Espíritos errantes

O Espírito retorna ao mundo espiritual, após a morte do corpo físico. Depois de passar pelas experiências que caracterizam o desligamento entre a alma e o corpo, regressa ao mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo. Começa a fase de reintegração a uma nova forma de vida, em outro plano vibratório.

O perispírito, desligado do corpo físico, revela com mais sutileza suas propriedades que, sob o comando do pensamento e da vontade do Espírito, proporcionam-lhe as transformações necessárias à sua adaptação no plano espiritual.

Ensina Emmanuel que o desencarnado integra-se, na nova moradia, a uma das inúmeras sociedades humanas existentes no Além, cuja organização social fundamenta-se nos princípios de afinidade estabelecida entre os seus habitantes, que pode ser comparada a “(…) imensa floresta de criações mentais, onde cada Espírito, em processo de evolução e acrisolamento, encontra os reflexos de si mesmo”.

Em geral, o Espírito desencarnado não apresenta maiores dificuldades de adaptação. Primeiro, porque está junto de quem guarda sintonia e afinidades. Segundo, porque não percebe mudanças radicais na forma de vida, pois as inúmeras coletividades do plano extrafísico “em quase dois terços, permanecem naturalmente jungidas, de alguma sorte, aos interesses terrenos”, esclarece André Luiz.

Tais organizações sociais aglutinam-se “(…) em verdadeiras cidades e vilarejos, com estilos variados, como acontece aos burgos terrestres, característicos da metrópole ou do campo, edificando largos empreendimentos de educação e progresso, em favor de si mesmos e a benefício dos outros”.

Após um período, mais ou menos prolongado, nas regiões espirituais, o Espírito reinicia as experiências reencarnatórias. No intervalo das reencarnações, a alma recebe a denominação de Espírito errante, que aspira a novo destino, que espera.

O intervalo entre as reencarnações é de duração variável: desde algumas horas até alguns milhares de séculos. Não há extremo limite estabelecido para o estado de erraticidade, que pode prolongar-se muitíssimo, mas que nunca é perpétuo. Cedo ou tarde, o Espírito terá que voltar a uma existência apropriada a purificá-lo das máculas de existências precedentes.

A palavra “errante” utilizada por Kardec designa o estado do Espírito que ainda precisa reencarnar. O estado de erraticidade cessa quando o Espírito atinge o estágio da perfeição moral, tornando-se Espírito puro. Não é mais errante, pois chegou à perfeição, estado definitivo.

Espíritos puros percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm que sofrer mais provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.

Para Kardec, os Espíritos podem se situar em três estados, tendo a reencarnação como referência. No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente, à medida que se purificam.

Com relação ao estado em que se acham, podem ser: encarnados, ligados a um corpo; errantes, desligados do corpo material, aguardando nova encarnação para se melhorarem; e Espíritos puros, perfeitos, não precisando mais de encarnação.

Os Espíritos que necessitam de melhoria intelectual e moral retornam inúmeras vezes à experiência reencarnatória.  No intervalo de tempo entre uma e outra reencarnação, eles não se fixam numa determinada localidade no plano espiritual, em decorrência do aprendizado que necessitam desenvolver. Nessa situação, recebem a denominação de Espíritos errantes, embora tenham oportunidade de progredir.

Há Espíritos errantes com diferentes graus de erraticidade, espalhados nas inúmeras regiões do mundo espiritual, assim caracterizado por André Luiz: “(…) o plano imediato à residência dos homens jaz subdividido em várias esferas. Assim é com efeito, não do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições (de vida)”.

No plano físico, a equipe doméstica atende à consanguinidade em que o vínculo é obrigatório, mas, no plano extrafísico, o grupo familiar obedece à afinidade em que o liame é espontâneo. Com esses dois terços de criaturas ainda ligadas desse ou daquele modo, aos núcleos terrenos, encontramos um terço de Espíritos relativamente enobrecidos que se transformam em condutores da marcha ascensional dos companheiros, pelos méritos com que se fazem segura instrumentação das esferas superiores.

“A natureza do plano espiritual reflete as emissões mentais dos seus habitantes, sendo organizada por elementos semelhantes aos do plano físico, porém mais aperfeiçoados e leves, porque a matéria se encontra em outra dimensão vibratória”, assinala articulista de Reformador. As construções humanas e também as que estão presentes na natureza – reservatórios hídricos (oceanos, mares, rios, lagos e fontes), planícies e planaltos, flora (florestas, bosques, pomares, flores) e fauna diversificada integram a paisagem do plano extrafísico.

O estudo, o aconselhamento de Espíritos superiores, a observação, as experiências vivenciadas, entre outros, facultam os meios de melhoria espiritual.

Situação diversa ocorre com os Espíritos evoluídos que, por não possuírem maiores necessidades de reencarnar, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado, permanecem ligados a determinadas colônias na espiritualidade. Nessas regiões elevadas do plano espiritual, atuam como orientadores, promovendo o progresso da humanidade terrestre.

Espíritos errantes existem de diferentes níveis evolutivos, constituindo a maioria dos desencarnados do nosso Planeta. São felizes ou desgraçados, conforme os seus méritos.  Sofrem por efeito das paixões cuja essência conservaram, conforme o grau de desmaterialização a que hajam chegado.

As condições dos Espíritos e as maneiras como veem as coisas variam conforme os graus de desenvolvimento moral e intelectual em que se achem.

Geralmente, os Espíritos de ordem elevada só por breve tempo se aproximam da Terra, principalmente com o propósito de concorrerem para o progresso da Humanidade.

Os Espíritos de ordem intermédia são os que mais frequentemente baixam a este planeta, se bem considerem as coisas de um ponto de vista mais alto do que quando encarnados.

Os Espíritos vulgares são os que mais se comprazem e constituem a massa da população invisível do globo terráqueo. Conservam quase que as mesmas ideias, os mesmos gostos e as mesmas inclinações que tinham quando revestidos do invólucro corpóreo. Metem-se em nossas reuniões, negócios, divertimentos, nos quais tomam parte mais ou menos ativa, segundo seus caracteres. Não podendo satisfazer às suas paixões, gozam na companhia dos que a elas se entregam e os excitam a cultivá-las. Entre eles há muitos sérios que veem e observam para se instruírem e aperfeiçoarem.

As ideias e os conhecimentos dos Espíritos modificam-se na erraticidade. Sofrem grandes modificações à proporção que o Espírito se desmaterializa. Pode permanecer longo tempo imbuído das ideias que tinha na Terra, mas, pouco a pouco, a influência da matéria diminui e ele vê as coisas com maior clareza. Então que procura os meios de se tornar melhor.

Excetuando-se as entidades que vivem nas regiões inferiores, fortemente vinculadas à crosta planetária, os Espíritos se locomovem através da volitação do corpo perispiritual. Volitar significado esvoaçar, locomover-se acima do solo, sem auxílio de instrumentos ou veículos. Isso porque estando os desencarnados destituídos do veículo físico, possuidor de maior peso específico, podem elevar-se na atmosfera. Espíritos mais materializados utilizam normalmente as pernas e os pés. Em algumas cidades da espiritualidade os habitantes utilizam veículos que os transportam de um local para outro, mesmo que possam volitar.

O aerobus é um desses veículos, citado no livro Nosso Lar. Carro aéreo, tipo folicular, que desce até o solo, com a capacidade para transportar um número maior de Espíritos, de uma só vez. Volitação rápida é característica dos Espíritos evoluídos. Eles podem locomover-se com incrível velocidade, “com a rapidez do pensamento.

Os Espíritos se entendem por meio da comunicação telepática, projetando as próprias imagens mentais, mas utilizam também a linguagem articulada, usual entre os encarnados, sobretudo nas regiões mais próximas ao plano físico. Nas regiões superiores, o processo é inteiramente mental.

Círculos espirituais existem, em planos de grande sublimação, nos quais os desencarnados, sustentando consigo mais elevados recursos de riqueza interior, pela cultura e pela grandeza moral, conseguem plasmar, com as próprias ideias, quadros vivos que lhes confirmem a mensagem ou o ensinamento, seja em silêncio, seja com a despesa mínima de suprimento verbal, em livres circuitos mentais de arte e beleza, tanto quanto muitas Inteligências infelizes, treinadas na ciência da reflexão, conseguem formar telas aflitivas em circuitos mentais fechados e obsessivos sobre as mentes que magneticamente jugulam.

Os Espíritos de mediana evolução não se desvinculam dos ditames linguísticos, de imediato, os que lhes caracterizavam o idioma pátrio da última reencarnação.

Reconhecendo que a imagem está na base de todo intercâmbio entre as criaturas encarnadas ou não, é forçoso observar que a linguagem articulada ainda possui fundamental importância nas regiões a que o homem comum será transferido imediatamente após desligar-se do corpo físico.

Os desencarnados se alimentam de forma diferente do plano físico, pois o aparelho digestivo do perispírito sofre modificações restritivas, apropriado à ingestão de alimentos mais fluídicos.

André Luiz explica que os alimentos são absorvidos por difusão cutânea no perispírito que, “(…) por meio de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimio eletromagnéticas, hauridas no reservatório da natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si”.

Em geral, “os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em amplas roupagens, ou mesmo com os trajes que usavam em vida. O envolvimento em tecidos de gaze parece costume geral no mundo dos Espíritos”. O vestuário dos Espíritos menos evoluídos varia enormemente, atendendo a gostos pessoais que variam de trajes mais simples aos principescos. Há, inclusive, Espíritos que se utilizam de vestuários e acessórios específicos de certas profissões.

Os Espíritos superiores, ao contrário, apresentam-se aureolados de luminosidade safirina. Suas vestes são brilhantes, vaporosas, resplandecentes. É o caso de Matilde, citado no livro Libertação, de André Luiz, e de Bittencourt Sampaio, registrado no livro Voltei, do Irmão Jacob, ambos psicografados por Francisco Cândido Xavier, publicados pela FEB.

 Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa I. 2ª Edição. Brasília/DF, Federação Espírita Brasileira, 2018.

ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa complementar. Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close