Dialogando com Espíritos: enfermagem espiritual libertadora

Continuando a reflexão sobre dialogando com Espíritos, veremos estudos sobre algumas ações de socorro na reunião mediúnica espírita, apoiando-se no livro “Dimensões espirituais do Centro Espírita”, Capítulo 10 – “Enfermagem espiritual libertadora”, de Suely Caldas Schubert, da FEB Editora:

“Dentre as atividades que os benfeitores espirituais realizam durante as sessões mediúnicas, devemos ressaltar aquela que o Espírito Manoel Philomeno de Miranda denomina de ‘enfermagem espiritual libertadora’, pelo seu alcance e importância.

Ensina esse Benfeitor:

‘Ressalvadas outras finalidades expressivas, as sessões práticas ou mediúnicas do Espiritismo assumem, igualmente, a função consoladora, pelo lenir de saudades e diminuir de dores que propiciam, através do abençoado intercâmbio espiritual, não somente das entidades Veneráveis, como daquelas que sofrem, ensinando pela dor a correta vivência do amor… Mas, também, pelo facultar o retorno dos seres amados ao convívio afetuoso, pela palavra oral ou escrita, nas materializações ou nas fortes induções mentais de caráter intuitivo. Escola de bênçãos superiores, a sessão de intercâmbio, é medicação para os Espíritos de ambos os lados da vida, estímulo e prova da sobrevivência, por cujo valioso concurso assumem-se responsabilidades morais e coragem para vencer as vicissitudes do caminho de ascensão…’

Em meu livro, Obsessão/Desobsessão, enfocando o recinto onde são realizadas as sessões mediúnicas de desobsessão, mencionamos ser este o local onde são medicadas mais diretamente as almas e que,

‘é a este ambiente apropriado, revestido de vibrações adequadas e que requer cuidados especiais da Espiritualidade maior, que são trazidos os enfermos do espaço, para receberem o tratamento do amor. Nenhuma outra medicação existe, mais adequada e nem mais bem indicada. As chagas morais; as dores que estão insculpidas no âmago do ser; a tortura do ódio que abrasa aquele que o alimenta; o coração que renegou a Deus e que se apresenta enjaulado dentro de si mesmo; o suicida que se sente morrendo e vivendo em dores superlativas; o infeliz acorrentado às grilhetas do vício; todos, enfim, que representam o cortejo das agonias humanas, só alcançarão alívio e tratamento, resposta e orientação na medicação universal do Amor! (…)’

Para os encarnados tais reuniões são de extrema utilidade, pois ali não somente e colhem ensinamentos, mas, sobretudo, exemplificações, lições vivas que nos marcam profundamente e nos acordam para nossas crescentes responsabilidades, ao mesmo tempo em que nos identificamos com os dramas descritos pelos comunicantes, sentindo que eles são nossos irmãos em Humanidade e que suas dores são também nossas.(…)

‘Os trabalhos desobsessivos são visivelmente úteis aos participantes do plano físico e são também muito valiosos para os desencarnados. André Luiz relata que um número de criaturas, ao abandona r a veste carnal, mostram-se inconformadas com a nova situação que enfrentam e são tomadas de mórbida saudade do ambiente terrestre, ansiando a todo custo pelo contato com as pessoas encarnadas, de cujo calor humano sentem falta. A sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos representa para tais seres a possibilidade de entrarem em contato com os que ainda estão na Terra e de receber destes as vibrações magnéticas de que carecem.’

Em Temas da vida e da morte, Miranda legou-nos esclarecedores ensinamentos ao expor os procedimentos da Espiritualidade, que comumente acontecem quando das sessões mediúnicas.

Após tecer preciosas considerações a respeito de processos de libertação psíquica de espíritos desencarnados que, por falta de entendimento em relação aos valores superiores da vida, permanecem presos por largo tempo, até séculos, a fixações mentais perturbadoras, relaciona os benefícios do intercâmbio mediúnico, no consolo e auxílio mais direto a esses nossos irmãos. Certamente que a maior parte dos atendimentos ocorrem nas áreas de socorro da própria Espiritualidade, que utiliza variadas terapêuticas, nem sempre do nosso conhecimento.

Tudo isto evidencia para nós a solicitude do Criador em favor de todos os filhos, que são amparados e socorridos nas diversas dimensões em que a vida se manifesta. Sob a égide do Pai do Céu, legiões de Espíritos Superiores se movimentam por todo o Universo atendendo a todas as criaturas, em especial as que estão em patamares inferiores, como a nossa Humanidade do planeta Terra, para que o ser humano consiga alcançar estágios mais felizes.

Atentemos para os benefícios do intercâmbio mediúnico:

a) proporcionam aos membros do grupo socorrista lições proveitosas;

b) melhor compreensão da lei de causa e efeito;

c) exercício da fraternidade, possibilitando aos encarnados, ao se sensibilizarem com as dores dos que se comunicam, melhor atenderem os que os cercam, no plano físico, minorando-lhes os sofrimentos;

d) ‘porque o perispírito possui os mesmos órgãos que o corpo físico, quando ocorre o fenômeno da psicofonia, duas ocorrências se dão: 1) durante o acoplamento perispiritual os desencarnados ajustam a sua organização à do médium e volvem ao contato com aqueles que lhes não registravam a presença, não os ouviam, não os viam. Nessa fase podem dar expansão aos sentimentos que os atormentavam, aliviando-se, e, com o atendimento esclarecedor que recebem, modifica-se-lhes o estado íntimo. 2) no intercâmbio natural, ocorre um choque fluídico, pelo qual as forças anímicas do percipiente rompem-lhes a crosta ideoplástica que os envolve e lhes absorvem os vibriões mentais, qual esponja que se encharca, diminuindo-lhes, expressivamente, a psicosfera negativa que respiram, permitindo-lhes o diálogo no qual se dão conta da morte, remorrendo, para despertamento posterior em condições lúcidas que propiciam aos mentores conduzi-los a postos, hospitais de socorro ou escolas de aprendizagem, nos quais se capacitam para futuros cometimentos’;

e) tornam-se possíveis cirurgias perispirituais enquanto ocorre a comunicação bem como outros processos socorristas mais específicos, que visam a beneficiar os que estão presos às reminiscências carnais, por eles vitalizadas com a mente viciada, construindo por si mesmos os próprios sofrimentos;

f) as equipes de encarnados e desencarnados se exercitam na caridade anônima;

g) a possibilidade que têm os espíritos que ainda permanecem em faixas muito baixas do psiquismo, impregnadas de teor venenoso, e que não conseguem sintonizar com os benfeitores da Espiritualidade, conseguirem, através do diálogo com os encarnados, o despertar para uma visão diferente de vida.

Em muitas situações ocorridas nas sessões mediúnicas, temos tido o ensejo de verificar a atuação dos espíritos médicos e enfermeiros, atendendo e medicando os comunicantes e, especialmente quando se apresentam mutilados, desfigurados, os casos de zoantropia, de monoideísmo, como também os que se sentem presos aos sofrimentos dos últimos instantes da vida física.

Convém lembrar que esses nossos irmãos comunicantes, mesmo com todas essas características perispiríticas, recebem, antecipadamente, uma preparação adequada por parte dos Espíritos especializados, a fim de atenuar as suas vibrações maléficas, desarmônicas, que prejudicariam os médiuns que os sintonizassem.

Mencionaremos a seguir algumas manifestações que aconteceram por nosso intermédio, cujos Espíritos comunicantes se apresentavam em grande sofrimento e desfigurados.

Comunicou-se uma entidade que apresentava fisionomia bastante modificada, simiesca, queixo projetado, com pêlos no rosto, nos braços, que se sentia como um animal. Embora com dificuldade para falar, dizia que era um bicho e que não queria sair deste estado, queria permanecer na furna onde estava. O esclarecedor, com muito carinho, procurou trazê-lo de volta à realidade, afirmando ser ele um filho de Deus, um irmão nosso, que merecia ser feliz, ser amado, etc. Depois de certo tempo, diante das argumentações do doutrinador, ele se emocionou e percebeu que desejava ser amado, que desejava uma vida melhor; nesse momento, sentiu que toda a sua aparência se modificava. Observamos a ação espiritual, magnetizando-o, a fim de auxiliar a sua libertação. Outro comunicante trazia as pernas muito grossas, disformes, cobertas de crostas e feridas, pés enormes e inchados, não conseguia mover-se; a certa altura, sob o amparo espiritual, sentiu que toda a crosta se desprendia, à semelhança da casca de uma árvore, e suas pernas e pés voltaram à normalidade.

Um dos Espíritos mais necessitados se apresentou disforme, de tal maneira que é difícil explicar, como se fosse, por comparação, a parte do corpo de um polvo, sem os tentáculos. Passava-me a sensação de estar como que debruçado às minhas costas. Permaneceu poucos minutos, o suficiente para ouvir ou sentir uma prece feita pelo doutrinador. Antes de estabelecer a ligação conosco, o mentor pediu-nos que informasse ao doutrinador qual a situação do Espírito e, que neste caso, só algumas palavras e uma prece. Também recebeu passes durante os breves momentos em que esteve em nosso ambiente. Observamos que ali mesmo foi realizado um processo de tratamento que escapa à nossa compreensão. Um caso como este só aconteceu uma vez em nossa prática mediúnica. Por certo, naquela reunião, todo o grupo esteve em condições de cooperar com a Espiritualidade nesse tipo de socorro.

Tivemos também o ensejo de perceber e dar passividade a Espíritos com forma ovoide, que de certa maneira se assemelham um pouco com este acima citado. A aproximação destes ovoides é desgastante para o médium, havendo necessidade de passes durante o processo de ligação mental; o doutrinador deve proferir algumas palavras de reconforto e uma prece para beneficiá-lo, quando então é encaminhado pelos enfermeiros espirituais. Como é óbvio, tais entidades não têm condições de falar.

A questão da aparência dos Espíritos é abordada pelo Codificador em O Livro dos Médiuns, Segunda parte, cap. VI ‘Das manifestações visuais’, sendo que no item 100, pergunta 30ª, se lê:

Poderiam os Espíritos apresentar-se sob a forma de animais?

Isso pode dar-se; mas somente Espíritos muito inferiores tomam essas aparências. Em caso algum, porém, será mais do que uma aparência momentânea.”

Bibliografia:

SCHUBERT, Suely Caldas. Dimensões espirituais do Centro Espírita. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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