Colherá o que plantar

Tudo o que você planta, faz, realiza, fala, escolhe ou decide, hoje, será semente para a colheita futura, seja ela boa ou ruim. A não realização de alguma coisa ou de certo ato, também, será semente para a colheita.

Pensamentos, sentimentos, comportamentos, atitudes, ações, palavras e escolhas são sementes na grande plantação da vida.

“Colherá o que plantar” expressa a lei da semeadura, um princípio natural, moral e espiritual que rege uma relação da lei de causa e efeito, de ação e reação, na existência humana, que se aplica tanto à vida prática quanto à espiritual.

Estabelece que você colherá exatamente o que plantou, seja essa semeadura boa ou ruim. Tudo o que você fizer voltará para si mesmo.

Se plantou amor, colherá amor; se não o plantou, não há como colher amor.

Se plantou o bem, colherá o bem; se não o plantou, não há como receber o bem de volta.

Você tem a liberdade de escolher as sementes, sejam elas de amor, bondade, perdão, humildade, paciência, piedade, misericórdia ou ódio, egoísmo, orgulho, ressentimento, vingança e negligência, mas a colheita virá de acordo com o que foi cultivado.

As atitudes direcionadas ao egoísmo ou à maldade geram consequências ruins, ao passo que a bondade e o amor edificam bons relacionamentos e paz interior.

Cada decisão, hoje, nos relacionamentos, no trabalho ou na vida interior, será um plantio cujos reflexos aparecerão no futuro.

Paulo de Tarso disse: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua própria carne, da carne colherá destruição; contudo, quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.”, (Gálatas 6: 7-8)

O Cristo, o grande semeador do amor, ensinou pagar o mal com o bem, que rompe com a lógica do ódio, da vingança, da perseguição, da retaliação e do ressentimento para permitir uma colheita de perdão, reconciliação e paz.

Da lei da semeadura, pode-se dizer que a colheita será representada pelos frutos produzidos ou pelas obras realizadas.

Jesus disse: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras”. (Mateus, 16: 27)

Jesus disse mais: “Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Pois cada árvore se conhece pelo seu fruto”. (Lucas 6:43-45)

Os frutos das boas obras, que representam as boas ações, atitudes, sentimentos e comportamentos, o caráter prático de uma pessoa, e não a aparência do que ela fala ou professa, exigem constância, perseverança, tenacidade, confiança e fé, mesmo quando os resultados não apareçam de imediato.

A recompensa dos frutos virá em seu tempo próprio, desde que não haja desistência, porque a colheita não é imediata.

Na Parábola do Semeador, Jesus mostra o começo do caminho, da germinação da semente, a ser percorrido para a evolução moral e espiritual, tendo por meta a perfeição, considerando as diversidades evolutivas dos seres humanos em diferentes tipos de solos.

Religiosamente, poderemos encontrar a boa semente nos ensinamentos e nos exemplos do Mestre Jesus, cultivando-a como roteiro de vida, em que o processo evolutivo passa pelo acolhimento de sua Palavra.

Nessa Parábola, o Cristo exemplifica os quatro campos de semeadura, simbolizados pelos diferentes estágios de progresso, porquanto cada ser representa determinado tipo de solo, conforme o seu grau de evolução.

Jesus lança as sementes para os diferentes solos, convidando-os ao aprendizado e que abram as portas de seus corações, saindo do casulo cristalizado das conveniências, alimentadas e realimentadas ao longo dos tempos para receber a semente da Palavra.

As sementes que caíram ao pé do caminho e as aves as comeram, simbolizam as pessoas que permanecem à margem das orientações morais e espirituais que lhes chegam durante a existência.

Podem ser solos indiferentes, que ouvem as lições e retiram-se; seus corações não sentem os ensinamentos e, por comodismo, acham mais fácil abandoná-los; são terrenos ainda não preparados para a semeadura. Guardam, em si, a promessa de produzir quando as provações e as expiações lhes marcarem a existência, mediante a dor e o sofrimento.

Independentemente da indiferença humana, o divino semeador continua na sua missão de semear, oferecendo oportunidades a todos os que estiverem dispostos a conhecer o seu Evangelho de amor.

Essas oportunidades são convites para se proceder uma reforma íntima pela renovação moral e espiritual durante a labuta diária, que representam bênçãos divinas que dependem da capacidade de ver, ouvir e compreender para saber aproveitá-las.

Cada ser humano é dono do seu destino e pelo livre-arbítrio é responsável por escolher o caminho do aperfeiçoamento moral e espiritual.

As sementes que caíram em solo pedregoso, indicam os seres com formações mentais cristalizadas de Espíritos imperfeitos, em que as pedras precisam ser removidas ou desfeitas, seja pelo conhecimento de verdades imortais seja pela melhoria moral, bênçãos concedidas pela bondade do Pai Celestial.

As pedras podem, também, ser vistas como condicionamentos ou reflexos dominantes da personalidade que se expressam sob a forma de interesses passageiros e superficiais, e que não cedem espaço a entendimentos mais profundos.

As pessoas de terreno pedregoso são as entusiastas de primeiro momento que, ante os menores obstáculos que surgem no exercício do bem, não conseguem se manter fiéis aos ensinamentos de Jesus, deles se afastando. Percebe-se que não basta à semente germinar, é preciso que ela cresça e frutifique.

As boas intenções se revelam carentes de persistência, não conseguindo sobreviver aos desafios da vida. Indicam a personalidade dos que se mantêm nos interesses do conhecimento superficial, sem revelarem maior capacidade de aprofundamento. Faltam ao terreno, além da terra, nutrientes e água, necessários à germinação e ao equilíbrio da semente.

Nas próprias condições espirituais, percebemos que, se não existem raízes nas manifestações de mudança para melhor, é natural que a sementeira fracasse ou que a transformação seja adiada.

Fica claro que toda disposição de melhoria não se deve restringir às boas intenções, fáceis de serem dissolvidas nas lutas do cotidiano. É necessário que construamos uma boa base de conhecimento que possa alimentar a sincera vontade de melhorar, criando empecilhos ao desânimo e ao abandono do trabalho.

Os de solos espinhosos cresceram e foram sufocadas. Os espinhos representam as viciações, as más inclinações, o egoísmo, a intolerância, a maledicência, o autoritarismo, o orgulho, a vaidade, o personalismo, entre tantos outros vícios, que criam obstáculos ao processo de progresso da criatura humana.

Um pensamento negativo ou a supervalorização de coisas materiais, por exemplo, podem crescer desordenadamente, abafando, por egoísmo ou comodismo, os valores imortais que nos chegam do Alto.

As sementes germinadas entre os espinhos, por sua vez, originaram o crescimento de uma frágil planta que logo morre sufocada. Devemos ter cuidado com os espinhos que podem colocar em risco a boa produção da semeadura, além de sufocarem os mais valorosos projetos e as mais nobres intenções.

A “boa terra” representa o solo fértil que possui condições propícias à germinação da semente, ao surgimento e amadurecimento da planta, assim como a produção do fruto.

A semente em solo fértil é semeada num coração mais amadurecido e receptivo, disposto a acatar novos aprendizados e a renunciar às antigas e infelizes aquisições.

O terreno fértil produz uma lavoura de significativo valor caracterizada por frutos suculentos e nutritivos. Quando o terreno está devidamente preparado, a produção está assegurada, num processo contínuo.

Mesmo em solo fértil, cada um produz de acordo com a sua evolução ou grau de adiantamento moral e espiritual: uns produzem mais, outros produzem menos, revelando que o percentual de produção pode ser menor em uns, mas que não deixa de dar a sua resposta, sempre positiva.

Que tipo de solo você é? Quais são os seus frutos?

A Parábola do Semeador enfatiza como receber a semente da evolução, em que deveremos ser solo fértil, acolhendo a Palavra para ser plantada, regada, germinada, crescer, dar folhagens e, depois, colher bons frutos.

Os problemas não se encontram no semeador divino e tampouco nas suas sementes, mas sim nos diversos tipos de solo, sendo causas dos insucessos para germinar a Palavra dentro de cada ser, quer sejam diante de corações duros no meio do caminho, das pedras, da pouca profundidade da terra ou dos espinhos que sufocam a sementeira do amor.

Temos que remover as pedras, os espinhos, as dificuldades e os obstáculos da vida para prosseguir firme, estendendo as mãos ao serviço do amor, tendo como terreno o próximo que te propicia a colheita, e, tanto quanto possível, semear sempre.

Basta plantar o bem, sempre agindo pelo amor e perseverando no trabalho dignificante do bem, na produção para o benefício de todos.

O grau de perfeição estará na escala do amor ao próximo como a si mesmo até o amor aos inimigos e aos que perseguem. Este é o caminho para a perfeição, mediante a pluralidade de existências, que começa pelo acolhimento dentro de nós da semente da Palavra. Todos podemos espalhar as sementes de amor e luz..

Autor: Juan Carlos Orozco

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

CALLIGARIS, Rodolfo. Parábolas Evangélicas à Luz Espiritismo. 11ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Da 3ª Edição francesa. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Livro II – Ensinos e Parábolas de Jesus – Parte I, Orientações espíritas e sugestões didático pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Livro III – Ensinos e Parábolas de Jesus – Parte II, Orientações espíritas e sugestões didático pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensino de Jesus. 28ª Edição. Matão/SP: Casa Editora O Clarim, 2016.

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https://juancarlosespiritismo.blog/

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