A boca fala do que está cheio o coração

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.” (Lucas, 6: 45)

No mesmo contexto, temos o Evangelho de Mateus, em que o Mestre disse: “não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mateus 6: 19-21)

Os ensinamentos dessas passagens evangélicas têm como foco os bons tesouros, celestiais ou edificantes, que enchem o coração, e a boca que fala desses tesouros armazenados no coração. Da mesma forma, se colocarmos tesouros ruins no coração, a boca externará as coisas más do mal que está no coração. Dependendo dos bons ou maus tesouros guardados no coração, o homem será bom ou mau.

Assim, Jesus fala dos tesouros assentados no coração, porquanto ele simboliza os nossos sentimentos, o órgão que constitui o verdadeiro termômetro das emoções e que está na dependência do centro vital chamado Cardíaco, que age sobre a circulação do sangue e a emotividade.

O coração está relacionado aos sentimentos humanos, bons ou ruins, sendo comum alguém dizer: aquela pessoa não tem coração; ele tem um bom coração; fulano tem o coração duro; ela está com o coração triste; ele falou com o coração; tenho o coração aberto; entre outras tantas expressões. Isso porque, o coração tem sido símbolo dos nossos sentimentos. É como se todos os sentimentos por ele passassem e deixassem suas marcas, as boas e as ruins. A sensação é causada pela descarga de adrenalina, que faz a pressão arterial subir e acelerar o batimento cardíaco.

Para os cristãos, o coração sempre abrigou a essência do ser, permitindo a aproximação entre Deus e os homens, e uma relação direta entre amor e espiritualidade, sendo o coração símbolo do sentimento de amor.

O sentimento é uma configuração afetiva estável, de duração maior do que a emoção, e está associada a conteúdos psíquicos mais consistentes. O sentimento se constrói a partir de experiências ou reflexões conscientes que se associam a redes emocionais inconscientes.

A emoção é uma reação afetiva, aguda e momentânea, de curta duração, com ou sem consequências somáticas, cuja ocorrência, na maioria das vezes, é de forma instintiva. A emoção, geralmente, faz-nos agir por impulso, de forma desequilibrada ou apaixonada, ou tomar atitudes impensadas. Em nome da paixão, uma pessoa é capaz de cometer crime.

Do Evangelho de Mateus, Jesus disse: “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem” (Mateus, 15: 10-11).

Logo, o que sai da boca do homem é que o macula, porque procede do coração, tornando-o impuro, porquanto do coração é que partem os maus pensamentos e todas as blasfêmias e as maledicências interiores.

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Episódios diários”, Capítulo 11, em “A palavra”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, ensina:

“Poderoso veículo de comunicação, a palavra é instrumento que poucos utilizam como deveriam.

A boa palavra ergue e consola, ensina e corrige, ampara e salva.

A má palavra envenena e mata, enlouquece e fulmina, desequilibra e arma de ódio.

Muitos falam sem pensar, gerando antipatias e fomentando crimes.

Outros pensam sem falar e perdem as oportunidades edificantes de sustentar o ideal do bem e da vida.

Falar por falar expressa desequilíbrio, tanto quanto calar, sempre, denota doentia introspecção.

*

Dispões desse abençoado instrumento para preservar a vida e enriquecê-la de bênçãos, que é a palavra.

Usa o verbo com sabedoria, ensinando, ajudando e impulsionando as pessoas ao avanço, ao progresso.

Articula a palavra sem gritaria nem desconcerto emocional, de modo que se te faça agradável, inspirando os que te ouvem e gerando simpatia em teu favor.

A arte de falar é conquista que todos devem lograr.

Não a esgrimas com teu verbo, nem a sepultes no mutismo da alienação.

Fala sobre o bem, o amor e a esperança, propondo a alegria entre as criaturas e ensinando-as a adquirir segurança pessoal no processo da evolução”.

Cairbar Schutel, no livro “Parábolas e ensinos de Jesus”, em “Higiene do coração”, esclarece:

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. (Mateus, V, 8.)

Há corações limpos e há corações sujos. Para aqueles reservou o Senhor a visão de Deus.

E assim como há necessidade da higiene do corpo, para que o corpo funcione regularmente, com mais forte razão faz-se preciso higiene do coração, para que o Espírito ande bem.

É preciso limpar o coração para se ver a Deus. Ninguém há de coração sujo que tenha olhos abertos para o supremo artífice de todas as coisas.

‘A boca fala do que o coração está cheio; do interior procedem as más ações, os maus pensamentos’.

Coração sujo, homem sujo; coração limpo, alma límpida, apta para ver Deus.

Faz-se mister limpar o coração. Mas, de que forma começar esse asseio?

É preciso que nos conheçamos primeiramente; é preciso conhecermos o coração. Nosce te ipsum, conhece-te a ti mesmo! Saber quem somos e os deveres que nos cumpre desempenhar; interrogar cotidianamente a nossa consciência; exercitar um culto estritamente interno, tal é o início dessa tarefa grandiosa para a qual fomos chamados à Terra.

A limpeza de coração substitui o culto externo pelo interno. As genuflexões, as adorações pagãs, as preces cantadas e mastigadas, nenhum efeito têm diante de Deus.

O que o Senhor quer é a limpeza, a higiene do coração.”

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Florações evangélicas”, no Capítulo 42, em “Lâmpadas, receptores e transmissor”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, ensina:

“Mantém acesas as lâmpadas dos olhos e contempla tudo com amor, a fim de que as belezas povoem as paisagens do teu pensamento.

A candeia do corpo são os olhos.

Liga os receptores somente quando as convenientes mensagens sonoras produzam vibrações de nobres sinfonias nos teus painéis mentais, de modo a possuíres permanente festa no espírito, não obstante as tormentas exteriores que te cerquem.

Quem tiver ouvidos ouça.

Externa apenas o que possa ajudar e silencia tudo aquilo que aguilhoa e martiriza, pois o homem superior é considerado não pelo muito que diz, mas pelo conteúdo enobrecedor do que carregam suas palavras.

Porque a boca fala o de que está cheio o coração.”

O período de regeneração da Humanidade é marcado por significativa transição moral e espiritual, sendo de fundamental importância trazermos o Cristo na mente e no coração, a fim de que não venhamos a sucumbir em nossas provações e expiações que nos desafiam a seguir em frente na busca da perfeição.

Comece limpando o seu coração de todos os sentimentos inferiores que somente estacionam a evolução moral e espiritual, considerando que toda transformação terá de nascer no interior de cada ser, pois no coração é que se trava a verdadeira guerra de melhoria dos sentimentos. É preciso abrir as portas do coração e sair da estagnação alimentada pelos vícios arraigados em várias existências.

A pureza do coração evitará o endurecimento espiritual da alma, porque ela aquecerá e irradiará amor em todas as direções, estimulando a alegria dos bons e reduzindo a infelicidade dos nossos irmãos. Por isso, Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus” (Mateus, 5: 8).

Bibliografia

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Episódios diários.  10ª Edição. Salvador/BA: Editora LEAL, 2016.

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Florações evangélicas.  6ª Edição. Salvador/BA: Editora LEAL, 2020.

BIBLIA ON LINE.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensino de Jesus. 28ª Edição. Matão/SP: Casa Editora O Clarim, 2016.

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