Meu Reino não é deste mundo

Esta reflexão apoia-se no Capítulo II de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, que tem como título: “Meu reino não é deste mundo”.

Jesus ensinou o caminho para atingir a perfeição, seguindo a senda do bem, por meio do amor a Deus e ao próximo. Assim, o Mestre dizendo que o seu reino não era deste mundo, na verdade, referia-se à vida futura, que Ele apresenta como meta para a humanidade, tendo por base a lei maior do Amor.

A conquista do reino de Deus, ou do reino dos Céus, deve ser objetivo de todos os homens, mas este reino ainda não está completamente dentro de nós e tampouco se estabeleceu neste mundo.

Nesse contexto, o reino de Deus ainda não ser deste mundo abarca um sentido amplo, do somatório de todos os seus habitantes; e ele não estar dentro de nós traz uma visão mais estreita, pois a construção desse reino há que começar em cada um de nós, se nos propomos alcançar a vida perfeita.

A edificação do reino divino, em cada ser deste mundo, será decorrente do uso correto do livre arbítrio nas escolhas pelo caminho da verdade e da vida, do constante aprimoramento, do indispensável esforço e pela prática dos ensinamentos do Mestre Jesus que produz bons frutos, “porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16: 27).

Naquela época, os judeus privilegiavam o formalismo religioso por meio de interpretações equivocadas de certas revelações divinas e do uso abusivo das práticas exteriores, supondo estar cumprindo rigorosamente as leis de Deus, cujas recompensas focavam os bens terrenos ou materiais.

Imaginavam que as calamidades, as derrotas, a dominação estrangeira, a esterilidade, dentre outras, seriam castigos divinos diante da desobediência às leis de Deus, pois as orientações religiosas seguiam a linha do que não se devia praticar (os Dez Mandamentos), do temor a um Deus que pune, da exclusividade do povo escolhido, da exigência do sacrifício humano ou animal, da vingança a quem lhe fez algum mal, do apedrejamento aos pecadores, além de outros conceitos propagados pelos doutores da lei.

O Messias deveria ser um libertador (material) do povo de Israel contra a dominação romana, que humilhasse todos os reis do mundo (um Messias dominador de outros povos).

Contrapondo-se à crença judaica, veio um Messias libertador espiritual, simples, humilde e fraterno, que consolava os aflitos e necessitados. A Boa Nova de Jesus trouxe a Lei maior do Amor, com um Deus justo, bom e misericordioso.

Dessa forma, Jesus revelou outro mundo sob a ótica do amor, da fraternidade universal, da caridade, da justiça, da bondade e da misericórdia divina. É esse o mundo (reino de Deus) que Ele promete aos que cumprirem os seus mandamentos, onde os bons encontrarão as suas recompensas (as bem-aventuranças).

“Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: és o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui. Disse-lhe então Pilatos: és, pois, rei?  Jesus lhe respondeu: tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz”. (João, 18: 33, 36 e 37)

Jesus responde: “meu reino ainda não é aqui”. Isso porque o reino de Deus ainda não estava na Terra, pois seus habitantes não seguiam o caminho indicado por Ele.

O Mestre ensina que dia virá em que o reino de Deus será deste mundo. Isso dar-se-á quando os homens forem regenerados pela verdade na estrada do progresso e da fé.

Jesus põe em relevo a natureza espiritual da Sua missão, inteiramente estranha a interesses e aspirações materiais.

Pilatos pergunta: és, pois, rei? Jesus disse: tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz”.

A resposta dá o testemunho da realeza de Jesus, confirmando a autoridade que já dissera ter recebido do Pai, antes que a Terra fosse criada. Refere-se à sua autoridade de protetor e governador do nosso planeta.

Na frase não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade”, Jesus apresenta-se como enviado de Deus que veio trazer as leis morais divinas, relativas a este mundo, ao grau de entendimento que essa humanidade pode alcançar, enquanto viver em um mundo de expiações e de provas.

Jesus representa a verdade que a humanidade tem condição de assimilar, implantando o reino de Deus dentro de cada um, a fim de que num futuro possa transformar a Terra em um mundo melhor, num verdadeiro reino de Deus.

Todo aquele que pertence à verdade escuta a Sua voz. Todo aquele que pertence à verdade escuta a voz de Jesus, pois que Ele é a verdade.

Sua voz sempre se fez ouvir, em todas as épocas, antes da sua missão terrena, desde a origem dos tempos, pelos Espíritos do Senhor, seus mensageiros, dando a verdade correspondente às necessidades de cada época.

Aquela voz se fez ouvir por ocasião da sua missão terrena, quando ele veio pessoalmente dar testemunho da verdade. Aquela voz vai fazer-se ouvida ainda por intermédio do “Espírito da Verdade” que, nos tempos atuais e futuros da era nova que se inicia, vem ensinar e ensinará progressivamente toda a verdade, à proporção que a puderdes ir compreendendo. E, nos tempos preditos, quando houverdes tornado capazes de recebê-la, ele virá mostrá-la sem véu.

Toda a tônica dos ensinos de Jesus é sobre a vida além da morte do corpo físico, a vida que nunca se acaba, quer o espírito esteja em mundos materiais, quer esteja em planos espirituais. Assim, Ele demonstrava como deveria ser o homem para poder um dia viver no reino de Deus, onde o mal não tem guarida e só o bem existe. 

Para isso, o homem tem de desenvolver todo seu potencial intelectual e moral, desenvolvendo esse reino de amor e sabedoria dentro de si para poder tornar este mundo em um reino de Deus. 

Jesus esclareceu à humanidade a meta do homem ao viver na Terra, indicou o caminho a ser seguido, ensinou como agir nessa caminhada, para atingir a perfeição possível, seguindo a senda do bem traçada e exemplificada por Ele, usando o instrumento do Amor a Deus e ao próximo. 

Não foi compreendido pelos judeus da época, que interpretavam Jesus como sendo o Messias esperado, aquele que os libertaria do domínio romano, tornar-se ia seu rei e daria a esse povo o poder sobre os demais, ou como alguém que queria se passar como um profeta, sem o ser.

Ainda hoje, a grande maioria da humanidade, incluindo os seguidores de Jesus e os seguidores de outras interpretações espirituais, mas todos igualados na aceitação de um Ser Supremo, não conseguem vislumbrar esse reino de Deus, de paz, de harmonia, de amor, sem o contexto material, imaginando-o com os mesmos valores materiais da Terra.

Precisamos começar a semear o reino de Deus dentro de nós, como cidadãos desse reino, para juntos tornar este planeta, no futuro, uma morada mais digna para as próximas gerações no caminho da regeneração da Humanidade, acolhendo as oportunidades abençoadas e pelas ações no sentido de elevarmos as vibrações de todo o orbe terrestre.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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