Não julgueis (palestra)

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O texto da palestra

Não julgueis (palestra)

Agradeço ao Grêmio Espírita Atualpa Barbosa Lima pela oportunidade disponibilizada para dirigir a seus frequentadores e realizar esta palestra com o título “Não julgueis”, tendo como referência o texto do livro “O Mestre na educação”, de Pedro de Camargo, conhecido como Vinícius.

Além de referência, o texto de Vinícius empresta o nome para a palestra, em que buscaremos, inicialmente, destacar alguns aspectos dessa base temática para, posteriormente, complementar as nossas reflexões com outros conhecimentos doutrinários espíritas.

“Não julgueis”, de Vinicius

Em seu livro, Vinicius comenta um artigo sobre sentença de júri, no qual o autor alega que os espíritas, em conselho de sentença, costumam absolver os réus.

Declara que, quando juiz de fato, absolve sem arrependimento, pois entende de consciência que os réus deveriam ser absolvidos.

Considera que a absolvição não é incondicional, pois há casos em que, para evitar mal maior, deve-se conservar o acusado recluso, tendo em vista o perigo que representa para a segurança da sociedade.

Assim, não estaria julgando, mas acautelando a coletividade.

Criminosos são pessoas anormais, desequilibradas e enfermas da alma, comparando-os aos doentes com moléstias infecciosas, cuja segregação evita um mal maior. Essa medida é humana e não há outra a tomar.

1º Destaque: Vinicius começa seu texto tratando de julgamentos, sentenças, penas, proteção da sociedade e limitações com medidas de segregação.

Afirma que não há direitos sem deveres. Se a sociedade tem o direito de separar os doentes infecciosos, cumpre a ela também o dever de assistir.

Ressalta que não é o criminoso que se deve combater, mas o crime em suas várias formas. A medicina não combate os enfermos, mas a enfermidade, suas causas e origens.

Comenta que os piores doentes são fruto do ambiente vivido, inferindo que a sociedade influencia no comportamento das pessoas, principalmente diante do grande materialismo reinante nos dias atuais.

Por analogia, os potenciais criminosos precisariam ser educados mediante a higiene do ambiente social, principalmente das falhas de caráter e dos distúrbios de ordem moral para prevenir o vício e o crime.

Nesse contexto, propõe duas medidas: educação individual e saneamento do ambiente.

2º Destaque: a sociedade tem a responsabilidade e o dever de combater os vícios e crimes por meio da educação e do saneamento do ambiente social para que haja uma mudança de comportamento.

Vinícius questiona: “Julgar? Quem somos nós para julgar nossos irmãos, se todos somos réus no tribunal de nossas consciências?”

3º Destaque: embora também sejamos réus e devedores perante a justiça divina, no contexto da justiça humana, em certas circunstâncias, poderemos ser convocados a julgar os nossos semelhantes e a dar uma sentença.

Constata que os códigos penais necessitam ser reformados, sugerindo medidas educativas ao invés de somente focar as penas.

Não se deve penalizar o corpo físico, mas atribuir ao Espírito a responsabilidade pelos atos praticados.

2º Destaque: a sociedade tem a responsabilidade e o dever de combater os vícios e crimes por meio da educação e do saneamento do ambiente social para que haja uma mudança de comportamento.

Vinícius questiona: “Julgar? Quem somos nós para julgar nossos irmãos, se todos somos réus no tribunal de nossas consciências?”

3º Destaque: embora também sejamos réus e devedores perante a justiça divina, no contexto da justiça humana, em certas circunstâncias, poderemos ser convocados a julgar os nossos semelhantes e a dar uma sentença.

Constata que os códigos penais necessitam ser reformados, sugerindo medidas educativas ao invés de somente focar as penas.

Não se deve penalizar o corpo físico, mas atribuir ao Espírito a responsabilidade pelos atos praticados.

A vida social, a evolução da justiça humana e suas limitações

A vida social faz parte da natureza humana, pois necessária para o progresso de todos.

Desde os tempos primitivos, os seres humanos viviam em grupos.

Para sobreviver, o homem juntava-se aos outros para aquecer, caçar, proteger, preservar a espécie e obter realização pessoal.

Naqueles tempos, prevalecia a lei do mais forte.

Com a intensificação dos relacionamentos interpessoais, regras de convivência social começaram a ser estabelecidas para limitar certas condutas.

Progressivamente, a lei do mais forte foi substituída por outras regras apoiadas em valores morais.

A justiça humana e sua evolução

Nesse sentido, as leis e a justiça humana acompanham o progresso das civilizações e, com o passar do tempo, foram se modificando.

Com a evolução da Humanidade, as penas cruéis, tais como crucificação, forca, fuzilamento, guilhotina, chibatadas, dentre outras, cederam para penas mais brandas, sem a necessidade de se eliminar a vida do criminoso.

Mesmo com esses avanços, as leis e a justiça humana sempre necessitarão de aperfeiçoamentos, porquanto elas são imperfeitas, temporárias e limitadas.

Convém ressaltar, também, que a justiça humana, como instrumento de prevenção a delitos e crimes, tem um longo caminho a percorrer diante da dificuldade em educar e mudar o comportamento de potenciais infratores e criminosos para uma convivência harmônica em sociedade.

Nessa direção, inovações foram introduzidas na justiça, tais como: medidas cautelares, medidas socioeducativas, penas restritivas de direitos, penas alternativas, educação no sistema prisional, dentre outras.

Para a educação do preso, visando a liberdade e a reintegração na sociedade, muito se tem debatido no sentido de implementar ações mais efetivas para enfrentar as realidades de segregação, exclusão e invisibilidade.

Paralelamente à justiça, diversos órgãos, organismos, programas e projetos sociais têm buscado contribuir com ações e medidas de educação e prevenção, principalmente na infância e na juventude, para que os jovens, desde cedo, sigam o caminho do bem, afastando-os da delinquência.

Grandes avanços se têm obtido nessa área, mas ainda insuficientes.

Higiene do ambiente social

Ao falar de higiene do ambiente social, destacamos a educação dos filhos no contexto familiar, em que tantas informações penetram os lares, influenciando os seus desenvolvimentos, sendo que eles precisam de bons exemplos e valiosos ensinamentos para as suas vidas.

Educar os filhos não é tarefa fácil, pois exige cuidado, atenção, respeito, carinho, afeto, correção, orientação, exemplo e amor, mas sobretudo porque eles necessitam de aprendizado edificante para formar seus caráteres e suas personalidades para a idade adulta.

As escolas instruem suas inteligências, mas dificilmente se encarregarão pela edificação da alma, enobrecendo os seus sentimentos morais. Ninguém poderá substituir os pais na educação do coração.

Por conseguinte, é de suma importância a influência dos pais na educação dos filhos durante a infância para a construção de seus futuros, tornando-os fontes de nobres sentimentos em suas relações sociais, sendo pessoas de bem.

Se os pais não ensinam, a sociedade se encarrega de educar e ensinar os seus filhos.

Não podemos deixar os filhos entregues às circunstâncias da vida, pois temos deveres e responsabilidades para com esses pequeninos que Deus nos confiou.

A educação no lar tem por finalidade estimular os filhos a adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades e evidenciar virtudes edificantes que os capacitem em atividades construtivas, proporcionando benefícios a si mesmo e seus semelhantes.

Deve-se incentivar os filhos para atividades cooperativas, por mais simples que sejam, pois elas educam a mente para o desenvolvimento de qualidades nobres da personalidade.

Com esses estímulos, os filhos são motivados a serem solidários em pequenas tarefas dos afazeres domésticos.

Além de educar a alma, incutem neles os sensos de obediência, organização e cooperação. Eles precisam encontrar nos pais bons orientadores.

Educar os filhos, na infância e na adolescência, facilitará as suas formações para a idade adulta. Deixando passar essa oportunidade, mais difícil será eles assimilarem as boas condutas em suas vidas no futuro.

O Espírito Neio Lúcio, em “Jesus no lar”, ensina:

“O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. (…) O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.” (A escola das almas)

“O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. (…) A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos.” (O culto cristão no lar)

O Espírito Emmanuel, em “Família”, esclarece: “O lar é o porto de onde a alma se retira para o mar alto do mundo, e quem não transporta no coração o lastro da experiência dificilmente escapará ao naufrágio parcial ou total.” (Em Família)

As limitações da justiça humana

Mas a justiça humana sempre terá limitações em relação à justiça divina.

Haroldo Dutra Dias, em uma palestra sobre “Justiça divina e justiça humana”, exemplifica algumas limitações da justiça humana.

Comenta que, quando pensamos na justiça divina, ela conta com elementos, recursos e objetivos que a justiça humana não possui e tampouco trabalha.

Haroldo cita alguns exemplos, tais como: familiares assassinados; e vítimas de amputações em atropelamentos por motoristas embriagados.

Haroldo pergunta:

A prisão do autor do crime equilibrará em que a dor da família? Como a justiça ressarce a vítima assassinada? O que a justiça dá para a mãe que perdeu seu filho? Ressuscita? Dinheiro? Quanto vale o filho? Quanto vale uma perna amputada? Reparar como?

Questiona: Que elementos a justiça humana põe na mão de um juiz? Um processo e uma pena.

O assassino foi preso e a sociedade protegida, porque esse assassino não tem condições de viver em sociedade.

Foi feita a justiça? Integralmente não; somente parcial.

O trabalho da justiça humana é de contenção, um trabalho auxiliar, mas ele não resolve as questões fundamentais, como dos exemplos anteriores.

Assim, Haroldo Dutra constata que a atuação do ser humano na justiça possui limites.

Dito isso, a seguir, vamos discorrer como a justiça divina, segundo a Doutrina Espírita, educa e conduz a reparação das faltas cometidas, renovando e regenerando o Espírito infrator das leis de Deus.

As leis de Deus, divinas ou morais

A compreensão das leis de Deus tem diferentes interpretações religiosas.

Para a Doutrina Espírita, Deus é inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Logo, há um princípio inteligente regendo tudo que existe.

As leis divinas, que regem o Universo, são perfeitas, imutáveis e infinitas.

A elas todos estão sujeitos, sendo que nada ocorre sem a permissão de Deus.

O poder divino é exercido na infinidade de mundos. Por ação e providência divinas, tudo se encadeia e é solidário: nada é por acaso.

Deus é amor e tudo foi criado por amor. O amor puro é reflexo do Criador, que fundamenta a vida e a justiça de toda a Lei.

A Codificação Espírita esclarece sobre várias leis divinas, ou morais, das quais citaremos algumas delas relacionadas a esse tema.

Lei do progresso

Os mundos e seus habitantes estão sujeitos à lei do progresso, cuja evolução é infinita e inevitável.

Pela Doutrina Espírita, os Espíritos são permanentemente criados por Deus, simples e ignorantes, e suas existências não têm fim. Da criação, o Espírito começa a sua evolução na busca da perfeição em pluralidade de existências.

O Espírito não se conserva na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a providência divina lhe destinou.

Contudo, o progresso moral nem sempre acompanha o intelectual, mas, em certo momento, os dois progressos se encontrarão, tornando melhor compreensíveis o bem e o mal.

O atual progresso da Humanidade representa um esforço evolutivo de milênios.

Assim, ninguém escapa da lei do progresso e cada um será recompensado segundo as suas obras e os seus merecimentos.

Lei da liberdade

Deus dá ao Espírito o livre-arbítrio, a liberdade de escolher, deixando-lhe a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem. A liberdade para decidir ou agir conforme a sua consciência e vontade.

O ser humano é dono da sua vida e do seu destino.

Porém, essa liberdade é relativa, pois convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar o mesmo direito em cada um de seus semelhantes. A liberdade de uma pessoa termina onde começa a liberdade do outro.

A compreensão da lei de liberdade faz perceber que, para progredir, precisamos uns dos outros, com direitos recíprocos a serem respeitados, em que qualquer prejuízo provocado ao semelhante, em decorrência dos nossos atos, não ficará impune perante a lei de Deus.

Para tanto, é preciso que as escolhas entre o bem e o mal sejam livres. Sem o livre-arbítrio não há responsabilidade.

Lei de causa e efeito

A lei de causa e efeito relaciona-se com a justiça, a bondade e a misericórdia divinas.

Pela justiça divina, todo bem ou mal praticado é rigorosamente considerado, sendo que as faltas cometidas e os males realizados são dívidas que deverão ser pagas, assim como toda ação meritória é computada para o progresso moral e espiritual. Aos olhos de Deus, nada passa desapercebido.

Assim, há uma relação de causa e efeito entre o mal praticado e a dor e o sofrimento que atingem os seres humanos depois.

Se a causa não se encontra na vida presente, deve se achar antes desta, porque a causa deve preceder ao efeito. Há necessidade de a alma ter vivido para que possa merecer uma expiação.

Pela bondade divina, não há pena eterna, pois o Pai sempre deixa uma porta aberta para o arrependimento e a regeneração do Espírito.

Pela misericórdia divina, todas as aflições e todos os sofrimentos encontrarão consolo na vida futura.

Os mecanismos da lei de causa e efeito conduzem à reeducação e à regeneração moral e espiritual, encaminhando o ser para novas experiências, visando reparar os erros cometidos no passado.

As provas e expiações são meios de educar e agentes de progresso, em que a alma deve conquistar todos os elementos e atributos para se libertar dos sentimentos inferiores, renovar-se e alcançar a verdadeira felicidade, mas para isso precisa dos obstáculos, das exigências e das duras lições que provoquem esforços e formem a experiência necessária para atingir a meta evolutiva.

Logo, há que passar pelas provações e expiações, da luta do bem contra o mal dentro do próprio íntimo, para se adquirir a conscientização necessária.

Lei de justiça, amor e caridade

“A Verdade é Luz. Entretanto, o Amor é a própria Vida.” (Emmanuel. Verdade e amor)

Amor e caridade (amor em ação) são complementos da lei de justiça.

A caridade, como a entendia Jesus, é benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.

A caridade abrange todas as relações que temos com os nossos semelhantes, sejam eles inferiores, iguais ou superiores.

O homem de bem pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua pureza, sendo esta a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras.

A educação e a regeneração do Espírito infrator das leis de Deus

A reencarnação

A reencarnação é o principal recurso divino de educação e regeneração do Espírito, tendo como objetivo a busca da perfeição, em que todos chegarão a esse estágio evolutivo, cedo ou tarde.

Para tanto, Deus faculta, em pluralidade de existências, os meios de alcançá-la, proporcionando as provações e as expiações da vida corporal.

O processo evolutivo de educação e renovação do Espírito é longo, em que uma existência é insuficiente para se reparar as faltas praticadas.

A doutrina da reencarnação é a única que corresponde à ideia da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior.

A única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, oferecendo meios de resgatarmos os erros do passado.

Pela reencarnação, abrem-se novas oportunidades de aprendizado e renovação, propiciando impulsos evolutivos significativos, cujos benefícios indicam a manifestação da justiça e da misericórdia divinas, que não condenam o Espírito infrator ao sofrimento eterno.

As faltas que os seres humanos dão causas, como consequência dos vícios, das imperfeições, do atraso moral, da invigilância e da ignorância das leis de Deus, terão como efeitos existências educativas e corretivas em reencarnações mediante provas e expiações relacionadas às faltas praticadas.

Num planejamento reencarnatório, forças superiores impelem uns para com os outros para cumprir as ações da providência divina.

Assim, vítimas e algozes do passado poderão se encontrar em uma nova existência para os devidos ajustes, reajustes, reparações e reconciliações.

Aquisições de virtudes

As virtudes não são concessões divinas, um dom ou uma graça fornecida por Deus a alguns Espíritos.

As aquisições de virtudes são conquistas individuais, alcançadas por meio de provações e aprendizados construtivos em sucessivas experiências vividas, exigindo esforço, persistência e firmeza de propósitos.

A aquisição de um valor moral leva à conquista de outro, e assim por diante, até que o indivíduo se transforme em uma pessoa de bem.

As virtudes são desenvolvidas pelo Espírito em suas vivências tanto na Terra como no plano espiritual.

Retornando à encarnação, o Espírito passa pela fase de infância que lhe oferece as melhores condições para adquirir e desenvolver virtudes.

A repetição dos bons atos, em nova reencarnação, tem o poder de desenvolver valores morais.

Assim, a aquisição e o desenvolvimento de virtudes são desafios para superar as próprias imperfeições e os impulsos dominadores das paixões inferiores.

O tempo espiritual

O tempo espiritual é outro recurso divino para a regeneração do Espírito.

Diante da eternidade, o tempo terrestre tem consequência material, contudo há o tempo espiritual como instrumento de evolução rumo à perfeição.

Vivemos o tempo material em uma existência para evoluirmos pelo tempo espiritual na conquista dos bens celestiais para a vida eterna.

A educação e a regeneração do Espírito demandam trabalho, disciplina, esforço incessante, resignação, luta contra as próprias imperfeições e, principalmente, estar vigilante para os defeitos e ter foco na tarefa de melhorar.

O tempo a todos ensina sem pressa. Há tempo de semear, germinar, desenvolver, amadurecer e dar bons frutos. Com as próprias experiências aprendemos e evoluímos.

Deus espera o tempo que for preciso para o nosso progresso.

Haroldo Dutra Dias, naquela palestra, sobre o tempo, disse:  o tempo desgasta e transforma tudo. Todas as imperfeições estão sujeitas ao tempo. O tempo corrige e transforma os seres.

Você vai ser perfeito, não tem saída.

A reencarnação e o tempo são instrumentos sublimes de Deus que operam em nossas vidas e nos destinos, reparando e harmonizando tudo do passado.

O tempo opera a favor de quem deseja reconstruir; e a expiação, por intermédio da reencarnação, tem por objetivo o melhoramento progressivo da Humanidade.

Isso se chama evolução espiritual, que a justiça humana não tem esse recurso, somente a justiça divina.

Conclusão

O texto “Não julgueis”, de Vinícius, traz importantes reflexões relacionadas à responsabilidade e ao dever da sociedade e da justiça humana no combate aos vícios e aos crimes, por meio da educação e do saneamento do ambiente social para que haja uma mudança de comportamento na sociedade.

Mesmo com os avanços já alcançados, as leis e a justiça humana sempre necessitarão de aperfeiçoamentos, pois elas são imperfeitas, temporárias e limitadas.

A justiça humana, como instrumento de prevenção a delitos e crimes, tem um longo caminho a percorrer diante da dificuldade em educar e mudar o comportamento de potenciais infratores e criminosos para uma convivência harmônica em sociedade.

Isso porque as leis humanas somente atingem certas faltas e as pune, incidindo especialmente sobre as que trazem prejuízo à sociedade.

Assim, a sociedade tem buscado soluções com ações e medidas de educação e prevenção para que jovens, desde cedo, sigam o caminho do bem, afastando-os da delinquência. Mas estas iniciativas ainda são insuficientes.

Contudo, ressalta-se que a higiene do ambiente social também tem ação na família com a educação dos filhos.

Nas condições de pais e filhos, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos. Na família, abrem-se as portas da renovação para construir um novo porvir.

O lar é o santuário em que a bondade divina nos situa; e dentro dele recebemos o primeiro mandato de serviço cristão.

Da ação renovadora, o filho estampará os próprios ideais e impulsos, plasmando um novo modo de ser.

Aprendendo a amar os familiares, o ser humano exercita o sentimento de amor que leva a expandi-lo para amigos e próximos.

A família é o alicerce da sociedade, assentando a base da harmonia dos povos.

Como vimos, pela Doutrina Espírita, a reencarnação é o principal recurso de educação e regeneração do Espírito, tendo como objetivo a busca da perfeição, em que todos chegarão a esse estágio evolutivo, cedo ou tarde.

Para tanto, Deus faculta, em pluralidade de existências, os meios de alcançá-la, proporcionando as provações e as expiações da vida corporal.

Contudo, o processo evolutivo de educação e renovação do Espírito é longo, em que uma existência é insuficiente para se reparar as faltas praticadas.

Pela reencarnação, abrem-se novas oportunidades de aprendizado e renovação, propiciando impulsos evolutivos significativos, cujos benefícios indicam a manifestação da justiça, da bondade e da misericórdia divinas, que não condenam o Espírito infrator ao sofrimento eterno.

Deus espera o tempo que for preciso para o nosso progresso, pois todas as imperfeições estão sujeitas ao tempo. O tempo corrige e transforma os seres.

Descortina-se, no horizonte, o amanhecer reluzente de novas vibrações emanadas dos seres em evolução a caminho da perfeição, tendo Jesus como modelo e guia.

Limpando a janela evolutiva, visualizamos os sinais dos tempos marcados pela providência divina que foram anunciados pelo Mestre Jesus, abrindo uma nova era de regeneração da Humanidade: da Era da Matéria para a Era do Espírito, do amor, da solidariedade e da fraternidade universal.

A época atual é de transição, transformação e renovação, em que o novo substituirá o velho, sendo que ela será toda moral sem se afastar das leis da Natureza.

Será uma transformação coletiva pela sinergia de todos mediante a predisposição de querer melhorar moralmente, colocando os Espíritos em condições de suportar a parte que lhes tocam na obra da criação.

Cada Espírito é instrumento de harmonia com a matéria essencial do planeta, a fim de cumprir as ordens do Criador. Concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta. A ação dos seres corpóreos é necessária para a marcha do Universo. Pela Lei da Providência, tudo se encadeia e é solidário na Natureza. Este é o movimento que acontece neste momento e que deve realizar a remodelação da Humanidade.

Que possamos dar mais um passo a caminho da regeneração da Humanidade, operando e preparando o reino de Deus na Terra, pelo acolhimento das oportunidades abençoadas e pelas ações no sentido de elevarmos as vibrações no nosso planeta, tornando-o uma morada mais digna para as futuras gerações.

Que no novo Céu e na nova Terra, as almas sofredoras redimidas encontrem o consolo prometido pelo Mestre Jesus e libertem-se das paixões desordenadas e dos sentimentos inferiores que as sufocam.

Bibliografia

DIAS, Haroldo Dutra. Justiça divina e justiça humana. Disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=p7k_zqDvBm8. Palestra realizada em Maryland, nos EUA, em 26 de março de 2018. Acessado em: 30 de abril de 2022.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O Céu e o Inferno. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Médiuns. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

VINÍCIUS. O Mestre na educação. 10ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2022.

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