Fora da caridade não há salvação

Esta reflexão apoia-se no Capítulo XV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, ressaltando a salvação e a evolução do Espírito pela prática da caridade.

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, na pergunta 886, os Espíritos Superiores esclarecem sobre o entendimento do verdadeiro sentido da palavra caridade como a entendia Jesus. A resposta é: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Kardec anota: “O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer”.

O que precisa o Espírito para ser salvo?

O caminho que Jesus oferece em direção ao Pai para a salvação da humanidade é a verdade da Palavra, do seu Evangelho, a espada de dois gumes que procede da boca e corta todo o mal, ceifando-o na hora da colheita, separando o joio do trigo, rumo a um mundo regenerado e mais fraterno. A Palavra é a semente e o fermento.

Jesus resumiu os mandamentos da lei de Deus: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22: 34-40)

Não basta compreender a Palavra e o significado de “amor ao próximo”, é preciso praticar este amor com caridade, o amor em ação no contexto da fraternidade universal, que desperta, liberta, salva, renova, limpa o coração e ilumina a alma, afastando a cegueira para as coisas de Deus, rumo à evolução espiritual e moral.

Toda a moral de Jesus resume-se na caridade e na humildade que combatem o egoísmo e o orgulho, conduzindo à eterna felicidade. O egoísmo é a negação da caridade, sendo o maior obstáculo à felicidade dos homens.

A caridade é condição para a felicidade futura, a única para a salvação, porque ela abrange todas as outras condições: humildade, brandura, benevolência, indulgência, justiça etc.

Apóstolo Paulo, na 1ª Epístola aos Coríntios, 13: 1 a 7 e 13, disse:

“Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.  E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é injubilosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade”. (Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, 13: 1 a 7 e 13)

O Apóstolo Paulo coloca assim, sem equívoco, a caridade acima de todas as outras virtudes, até da fé.

A caridade está ao alcance de todos: do ignorante, do sábio, do rico e do pobre, independentemente da sua crença. A máxima “fora da caridade não há salvação” consagra o princípio da igualdade perante a Deus e da liberdade de consciência, um reflexo do mais puro Cristianismo.

A verdadeira caridade é o conjunto de todas as qualidades do coração na bondade e benevolência para com o próximo.

Devemos submeter as nossas ações ao governo da caridade e a nossa consciência responderá. Ela evitará a prática do mal, conduzindo o ser humano para o bem mediante uma virtude ativa. É preciso o esforço e a ação da vontade para fazer o bem, mas para não praticar o mal basta a inércia e a despreocupação.

A salvação da alma deve ser entendida como o resultado de um trabalhoso processo de auto iluminação a caminho das mais elevadas realizações. O Evangelho é o roteiro para a ascensão de todos os Espíritos, de cuja vivência decorre a luz espiritual.

Toda pessoa deve esforçar-se em seguir os exemplos e os ensinamentos do Cristo, abandonando as tendências inferiores e os vícios. Romper com os velhos hábitos e assumir o compromisso de ser cada dia melhor. A salvação é um compromisso que o homem assume com a sua consciência. A redenção é resultado de muito esforço e disciplina.

O ser surge redimido quando está pronto para a vivência da mais pura fraternidade. Ao redimir-se, o Espírito se liberta do mal. Quando realmente internalizou a ideia de que deve tratar o próximo como gostaria de ser tratado.

A salvação é a libertação do Espírito do apego aos prazeres e valores materiais pela descoberta dos prazeres e valores espirituais. É a libertação das imperfeições, que nos levam a errar, a praticar o mal a si e aos outros. É a conquista do reino de Deus em si mesmo, permitindo-lhe estar sempre em paz consigo e com Deus, em qualquer lugar ou situação. Essa salvação tem de ser conquistada interiormente no viver o bem, no estudo, no trabalho, no relacionamento com os demais e na resignação às expiações e provas.

“Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor. (…) Assistência, medicação e ensinamento constituem modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem. São vestiduras diferentes de uma virtude única. Conjugam-se e completam-se num todo nobre e digno. (…) Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos. Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do Divino Mestre, no Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente n’Ele para que Ele viva em nós”. (Emmanuel. Vinha de luz. Caridade essencial)

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Vinha de luz. (?) Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, (?).

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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