Ao aproximar o mês de maio, pensava a respeito do amor de mãe, não tão somente no âmbito humano como também animal. O sentimento de amor para com os filhos, filhotes ou crias.
Refletindo sobre a origem e os fundamentos do amor maternal, realizei uma pesquisa na literatura espírita para entender essa fonte amorosa de energia e vida.
Inicialmente, destaca-se que Deus é amor e tudo no Universo foi criado pelo fluido cósmico universal do amor divino. Logo, amar é lei da Natureza e o amor é atributo inseparável da vida dos seres vivos, pois todos eles amam e têm necessidade de serem amados.
Se amar é lei da Natureza, esse sentimento provém de Deus, como expressou João na Primeira Epístola (1 João, 4: 7-8): “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus é amor.” João afirmou que Deus é amor e a capacidade de amar revela a origem divina.
Das formas infinitas de amor, princípio da vida universal, focaremos o amor maternal em que a genitora cuida do seu filho como se fosse parte de si mesma.
Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, interessou-se por esse tema, na questão 890, ao perguntar: “Será uma virtude o amor materno, ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais?”
A resposta é: “Uma e outra coisa. A Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse amor se limita às necessidades materiais; cessa quando desnecessários se tornam os cuidados. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo. Bem vedes que há nele coisa diversa do que há no amor do animal.”
A resposta à questão 773 esclarece: “Os animais vivem vida material e não vida moral. A ternura da mãe pelos filhos tem por princípio o instinto de conservação dos seres que ela deu à luz. Logo que esses seres podem cuidar de si mesmos, está ela com a sua tarefa concluída; nada mais lhe exige a Natureza. Por isso é que os abandona, a fim de se ocupar com os recém-vindos.”
Assim, o amor materno é lei da Natureza pelo sentimento instintivo de predisposição inata da mãe no interesse pelas ações de conservação, sobrevivência e proteção dos filhos por sua vida material e será virtude à medida que se pratica, desenvolve e adquire os atributos morais desse tipo de sentimento, em especial com devotamento e abnegação.
Importante recordar que as aquisições de virtudes são conquistas do Espírito pelas oportunidades de progresso mediante provações necessárias para a sua evolução moral e espiritual. Por isso a resposta da questão 890 acrescenta: “Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo”.
Nesse contexto, será fundamental distinguir amor maternal como sentimento instintivo de conservação e proteção dos filhos do amor maternal como virtude moral a ser conquistada mediante a semente divina lançada no coração da mãe que cria laços espirituais e prendem as almas pelo amor, pois desses entendimentos decorrem as reflexões necessárias a respeito desse assunto.
Isso porque a ação de transformação moral do Espírito será com trabalho, esforço, perseverança e vigilância permanentes, a fim de corrigir o rumo no caminho do bem e do amor fraterno universal.
Logo, o amor maternal se expressa de diversas formas até praticar o verdadeiro amor para com seus filhos.
Amor materno
O Espírito Miramez, no livro “Filosofia espírita”, na psicografia de João Nunes Maia, Volume XVIII, Capítulo 23 – Amor materno, comenta a questão 890 de “O Livro dos Espíritos”:
“O amor materno é semente divina lançada no coração da mãe, para que ela possa cuidar com mais eficiência dos seus filhos. No entanto, a razão vem nos alertar para que não possamos traduzir esse amor em apego, comumente visto em demasia em alguns pais.
Os animais têm esse amor, na dimensão dos instintos, porém, quando se não faz mais necessário, eles o esquecem, entregando os filhotes à natureza e, certamente, aos Espíritos que cuidam dos animais em todas as suas sequências de vida. Nas criaturas humanas, esse amor avança mais e por vezes ultrapassa o túmulo, e mesmo várias reencarnações, principalmente na personalidade da mãe, onde o coração responde a todas as ansiedades no que tange ao amor materno, às vezes com uma grande mistura de apego desnecessário. Mas, a vida vai lhes ensinando que todos somos irmãos. O amor do animal é instinto; o da mãe, alcançou outra dimensão de vida.
A lei da reencarnação é uma escola de equilíbrio. Enquanto em uma vida abraçamos como filhos certa quantidade de companheiros, em outra isso já podemos mudar e termos outros, como também podemos passar a ser filha ou filho em vez de mãe ou em vez de pai. Essas mudanças têm a finalidade de educar os Espíritos, no que se refere ao amor.
Nem tanto quanto o animal, nem quanto o homem, mais tarde a intuição feminina vai vigorar e fazer compreender o coração até onde ele pode ir com o amor maternal, para que se torne verdadeiro amor universal, como de Deus para a humanidade. Devemos sempre, nestas horas, buscar Jesus para compreendermos o que e quando devemos amar ajudando.
Meditemos em Lucas, no capítulo vinte e um, versículo trinta e três, que assim anotou: Passará o céu e a Terra, porém as minhas palavras não passarão.
As palavras de Jesus, no que se refere à educação dos povos, não passaram. Quando Ele estava na Terra, a serviço de Deus, e Sua mãe e irmãos O buscaram, como foi a Sua resposta? O amor aos pais mudou para o amor a Deus sobre todas as coisas.
O amor dos pais se limita às necessidades, enquanto o de Deus é sem limite, por sermos todos iguais, na igualdade do amor que nos criou. O amor materno, consciente, e o instintivo do animal têm a mesma fonte, porém, se expressam de formas diversas, de acordo com as necessidades de quem precisa dele. Deus atende a todos com o mesmo amor, só que cada um recebe o que precisa receber, na pauta da sua própria vida.
A mãe de amanhã vai reconhecer o verdadeiro amor para com seus filhos, porque ele, além das necessidades, prejudica e cria dificuldades para o filho, que deve aprender muitas coisas a sós, sem a intervenção dos pais.
No mundo espiritual, notam-se muitas mães sofrendo com as lições que os filhos devem aprender, desejando, e mesmo pedindo, para que eles não sofram o que eles mesmos criaram, embora eles precisem passar por determinados testemunhos. Por vezes, elas são retiradas de perto dos seus tutelados, para que eles sejam eles mesmos. No entanto, os pais, nos mundos elevados, não interferem nas provas dos filhos; apenas insuflam ânimo nos seus corações para que passem por todos os infortúnios com coragem. Esses pais são felizes, vendo seus filhos vencerem todas as dificuldades do caminho.”
Amor maternal humano e animal
O Espírito Miramez, no livro “Filosofia espírita”, na psicografia de João Nunes Maia, Volume XVI, Capítulo 08 – Laços de família, comenta a questão 773 de “O Livro dos Espíritos”:
“Não se pode comparar a vida entre os animais irracionais com a raça humana; a diferença é muito grande. A distância entre as duas espécies é enorme, capaz de se perder na idade do tempo.
Na vida dos animais, o cuidado dos pais para com os filhos é breve. Toda aquela ternura se dá pela força do instinto de conservação. Depois dos filhotes crescidos, a mãe os abandona, por não terem mais necessidade dos cuidados da família. Já no que se refere à família humana, é bastante diferente, pelos laços morais dos seres humanos, que prendem as almas pelo amor.
Devemos considerar que esses laços, no plano espiritual, devem se estender a todas as criaturas, por serem eles universais, tanto no seio dos que formaram família na Terra, como dos que participaram de outros grupos familiares. Pelo processo das vidas dos grandes personagens, notar-se-á que o amor deles se estende a toda a família humana, bem como, e certamente, a todas as coisas. O animal cuida dos filhos por instinto de conservação, instinto esse disseminado em todos os seres, até mesmo no ser humano. São laços invisíveis, mas poderosos, que, se bem estudados, veremos que prendem toda a criação de Deus, com nomes diferentes.
Ninguém tem força para desligar os laços de família, essa sustentação invisível que faz agrupar as criaturas e fazê-las entender sobre a necessidade do amor. Quem tentar provar que tais laços não são importantes, será tido como falso profeta da erraticidade e mesmo entre os encarnados como médiuns. Mas, para isso, o Evangelho já nos advertiu que deveremos orar e vigiar.
Vamos meditar nas palavras do Mestre, registradas em Mateus, no capítulo sete, versículo quinze: Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas, por dentro, são lobos devoradores.
A união familiar é o alicerce da vida na Terra. É dela que nasce o amor, manifestando a segurança dos filhos; é, pois, a primeira escola moral da criatura de Deus. Mesmo os materialistas não desejam derrubar a sociedade familiar, pois eles, igualmente, vivem em família e conhecem a força do conjunto em todas as coisas.
A família é a célula da humanidade, e para nos mostrar essa verdade, observemos os animais, que vivem juntos em todos os reinos, mostrando-nos, de forma rudimentar, essa segurança de troca de valores, mesmo que vibrem em outra faixa de vida.
Certamente que depois da morte, os laços de família crescem, por se dar a fusão de todas as almas vivendo em um só lar, o Universo. Isso, para os Espíritos que já se libertaram, por terem conhecido a verdade. O Espiritismo, com a mensagem cristã renovada, desobstruída, nos mostra o valor do Cristo em nossos caminhos. Ele, o Mestre, foi e será sempre o nosso Guia, por conhecer todas as coisas sobre a nossa vida. Ele nos avisa antecipadamente dos perigos que possam nos ameaçar no correr da nossa existência.
Quando percebemos um animal cuidar, e cuidar bem, dos seus filhos recém-nascidos, nós nos sentimos emocionados, por ver e sentir Deus se manifestando em todas as coisas, principalmente neles e em nós. Como explicar essa manifestação? A explicação é de acordo com o plano de vida que levamos.
Não devemos desligar os laços de família e, sim, aprimorados cada vez mais, para a nossa própria segurança. É o exemplo que devemos transmitir para as futuras gerações.
Se os animais abandonam seus filhos quando crescidos não é porque acabou o princípio do amor dentro deles, pois essa força de vida nunca acaba; é pela necessidade de começar novos cuidados com outros que devem vir. Assim, os laços ficam para a eternidade transformando-se no melhor.”
As funções da mulher
Outro aspecto relaciona-se às funções da mulher como mãe dentro do propósito divino de perpetuar a espécie humana e alimentar com amor os filhos nas primeiras lições de vida.
Na questão 820, Kardec comenta: “Deus apropriou a organização de cada ser às funções que lhe cumpre desempenhar. Tendo dado à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções maternais e com a fraqueza dos seres confiados aos seus cuidados.”
Na questão 821, a respeito das funções da mulher destinadas pela Natureza, Kardec pergunta se estas “terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem”. A resposta é: “Sim, maior até. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.”
O Espírito Miramez, no livro “Filosofia espírita”, na psicografia de João Nunes Maia, Volume XVII, Capítulo 05 – Funções da mulher, comenta a questão 821 de “O Livro dos Espíritos”:
“As funções da mulher são grandiosas, por vezes até maiores que as do homem, pois é ela que gera filhos na sua intimidade, alimentando-os com o seu amor.
A geração de um filho, pode-se dizer que é a maravilha das maravilhas. Quem não vê Deus neste fenômeno, é cego, por não querer examinar os processos da vida. Isso é a manifestação da própria Divindade dentre os seres encarnados, que opera nos animais, nas aves e mesmo no reino vegetal, em se observando os frutos e as flores.
A função da mulher no lar é divina, mesmo tendo expressão humana. Quando se diz que a mulher é parte fraca, é por força de expressão; diante do corpo do homem, é um complexo humano aprimorado que o futuro espera para grandes realizações. Não se quer aqui desprezar o seu companheiro, que ocupa na vida funções grandiosas também; cada um no seu lugar, onde Deus põe as criaturas para a correalização de muitas coisas, buscando sua própria paz. Se Deus fez o homem e a mulher, qual de nós poderemos menosprezar a vontade do Criador? A razão do Espírito tem pouco alcance no que tange à verdade. Somente Deus sabe de tudo; sendo onisciente e onipresente, gera a vida sem erro.
Os seres humanos têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; são dotados de muitos sentidos, mas dormem pela ignorância, por isso não se interessam pela verdade. Os que sabem mais um pouco, reconhecem com isso que nada sabem ante a presença do Criador. A humanidade se encontra caminhando para melhores dias em tudo, até e mesmo no que se refere ao aperfeiçoamento do instrumento físico, que ainda deixa muito a desejar, quando o comparamos ao de um mundo altamente evoluído; no entanto, o corpo de carne na Terra é uma bênção de Deus, instrumento divino para o aperfeiçoamento das almas.
Em João, capítulo seis, versículo quarenta e oito, se vê narrado assim: Eu sou o pão da vida.
Mas, como encontrar esse pão da vida, para que não tenhamos mais fome? Somente a reencarnação pode nos despertar para essa procura, porque as provações despertam as criaturas para tais interesses. Jesus é o pão da vida, mas como encontrar Jesus? É pelas vidas sucessivas, pois, por elas, recordamos e fixamos na consciência o que a teoria nos ensinou no mundo espiritual. Não podemos esquecer que foi a Doutrina Espírita que mais explicou e revelou essa verdade aos homens que, conscientes dela, entendem a libertação física mais próxima do Pão da Vida, que se aproxima mais de nós, a saciar a nossa fome.
Se a mulher é que dá aos homens as primeiras noções de vida, ela merece o respeito de todos e a devida atenção para cumprir ainda melhor sua missão, que beneficiará a todos.
Nós, do plano espiritual, falando às mulheres, tornamos a dizer que elas são o ponto alto para nós, onde poderemos derramar os elevados conceitos no silêncio para os seus corações sensíveis, e que possam direcionar todos eles para a educação daqueles que as rodeiam. Que não percam a paciência, pois ninguém perde em ser dócil aos ensinamentos de Jesus. Preparem-se para os dias de amanhã, onde os próprios homens enriquecerão seus valores na condição de companheiros e irmãos na mesma jornada, e que o terceiro milênio seja abençoado por Deus pelos canais de Jesus Cristo, para que a Terra seja o paraíso prometido e esperado pelos homens de fé. No entanto, isso é conquista de todas as criaturas reunidas.
Que Deus abençoe o homem e a mulher, para que os dois se tornem um.”
Mães que odeiam os filhos
Na questão 891, em “O Livro dos Espíritos”, Kardec pergunta: “Estando em a Natureza o amor materno, como é que há mães que odeiam os filhos e, não raro, desde a infância destes? A resposta é: “Às vezes, é uma prova que o Espírito do filho escolheu, ou uma expiação, se aconteceu ter sido mau pai, ou mãe perversa, ou mau filho, noutra existência. Em todos os casos, a mãe má não pode deixar de ser animada por um mau Espírito que procura criar embaraços ao filho, a fim de que sucumba na prova que buscou. Mas, essa violação das leis da Natureza não ficará impune e o Espírito do filho será recompensado pelos obstáculos de que haja triunfado.”
O Espírito Miramez, no livro “Filosofia espírita”, na psicografia de João Nunes Maia, Volume XVIII, Capítulo 24 – Mães que odeiam os filhos, comenta a questão 891 de “O Livro dos Espíritos”:
“Existem algumas mães que odeiam os filhos, como filhos que não toleram as mães, porém, são poucos os casos. Existe de tudo na Terra, entre os desencarnados, pela faixa espiritual em que ela vive.
A humanidade se encontra em estado de urgência para buscar melhores entendimentos sobre as leis naturais, e ao passar por esse período, podem acontecer coisas, cuja fonte principal é a ignorância. Jesus foi a bênção de Deus para a humanidade que sofria. Ele traçou o caminho e mostrou os roteiros pelos quais a humanidade deveria trilhar com segurança.
O Evangelho foi a luz, para os que se encontravam nas trevas. É certo, há demora de assimilação dos preceitos divinos e, para tanto, o Mestre é dotado de muita paciência, mas Ele nunca deixa de nos ensinar como compreender os mandamentos, que resumiu em dois.
As mães que odeiam seus filhos, ainda são Espíritos que dormem em relação ao amor, e os filhos que maltratam seus pais se encontram nas trevas dos entendimentos superiores. Entretanto, não estão perdidos, pois o tempo lhes vai mostrando a realidade. A vida constitui uma semeadura; ao colhermos o que plantamos, a razão nos fala que não nos convém a violência, a maldade, o ódio, o ciúme, o orgulho e o egoísmo. Às vezes, pelo passado incorrigível do filho, ele escolheu a mãe que lhe seria própria, para a educação dos seus instintos grosseiros, e vice-versa; todavia, a própria vida nos vai moldando todos os dias e mostrando que só o amor vale a pena ser cultivado, em todos os ângulos da vida.
A mãe má não é um Espírito bom; ela é escolhida de conformidade com o filho e com aquilo que ele deve passar, temperando seus sentimentos e mostrando nele os pontos a serem modificados. Deus conversa no silêncio com todos nós, pelos fios da natureza, e nós O ouvimos pela consciência.
Se o filho é odiado, seus sofrimentos, passados com paciência, não ficarão em vão. Deus o recompensará, aliviando o seu fardo. Todo trabalhador é digno do seu salário, e antes dos pais do mundo material, nós todos já tínhamos o verdadeiro Pai: Deus.
Mesmo que os pais não cuidem moralmente dos filhos, existe o Pai do Céu, que nunca deixa órfãos Seus filhos. Mesmo que os pais sofram pela conduta dos filhos, eles, igualmente, são filhos de Deus. Ninguém se encontra desamparado da bondade do Senhor.
Lucas nos informa, no capítulo vinte e um, versículo trinta e quatro, essa advertência de Jesus para fortalecer nosso coração: Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que os vossos corações fiquem sobrecarregados com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente como um laço. Os filhos que sofrem com os pais, e os pais que sofrem com os filhos, devem se preparar e acautelar seus corações contra os laços das trevas, envolvendo-se na caridade que salva os corações das influências do mal. Todos os que triunfam dos obstáculos vencidos serão recompensados pelos seus esforços. Depois de vencidos os testemunhos, que procurem ajudar aos que sofrem. É a missão, como Espírito instruído nas provas, dar o que pode em favor dos que lutam nos caminhos difíceis.
O sofrimento, por vezes, é a melhor escola, desde quando não nos revoltemos com os testemunhos.”
Orfandade e amor de mãe
Vinicius, no livro “Nas pegadas do Mestre”, em “O problema da orfandade”, escreveu:
“Só a ausência do amor determina a orfandade; e, ao mesmo tempo, só a presença do amor a pode extinguir. A orfandade está para o amor como as trevas estão para a luz: um elemento é incompatível com o outro, não podem subsistir ambos ao mesmo tempo.
Ser mãe não é gerar filhos. Ser mãe é amar a infância. Mãe é uma expressão que significa carinho, dedicação, desvelo, sacrifício. Para que a criança não se encontre órfã não basta que ela tenha ao seu lado a mulher que a gerou: é preciso que essa mulher seja sua mãe.”
Ainda Vinicius, no mesmo livro, em “Mãe”, escreveu:
“Mãe!… Donde virá a magia que esse nome encerra? Porque será que, somente ao pronunciá-lo, um sentimento augusto e santo de respeito nos invade o coração? Donde lhe vem o culto que se lhe presta, a homenagem que lhe rendem todos, mesmo aqueles cujos caracteres ainda se ressentem de graves senões? Porque será que a simples palavra – mãe, tão singela, tão humilde, que só três letras requer, tem o condão maravilhoso de fazer vibrar as cordas dos sentimentos, por mais embotados que estes estejam?
O que há nesse nome de extraordinário não está nas letras que o vestem: está no espírito que o vivifica. A letra é a sua forma exterior como a matéria é o disfarce que encobre a alma.
Mãe quer dizer abnegação, desvelo, carinho, renúncia, afeto, sacrifício – amor – numa palavra. São esses os seus predicados inalienáveis. Daí a origem de sua eloquência, de sua fascinação, de seu prestígio, de sua força, de seu encanto.
Ser mãe não se resume no fenômeno fisiológico da maternidade. Ser mãe é possuir aquelas virtudes, e proceder em tudo consoante o influxo que delas deriva.
A legitimidade do título vem, pois, do moral e não do físico, da alma e não do corpo. Há mulheres que geram filhos sem jamais se tornarem mães. Outras há que o são de nascimento.
E assim sói acontecer com tudo que paira no plano objetivo. A verdade não está na letra que afeta nossos sentidos: está invariavelmente no espírito que movimenta a forma, que anima a matéria, que vivifica a letra.”
Conclusão
Assim, Deus em seu propósito de evolução determinou que pelo ventre de uma mulher, chamada de mãe, perpetuasse a espécie humana e que ela fosse portadora do amor maternal proveniente do poder criador.
No ventre da mãe, o feto recebe o alimento amoroso para renascer e iniciar nova caminhada em direção do Pai Eterno.
A verdadeira mãe alegra-se por educar e proteger seu filho, envolvendo-o de energia amorosa divina, mas que também se aflige e solidariza nos momentos de dor e sofrimento.
Gratidão para todas as mães! Para as mães biológicas, de criação, de coração e por laços espirituais, que receberam seus filhos, amando-os de alma e coração.
Por fim, oportuno recordar a passagem evangélica que registra a fraternidade de Maria, nos momentos derradeiros do Mestre Jesus, em que, na Cruz do martírio, o Cristo ofereceu Maria a João como mãe. E João como filho a Maria. Simbolizando que toda mulher pode ser mãe e receber o seu próximo como filho amado.
Autor: Juan Carlos Orozco
Bibliografia
BÍBLIA SAGRADA.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
MIRAMEZ (Espírito); na psicografia João Nunes Maia. Filosofia espírita. Volume XVI. 1ª Edição. Belo Horizonte/MG. Editora Fonte Viva, 1990.
MIRAMEZ (Espírito); na psicografia João Nunes Maia. Filosofia espírita. Volume XVII. 1ª Edição. Belo Horizonte/MG. Editora Fonte Viva, 1990.
MIRAMEZ (Espírito); na psicografia João Nunes Maia. Filosofia espírita. Volume XVIII. 1ª Edição. Belo Horizonte/MG. Editora Fonte Viva, 1990.
VINICÍUS. Nas pegadas do mestre. 12ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.
