Bem-aventurados os que são misericordiosos

“Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia”. (Mateus, 5: 7)

Sejam misericordiosos, assim como o vosso Pai também é misericordioso”.(Lucas, 6: 36)

Vamos falar sobre “bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia”, do Evangelho de Mateus (5: 7).

Misericórdia, segundo o dicionário, é um sentimento de pesar ou de caridade despertado pela infelicidade de outrem; piedade; compaixão; e perdão concedido unicamente por bondade.

Do “Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita”, Livro II, Módulo II, Roteiro 1, da FEB, extraímos: “Ser misericordioso é proposta abençoada para quantos, identificados com o imperativo da colaboração e da caridade, são convocados a aplicá-la no seu dia a dia. Os Espíritos superiores nos esclarecem: ‘a misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas’. Sendo assim, a capacidade para amar e operar no bem está na base de todo o sistema de elevação para Deus.

Humberto de Campos nos informa o que é ser misericordioso: ‘Bem-aventurados os misericordiosos, que se compadecem dos justos e dos injustos, dos ricos e dos pobres, dos bons e dos maus, entendendo que não existem criaturas sem problemas, sempre dispostos à obra de auxílio fraterno a todos, porque no dia de visitação da luta e da dificuldade receberão o apoio e a colaboração de que necessitem’.

Se somos carentes de misericórdia, precisamos, para recebê-la, exercê-la com parentes, amigos e inimigos, superiores e subalternos, porque ‘é dando que se recebe’, ou seja, o que oferecemos à vida, a vida nos restitui. Praticando o perdão, experimentamos o consolo de sermos perdoados. Situados como devedores perante a Lei, a misericórdia por nós operada voltará em nosso benefício, atenuando, por sua vez, os nossos débitos”.

Assim, a primeira parte da bem-aventurança trata da felicidade daqueles que são misericordiosos (que têm compaixão para com o próximo, perdoam e se reconciliam), porque, na segunda parte, se tiverem misericórdia obterão misericórdia (perdão dos seus pecados, apesar das faltas cometidas).

Estamos diante de um dos resultados da Lei de Causa e Efeito, em que tudo aquilo que fazemos voltará para nós mesmos, esta é uma das razões para que tenhamos misericórdia para com os nossos semelhantes, já que, muitas vezes, necessitamos dessa mesma misericórdia.

Os resultados da Lei de Causa e Efeito são lembrados por Jesus em várias outras mensagens, como podemos observar a seguir:

“Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras”. (Mateus, 16: 27)

“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão”. (Lucas, 6: 37)

“Porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. (Lucas, 6: 38)

“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. (Mateus, 6: 12)

“Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão”. (Mateus, 26: 52)

Pelo nosso egoísmo, achamos que somente Deus e os outros devem ter misericórdia para conosco, mas nós não temos a mesma obrigação de ser misericordiosos para com o próximo.

Jesus disse: “fazei ao próximo aquilo que quereis que o próximo faça a você”.

A misericórdia de Deus é infinita e justa, porquanto nos dá quantas chances (reencarnações) forem necessárias para a nossa libertação e evolução espiritual.

A reencarnação e os benefícios decorrentes indicam a manifestação da justiça e misericórdia divinas, as quais não condenam o Espírito infrator ao sofrimento eterno. Trazendo em seus mecanismos, não apenas as propostas de aprendizado, mas, também os impositivos da lei de causa e efeito, a reencarnação proporciona ao Espírito devedor, na maioria das vezes, condições de refazimento do seu destino, sobretudo se há empenho, deste, em se melhorar.

“Todos receberemos, nas Leis da Vida, o que fizemos, pelo que fizemos, quanto fizemos e como fizemos”. (André Luiz. E a vida continua, pg. 103)

Nesse sentido, a felicidade ou a desgraça que acompanha o Espírito, nesta vida ou no plano Espiritual, decorre unicamente de nossas obras, daquilo que fizemos. Se agimos para o bem, seremos agraciados; se agimos para o mal, sofreremos as consequências infelizes de nossos atos (escolhas).

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, sobre a definição de expiação, tem-se que é “nova oportunidade de reparar as faltas e os erros de vidas passadas. Pela expiação geralmente passamos pelas mesmas situações, dores, sofrimentos, etc., que impusemos aos outros. É a Lei de Causa e Efeito”. (KARDEC. O Livro dos Espíritos)

Pela Lei de Causa e Efeito, tudo o que plantamos no passado colhemos agora. As nossas escolhas de agora determinarão o que vamos colher no futuro.

Segundo as suas obras, fica evidenciado que existe uma lei aplicável a todos nós, que é a Lei do Merecimento.

O Mestre evidencia claramente a Lei de Causa e Efeito quando afirma que os misericordiosos alcançarão misericórdia.

A misericórdia prepara o coração para outros sentimentos. Abre as portas para a prática da caridade. Os Espíritos ensinam que caridade é benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

“Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados”. (Mateus, 6: 14 e 15)

“Se contra vós pecou vosso irmão, ide fazer-lhe sentir a falta em particular, a sós com ele; se vos atender, tereis ganho o vosso irmão. Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”. (Mateus, 18: 15, 21 e 22)

A misericórdia consiste também no esquecimento e no perdão das ofensas. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e inferioridade. Não esqueça que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras.

O ódio e o rancor denotam alma sem elevação e grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que paira acima dos golpes que lhe possam desferir.

Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que cada um perdoe ao seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.

Perdoar aos nossos irmãos, como precisamos que nos perdoem. Se os nossos atos pessoalmente os prejudicaram, mais um motivo aí temos para ser indulgentes, porquanto o mérito do perdão é proporcionado à gravidade do mal. Nenhum merecimento teremos em relevar os agravos dos nossos irmãos, desde que não passassem de simples arranhões. Cuidemos de eliminar todo sentimento de rancor.

O Espírito Emmanuel, na psicografado de Francisco Cândido Xavier, “Na luz da compaixão”, brindou-nos com lindas mensagens:

“Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia. (Mateus, 5: 7)

Deixa que a luz da compaixão te clareie a rota, para que a sombra te não envolva.

Sofres a presença dos que te pisam as esperanças? Compaixão para eles.

Ouves a palavra dos que te ironizam? Compaixão para eles.

Padeces o assalto moral dos que te perturbam? Compaixão para eles.

Recebes a farpa dos que te perseguem? Compaixão para eles.

A crueldade e o sarcasmo, a demência e a vileza são chagas que o tempo cura.

Rende graças a Deus, por lhes suportares o assédio sem que partam de ti.

No fundo são males que surgem da ignorância, como a cegueira nasce das trevas.

Não sanarás o desequilíbrio do louco, zurzindo-lhe a cabeça, nem expulsarás a criminalidade do malfeitor, cortando-lhe os braços.

Diante de todos os desajustamentos alheios, compadece-te e ampara sempre.

Perante todos os disparates do próximo, compadece-te e faze o melhor que possas.

Todos somos alunos no educandário da vida e todos somos suscetíveis de queda moral no erro.

Usa, pois, a misericórdia com os outros e acharás nos outros a misericórdia para contigo”. (EMMANUEL, psicografado por Chico Xavier. Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus, pg. 61 a pg. 62)

Em outra mensagem, o Espírito Emmanuel, na psicografado de Francisco Cândido Xavier, “Compaixão e nós”, trata da compaixão que recebemos e que, muitas vezes, por orgulho, ignoramos:

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. (Mateus, 5: 7)

Comumente referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros, entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro a nós.

De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmãos que nos suportaram sem queixa a teimosia e a inconsequência nos dias de imaturidade ou irritação; o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, mesmo cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos; o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos ainda quando depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhes ferimos o espírito; a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais; e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, auxiliando-nos sem pausa, além das dificuldades e empeços com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.

Reflitamos na imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que sem isso provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.

Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam e reconheceremos que unicamente assim conseguiremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, e perceber, por fim, que todos nós para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus”. (EMMANUEL, psicografado por Chico Xavier. Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus, pg. 63 a pg. 64)

O perdão e a misericórdia divinos, em sua sublimidade, não tiram da criatura o mérito da própria reabilitação, mas se revelam como fator de aprendizado, os quais, registrados na memória do Espírito, servirão de base para as suas novas conquistas evolutivas.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

CAMPOS, Humberto de (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Boa Nova. 37ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

KARDEC, Allan; coordenação de Cláudio Damasceno Ferreira Junior. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 4ª Edição. Porto Alegre/RS: Edições Besouro Box, 2011.

LUIZ, André (Espírito), (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. E a vida continua. 35ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira de (Organizadora). Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo / Marta Antunes de Oliveira Moura (organizadora). 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2015.

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