O Cristo Consolador

Nas bem-aventuranças, a consolação está relacionada ao alívio das aflições dos que choram e sofrem em sua jornada na Terra.

Kardec expressa que todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação na fé no futuro, na confiança na Justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens”. E continua: sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: “vinde a mim todos vós que estais fatigados, que Eu vos aliviarei”.

No Evangelho de Mateus, temos: “e aconteceu que, estando Jesus assentado à mesa numa casa, eis que, vindo muitos publicanos e pecadores, se assentaram a comer com ele e com os seus discípulos. E vendo isto os fariseus, diziam aos seus discípulos: por que come o vosso mestre com os publicanos e pecadores? Mas, ouvindo-os, Jesus disse: os são não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos”. (Mateus, 9: 10-12)

Assim, Jesus dirigia-se sobretudo aos pobres e aos deserdados, porque eram eles os que mais necessitavam de consolo; e aos cegos humildes e de boa fé, porque eles pediam que lhes abrissem os olhos; e não aos orgulhosos, que criam possuir toda a luz e não precisavam de nada.

Jesus disse: “vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”. (Mateus 11: 28-30)

O Mestre, pela Palavra e pelos seus ensinamentos, veio consolar os aflitos, os sofredores e os enfermos que necessitavam de alívio e aceitavam o seu jugo. Daí o termo “O Cristo Consolador”.

Kardec recorda que o jugo de Jesus, “entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por Ele ensinada”.

Jesus disse: se me amardes, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece”. (João, 14: 15-17)

Pelo Evangelho de João, Jesus promete outro consolador, o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Logo, o Espírito de Verdade deve vir ensinar todas as coisas, porque o Cristo não pode dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.

Disse o Cristo: “bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados“. Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre?

O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário.

O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.

O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

O Espírito Bezerra de Menezes expressou: “Raia uma madrugada nova em que a Ciência e a religião dão-se as mãos em benefício da criatura humana. Amanhece dia novo para a sociedade terrestre, cansada de sofrer, voltando-se para Jesus Cristo, o modelo e guia da humanidade, a fim de transformar o mundo de provas e de expiações em um planeta de regeneração. Já não é possível, postergar o surgimento desses gloriosos dias, porque o Consolador que Jesus prometeu encontra-se na Terra para arrancar, pelas raízes, os fatores que levam ao desespero e à alucinação, não apenas para enxugar as lágrimas que os olhos vertem, senão para extirpar as causas das problemáticas aflitivas da criatura humana”.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Orientações espíritas e sugestões didático pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

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