“Seis dias após, Jesus, tendo chamado Pedro, Tiago e João, conduziu-os com ele, sobre uma alta montanha afastada e se transfigurou diante deles. E enquanto ele fazia suas preces, sua fisionomia parecia completamente outra; suas vestes tornaram-se brilhantes de luz e brancas como a neve, de modo que não há nenhum alvejador sobre a Terra que possa fazer algo assim tão branco. E eles viram aparecer Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.
Então, Pedro disse a Jesus: Mestre, nós estamos bem aqui; façamos três tendas: uma para vós, uma para Moisés e uma para Elias, porque ele não sabia o que dizer, de tanto que estava assustado.
Ao mesmo tempo, apareceu uma nuvem que os cobriu; e saiu dessa nuvem uma voz que disse estas palavras: Este é meu filho bem-amado, escutai-o.
Logo, olhando de todos os lados, não viram mais ninguém senão Jesus, que permanecia só com eles.
Quando desceram da montanha, ele os recomendou para não falar a ninguém o que tinham visto, até que o que o filho do homem fosse ressuscitado entre os mortos. E eles mantiveram o fato em segredo, comentando entre si o que queria dizer essas palavras: até que o filho do homem fosse ressuscitado entre os mortos.” (Marcos, 9, 1-9; Mateus, 17: 1-9;e Lucas, 9: 28-36)
A transfiguração de Jesus ocorreu após a morte de João Batista e da intuição de Pedro: “Tu és o Cristo, filho do Deus vivo”.
Depois de dizer aos discípulos que iria sofrer, ser morto e ressuscitar, Jesus, Pedro, João e Tiago vão para o alto do Monte Tabor.
No cume, Jesus põe-se a orar e, durante a prece, transfigura-se. Nesse momento, os profetas Elias, que viveu período aproximado de 900 AC, e Moisés, que viveu período cerca de 1500 AC, aparecem, e Jesus começou a conversar com eles.
Dessa passagem, extraem-se inúmeros ensinamentos: a confirmação da autoridade de Jesus; a existência, a sobrevivência e a imortalidade do Espírito, pelos fenômenos da transfiguração e das aparições; a Palavra que deve ser escutada e cumprida integralmente; e a importância dos testemunhos, quer de encarnados ou desencarnados.
O Espírito Emmanuel, na questão 310 do livro “O Consolador”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, sobre a transfiguração como símbolo para a Humanidade, comenta: “Todas as expressões do Evangelho possuem uma significação divina e, no Tabor, contemplamos a grande lição de que o homem deve viver a sua existência, no mundo, sabendo que pertence ao Céu, por sua sagrada origem, sendo indispensável, desse modo, que se desmaterialize, a todos os instantes, para que se desenvolva em amor e sabedoria, na sagrada exteriorização da virtude celeste, cujos germes lhe dormitam no coração”.
Ideias principais:
- valor do testemunho no mundo físico: de Pedro, Tiago e João, que iriam transmitir aos demais as cenas que presenciaram, principalmente para a confirmação da ressureição do Cristo quando ela ocorresse;
- testemunho do mundo espiritual: representado pelos Espíritos de Moisés e de Elias em suas aparições ao lado de Jesus;
- testemunho do próprio Jesus: que se apresentou com o corpo transfigurado;
- autoridade espiritual do Cristo: confirmando Jesus como o Messias, que deveria ser ouvido e obedecido por aqueles que, mais tarde, teriam de pregar suas Palavras redentoras pelo mundo;
- transfiguração do Cristo: fenômeno pela irradiação fluídica do perispírito, que modificou a sua aparência;
- aparições de Elias e Moisés: fenômenos pelas propriedades do perispírito, demonstrando a existência, a sobrevivência e a imortalidade do Espírito;
- continuidade à Lei e aos Profetas: por Moisés se juntar a Elias, em que um foi legislador e o outro grande profeta. A presença deles testemunha que a missão do Cristo renova a antiga aliança; e
- testemunho para a ressurreição do Cristo: quando Jesus fosse crucificado, os apóstolos recordariam da cena da transfiguração e não perderiam a fé. Jesus ressuscitou para demonstrar que a vida nunca acaba, para confirmar o seu Evangelho e as palavras luminosas que libertam a alma.
Corpo, Espírito e perispírito
No ser humano, há três coisas: corpo, animado pelo princípio vital; alma ou Espírito encarnado no corpo; e perispírito, envoltório semimaterial do Espírito, que prende a alma ao corpo.
A morte é a destruição do corpo. O Espírito sobrevive e conserva o perispírito. O perispírito constitui seu corpo etéreo, invisível no estado normal, porém pode tornar-se visível ou tangível, como sucede nos fenômenos das aparições.
Transfiguração
Transfiguração consiste na mudança de aspecto de um corpo vivo. É nas propriedades do fluido perispiritual que se encontram a razão desse fenômeno.
A transfiguração é decorrente da irradiação fluídica, que pode modificar a aparência do ser.
Jesus, pela superioridade de sua essência moral e de suas qualidades fluídicas, a transfiguração atingiu proporções acima do comum. O Espírito irradiou em volta do corpo uma atmosfera fluídica, análogo ao das aparições.
Aparições espirituais
O perispírito, formado por fluido etéreo, mediante ato de vontade do Espírito, em circunstâncias específicas, pode sofrer modificações moleculares ou condensações, que o tornam momentaneamente visível ou tangível. É assim que se produzem as aparições.
Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é vaga e vaporosa, mais definida ou matéria tangível, podendo haver engano quanto à natureza do ser que se tenha diante.
As aparições vaporosas são frequentes e, muitas vezes, é com esse aspecto que alguns indivíduos se apresentam, após a morte. As aparições tangíveis são mais raras.
Se o Espírito deseja ser reconhecido, dará ao seu envoltório a aparência exterior que tinha em vida.
As aparições tangíveis têm apenas a aparência da matéria carnal, mas não podem ter suas qualidades. Por causa de sua natureza fluídica, elas não podem ter a mesma coesão, porque, na realidade, não são de carne. Elas se formam instantaneamente, e desaparecem da mesma forma, ou evaporam, pela desagregação das moléculas fluídicas.
Outros ensinamentos
Importante não se fixar apenas no fenômeno, mas nas lições que o subsidiam: a autoridade espiritual do Cristo, o entendimento de ser ele o Messias aguardado, a ideia da sobrevivência do espírito e da reencarnação, os fenômenos mediúnicos, etc.
Do Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita: ensinos e parábolas de Jesus – Parte II, extraímos:
“Terminado o episódio, e as lições espirituais apreendidas, Jesus e os seus dedicados discípulos retornam às atividades cotidianas. O Mestre, porém, faz-lhes significativa advertência: ‘A ninguém conteis a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dos mortos’ (Mt 17:9).
Jesus pedia a seus discípulos que guardassem sigilo, por causa da incompreensão dos homens da época, os quais ainda não estavam preparados para compreenderem tudo quanto Jesus fazia ou ensinava. Era preciso que o tempo lhes fosse aumentando o cabedal de conhecimentos espirituais, a fim de aprenderem o significado das palavras e dos atos de Jesus. Caso os discípulos espalhassem certas particularidades que o Mestre lhes mostrava, possivelmente surgiriam dúvidas, confusão e mesmo até o descrédito de sua missão”.
A revelação da transfiguração no Tabor dependeria da crucificação e da ressurreição, as quais dariam pelo testemunho o sentido exato da identidade de Cristo.
Os apóstolos precisavam de tempo para absorver os ensinamentos e compreender o verdadeiro significado do plano divino. O silêncio os forçou à contemplação e ao amadurecimento antes de se tornarem testemunhas.
A ordem de sigilo foi estratégica do Mestre para evitar falsas interpretações, proteger os discípulos de hostilidades e prevenir distorções sobre a natureza messiânica e espiritual de sua missão.
Autor: Juan Carlos Orozco
Bibliografia:
BÍBLIA SAGRADA.
EMMANUEL, (Espírito), na psicografia de Francisco Cândido Xavier. “O Consolador”. 18ª Edição. Rio de Janeiro/ RJ: FEB, 1997, Questão 310.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.
MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte II. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

Gratidão
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Excelentes e racionais reflexões. O espírita cristão não pode desconhecer estes ensinamentos.
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Gratidão pelo texto, valeu muito para os estudos que estou realizando. Esclarecedor.
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Prezada Fernanda Aranão, boa noite. Muito obrigado pelo seu comentário. Juan Carlos
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Maravilhoso!!!!
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Boa noite Vanda. Muito obrigado pelo seu comentário, que nos incentiva a servir cada vez mais. Paz de Cristo! Juan Carlos
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