A vida será como você a vê

“Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas, se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus, 6: 22-23).

“A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor” (Lucas, 11: 34-36).

As passagens evangélicas conduzem para a importância de se ter bons olhos para a vida e para os seus semelhantes, extraindo deles o que há de bom para iluminar o seu interior e o seu caminho, que impulsionarão o seu processo evolutivo.

Ao olhar e valorizar somente as coisas ruins da vida e das pessoas, você se cobrirá de sombras, tudo será ruim, fazendo-o mergulhar em trevas interiores que produzirão quedas inevitáveis.

A vida tem seu lado bom e desafiante, as pessoas têm suas qualidades e seus defeitos, os bens materiais têm utilidades, fascínios da ilusão de riqueza e das paixões inferiores e destinações edificantes.

Se olhar somente os defeitos das pessoas, será difícil viver e conviver com elas.

A vida e os bens terão os valores que se der a eles. “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas…” (Mateus, 7: 6) Os cães não se interessam por coisas santas e tampouco os porcos por pérolas.

É preciso ter bons olhos para que tudo seja bom.

A vida será como você a vê.

Muitas vezes, você está de frente com a felicidade e não a enxerga devido ao egoísmo e ao orgulho, que agem como vendas nos olhos, fazendo focar apenas o que quer ver ou controlar, em vez de valorizar o que está diante de você.

O orgulho e o egoísmo funcionam como filtros que distorcem a realidade, dominando a visão para uma vida de ilusões na busca incessante do que imagina ser a felicidade, impedindo de desfrutar o verdadeiro amor diante de si. Por essa visão distorcida da realidade, que é pura ilusão, a pessoa poderá estar no paraíso e se sentir infeliz.

Quando o egoísmo toma conta, enxerga-se as pessoas como meios para satisfazer o próprio ego, os seus desejos ou querendo que elas sejam como você as imagina. Se algo não sair exatamente do seu jeito, rejeita-se a experiência. O orgulho impede de amar, aceitar ajuda, de pedir desculpas, de perdoar ou de reconhecer que a vida pode ser boa mesmo sendo como ela é.

A busca por uma ilusão da felicidade egocêntrica idealizada no orgulho faz ignorar a felicidade real que está batendo à porta.

A verdadeira felicidade costuma se manifestar nas coisas mais simples: um olhar de amor; uma conversa sincera; um gesto de apoio e carinho; olhares solidários; palavras consoladoras; a paz de um momento comum; ou estar junto de quem ama.

Muitos passam a vida esperando por conquistas ou momentos grandiosos para se sentirem felizes, quando a verdadeira paz e a alegria de viver estão escondidos nos pequenos detalhes do cotidiano.

Valorizar o que se tem é muito importante, fazendo encontrar beleza e significado em cada experiência, cultivando um coração aberto e sereno diante dos benefícios da vida.

Identifique e reconheça o que é essencial para a sua vida e o que as pessoas têm de melhor, minimizando seus defeitos, compreendendo que todos somos seres em evolução, e cada um se encontra em determinado estágio de progresso moral e espiritual.

Vinicius, no livro “Nas pegadas do Mestre”, em “Olhos bons e olhos maus”, ensina que os olhos são a luz dos corpos físico e espiritual.

A forma como enxergamos o mundo está ligada à condição moral: pessoas de boa moral tomam decisões acertadas e fazem juízos retos; pessoas de moral comprometida têm visão distorcida e limitada da realidade.

Olhos maus enxergam o lado negativo das pessoas e situações; são pessimistas por limitação intrínseca.

Olhos bons captam o aspecto positivo das coisas; sua visão busca o bem, mesmo que este esteja oculto ou distante.

Toda pessoa possui alguma qualidade boa, mesmo sendo rotulada como má, pois guarda no coração algo puro e belo.

Deus está presente em toda a criação, de modo que nas mais densas trevas sempre haverá um sinal de luz.

O Espírito André Luiz, no livro “Respostas da vida”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, no Capítulo 23, em “Pensar”, esclarece que o pensamento é força criativa: molda a realidade de nossa existência.

A ideia forma a condição, a condição produz o efeito, e o efeito cria o destino.

A vida de cada pessoa reflete aquilo que ela mentaliza de forma constante, e qualquer transformação genuína em seus caminhos só pode nascer de uma mudança nos próprios pensamentos.

André Luiz recomenda imaginar a própria existência como se deseja que ela seja e trabalhar persistentemente nessa linha mental, pois o tempo trará as realizações correspondentes.

As leis do destino fazem retornar à criatura tudo aquilo que ela pensa, tanto o bem quanto o mal, de modo que cada um atrai para si mesmo aquilo que compõe seu campo de influência e seu cotidiano.

A liberdade de escolha é absoluta: somos livres para criar mentalmente, mas depois ficamos naturalmente sujeitos às consequências dessa criação.

O bem eterno é a lei suprema.

Manter-se no bem para com todos converte a vida em fonte de bênçãos, pois, pelos princípios mentais que nos regem, aquilo que damos aos outros recebemos deles centuplicadamente.

A abelha e a mosca (autor desconhecido).

“Dizem que uma mosca e uma abelha fizeram exatamente o mesmo caminho.

As duas passaram pelos mesmos lugares, cruzaram as mesmas estradas e sobrevoaram os mesmos campos.

Quando terminou o percurso, a mosca comentou: ‘Só encontrei lixo, sujeira, mau cheiro e coisas desagradáveis. O mundo parece um lugar triste.’

A abelha respondeu: ‘Eu encontrei flores, perfumes, néctar e muita vida. Descobri um mundo cheio de beleza.’

As duas passaram pelos mesmos lugares…

Mas cada uma encontrou aquilo que escolheu procurar.

A forma como você enxerga a vida diz muito mais sobre você do que sobre o mundo ao seu redor.”

Por tudo isso, será de suma importância ter bons olhos para a vida e para os seus semelhantes, valorizando o que eles têm de melhor, minimizando as circunstâncias e as desavenças, compreendendo que cada ser encontra-se em determinado estágio evolutivo.

A vida será percebida conforme a enxergamos.

Olhar a vida e as pessoas com bons olhos ilumina o interior, favorece a evolução moral e espiritual, tornando a convivência mais harmoniosa e fraterna.

Quem se fixa apenas nos defeitos, no mal ou nas dificuldades tende ao pessimismo, à desconfiança e às “trevas interiores”; quem procura o bem, mesmo em situações difíceis ou em pessoas imperfeitas, desenvolve otimismo, compreensão, amor e disposição para servir. Procure valorizar o lado bom das pessoas e da vida, cultivando pensamentos e atitudes voltados para o bem, pois a forma como vemos o mundo influencia diretamente a vida interior e as suas relações.

Autor: Juan Carlos Orozco

Bibliografia:

BIBLIA SAGRADA.

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Florações evangélicas. 6ª Edição. Salvador/BA: LEAL, 2020.

CALLIGARIS, Rodolfo. O Sermão da Montanha. 18ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

LUIZ, André (Espírito); na psicografia Francisco Cândido Xavier. Respostas da vida. 19ª Edição. São Paulo/SP: Editora IDEAL, 2024.

VINICIUS. Nas pegadas do Mestre. 12ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensino de Jesus. 28ª Edição. Matão/SP: Casa Editora O Clarim, 2016.

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https://juancarlosespiritismo.blog/

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