Não vim destruir a Lei: nada pode destruir a Lei de Deus

Esta reflexão é extraída do Capítulo I de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, que fundamenta os demais segundo a lei de Deus.

Não por acaso o Evangelho inicia com esse tema, porquanto importante compreender a imutabilidade e a eternidade da lei de Deus como fundamento de todos os ensinamentos de Jesus Cristo.

Como tudo no Universo, a Doutrina Espírita em seus esclarecimentos não pode destruir a lei de Deus, mesmo porque ela se baseia na Palavra de Deus.

Jesus ao afirmar que não veio destruir a lei esclarece o caráter da sua missão em face da tradição religiosa do povo judeu, pois muitos dessa crença tinham desconfiança ou crítica aos ensinamentos do Mestre, principalmente quanto à sua submissão aos Dez Mandamentos, aos profetas e às leis estabelecidas por Moisés.

Jesus, a serviço da lei de Deus, vem confirmar a sua imutabilidade, ao mesmo tempo em que se opunha às falsas interpretações da lei, à idolatria, aos abusos das práticas exteriores do culto e das cerimônias, às ostentações, às virtudes apenas aparentes e aos cheios de zelo ardente por proselitismo, desviando-se dos legítimos ensinamentos, porquanto somente intensificavam o formalismo religioso.

Kardec ressalta que a lei de Deus não pode contradizer a si mesma, a qualquer tempo, em qualquer lugar, diante dos princípios morais universais.

Com Jesus, a concepção de Deus é elevada à categoria de uma realidade universal absolutamente amorosa, bondosa, justa e misericordiosa, que liberta o homem das orientações de temor, de vingança, contraditórias e socialmente exclusivas, pois o amor a Deus não pode se dar sem o amor ao próximo em toda a sua abrangência. Jesus resumiu: “amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo”, e acrescentando: “aí estão a lei toda e os profetas”.

Os benefícios da lei devem abranger todos os homens da Terra, já que a consumação da lei promove a realização da essência espiritual e Deus não é de determinado povo. Todo privilégio é abolido e todo ser é objeto da mesma solicitude divina.

É necessário que a lei de Deus seja cumprida e praticada sobre toda a Terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas as suas consequências, pois de que serviria estabelecer essa lei se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Todos os homens são filhos de Deus, sem quaisquer distinções.

Assim, podemos compreender a perfeita submissão de Jesus à lei de Deus, que foi apresentada pelos antigos profetas e por Moisés. Contudo, o compromisso de Jesus é com a lei e não com os profetas propriamente ditos, e o seu empenho visa desvincular a lei de tudo aquilo que não é verdade.

Os Mandamentos de Deus, revelados a Moisés, trazem o germe da moral cristã.

Deus jamais deixou de revelar suas leis. A orientação divina chega à Humanidade em todas as épocas. Essas revelações foram transmitidas de acordo com o nível de entendimento e de moralidade dos habitantes em seu processo evolutivo.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos daquele tempo.

Importante destacar que os Dez Mandamentos foram fruto da revelação divina. Entretanto, as demais leis estabelecidas por Moisés tiveram por finalidade combater, pelo temor, abusos arraigados e preconceitos adquiridos de um povo turbulento e indisciplinado durante a servidão no Egito.

Para dar autoridade às suas leis, Moisés teve de atribuir origem divina. Somente a ideia de um Deus terrível poderia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos.

O Judaísmo, religião de Israel fundamentada nos Dez Mandamentos, foi o primeiro a adotar o Deus único.

No Velho Testamento, encontramos profecias que anunciavam o advento do Cristo. Entretanto, o Messias deveria ser um libertador (material) do povo de Israel contra a dominação romana, que humilhasse todos os reis do mundo (um Messias dominador).

O Espírito Miramez comentou: “esperavam um Messias que dominasse a política e tomasse o lugar dos reis, colocando sua raça como superior a todas as demais. Não entenderam o falar dos profetas sobre um Cordeiro cheio de amor e sabedoria, que deveria descer à Terra para iluminar os corações e não fomentar guerras por causa de alguns palmos de terra”.  (MIRAMEZ. Maria de Nazaré, pg. 39)

Contrapondo-se à crença judaica, veio um Messias simples, humilde e fraterno, que consolava os aflitos e necessitados. A Boa Nova de Jesus trouxe a Lei maior do Amor, com um Deus justo, bom e misericordioso.

Rasgando o véu da ignorância das interpretações dos doutores das leis, Jesus ensinou e deu novo sentido à verdadeira Palavra de Deus, que dá aos homens todo o conhecimento sobre o Amor Universal: “amar teu único Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

Jesus trouxe a Palavra que dá entendimento, esperança, sabedoria, consolo, conhecimento, humildade, bondade, verdade, pureza da alma, do espírito e da vida, faz o homem compreender o que realmente é a caridade.

Assim, Jesus não veio destruir a lei de Deus, mas torná-la conhecida e dar cumprimento a ela. E o Espiritismo repete as mesmas palavras de Jesus.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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