fortes que na anterior. Até que se atinge o momento do despertar da consciência.

ESPÍRITOS DESCRENTES

Apresentam-se insensíveis a qualquer sentimento. Descreem de tudo e de todos. Dizem-se frios, céticos, ateus.

No entanto, o doutrinador terá um argumento favorável, fazendo-os sentir que apesar de tudo continuam vivos e que se comunicam através da mediunidade. Também poderá abordar outro aspecto, que é o de dizer que entende essa indiferença, pois que ela é resultante dos sofrimentos desilusões que o atormentam. Que, em realidade, essa descrença não o conduzirá a nada de bom, e sim a maiores dissabores e a uma solidão insuportável.

O doutrinador deve deixar de lado toda argumentação que vise a provar a existência de Deus, pois qualquer tentativa nesse sentido não atingirá o objetivo. Eles estão armados contra essa doutrinação e é esta justamente a que esperam encontrar. Primeiro, deve-se tentar despertá-los para a realidade da vida, que palpita dentro deles, e da sofrida posição em que se colocam, por vontade própria. Ao se conscientizarem do sofrimento em que jazem, da angústia que continuadamente tentam disfarçar, da distância que os separa dos seres amados, por si mesmos recorrerão a Deus. Inclusive, o doutrinador deve falar-lhes que somente o Pai pode oferecer-lhes o remédio e a cura para seus males.

ESPÍRITOS DEMENTADOS

Não têm consciência de coisa alguma. O que falam não apresenta lógica. Quase todos são portadores de monoideísmo, ideia fixa em determinada ocorrência, razão por que não ouvem, nem entendem o que se lhes fala.

Devem ser socorridos com passes. Em alguns casos, o Espírito parece despertar de um longo sono e passa a ouvir a voz que lhe fala. São os que trazem problemas menos graves.

ESPÍRITOS AMEDRONTADOS

Dizem-se perseguidos e tentam desesperadamente se esconder de seus perseguidores. Mostram-se aflitos e com muito medo.

É necessário infundir-lhes confiança, demonstrando que ali naquele recinto estão a salvo de qualquer ataque, desde que também se coloquem sob a proteção de Jesus.

São vítimas de obsessões, sendo dominados e perseguidos por entidades mais fortes mentalmente, com as quais se comprometeram. Muitos deles são empregados pelos obsessores para atormentar outras vítimas. Obrigados a obedecer, não são propriamente cúmplices, mas também vítimas.

ESPÍRITOS QUE AUXILIAM OS OBSESSORES

São bastante comuns nas reuniões. Às vezes, dizem abertamente o que fazem e que têm um chefe. Em outros casos, tentam esconder as suas atividades e muitos chegam a afirmar que o chefe não quer que digam nada. Também costumam dizer que foram trazidos à força ou que não sabem como vieram parar ali.

É preciso dizer-lhes que ninguém é chefe de ninguém. Que o nosso único ‘chefe’ é Jesus. Mostrar-lhes também o mal que estão praticando e do qual advirão sérias consequências para eles mesmos. É de bom alvitre mencionar que o chefe no qual tanto acreditam em verdade não lhes deseja bem-estar e alegrias, visto que não permite que sigam seu caminho ao encontro de amigos verdadeiros e entes queridos.

ESPÍRITOS VINGATIVOS

São aqueles obsessores que, por vingança, se vinculam a determinadas criaturas.

Muitos declaram abertamente seus planos, enquanto que outros se negam a comentar suas ações ou o que desejam. Costumam apresentar-se enraivecidos, acusando os participantes de estarem criando obstáculos aos seus planos. Falam do passado, do quanto sofreram nas mãos dos que hoje são as vítimas. Nesses casos, o doutrinador deve procurar demonstrar-lhes o quanto se estão prejudicando, o quanto o ódio e a vingança os tornam infelizes; que, embora o neguem, no fundo, prosseguem sofrendo, já que não encontram um momento de paz; que o ódio consome aquele que o cultiva. É importante levá-los a refletir sobre si mesmos, para que verifiquem o estado em que se encontram. A maioria se julga forte e invencível, mas confessam estar sendo tolhidos pelos trabalhos da reunião, o que os enfurece. Diante desse argumento, o doutrinador deve enfatizar que a força que tentam demonstrar se dilui ante o poder do Amor que dimana de Jesus.

Conforme o caso, os resultados se apresentam de imediato. O obsessor, conquistado pelo envolvimento fluídico do grupo e pela lógica do doutrinador, sente-se enfraquecido e termina por confessar-se arrependido. Em outros casos, a entidade se retira enraivecida, retornando para novas comunicações, nas semanas seguintes. Quando voltam, identificam-se ou são percebidos pelos participantes ante a tônica que imprimirem à conversação.

ESPÍRITOS MISTIFICADORES

São os que procuram encobrir as suas reais intenções, tomando, às vezes, nomes ilustres ou ares de importância. Chegam aconselhando, tentando aparentar que são amigos ou mentores. Usam de muita sutileza e podem até propor modificações no andamento dos trabalhos.

Mistificadores existem que se comunicam aparentando, por exemplo, ser um sofredor, um necessitado, com a finalidade de desviar o ritmo das tarefas e de ocupar o tempo.

O médium experiente e vigilante e o grupo afinizado os identificarão. Mas não se pode dispensar toda a vigilância e discernimento.

Numa reunião bem orientada, se se comunica um mistificador, nem sempre significa que haja desequilíbrio, desorganização ou invigilância. As comunicações desse tipo são permitidas pelos Mentores, para avaliar a capacidade do grupo e porque sabem o rendimento da equipe, e que o mistificador terá possibilidades de ser ali beneficiado.

O médium que recebe a entidade detém condições de sentir as suas vibrações e captar as suas intenções. Mesmo que o grupo não perceba, o médium sabe e, posteriormente, após os trabalhos, no instante da avaliação, tem ensejo de declarar o que sentiu e quais eram as reais intenções do comunicante. Ressalte-se, contudo, que, quando o grupo é bem homogêneo, todos ou alguns participantes perceberão o fato.

ESPÍRITOS OBSESSORES INIMIGOS DO ESPIRITISMO

São, geralmente, irmãos de outros credos religiosos. Alguns agem imbuídos de boa-fé, acreditando que estão certos. Muitos, todavia, o fazem absolutamente cônscios de que estão errados, pelo simples prazer de provocar discórdia. Dizem-se defensores do Cristo, da pureza dos seus ensinamentos. Não admitem que os espíritas sigam Jesus.

O doutrinador deve evitar as explanações sobre religião. De nada adiantará tentar convencê-los de que o Espiritismo é a Terceira Revelação, o Consolador Prometido. É este o caminho menos indicado. Deve-se evitar comparações entre religiões. A conversação deve girar em torno dos ensinamentos de Jesus. Comparar-se o que o Mestre ensinou e as atitudes dos que se dizem seus legítimos seguidores. São muito difíceis de ser convencidos. São cultos e cristalizados em seus pontos de vista.

ESPÍRITOS GALHOFEIROS, ZOMBETEIROS

Apresentam-se tentando perturbar o ambiente, seja fazendo comentários jocosos, seja dizendo palavras e frases engraçadas, com a intenção de baixar o padrão vibratório dos presentes. Alguns chegam rindo; um riso que prolongam a fim de tomar tempo, exasperar e irritar os presentes, ou também levá-los a rir.

É preciso muita paciência com eles e o grupo deve manter elevado o teor dos pensamentos e vibrações. Deve-se procurar o diálogo no sentido de torná-los conscientes da inutilidade dessa atitude e de que em verdade o riso encobre, não raro, o medo, a solidão, o desassossego.

ESPÍRITOS LIGADOS A TRABALHOS DE MAGIA, TERREIRO, ETC.

Vez que outra surgem na sessão entidades ligadas aos trabalhos de magia, despachos, etc. Podem estar vinculados a algum nome, a algum caso que esteja sendo tratado pela equipe. Uns reclamam da interferência havida; outros propõem trabalhos mais ‘pesados’ para resolver os assuntos; vários reclamam de estar ali e dizem não saber como foram parar naquele ambiente, pedindo inclusive muitos objetos empregados em reuniões que tais.

O doutrinador irá observar a característica apresentada, fazendo a abordagem correspondente.

ESPÍRITOS SOFREDORES

São os que apresentam ainda os sofrimentos da desencarnação ou do mal que os vitimou. Se morreram em desastre, sentem, por exemplo, as aflições daqueles instantes. Sofrem muito e há necessidade de aliviá-los através da prece e do passe. A maioria adormece e é levada pelos trabalhadores espirituais.”

Com estudo, preparação, trabalho, amor, fraternidade e caridade, será possível o doutrinador espírita buscar a experiência necessária para a execução de uma atividade tão importante na reunião mediúnica de desobsessão.

Bibliografia:

SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas. 3ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

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