Bendito é o que vem em nome do Senhor

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito é o que vem em nome do Senhor.” (Mateus, 23: 37-39)

Essa passagem está no contexto do Capítulo 23 do Evangelho de Mateus em que Jesus, próximo do seu martírio na cruz, falou a uma multidão e aos seus discípulos, revelando a hipocrisia, o egoísmo, o orgulho e a vaidade das lideranças religiosas da época, que detinham o dever de conduzir as suas ovelhas para o caminho do bem, mas, no sentido contrário, elas mais valorizavam os ritos e as aparências exteriores do que praticar o amor e a caridade, principalmente com os deserdados da Terra.

Para as nossas reflexões, os ensinamentos dessa passagem necessitam ser transportados para os dias atuais, entendendo Jerusalém como toda a Humanidade, a casa ou o templo sendo os grupos religiosos encarregados de orientar as suas ovelhas e o que o enviado do Senhor, os profetas e os mensageiros divinos vêm em missão de nos orientar para o caminho da verdade em direção ao Pai, tendo o Mestre Jesus como modelo e guia para as nossas vidas na busca da perfeição. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. (João, 14: 6)

Naquele tempo, o Cristo revelou a hipocrisia e a vaidade dos homens da lei, escribas e fariseus que se sentavam na cadeira de Moisés, ocupavam lugares específicos nas ceias e nas sinagogas, gostavam das aparências, faziam tudo para serem vistos pelos homens, trajavam vestes suntuosas, saudavam nas praças e queriam ser chamados de rabi. Esses religiosos mostravam-se justos exteriormente, mas estavam cheios de falsidade e iniquidade no seu interior.

Contrapondo-se a tudo isso, o Cristo disse que esses tipos de religiosos não faziam o que pregavam, criavam fardos pesados difíceis de suportar a seus seguidores, alertando a eles que Rabi é um só, o Cristo, o Pai é um só, que está nos céus, e que todos nós somos irmãos. Disse ainda que o maior dentre nós será o seu servo; e quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado.

Além disso, apontou pelos vários “ai de vós” o destino dos religiosos que desviam seus fiéis do caminho da prática do bem, reforçando o dito anteriormente: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os! Eles são guias cegos guiando cegos. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no buraco” (Mateus, 15:13-14).

O Mestre, falando com tamanha contundência, desnudou os vazios espirituais dos escribas e fariseus, que como cegos guiando cegos fechavam o reino dos céus a eles mesmos e aos homens, fazendo-os jurar pelo templo que nada representava e mantendo-os devedores perante a Deus. Como pastores insensatos abandonavam suas ovelhas, induzindo-as ao mal, com propósitos indignos.

Antônio Luiz Sayão, em “Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita”, sobre essa passagem, esclarece:

“… o divino Mestre aludia à morte e às perseguições que os profetas tinham sofrido, ao sacrifício que breve se consumaria no Gólgota, às perseguições, aos martírios e à morte que os apóstolos, os discípulos e os primeiros cristãos viriam a sofrer, aos esforços que Ele fizera para reunir as ovelhas em torno do cajado do bom pastor, à destruição de Jerusalém, à dispersão dos Judeus e, finalmente, à época alegórica do fim do mundo, isto é, a época em que, operada pela depuração e transformação do nosso planeta e da humanidade terrena a regeneração desta, vindo o nosso protetor, governador e mestre em toda a sua glória, os homens (judeus e gentios), regenerados, clamarão, num brado uníssono de amor, como outrora a multidão que o acompanhava à sua entrada na cidade santa: Bendito o que vem em nome do Senhor!”

O “… desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito é o que vem em nome do Senhor” traduz a necessidade, nesse momento de transição planetária, de colhermos e praticarmos a Palavra da verdade divina que liberta a alma transmitida pelo Bom Pastor.

Ainda hoje, o mundo refuta a mensagem cristã enviada por aquele que veio em nome do Senhor, alertando-nos e conduzindo-nos para o caminho correto para o reino de Deus habitar dentro de nós.

Isto porque: “Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ademais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as Leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as consequências do seu proceder”. (Allan Kardec. A Gênese. Capítulo II. O bem e o mal. Item 6)

Por tudo isso, que possamos dizer: “Bendito é o que vem em nome do Senhor.” (Mateus, 23: 39)


Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KREMER, Frederico Guilherme da Costa. Jesus de Nazaré: uma narrativa da vida e das parábolas. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). O Evangelho Redivivo: estudo interpretativo do Evangelho segundo Mateus. Livro II. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2020.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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