Os discípulos de Jesus são o sal da terra e a luz do mundo

 “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. (Mateus 5: 13-16)

Essa passagem evangélica está no contexto do Sermão da Montanha ou do Monte, em que o Mestre Jesus fez discursos sequenciados com preceitos e instruções de elevados valores morais com fundamentos em seus ensinamentos, uma síntese do seu Evangelho, como marco inicial de sua pregação, dirigidos aos discípulos e à multidão presente.

Este Sermão, no Evangelho de Mateus, está nos Capítulos 5, 6 e 7.

Contexto evangélico

Esse texto vem logo após as bem-aventuranças, em que Jesus, após levantar o ânimo dos caídos, se dirige aos discípulos para apontar-lhes as responsabilidades e conscientizá-los quanto aos compromissos que deveriam assumir como seus colaboradores diretos.

Nós também nos colocamos como discípulos do Mestre para servir, ensinar e ajudar o próximo na fé, no consolo, na coragem e na esperança, demonstrando o compromisso e a responsabilidade com o progresso da Humanidade.

O Cristo afirma que os seus discípulos são o “sal da terra” porque, ao vivenciarem a mensagem cristã em sua plenitude, conseguem dar sabor às vidas de todos, temperando-as com os valores das virtudes morais.

Os que praticam seus ensinamentos são a “luz do mundo”, afugentando as trevas que se alojam nos corações, irradiando a luz do Evangelho que dá significado à vida e a valoriza.

Vós sois o sal da terra: tempero da vida

O sal é tempero valioso que dá sabor aos alimentos, deixando-os deliciosos, assim como ele tem a propriedade de preservá-los, evitando que se estraguem.

Por analogia, a aplicação do Evangelho dá sabor à existência, tornando-a prazerosa.

Pela prática dos ensinamentos do Cristo, seremos pessoas melhores, mais humanas, caridosas, fraternas e felizes.

O Mestre quis dizer que os cristãos, como sal da terra, devem ser instrumentos de alegria e de preservação moral e espiritual.

Esse sal tem que temperar a alma, penetrando-a e dando sabor pela presença divina nos corações, e permitir a difusão dos princípios libertadores a todos irmãos de caminhada.

Sal com qualidades conservadoras

O sal também tem a caraterística de conservação, mantendo-se inalterável, incorruptível e preservando os corpos que com ele entram em contato.

Por analogia, devemos permanecer inalteráveis, mantendo-se fiéis aos valores morais essenciais, sem ser contaminados pelas influências inferiores que afastam a vivência do Evangelho.

Devemos manter as qualidades morais ensinadas e exemplificadas por Jesus, sendo exemplos de fé, perseverança e retidão.

Sal insípido (sem sabor)

O sal perde as suas caraterísticas quando exposto às intempéries, ao clima, ao sol e à umidade. Ele torna-se insípido.

Nesse estado, não presta para nada, senão para se lançar fora e ser pisado.

Por analogia, a vida desprovida de valores morais ficará sem sabor, expondo-se à contaminação das impurezas terrenas e tornando-se monótona, tediosa e dificultosa.

Para não sermos insípidos, é preciso resistir às tentações, guardar-se das impurezas, buscando os bens edificantes alimentandos pela Palavra.

Não podemos nos desviar dos propósitos divinos para as nossas vidas.

Temperar a vida na medida certa

O sal deve ser utilizado na quantidade certa, de maneira adequada e balanceada.

Quando usado em baixa quantidade, o alimento torna-se sem gosto.

Em doses altas, a alimentação fica salgada, difícil de ser ingerida.

Devemos agir de forma comedida, discreta e equilibrada, praticando a caridade que ameniza as dores e os sofrimentos dos nossos semelhantes.

Vós sois a luz do mundo

A luz irradia por todo o Universo e a evolução humana segue esse facho luminoso.

Jesus compara os seus ensinamentos como a luz que afugenta as trevas, por meio do esclarecimento, da orientação e do processo educativo, capazes de nos transformar para melhor, libertando-nos das lágrimas e dores.

A luz é símbolo da consciência de si mesmo para discernir entre o bem e o mal, pelo correto uso do livre-arbítrio, situando o Espírito na realidade em que se proteja.

Isso porque somos lugar de transformação, renovação, fé, cura e evolução moral e espiritual.

Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador

Cidades construídas no alto de um monte não podem ser escondidas.

E a candeia (lamparina) não deve ser colocada debaixo do alqueire (cesto), encoberta pela indiferença e pelo interesse pessoal, mas no velador (pedestal de metal) para que possa oferecer luz a todos.

As conquistas e os conhecimentos adquiridos precisam iluminar os semelhantes.  Não podem ser escondidos ou guardados egoisticamente.

A candeia da iluminação moral e espiritual é a imagem de nós mesmos, irradiando solidariedade, cooperação, amor e boas obras, que devem estar presentes nas relações humanas.

Resplandeça a vossa luz

Jesus nos convoca a resplandecer a luz de nossas conquistas em benefício de todos, saindo do egocentrismo e estabelecendo canais de entendimento e compreensão mútuos.

Os discípulos de Jesus serão refletores da luz soberana que irradia do próprio Cristo.

A iluminação transforma energias em bondade e compreensão redentoras, gastando o óleo de boa-vontade, na renúncia e no sacrifício em Cristo, passando realmente a brilhar.

Os ensinamentos e exemplos de Jesus são o eterno combustível que alimenta a chama de iluminação interior, conscientização, despertar e libertação da alma.

Contudo, essa iluminação não deve afrontar o livre-arbítrio das pessoas, mas difundir o bem, na observância do amor fraternal e das revelações pelas verdades imperecíveis.

Para que vejam as vossas boas obras

Em Tiago, temos: “… a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” (Tiago, 2: 17)

Há estreita relação entre existência, fé, obras e servir, que sintetizam as missões terrenas, pois seremos julgados segundo as nossas obras.

Como seguidores do Cristo, devemos procurar as verdadeiras virtudes cristãs pelo reconhecimento das nossas obras no serviço edificante na prática do bem e da caridade.

Comentários finais

Para encerrar, escolhi um texto do Espírito Emmanuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, do livro “O Essencial”, em “Vem e auxilia”, que ensina:

“Acendeste mais luz na inteligência e, por isso, consegues observar, mais longe, o campo das necessidades humanas. (…)

Entretanto, não olvides estender a mão aos companheiros que renteiam contigo, chegando da retaguarda.

Muitos se marginalizam nas trevas por desconhecerem o caminho que já podes trilhar.

Ontem, igualmente tateavas.

Hoje, conheces.

Reparte o pão da luz espiritual que amealhaste, a fim de que outros se nutram dele, de modo a buscarem, por eles próprios, a riqueza das instruções que usufruis. (…)

Todos eles, filhos de Deus, tanto quanto nós, são criaturas que se candidatam à escalada para a Vida Maior e, para isso, te rogam apenas o calor da simpatia e uma réstia de luz.”

Sejam todos o sal da terra e a luz do mundo!

Autor: Juan Carlos Orozco

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. O Essencial. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira/CEU, 2020.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo João. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

FREIRE, Evelyn. Conhecendo o Espiritismo: Aula 07 | EADE 2 | Discípulos: sal da terra e luz do mundo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=A7nJwGpuGaQ. Publicado em 12 de maio de 2022. Acessado em 11 de setembro de 2024.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

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