As aparências das coisas no mundo espiritual

Lemos em muitos livros da literatura espírita narrativas que apresentam diversos aspectos do plano espiritual, dentre eles descrevendo o mundo invisível semelhante ao visível, ou plano físico.

O Espírito André Luiz, em diferentes textos, traz informações por ele presenciadas no mundo espiritual, para onde foi conduzido logo após a sua desencarnação, tais como: “Persistiam as necessidades fisiológicas, sem modificação. Castigava-me a fome todas as fibras, e, nada obstante, o abatimento progressivo não me fazia cair definitivamente em absoluta exaustão”.

O Espírito Frederico Figner, no livro Voltei, relata impressionado com a paisagem escura e perturbada que atravessara por ocasião do seu desenlace, recebendo do irmão Andrade, que o auxiliou após a desencarnação, a explicação de que tal paisagem representava reflexos da mentalidade humana, em torno da crosta planetária, acentuando que a verificação não fornecia razões de alarme, uma vez que, se um homem respira cercado pelas irradiações dos próprios pensamentos, o mundo se reveste das emanações mentais da maioria de seus habitantes.

O Espírito Camilo Cândido Botelho, em Memórias de um suicida, narra que por ocasião da visita de entes queridos aos internos na Colônia Maria de Nazaré: “Bondosas e caritativas, como toda mulher que tem a educação moral inspirada no ideal divino, as damas vigilantes dispuseram os parques para a grande recepção que se verificaria no dia imediato, utilizando toda a habilidade de que eram capazes; e, com arte e talento, criaram recantos dulcíssimos para nossa sensibilidade, ambientes íntimos encantadores por nos falarem às recordações mais queridas da infância como da juventude. (…) Muitos deles traduziam o lar paterno. Outros lembrariam cenários edificados sob as doçuras da afeição conjugal (…). E, foi, pois, no próprio cenário que figurava a casa onde nasci, que tive a inefável satisfação de rever a minha mãe querida (…). Revi a minha esposa (…). E recebi-os como se estivéssemos em nosso antigo lar terreno: os mesmos móveis, a mesma decoração interna, a mesma disposição do ambiente que eu tão bem conhecera…”

No plano espiritual há inúmeras moradas, todas revestidas de detalhes que indicam as condições evolutivas dos seus habitantes. Nas regiões melhoradas, destacam-se a elegância e a simplicidade da apresentação pessoal dos seus habitantes, o cuidado com certos detalhes, como objetos e decoração dos ambientes, refletindo beleza arquitetônica das edificações e o esplendor da natureza.

André Luiz traz notícias de bosques, parques educativos, dos mananciais de água, dos salões naturais que reproduzem quadros da passagem de Jesus pela Terra, e ainda descreve a formosura do salão da ministra Veneranda: “(…) a conservação exige cuidados permanentes, mas a beleza dos quadros representa vasta compensação”, acrescenta sua amiga Narcisa, habitante de Nosso Lar”.

Em “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec apresenta a seguinte questão: “Mas, onde eles vão buscar esses vestuários, semelhantes em tudo aos que usavam quando vivos (encarnados), com todos os acessórios que os completavam?”

Para responder a indagação, supôs que as vestimentas dos Espíritos poderiam ser parte integrante da forma natural dos Espíritos se apresentarem, mas, indaga, e quanto aos objetos e acessórios? Teriam eles correspondentes no mundo invisível? Ou seriam apenas impressões ou, até mesmo, mera aparência? A resposta às perguntas foi fornecida pelo Espírito São Luiz, e se resume no seguinte: todos os objetos são elaborados a partir do fluido cósmico. Em relação ao vestuário, este é confeccionado com auxílio de elementos materiais que entram na composição do perispírito.

No item 116 de “O Livro dos Médiuns”, Kardec narra o caso de uma senhora que, estando acamada por enfermidade, viu por duas noites a presença de uma pessoa conhecida, que morava em sua cidade. Ela sempre o via sentado em uma poltrona aos pés da própria cama, trazendo às mãos uma caixa de rapé de onde tirava uma ou outra pitada. Não conseguia falar com ele, que sempre lhe fazia sinal para que dormisse. Tempos depois, já recuperada do susto que a aparição lhe causara, e da doença, recebeu a visita desse senhor: “(…) dessa vez, era ele realmente quem estava lá. Usava a mesma roupa, a mesma caixa de rapé e os modos eram os mesmos”.

Um exemplo clássico é o da escrita direta, na qual palavras e dissertações escritas utilizam tintas de cores diferentes, e que surgem no ar, na madeira, no papel, etc., sem que haja intervenção direta da pessoa encarnada. Kardec ressalta que, à primeira vista, poder-se-ia supor que o Espírito escrevia com apoio de um lápis. Verificou, posteriormente, que não era o que acontecia: “Desde, porém, que o papel é deixado inteiramente só, torna-se evidente que a escrita se formou por meio de uma matéria depositada sobre ele. De onde o Espírito tirou esta matéria?”

A explicação, fornecida por São Luiz foi esta: “Os Espíritos dispõem, sobre os elementos materiais disseminados por todos os pontos do espaço, na vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Podem, pois, concentrar à vontade esses elementos e dar-lhes a forma aparente que corresponda à dos objetos materiais”.

O fluido cósmico universal é suscetível de transformações pelo homem encarnado e desencarnado, produzindo não só diversidades de matérias, como também mudanças nas matérias existentes. Por exemplo, transformar corpos opacos em transparentes e vice-versa.

Consta o seguinte em “O Livro dos Médiuns: “Ora, assim como o Espírito, servindo-se apenas da sua vontade, é capaz de exercer uma ação tão poderosa sobre a matéria elementar, por que não admitir que ele possa não só formar substâncias, mas também alterar as suas propriedades, usando como reativo a própria vontade?”

Vemos a importância da vontade na realização de qualquer tipo de fenômeno, exercida não só pelo Espírito errante como também pelo encarnado.

Na verdade, a vontade funciona como ensina Emmanuel: a “(…) gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental”.

A vontade exerce papel fundamental na produção de todos os fenômenos mediúnicos e anímicos, inclusive na transmissão de fluidos magnéticos espirituais pelo passe, atividade corriqueira da Casa Espírita.

Sabe-se do papel capital que desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém como explicar a ação material de um agente tão sutil?

A vontade é atributo essencial do Espírito, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre os seus componentes, possibilitando assim a transformação de suas propriedades íntimas.

A vestimenta dos desencarnados

Em geral, “(…) os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em amplas roupagens, ou mesmo com os trajes que usavam em vida. O envolvimento em tecidos de gaze parece costume geral no mundo dos Espíritos”.

O vestuário dos Espíritos menos evoluídos varia enormemente, atendendo a gostos pessoais que variam de trajes mais simples aos principescos. Há, inclusive, Espíritos que se utilizam de vestuários e acessórios específicos de certas profissões.

Depois de sua longa e bem sucedida experiência como médium, Yvonne Pereira conclui:

“Os (…) Espíritos se trajam e modificam a aparência das vestes que usam conforme lhes apraz, exclusão feita de alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui vibrações à altura de efetuar a admirável ‘operação plástica’ requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade, ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, como que empapados de lama, ou embuçados em longos sudários negros, com mantos ou capas que lhes envolvem os ombros, e, não raro, mascarados por um saco negro enfiado na cabeça, com duas aberturas à altura dos olhos. (…) Longos chapéus costumam trazer também, assim como botas de canos altos”.

Os Espíritos superiores, ao contrário, apresentam-se aureolados de luminosidade safirina. Suas vestes são brilhantes, vaporosas, resplandecentes. É o caso de Matilde, citado no livro Libertação, de André Luiz, e de Bittencourt Sampaio, registrado no livro Voltei, do Irmão Jacob, ambos psicografados por Francisco Cândido Xavier, publicados pela FEB.

Alimentação dos desencarnados

Não há dúvidas de que os desencarnados se alimentam, mas de forma diferente da usual no plano físico, visto que o aparelho digestivo do perispírito sofre modificações restritivas, apropriado à ingestão de alimentos mais fluídicos. André Luiz explica que os alimentos são absorvidos por difusão cutânea no perispírito que, “(…) por meio de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si”.

A natureza no plano espiritual

“A natureza do plano espiritual reflete as emissões mentais dos seus habitantes, sendo organizada por elementos semelhantes aos do plano físico, porém mais aperfeiçoados e leves, porque a matéria se encontra em outra dimensão vibratória”, assinala articulista de Reformador.

“No plano espiritual, o homem desencarnado vai lidar mais diretamente com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, a nascer-lhe da própria alma, uma vez que podemos defini-lo, até certo ponto, por subproduto do fluido cósmico, absorvido pela mente humana em processo vitalista semelhante à respiração”.

As construções humanas e também as que estão presentes na natureza, reservatórios hídricos (oceanos, mares, rios, lagos e fontes), planícies e planaltos, flora (florestas, bosques, pomares, flores) e fauna diversificada, integram a paisagem do plano extrafísico.

“Plantas e animais domesticados pela inteligência humana, durante milênios, podem ser aí aclimatados e aprimorados por determinados períodos de existência, ao fim dos quais regressam aos seus núcleos de origem no solo terrestre para que avancem na romagem evolutiva, compensados com valiosas aquisições de acrisolamento, pelas quais auxiliam a flora e a fauna habituais à Terra, com os benefícios das chamadas mutações espontâneas”.

Locomoção no plano espiritual

Excetuando-se as entidades que vivem nas regiões inferiores, fortemente vinculadas à crosta planetária, os Espíritos se locomovem através da volitação do corpo perispiritual. Volitar tem o mesmo significado de esvoaçar. É locomover-se acima do solo, sem auxílio de instrumentos ou de veículos. Isso é possível porque, estando os desencarnados destituídos do veículo físico, possuidor de maior peso específico, podem elevar-se na atmosfera. Evidentemente, os Espíritos mais materializados utilizam normalmente as pernas e os pés.

Em algumas cidades da espiritualidade, os habitantes utilizam veículos que os transportam de um local para outro, mesmo que possam volitar. O aeróbus é um desses veículos, citado no livro Nosso Lar, de autoria de André Luiz e psicografado por Chico Xavier. Trata-se de um carro aéreo, tipo folicular, que desce até o solo, com a capacidade para transportar um número maior de Espíritos, de uma só vez. Já a volitação rápida é característica dos Espíritos evoluídos. Eles podem locomover-se com incrível velocidade, “(…) com a rapidez do pensamento”.

Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Médiuns. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa I. 2ª Edição. Brasília/DF, Federação Espírita Brasileira, 2018.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Mediunidade: estudo e prática. Programa II. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa complementar. Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

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