A minha casa é casa de oração

“Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração…” (Lucas, 19: 46; Mateus, 21: 13; e Marcos, 11: 17).

Essa passagem evangélica serve de inspiração, conduzindo-nos também para uma reflexão de âmbito familiar, tendo como referência o nosso lar e a nossa morada íntima representada pela alma, local de transformação, renovação, fé e progresso espiritual, com um ritmo evolutivo próprio condizente com o nosso grau de consciência e amor.

A exemplo do que foi dito pelo Mestre Jesus, o nosso lar e a nossa alma são templos sagrados, como bem escreveu o Espírito Neio Lúcio, em “O culto cristão no lar”, no livro “Jesus no Lar”: “O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. (…) A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos”.

Na passagem evangélica, o Cristo passou a ideia de templo sagrado a Humanidade inteira como a sua casa, dizendo: “E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração (Marcos 11: 17).

Antônio Luiz Sayão, em “Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita”, escreveu: “O mundo terreno, como todos os que o Criador semeou pelo Espaço infinito, é uma das inúmeras casas existentes na infinita morada do Senhor do Universo e é também um templo, onde a cada uma de suas criaturas corre o dever de adorá-lo na prática do amor, cuja lei é a lei das leis. Casa, portanto, de oração, Ele o é igualmente, porquanto orar é trabalhar na obra do progresso comum, trabalhando cada qual pelo seu próprio progresso intelectual e moral”.

Na mesma direção, o Espírito Neio Lúcio, em “A escola das almas”, complementa a nossa reflexão: “O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da Humanidade. (…) O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições”.  

Alfonso Milagro, em “O Evangelho meditado para cada dia do ano”, comentou: ”Também seu interior; se todo o seu ser é um verdadeiro templo do Espírito Santo, deve viver em constante atitude de oração”.

Assim, devemos considerar o nosso lar e a nossa alma como “a minha casa”, fazendo deles uma “casa de oração”. Toda vez que se ora no lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza sagrada. O santuário doméstico que encontre criaturas amantes da oração e dos sentimentos elevados converte-se em campo sublime das mais belas florações e colheitas espirituais.

Com as bênçãos de Deus, que possamos fazer da nossa casa uma casa de oração, para adorar, louvar, pedir, agradecer e se comunicar com o Pai! Pois que: “A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele” (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Questão 659).

O Espírito Emmanuel, em “Culto Cristão no lar”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, do livro “Luz no lar”, de forma clara e inequívoca, destaca a importância do Evangelho no lar:

“O culto do Evangelho no lar não é uma inovação. É uma necessidade em toda parte onde o Cristianismo lance raízes de aperfeiçoamento e sublimação.

A Boa Nova seguiu da manjedoura para as praças públicas e avançou da casa humilde de Simão Pedro para a glorificação no Pentecostes.

A palavra do Senhor soou, primeiramente, sob o teto simples de Nazaré e, certo, se fará ouvir, de novo, por nosso intermédio, antes de tudo, no círculo dos nossos familiares e afeiçoados, com os quais devemos atender às obrigações que nos competem no tempo.

Quando o ensinamento do Mestre vibre entre as quatro paredes de um templo doméstico, os pequeninos sacrifícios tecem a felicidade comum.

A observação impensada é ouvida sem revolta.

A calúnia é isolada no algodão do silêncio.

A enfermidade é recebida com calma.

O erro alheio encontra compaixão.

A maldade não encontra brechas para insinuar-se.

E aí, dentro desse paraíso que alguns já estão edificando, a benefício deles e dos outros, o estímulo é um cântico de solidariedade incessante, a bondade é uma fonte inexaurível de paz e entendimento, a gentileza é inspiração de todas as horas, o sorriso é a sombra de cada um e a palavra permanece revestida de luz, vinculada ao amor que o Amigo Celeste nos legou.

Somente depois da experiência evangélica do lar, o coração está realmente habilitado para distribuir o pão divino da Boa Nova, junto da multidão, embora devamos o esclarecimento amigo e o conselho santificante aos companheiros da romagem humana, em todas as circunstâncias.

Não olvidemos, assim, os impositivos da aplicação com o Cristo, no santuário familiar, onde nos cabe o exemplo de paciência, compreensão, fraternidade, serviço, fé e bom ânimo, sob o reinado legítimo do amor, porque, estudando a Palavra do Céu em quatro Evangelhos, que constituem o Testamento da Luz, somos, cada um de nós, o quinto Evangelho inacabado, mas vivo e atuante, que estamos escrevendo com os próprios testemunhos, a fim de que a nossa vida seja uma revelação de Jesus, aberta ao olhar e à apreciação de todos, sem necessidade de utilizarmos muitas palavras na advertência ou na pregação”.

No mesmo livro, o Espírito Irene S. Pinto, em “Jesus em Casa”, escreveu:

“O culto do Mestre, em casa,

É novo sol que irradia

A música da alegria

Em santa e bela canção.

É a glória de Deus que vaza

O dom da Graça Divina,

Que regenera e ilumina

O templo do coração.

Ouvida a bênção da prece,

Na sala doce e tranquila,

A lição do bem cintila

Como um poema a brilhar.

O verbo humano enaltece

A caridade e a esperança,

Tudo é bendita mudança

No plano familiar.

Anula-se a malquerença,

A frase é contente e boa.

Quem guarda ofensas, perdoa

Quem sofre, agradece à cruz.

A maldade escuta e pensa

E o vício da rebeldia

Perde a máscara sombria…

Toda névoa faz-se luz!

Na casa fortalecida

Por semelhante alimento,

Tudo vibra entendimento

Sublime e renovador.

O dever governa a vida

Vozes brandas falam calmas….

É Jesus chamando as almas.

A o reino do Eterno Amor!”


Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

DIVERSOS ESPÍRITOS; na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Luz no Lar. 12ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2010.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MILAGRO, Alfonso. O Evangelho meditado para cada dia do ano. 5ª Edição. São Paulo/SP: Editora Ave-Maria, 2001.

LÚCIO, Neio (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier. Jesus no Lar. 37ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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