Quando um Espírito imundo sai de um homem, mantenha a alma limpa e adornada com tesouros divinos

“Quando um Espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso e não encontra, e diz: Voltarei para a casa de onde saí. Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem. Então vai e traz consigo outros sete Espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim acontecerá a esta geração perversa”. (Mateus, 12: 43-45)

“Quando um Espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso e, não o encontrando, diz: Voltarei para a casa de onde saí. Quando chega, encontra a casa varrida e em ordem. Então vai e traz outros sete Espíritos piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro”. (Lucas, 11: 24-26)

Nessa passagem evangélica, o Mestre Jesus ensina a manter limpa a nossa casa espiritual, representada pelo homem de onde saiu o Espírito imundo, e a ser habitada pelas virtudes edificantes na prática do bem, varrendo-a de todas as más paixões, tendências e sentimentos inferiores, para que ela não seja habitada novamente e invadida pelos maus Espíritos, que passam a viver dentro dela, piorando o estado anterior.

Pela lei de afinidade, atraímos ou repelimos bons ou maus Espíritos, porquanto eles se afeiçoam a certas pessoas, sendo que os bons Espíritos se simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de melhorarem, e os Espíritos inferiores com os homens viciosos.

“Quando um espírito imundo sai de um homem”, a retomada obsessiva com o retorno de Espíritos imundos é perigosa, por isso o Cristo, depois de curar o paralítico de Betesda e reencontrá-lo no templo, fez a advertência inesquecível: “Eis que já estás são. Não peques mais, para que te não suceda coisa pior” (João, 5: 14). Daí a importância da reforma íntima e da vigilância necessária para não cair em tentação e pecar novamente.

A cura dos males espirituais traduz-se como grande desafio. Ainda que abençoados pela cura de enfermidades que atingem a organização física, poderão ocorrer recaídas se não existir ajustamento espiritual aos ditames das leis divinas que regem a vida.

Antônio Luiz Sayão, em “Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita”, esclarece:

“Jesus, por essa forma, advertia os homens de que estivessem precavidos sempre contra as más paixões e tendências que, repelidas, a princípio, facilmente podem voltar depois mais intensas e tenazes, como acontece com as enfermidades, relativamente às quais se verifica que as recaídas são sempre mais perigosas.

Os Espíritos imundos que influenciam para o mal o homem são atraídos pelos seus maus sentimentos. Ora, se o homem limpar sua alma de todas as impurezas e a adornar das virtudes opostas a tais sentimentos ocupa-la-á o seu anjo de guarda, tornando impossível àqueles Espíritos fazerem nela morada, como antes. Ornemos, pois, de virtudes as nossas almas, a fim de que o Senhor as possa considerar habitações dignas dos seus mensageiros, os Espíritos bons, de cuja inspiração e assistência gozaremos, então, constantemente”.  

Vinícius, em “Higiene da alma”, no livro “Nas pegadas do Mestre”, comenta:

“Assim como há imundície do corpo, há também imundície do espírito. O corpo, quando não é higienicamente cuidado, transforma-se em foco de sujidade e de miasmas, que chegam a empestar a atmosfera que o envolve. Do mesmo modo, o espírito, quando abandonado ao arrastamento dos vícios, das paixões torpes, das influências e sugestões baixas de ambientes malsões, torna-se imundo. Há higiene da alma como há higiene do corpo: descurá-las é resvalar no esterquilínio, que, em realidade, existe tanto no que diz respeito ao espiritual como no que respeita ao material.

Os espíritos contaminados de impurezas não têm paz nem tranquilidade de consciência. Procuram-na, em vão, pelas escusas vielas dos planos inferiores onde perambulam. Seu prazer consiste em sugerir aos homens pensamentos inquinados de maldade.

Os imundos permanecem, segundo a lei de afinidade, com aqueles que, eivados do mesmo mal, lhes dão acesso e guarida. Afastam-se dos que com energia repelem seus miasmas, pela lei de afinidade, cuja ação, tanto lhes pode ser favorável num caso, como inteiramente desfavorável em outro.

Concluímos, pois, deste fato, que a lei de afinidade é uma força, não sendo, portanto, nem moral nem imoral. Ela age atraindo, combinando e ligando entre si os elementos da mesma espécie. Seu programa é sempre ligar, porém, imutável em sua ação, jamais consorcia elementos heterogêneos.

O processo prático, por conseguinte, de nos pormos ao abrigo dos imundos é alimentar ideais opostos aos seus. Quanto mais positiva e formal for essa dissemelhança, menos probabilidade eles terão de nos atingir, e, tal seja o grau de firmeza com que nos sustentemos no polo oposto, seremos inatingíveis.

Não basta, pois, que não aninhemos o mal em nossos corações: é preciso cultivar o bem. Um coração vazio de ideal, ao lado de uma mente destituída de aspirações nobres e elevadas, é porta aberta às influências perigosas. Fomos criados para o trabalho. Nossas mentes como nossos corações devem estar sempre ocupados com o que é puro e bom, de modo que não haja lugar para o que é impuro e mau.

Casa varrida, adornada e desabitada constitui perigo iminente. Os indesejáveis invadem-na sem nenhum escrúpulo, e dela se apossam”.  

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

VINÍCIUS. Nas pegadas do Mestre.  12ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

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