Bem-aventurados os pobres de Espírito

Jesus afirmou: “bem-aventurados os pobres de Espírito, porque deles é o reino dos Céus”. (Mateus, 5: 3)

O Espírito Emmanuel, em “O Consolador”, na psicografia de Chico Xavier, na pergunta 313, como entender a bem-aventurança conferida por Jesus aos pobres de espírito, a resposta é que “o ensinamento do divino Mestre referia-se às almas simples e singelas, despidas do espírito de ambição e de egoísmo que costumam triunfar nas lutas do mundo. É por essa razão que, em se dirigindo à massa popular, aludia o Senhor aos corações despretensiosos e humildes; aptos a lhes seguirem o ensinamento; sem determinadas preocupações rasteiras da existência material”.

Assim, a humildade (o pobre de espírito) é o foco dessa reflexão.

Jesus, em vários ensinamentos, exaltou a humildade, assim como a simplicidade, a caridade, a servidão e a fraternidade; e o combate ao orgulho, ao egoísmo e à vaidade.

A vida terrena de Jesus começa na simplicidade e na humildade, quando Maria de Nazaré “deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos e deitou-se numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem”.  (Lucas, 2: 7)

Jesus teve por berço a manjedoura de um estábulo, e foi envolvido em panos. Desde o seu nascimento até a morte, Jesus foi simples e humilde.

Emmanuel, “A Caminho da Luz”, na psicografia de Chico Xavier, esclarece que: “a manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes”.

Na última ceia de Jesus com os discípulos, logo depois de falar da traição que sofreria, em Lucas 22: 24-30, tem-se a contenda sobre qual dentre os discípulos seria o maior.

“E houve também entre eles contenda sobre qual deles parecia ser o maior. E Ele lhes disse: os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes, o maior entre vós seja como o menor; e quem governa, como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve”. (Lucas, 22: 24-30)

Jesus ensina a importância da humildade e da servidão, em que o maior, sentado à mesa, será como o menor, que está a servir.

Em outra passagem: “antes da festa da páscoa, (…) E, acabada a ceia, (…) Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus. Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhes com a toalha com que estava cingido. (…) Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes”. (João 13: 1-17)

Emmanuel, na pergunta 314, em “O Consolador”, sobre “qual a maior lição que a humanidade recebeu do Mestre, ao lavar Ele os pés dos seus discípulos”, ensina que: “entregando-se a esse ato, queria o divino Mestre testemunhar às criaturas humanas a suprema lição da humildade, demonstrando, ainda uma vez, que, na coletividade cristã, o maior para Deus seria sempre aquele que se fizesse o menor de todos”.

Kardec, em “O Livro do Espíritos”, lembra que: “os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz”.

Em “O que é o Espiritismo”, de Allan Kardec, o Espírito de Verdade disse: “é preciso antes de tudo, para agradar a Deus, humildade, modéstia, desinteresse, porque abatem os orgulhosos e os presunçosos”.

Desses esclarecimentos, constata-se que a humildade é nobre virtude, que confronta a sabedoria, a inteligência, o orgulho, a superioridade, a vaidade e a soberba com a disposição de aprender, reconhecer os próprios erros, a simplicidade e a servidão.

O contrário da humildade é o orgulho, porque o orgulhoso nega tudo o que a humildade defende.

O orgulho é soberbo e cético, por achar que não pode haver nada no Universo que ele desconheça; julga-se superior e esconde-se por trás da falsa humildade ou da tola vaidade. O orgulho é grilhão que impede a evolução das criaturas, a humildade é chave que abre as portas da perfeição. O humilde sabe que há muitas verdades que ainda desconhece.

Bem-aventurados é expressão de Jesus que significa “os felizes” sob o aspecto espiritual. Do ponto de vista material, porém, está mais relacionada às pessoas que possuem bens, poder ou posição de destaque na sociedade.

Por pobres de espírito Jesus não entende os desprovidos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos Céus e não para os orgulhosos. Dizendo que o reino dos Céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito.

Assim, os pobres de espírito não são os pobres economicamente ou sem inteligência e tampouco significam um repúdio aos ricos economicamente. A expressão relaciona-se ao espírito (dimensão) e não aos bens materiais.

Interpretações equivocadas podem passar a impressão de que a pobreza, por si mesma, é uma bênção e que ser economicamente pobre, automaticamente, significa que se é acarinhado e protegido por Deus, abençoado por ele em boas graças. Este equívoco faz com que alguns citem erradamente essa passagem.

Os pobres de espírito são os que não têm orgulho; os humildes, que não se envaidecem pelo que sabem, e que nunca exibem o que têm. Os verdadeiros sábios são aqueles que têm ideia do quanto não sabem.

Reconhecendo que é espiritualmente pobre, a pessoa humilde de espírito conhece a sua própria necessidade ou pequeneza. Nesse sentido, percebe que somos dependentes de Deus para viver (pertencentes ao Reino de Deus).

Os pobres de espírito percebem que são espiritualmente pequenos (necessitam evoluir), e que somente confiando em Deus poderão crescer espiritualmente.

Por isso, a humildade é considerada requisito indispensável para alcançar-se o Reino dos Céus. Humildade (condição) é porta de entrada no Reino dos Céus (resultado) ou pertencer ao Reino de Deus.

Sem a humildade nenhuma virtude se mantém. A humildade é o propulsor de todas as grandes ações, em todas as esferas de atuação do homem. A humildade respeita o homem não pelos seus haveres, mas por suas reais virtudes.

A pobreza de paixões e de vícios é que deve amparar a busca da perfeição. Foi esta a pobreza que Jesus proclamou: a pobreza de sentimentos baixos, representada pelo desapego às glórias efêmeras, ao egoísmo e ao orgulho.

Há muitos pobres de bens terrenos que se julgam dignos do reino dos céus, mas que, no entanto, têm a alma endurecida e orgulhosa. Repudiam a Jesus e se fecham nos redutos de uma fé que obscurece seus entendimentos e os afasta da verdade. Assim, ser pobre, sem instrução, levar vida modesta, não é prova de humildade.

Não é a ignorância nem tampouco a miséria que garantem aos seres a felicidade prometida por Jesus. O que nos encaminha para tal destino são os atos nobres, embasados na caridade e no amor incondicional.

Pobres de espírito são os bons, que sabem amar a Deus e ao próximo, tanto quanto amam a si próprios. São aqueles que observam e vivem as Leis de Deus.

Dizendo que o reino dos Céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse Reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito.

O reino de Deus está em nós próprios. Por isso, buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça; tudo o mais vos será dado por acréscimo.

Jesus nos encoraja em priorizar a busca dos valores espirituais que são eternos e alimentam a nossa alma, porque os valores materiais serão supridos conforme nossas necessidades.

Muitas vezes, orientamo-nos na busca dos bens materiais e essa atitude nos afasta dos desígnios traçados por Jesus, porque esses dois caminhos são conflitantes.

Os cidadãos do Reino são aqueles que renasceram. “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus… Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”. (João 3: 3-5) 

Os cidadãos do reino de Deus deixam que a palavra Dele tenha domínio sobre suas vidas. Eles seguem o Evangelho e formam, hoje, coletivamente, o território da nação de Deus.

Quando se olha para a palavra Reino, deve-se lembrar do Rei que governa, porquanto “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. (Mateus 28: 18)

Assegurou Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. (João 14; 6)

Agora podemos entender: o reino de Deus está em nosso próprio Espírito, quando aceitamos as leis de Deus e o seu reinado.

Buscando ser cidadão do reino de Deus, que sejamos pobres de espírito.

 

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. O Consolador. (?) Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, (?).

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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