Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa: missionário de Jesus

Essa reflexão será apoiada na história de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa, cujos ensinamentos e exemplos transportam-se para os dias atuais.

Para se compreender melhor a vida, a missão e a importância de Antônio de Pádua, assim como a de Francisco de Assis, para trazer luz onde havia escuridão e trevas, vivendo o desapego aos bens materiais, elevando os valores espirituais e pregando a Palavra do Mestre com a prática do consolo e da caridade, há que se contextualizar aquele período de grandes tribulações como das Cruzadas e da Inquisição.

À época vivida por São Francisco de Assis e Santo Antônio de Pádua, houve as ações dos Céus diante de uma humanidade afastada de Deus e dos ensinamentos de Jesus.

Nesse sentido, o Espírito Miramez, em “Francisco de Assis”, na psicografia de João Nunes Maia, escreveu:

“Não é nossa pretensão historiar as Cruzadas, mas para que seja possível compreender melhor a missão de Francisco de Assis e de Antônio de Pádua, é necessário que busquemos alguns acontecimentos na história da Idade Média, e liguemos as coisas, a fim de deduzirmos o valor da vinda destes grandes missionários de Jesus, para amenizarem as provações da coletividade. Eis que foram dois astros lançados dos Céus em favor da Terra”. (…)

“Eram duzentos discípulos escolhidos e testados para a grande tarefa de difícil cumprimento, pois a renúncia, o desprendimento, a humildade e o amor seriam a tônica de todo o seu ideal”. (…)

“Francisco de Assis e Antônio de Pádua compuseram uma das equipes angélicas que desceram dos páramos celestiais para espiritualizarem a humanidade, em nome d’Aquele que sempre foi a luz das consciências. O primeiro, nascido em Assis, na Itália, e o segundo, em Portugal …”.

As Cruzadas foram movimentos militares “cristãos” à Terra Santa para manter o domínio daquela região, conhecidos como os “defensores do Santo Sepulcro”.

No século VII, surgiu o Islamismo do Profeta Maomé, que se expandiu e estabeleceu lugares sagrados na Palestina que coincidiam com os dos cristãos, motivando conflitos com o cristianismo.

Jerusalém era o principal local sagrado para cristãos, muçulmanos e judeus.

Os turcos muçulmanos ocupavam a Terra Santa, impedindo o trânsito de cristãos.

Depois de inúmeras expedições para reconquistar Jerusalém, os muçulmanos se mantiveram na região.

Nas Cruzadas, os “soldados de Cristo” usavam a cruz em suas roupas e justificavam suas ações em diversos confrontos armados, ditas “religiosas”, em nome de Deus e de Jesus. Embora Jesus houvesse dito: “Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica” (Lucas 6: 29); e “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra” (Mateus 5: 38-39).

A Igreja Católica, subordinada aos imperadores romanos, transformava-se em mercado de títulos de nobreza e tentava se libertar.

O Papa Gregório III procurou restabelecer a autoridade da Igreja e combater o mercado dos sacramentos e as honras eclesiásticas.

Instalada em riquezas e poder, a Igreja poucas vezes compreendeu a verdadeira tarefa de amor que competia à sua missão.

Do mundo espiritual, recebeu seguidas advertências de Jesus pelas heresias condenáveis.

Qualquer lembrança verdadeira e sincera (da origem cristã), do seu divino Fundador, era tomada como heresia abominável e suscetível de severas punições. Esta era a fotografia do poder religioso da época.

A Inquisição foi instaurada, no Século XIII, e dirigida pela Igreja Católica Romana.

Eram tribunais que julgavam aqueles considerados ameaças às doutrinas da Igreja.

Os suspeitos eram perseguidos, julgados e, se condenados, cumpriam penas de prisão temporária ou perpétua, até a morte na fogueira.

Os julgamentos ganharam força em países como: Portugal, França, Itália e Espanha.  

Cientistas foram perseguidos, censurados e até condenados por defenderem ideias contrárias à doutrina cristã.

No sentido contrário da Inquisição, Jesus disse: “não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7: 1-2).

Para Cristo vir à Terra, era necessária preparação espiritual do planeta, para que atentados contra a Boa Nova do reino de Deus não viessem a gerar alterações.

Falange de Anjos desceu à Terra tirando 2 bilhões de Espíritos inferiores, que alimentavam ódio e vingança.

O Satanás descrito por João Evangelista evidenciava-se como o símbolo desses 2 bilhões de Espíritos, que esperavam o cumprimento da profecia de que, após mil anos, seriam soltos.

Depois de mil anos de cristianismo, foram abertas as portas das trevas.

As cruzadas e, depois, a inquisição foram instituídas por esses Espíritos.

Esse foi um breve resumo da época de Francisco de Assis e de Antônio de Pádua.

Importante destacar, também, o que Almerindo Martins de Castro escreveu no livro “Antônio de Pádua”: “Médiuns formidáveis vieram à Terra secundar a ação de Jesus-Cristo, produzindo os fenômenos mais impressionantes e deixando perceber a origem extracorporal das forças que agiam. (…) Um desses extraordinários tipos de médium é aquele a quem se chama, em Portugal, Santo Antônio de Lisboa, e, na Itália, Santo Antônio de Pádua”.

Mais adiante, Almerindo expressa: “Antônio de Lisboa ou de Pádua foi médium dos maiores: médium de materialização, de efeitos físicos, vidente, de transporte, de transfiguração, de curar, inspirado, audiente, de transmissão de fluidos, profético”.

Desse dom divino, Almerindo infere sobre certo receio, por parte de alguns escritores, “na divulgação dos fenômenos produzidos por Antônio, nos quais está claramente revelada a manifestação dos Espíritos. (…) Este silêncio quanto ao nome do notável médium é assinalável em escritores de outro gênero, até mesmo em livros de caráter meramente didático”.

Almerindo comenta, ainda: “O padre Carlos das Neves, no excelente livro que publicou por ocasião do 7º centenário antoniano, registra o desprezo a que votaram as glórias do notável santo e a esse olvido podemos nós, os espíritas, acrescentar o nosso espanto — indagando por que Antônio de Pádua ou de Lisboa não é citado a cada momento, como tendo sido um dos maiores médiuns conhecidos, e por que também se lhe truncam importantes episódios da vida terreal”. Isto porque, “Foram 53 os milagres que serviram de base para o processo de canonização do chamado Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua”.

Situados acerca da época vivida por Santo Antônio de Pádua e da sua elevada mediunidade, passaremos a conhecer parte de sua biografia.

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 15 de agosto de 1195, cujo nome verdadeiro era Fernando Martim de Bulhões, filho de Martim de Bulhões e Maria Tereza Taveira, oriundo de família nobre e rica. Algumas fontes pesquisadas divergem quanto aos nomes do próprio Santo Antônio como os de seus pais, mas isso não é significativo para colhermos os ensinamentos necessários.

Desde pequeno, Fernando de Bulhões teve contato com o ensino religioso ministrado pelo clero na Sé de Lisboa, assimilando os primeiros conhecimentos.

Com 15 anos, Santo Antônio ingressou no Mosteiro de São Vicente de Fora, um convento dos frades agostinhos. Em seguida, foi estudar no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde recebeu sólida formação filosófica e religiosa.

Desse momento, Almerindo comenta: “Aí estudou filosofia e teologia, e adquiriu a erudição mediúnica que devia constituir mais tarde o traço fundamental da sua inconfundível figura”.

Em 1220, Santo Antônio era ordenado Sacerdote. Nesse mesmo ano, se sensibilizava ao ver os despojos dos frades franciscanos que foram venerados no Mosteiro de Santa Cruz após serem martirizados numa missão no Marrocos, na tentativa de evangelizar os mouros. Então, resolve se juntar à ordem e recebe o hábito de São Francisco no Convento de Olivais, em Coimbra, com o nome de Frei Antônio.

Sensibilizado pelo ocorrido no Marrocos, inicia uma missão para a África, mas adoeceu tão gravemente, que foi para a Espanha.

Entretanto, Almerindo registra: “E quiseram os Espíritos que ventos contrários impelissem a nau para fora do rumo (nesse tempo ainda não fora inventada a bússola), e desse à costa em Taormina, na Sicília, Itália. Antônio dirigiu-se para Messina, onde convalesceu durante dois meses. Pode-se talvez ver também nesse desvio de rumo a proteção que do Alto já lhe era dispensada, pois ele não conseguiria amoldar-se aos processos de conversão adotados pelos missionários cristãos da época”.

Em 1221, Santo Antônio viaja para Assis a fim de participar do Capítulo da Ordem dos Franciscanos.

Em 1222, foi convidado para a ordenação sacerdotal em Forli, quando faz um sermão revelando grande dom da oratória e seu profundo conhecimento da Bíblia.

Almerindo narra esse fato com maiores detalhes:

“Foi em Forli, aonde acompanhara frei Graciano, a uma reunião de franciscanos e dominicanos em assembleia.

Estavam no refeitório. O prelado local, que presidia a mesa, onde tomavam assento os frades que tinham vindo receber ordens, incluídos vários pregadores de tirocínio, pediu a estes dissessem algumas palavras evangelizadoras aos circunstantes.

Todos recusaram, alegando não estarem preparados para tal.

Foi quando ao dito prelado acudiu a jocosidade de fazer falar o humilde frade Antônio, a respeito do qual ninguém tinha notícia de que soubesse alguma coisa, e era conhecido pela gente do convento apenas pelo escrúpulo com que lavava as panelas e exercia outros misteres da cozinha.

Antônio escusou-se, com aquela modéstia que só se encontra no verdadeiro médium.

Mas, o prelado o intimou quase, acrescentando: ‘Diz o que o Espírito Santo sugerir’.

Foi o rastilho para os Espíritos.

Antônio começou falando do temor de Deus; mas, pouco a pouco, atuado, subiu, remigiou pelas culminâncias da eloquência e do profundo conhecimento das Escrituras Sagradas, tocou os pontos sutis da doutrina e da prática do Cristianismo, e disse, em síntese admirável, de coisas que os luminares ali presentes confessaram não terem ainda ouvido a ninguém.

Pasmos de tanto saber, curvaram-se à autoridade intelectual de Antônio e informaram imediatamente a Francisco de Assis o ocorrido; e, dentro em breve, o frade obscuro aos olhos dos seus colegas era transformado em pregador eminente e produzia os estupefacientes fenômenos mediúnicos que revolucionaram aquelas gentes”.

Em seguida, é designado para difundir e evangelizar a doutrina na região da Lombardia.

Em 1224, foi indicado por São Francisco de Assis para lecionar Teologia na universidade de Bolonha. Em seguida, foi enviado para a França, onde lecionava nas universidades de Toulouse, Montpellier e Limoges.

Em todos os lugares que passou as suas pregações encontraram forte eco popular, pois lhe eram atribuídos feitos prodigiosos que contribuíram para o crescimento de sua fama de santidade.

No final de 1227, Santo Antônio retornou à Itália e, até 1230, atuou como Ministro Provincial em Milão e em Pádua. Participou do Capítulo Geral em Assis, onde assistiu os traslados dos restos mortais de São Francisco, da Igreja de São Jorge para a nova Basílica.

Em 1930, Santo Antônio solicitou ao Papa a dispensa de suas funções no cargo provincial, para dedicar-se à pregação e contemplação, permanecendo no mosteiro que havia fundado em Pádua.

Entre 5 de fevereiro e 23 de março de 1231, prega os Sermões da Quaresma. Serve de mediador junto à prefeitura de Pádua que resulta em um decreto que tornou menos cruel a condição dos que deviam e não conseguiam pagar suas dívidas. Em maio, abençoou a cidade de Pádua.

Com uma saúde precária, Santo Antônio recolheu-se ao convento de Arcella, perto de Pádua, onde escreveu uma série de sermões para domingo e dias santificados.

Santo Antônio faleceu em Pádua, Itália, no dia 13 de junho de 1231.

Em 1263, seus restos mortais foram transladados para a Basílica de Santo Antônio de Pádua, construída em sua memória.  

Os milagres de Santo Antônio, ainda em vida, lhe valeram a canonização, em 13 de maio de 1232, apenas onze meses depois de sua morte, pelo papa Gregório IX.

Esses milagres merecem ser comentados em outra postagem neste Blog, especialmente para as devidas reflexões.

Bibliografia:

CASTRO, Almerindo Martins de. Antônio de Pádua: sua vida de milagres e prodígios. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Médiuns. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

FRAZÃO, Dilva. Santo Antônio de Pádua: Santo da Igreja Católica. Disponível em: https://www.ebiografia.com/santo_antonio_de_lisboa/. Publicado em: 12 de junho de 2019. Acesso em: 15 de novembro de 2020.

MIRAMEZ (Espírito); psicografia de João Nunes Maia. Francisco de Assis. 30ª Edição. Belo Horizonte/MG: Editora Espírita Fonte Viva, 2013.

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