Transmissão oculta do pensamento

Os mundos visível e invisível reagem incessantemente um sobre o outro, cujas relações e comunicações podem ser ocultas, espontâneas ou provocadas.

“Os Espíritos atuam sobre os homens ocultamente, sugerindo-lhes pensamentos e influenciando-os, de modo perceptível, por meio de efeitos apreciáveis aos sentidos. (…) As manifestações espontâneas ocorrem inopinadamente e de improviso; produzem-se, muitas vezes, entre as pessoas mais estranhas às ideias espíritas, as quais, por isso mesmo, não tendo meios de explicá-las, as atribuem a causas sobrenaturais. As que são provocadas dão-se por intermédio de certos indivíduos dotados para isso de faculdades especiais, e designados pelo nome de médiuns”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Assim, os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e atos muito mais do que imaginamos, pois vivemos em sintonia com os que nos rodeiam. Somos alvos da atenção de benfeitores e amigos Espirituais como também daqueles a quem prejudicamos com atos de maior ou menor gravidade, nesta ou em existências anteriores, e que nos procuram para cobrar a dívida que com eles contraímos.

A influência dos Espíritos tem origem na transmissão do pensamento e todos os seres, encarnados e desencarnados, estão mergulhados no fluido cósmico universal que ocupa todo o espaço. O fluido cósmico universal é veículo do pensamento, que recebe a impulsão da vontade do Espírito, estendendo-se ao infinito.

Os Espíritos se entendem por meio da comunicação telepática, projetando as próprias imagens mentais, mas utilizam também a linguagem articulada, usual entre os encarnados, sobretudo nas regiões mais próximas ao plano físico.

A telepatia ou transmissão de pensamento é a comunicação instantânea entre duas pessoas, possibilitando-as compreender-se apenas pela linguagem da mente, mesmo que ambas estejam acordadas (em estado de vigília).

Trata-se de uma percepção oculta, pois acontece em nível mental: “Há entre os Espíritos que se encontram uma comunicação de pensamentos que faz com que duas pessoas se vejam e se compreendam sem necessidade dos sinais exteriores da linguagem”.

É por intermédio da telepatia que muitas ideias são difundidas, comentam os instrutores espirituais: “Quando dizeis que uma ideia está no ar, fazeis uso de uma figura de linguagem mais exata do que supondes. Cada um contribui, sem o suspeitar, para propagá-la”.

Isto ocorre porque as ideias são captadas por outras mentes que se mantêm em sintonia, visto que o “Espírito não se acha encerrado no corpo como numa caixa; irradia por todos os lados. Por isso pode comunicar-se com outros Espíritos, mesmo em estado de vigília, embora o faça mais dificilmente”.

Em estado de vigília a comunicação mental é menos frequente.

O Espírito André Luiz, no livro “Nos domínios da mediunidade”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, em “Dominação telepática”, ensina sobre a comunhão telepática com todos os encarnados e desencarnados:

“Finda ligeira pausa, o Assistente continuou:

– O pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir. Quando benigno e edificante, ajusta-se às Leis que nos regem, criando harmonia e felicidade, todavia, quando desequilibrado e deprimente, estabelece aflição e ruína. A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco”.

Suely Caldas Schubert, no livro “Obsessão e desobsessão”, em “Processo obsessivo”, esclarece como o obsessor passa a controlar sua vítima por telepatia, favorecida pela sintonia mental que se estabeleceu entre ambos:

“André Luiz, no livro LIBERTAÇÃO, analisando a obsessão de Margarida, denominou-­a de ‘cerco temporariamente organizado’ e observou que os obsessores atuavam de forma cruel e meticulosa. Ao lado dela ficavam permanentemente Espíritos hipnotizadores. Entre as técnicas utilizadas por eles, ressaltamos o que se poderia chamar de ‘vibrações maléficas’, isto é, energias desequilibrantes e perturbadoras que eram aplicadas pelos algozes com a finalidade de prostrá­-la, colocando-­a completamente vencida. Além da constrição mental, o perseguidor se utiliza também do envolvimento fluídico, o que torna o paciente combalido, com as suas forças debilitadas, chegando até ao estado de prostração total. Dessa forma ele não tem condições de lutar por si mesmo, cerceado mentalmente e enfraquecido fisicamente. Após consolidar o cerco, o obsessor passa a controlar sua vítima por telepatia, favorecida agora pela sintonia mental que se estabeleceu entre ambos. Essa comunhão mental é estreita e, ainda que a distância, o perseguidor controla o perseguido, que age teleguiado pela mente mais forte. Não podemos perder de vista que isto acontece porque os seres humanos, desviados dos retos caminhos, preferem situar­-se mentalmente em faixas inferiores, escolhendo com esse comportamento as suas próprias companhias espirituais”.

Entretanto, em que pese os Espíritos diuturnamente inspirarem ideias, o indivíduo é livre para aceitá-las ou não. Como na maioria das vezes as ideias transmitidas vão ao encontro das do encarnado, este as acolhe com naturalidade, sem crítica ou oposição. Esta possibilidade, de contínua comunicação telepática entre encarnados e desencarnados decorre da mediunidade latente e comum a todas as pessoas.

Na questão 467, em “O Livro dos Espíritos”, Kardec indaga se pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal. A resposta é que “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”. Por conseguinte, como imãs atraímos ou repelimos as influências dos maus Espíritos, afastando-se os maus pensamentos com bons pensamentos.

Acrescentam os Espíritos Superiores, na questão 468, que “Quando nada conseguem, abandonam o campo. Entretanto, ficam à espreita de um momento propício, como o gato que tocaia o rato”. Por isso, orai e vigiai: “Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: Senhor! Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”.

Assim sendo, é preciso aprender a disciplinar os nossos pensamentos, a fim de atrairmos os bons Espíritos que nos auxiliarão a percorrer o bom caminho, tornando-o menos árido e pleno de realizações espirituais.

Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

LUIZ, André (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Nos domínios da mediunidade. 36ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

LUIZ, André (Espírito); nas psicografias de Francisco Cândido Xavier e de Waldo Vieira. Mecanismos da mediunidade. 28ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa I. 2ª Edição. Brasília/DF, Federação Espírita Brasileira, 2018.

ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa complementar. Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas. 3ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

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