Os espinhos da vida

“Os soldados levaram Jesus para dentro do palácio, isto é, ao Pretório, e reuniram toda a tropa. Vestiram-no com um manto de púrpura, depois fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram nele. E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus! Batiam-lhe na cabeça com uma vara e cuspiam nele. Ajoelhavam-se e lhe prestavam adoração. Depois de terem zombado dele, tiraram-lhe o manto de púrpura e vestiram-lhe suas próprias roupas. Então o levaram para fora, a fim de crucificá-lo.” (Marcos, 15: 16-20; e Mateus, 27:27-31)

Essa reflexão apoia-se nos Evangelhos de Marcos e Mateus sobre a flagelação, a colocação da coroa de espinhos na cabeça do Cristo, os ultrajes e os insultos que o Mestre sofreu antes da sua crucificação, para se colher os devidos ensinamentos em situações semelhantes de nossas vidas em que devemos controlar os nossos vícios, paixões e impulsos, mantendo-se no caminho reto do bem.

Antônio Luiz Sayão, no livro “Elucidações evangélicas”, a esse respeito, comentou:

“Os exemplos de paciência e resignação que neste passo deu Jesus, devemos tê-los presentes sempre ao nosso espírito. Não sejamos nunca dos que acusam e insultam, por mais que pareça legítimo o direito que nos assista de assim proceder, porque, cegos que somos, podemos estar a acusar e insultar a um inocente.

A paciência e a doçura é o que nos cumpre opor aos que de nós zombem ou escarneçam. Fora inútil tentarmos demonstrar a cegos os princípios e as propriedades da luz. Perderíamos o nosso tempo. Firmemo-nos na pureza das nossas intenções, na pureza da nossa consciência e dos nossos atos e estejamos certos de ter sempre no Senhor um juiz imparcial e equânime.”

O Espírito Emmanuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro “Vinha de luz”, no Capítulo 5, em “Com amor”, ensina: “Todo discípulo do Evangelho precisará coragem para atacar os serviços da redenção de si mesmo. Nenhum dispensará as armaduras da fé, a fim de marchar com desassombro sob tempestades. O caminho de resgate e elevação permanece cheio de espinhos. O trabalho constituir-se-á de lutas, de sofrimentos, de sacrifícios, de suor, de testemunhos.”

No mesmo livro, Emmanuel, em “Para o alvo”, no Capítulo 50, a respeito da conversão de Paulo de Tarso ao cristianismo, esclarece: “Ingressando nos espinhosos testemunhos para servir ao próximo, por amor a Jesus, recebeu a ironia e o desamparo de familiares, a desconfiança e o insulto de velhos amigos, os açoites da maldade e as pedradas da incompreensão.”

Por esses textos, percebemos que não percorreremos os caminhos evolutivos para a nossa redenção e renovação íntima sem os espinhos da armadura da fé, do corretivo e da educação da alma, porquanto não haverá luta renovadora sem sofrimentos, sacrifícios, suor e testemunhos.

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Florações evangélicas”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Capítulo 32, em “Com discernimento”, ensina: “O espinho que fere defende a rosa, e esta ignora que, evolando-se no leve ar da manhã, aromatiza em derredor. (…) Nos espinhos está a segurança das rosas. (…) Reflete, assim, para discernimento na jornada do Rabi, em que não faltaram espinhos de ingratidão, pedregulhos de maldade, sombras de perseguição, enfermidades da inveja e desencantos da deserção dos companheiros mais queridos, enquanto Ele prosseguiu sem desfalecimentos até o fim, de modo a legar-nos a lição da resistência contra o mal, em qualquer lugar e em qualquer circunstância.”

A ingratidão recebida por Jesus, após os inúmeros benefícios que proporcionou, nos conduzem a profundas reflexões, evidenciando o seu sublime amor por todos nós.

Os espinhos da vida representam, também, o egoísmo, a intolerância, a maledicência, o autoritarismo, o orgulho, a vaidade, o personalismo, entre tantos outros vícios, que criam obstáculos ao processo de evangelização da criatura humana.

A exemplo do Cristo, não devemos participar do venenoso banquete das posses materiais diante dos sofrimentos, da perseguição e do terror, pois poderemos ter o coração coberto de cicatrizes e ultrajes.

Nesse sentido, Emmanuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro “Fonte viva”, no Capítulo 139, em “Na obra da salvação”, ensina: “A intemperança mental carreia para nosso íntimo os espinhos do desencanto e os desequilíbrios orgânicos inabordáveis, transformando-nos a existência num rosário de queixas preguiçosas e enfermiças. Isso, porém, acontece porque não fomos designados pelo Senhor para o despenhadeiro escuro da ira, e sim para a obra de salvação.”

Ainda Emmanuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro “Caminho, verdade e vida” no Capítulo 96, em “A coroa”, traz mais luz:

“E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. (Marcos, 15:17.)

Quase incrível o grau de invigilância da maioria dos discípulos do Evangelho, na atualidade, ansiosos pela coroa dos triunfos mundanos. Desde longo tempo, as igrejas do Cristianismo deturpado se comprazem nos grandes espetáculos, através de enormes demonstrações de força política. E forçoso é reconhecer que grande número das agremiações espiritistas cristãs, ainda tão recentes no mundo, tendem às mesmas inclinações.

Individualmente, os prosélitos pretendem o bem-estar, o caminho sem obstáculos, as considerações honrosas do mundo, o respeito de todos, o fiel reconhecimento dos elevados princípios que esposaram na vida, por parte dos estranhos. Quando essa bagagem de facilidades não os bafeja no serviço edificante, sentem-se perseguidos, contrariados, desditosos.

Mas… e o Cristo? Não bastaria o quadro da coroa de espinhos para atenuar-nos a inquietação?

Naturalmente que o Mestre trazia consigo a Coroa da Vida; entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, de sofrimento e trabalho incessante para os que desejem escalar a montanha da Ressurreição Divina. Ao tempo em que o Senhor inaugurou a Boa-Nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas; mas, legando-nos a sublime lição, Jesus dava-nos a entender que seus discípulos fiéis deveriam contar com distintivos de outra natureza.”

Por tudo isso, Emmanuel, no livro “Encontro marcado”, em “Cooperação com Deus”, aconselha: “Onde estiveres e sejas quem for, no grau de responsabilidade e serviço em que te situas, agradece aos Céus as alegrias do equilíbrio, as afeições, os dias róseos do trabalho tranquilo e as visões dos caminhos pavimentados de beleza e marginados de flores que te premiam a fé em Deus; quando, porém, os espinhos da provação te firam a alma ou quando as circunstâncias adversas se conjuguem contra as boas obras a que te vinculas, como se atormenta do mal intentasse efetuar o naufrágio do bem, recorda que terás chegado ao instante do devotamento supremo e da lealdade maior, porque, se confias em Deus, Deus igualmente confia em ti.”


Bibliografia:

ÃNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Florações evangélicas. 6ª Edição. Salvador/BA: LEAL Editora, 2020.

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Caminho, verdade e vida.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2021.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Encontro marcado.  14ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Fonte viva.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2020.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Vinha de luz.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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