A crença religiosa e a prática correta de seus preceitos deveriam andar juntas, assim como o conhecimento humano e a sua aplicação na vida, em especial para gerar benefícios para a sociedade como um todo, pois esse conhecimento sem utilidade prática é mera informação armazenada, uma abstração sem finalidade.
Pode-se extrair significativas reflexões da relação crença religiosa, conhecimento humano e suas aplicações práticas.
O conhecimento humano envolve conjunto de saberes estruturados construídos por meio de observações, hipóteses, teses, estudos, pesquisas, experimentações, princípios, comportamentos, regras e conclusões para compreender fenômenos da Natureza e do ambiente social, em que a sua aplicação prática auxilia na melhoraria, no progresso e na evolução da vida humana em diferentes áreas e setores.
Esse conhecimento ajuda, também, a equacionar e resolver inúmeros problemas, produzir resultados, influenciar atitudes, comportamentos e decisões, permitindo o desenvolvimento de soluções inovadores e renovadoras para a Humanidade.
O conhecimento de preceitos éticos, morais e religiosos e suas aplicações práticas têm dimensões mais abstratas e subjetivas, pois envolvem valores que necessitam ser cultuados no íntimo de cada ser humano, considerando-se ainda os aspectos sociais, culturais e de costumes, que os influenciam externamente.
As consciências moral e ética envolvem a capacidade de julgar os valores dos seus atos, permitindo que se distinga entre o certo e o errado, o bem e o mal, o que pode ou não fazer, agindo em conformidade com eles. Esse processo é crucial para a convivência social, permitindo que o ser humano se responsabilize por seus atos e contribua para o bem-estar coletivo.
Porém, efetivamente, praticar preceitos éticos e morais não é fácil, porque exige esforço interior para enfrentar você mesmo naquilo que não está adequado, implicando em autodescobrimento, autoconhecimento e conscientização de si mesmo, o que poderá indicar a necessidade de mudança de atitude e comportamento para seguir novo rumo.
É a dificuldade de conduzir uma luta íntima contra as próprias imperfeições, com força de vontade, coragem, uso correto do livre-arbítrio, disciplina, perseverança, vigilância, paciência, equilíbrio e assumir responsabilidades pelos seus atos.
A consciência moral decorre da estruturação do mundo moral no íntimo de cada ser e, também, do sentido da vida dentro de um contexto maior e transcendente.
Nesse contexto, alguns religiosos conduzem suas crenças sem o compromisso com a prática dos preceitos morais preconizados nos textos sagrados, não os adotando como código de conduta para a vida. Esses tipos de religiosos procuram cultuar mais os aspectos externos, formais e simbólicos. Não raro, depois da cerimônia religiosa, essas pessoas agem de forma contrária ao que foi esclarecido pelo celebrante.
Outros religiosos dirigem rogativas a entidades, esquecendo-se dos compromissos e das responsabilidades perante as leis divinas junto aos seus semelhantes.
A esse respeito, Jesus disse: “Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! – entrarão no reino dos Céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, nesse dia, me dirão: Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome? – Eu então lhes direi em altas vozes: afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade.” (Mateus, 7: 21-23)
Jesus disse ainda: “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa. Quando caiu a chuva, os rios transbordaram, sopraram os ventos sobre a casa; ela não ruiu, por estar edificada na rocha. Mas aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, se assemelha a um homem insensato que construiu sua casa na areia. Quando a chuva caiu, os rios transbordaram, os ventos sopraram e a vieram açoitar, ela foi derribada; grande foi a sua ruína.” (Mateus, 7:24 a 27; Lucas, 6:46 a 49)
Ademais, o Cristo disse: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras” (Mateus, 16: 27).
Por essas mensagens evangélicas, pode-se observar estreita relação entre crença, prática, obras e merecimento, pois seremos julgados segundo esses critérios.
A fé sem obras é morta em si mesma, em que muitos acham, equivocadamente, que Deus tudo fará sem a devida prática do bem mediante esforço, trabalho e merecimento pelos bons frutos das obras realizadas.
A respeito de fé inoperante, Apóstolo Tiago disse: “Meus irmãos, que interessa se alguém disser que tem fé em Deus e não fizer prova disso através de obras? Esse tipo de fé não salva ninguém. (…) Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. (…) Como vês, na sua vida a fé e as obras atuaram conjuntamente. A fé completou-se através das obras. (…) Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. (…) Porque, assim como o corpo sem o Espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago, 2: 14, 17-18, 22, 24 e 26).
A prática do ensinamento moral, livre e consciente, evidencia a internalização do aprendizado com fé, compromisso e responsabilidade.
Para vencer o obstáculo de não praticar o verdadeiro amor, é preciso despertar da hibernação para os valores admiráveis da imortalidade para uma reforma íntima, tornando-se mais consciente de si mesmo e dos recursos latentes à disposição para libertar-se dos sentimentos inferiores contrários às leis de Deus, em razão da própria evolução.
A edificação do reino divino será decorrente do uso correto do livre arbítrio nas escolhas pelo caminho da verdade, do constante aprimoramento, do indispensável esforço e pela prática dos ensinamentos do Cristo que produz bons frutos.
Procure vencer a luta dentro de si mesmo, para que prevaleça o caminho do bem.
O legado do Cristo é mensagem de amor consubstanciada no seu Evangelho. Desta forma, torna-se necessário seguir as suas orientações como roteiro de vida na busca da felicidade prometida.
A marcha evolutiva revela que, por força dos aprendizados moral e espiritual, quanto mais iluminados pelas verdades divinas, praticando-as, mais desfrutaremos do progresso.
Assim, o discípulo de Jesus deve vivenciar plenamente o seu Evangelho, ainda que sob o peso da dor, dos sofrimentos e dos sacrifícios impostos pelas provas e expiações que assolam o Espírito, pois tudo isso é lição e aprendizado no caminho da verdade e da vida eterna em direção ao Pai.
Autor: Juan Carlos Orozco
Bibliografia:
BÍBLIA SAGRADA.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
