Parábola da figueira estéril

“Então contou esta parábola: um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra? Respondeu o homem: Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a.” (Lucas, 13: 6-9)

As parábolas de Jesus eram narrativas alegóricas que utilizavam cenários e situações do cotidiano da época para transmitir ensinamentos morais por meio de uma analogia comparativa, em que o Mestre contava uma história para facilitar a compreensão.

A analogia dessa parábola é de uma árvore, no caso a figueira estéril que não produzia frutos, ou seja, figos, comparando-a com uma pessoa com fé, mas que não produzia frutos ou não praticava a lei maior do amor.

Analogia como esta, Jesus realizou em outras ocasiões, como no Evangelho de Mateus (7: 17-20): “Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.”

Ou no Evangelho de Lucas (6: 43-45): “Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto. Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a sua boca.”

Ou no Evangelho de Mateus (16: 27): “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.”

Assim, o que se espera de uma boa árvore são os bons frutos: as suas obras na prática do verdadeiro amor. A fé sem obras é como uma figueira estéril, sem frutos.

A figueira estéril (árvore): representa a pessoa que tem a aparência de fé, mas não produz os frutos esperados, ou seja, ações concretas da lei maior do amor.

O fruto (lei maior do amor): não é material, mas sim a prática do amor ao próximo, com compaixão e boas obras, que demonstram a presença de Deus na sua vida.

Inutilizar a terra:  porque uma árvore (pessoa) deve ocupar a terra (a vida) para produzir frutos.

Tempo para produzir frutos: o vinhateiro intercede pela figueira, pedindo mais tempo para cuidá-la (adubá-la), simbolizando a oportunidade de mudança de vida, o tempo necessário para a transformação moral e regeneração, com mudanças de comportamentos e atitudes para o devido progresso e evolução espiritual em direção do Pai.

Portanto, observa-se uma estreita relação entre fé, obras e servir, que sintetizam as missões terrenas, pois seremos julgados segundo as nossas obras (frutos).

A fé sem obras é morta, como as figueiras estéreis, sem as essências da vida.

Jesus ensina a ter fé operante, porque os seres humanos que não produzem bons frutos, como a figueira estéril, sofrerão consequências por suas inutilidades.

O Mestre deseja que a figueira produza, não a cortando de pronto.

Procura podá-la e adubá-la na esperança de que fortalecida pela seiva, que ainda lhe dá vida, venha a dar bons frutos.

O Cristo espera a germinação da boa semente, pois ele disponibiliza todos os recursos e meios para a nossa libertação.

Diante das provas e expiações, tem-se o tempo necessário para a produção desses frutos, tendo Jesus como o caminho, a verdade e a vida em direção ao Pai

Tudo na vida tem seu tempo e sua hora: há infância, adolescência e fase adulta.

Ao seu tempo de crescimento e amadurecimento, todas as coisas servem.

Com os talentos que Deus nos dá mediante empréstimo, como instrumento para impulsionar a evolução intelectual, moral e espiritual própria e dos nossos semelhantes, o Pai aguarda o esforço correspondente no serviço na prática do bem.

Pela lei do trabalho, cada um serve nas diferentes tarefas, abrangendo desde os mais humildes elementos até os variados setores da Natureza.

O trabalho dignificante é serviço que constrói e produz bons frutos.

O que foi disponibilizado por Deus ao homem deve ser utilizado para a prática do bem, objetivando elevação e enriquecimento de todos.

Muitos acham, equivocadamente, que Deus tudo fará por nós sem o devido esforço.

Temos que fazer a nossa parte.

Jesus, na Terra, com seu trabalho, exemplificou a felicidade de servir.

Você pode começar a servir hoje.

Mesmo se queixando da vida, pode começar servindo na edificação moral de seus irmãos, no serviço ao próximo.

O servir nos possibilita o crescimento e a elevação moral.

“Nem todos os que me dizem: ‘Senhor! Senhor!’ – entrarão no Reino dos Céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, nesse dia, me dirão: ‘Senhor! Senhor! não profetizamos em teu nome? Não expulsamos em teu nome o demônio? Não fizemos muitos milagres em teu nome?’ – Eu então lhes direi em altas vozes: ‘Afastai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade’.”  (Mateus, 7: 21-23)

“Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras”. (Mateus, 16: 27)

Não se deve valorizar demais os atos exteriores de fé e devoção, dizendo “Senhor! Senhor!”, ao mesmo tempo em que se deixa de praticar os ensinamentos e os exemplos do Mestre.

O único caminho para obter a graça do Senhor é o da prática da lei de amor e caridade.

Para ser seguidor do Cristo, devemos procurar as verdadeiras virtudes cristãs pelo reconhecimento das nossas obras.

As boas obras não se manifestam ruidosamente por atos exteriores de fé e devoção, mas pela caridade consigo mesmo e para com o próximo, que devem ser praticadas sem ostentação.

A fé sem obras é morta.

O que precisamos da árvore são os bons frutos, pois seremos julgados pelo fizemos ou deixamos de fazer.

Autor: Juan Carlos Orozco

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

CALLIGARIS, Rodolfo. Parábolas Evangélicas à Luz Espiritismo. 11ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte II. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações Evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensino de Jesus. 28ª Edição. Matão/SP: Casa Editora O Clarim, 2016.

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https://juancarlosespiritismo.blog/

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