Fome e sede de justiça

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. (Mateus, 5: 6)

“Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir”. (Lucas, 6: 21)

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”. (João 4: 14)

Somente a crença na ressurreição de Jesus Cristo, na imortalidade do Espírito e na vida que nunca acaba pode se efetivar as compensações que o Mestre promete nas bem-aventuranças. Sem a certeza da vida futura, estas máximas seriam contrassenso.

Mesmo com essa certeza, difícil compreender a conveniência de sofrer para ser feliz. A fé na vida futura consola e traz esperança, mas como explicar a dor e o sofrimento?

Sempre bom lembrar que Deus é justo, bondoso, piedoso e misericordioso. Sendo Deus soberanamente bom e justo, as vicissitudes da vida, como efeito, derivam de uma causa, sobre a qual cada um deve buscar as explicações e os esclarecimentos.

“Se admitimos a justiça de Deus, não podemos deixar de admitir que esse efeito tem uma causa; e se esta causa não se encontra na vida presente, deve achar-se antes desta, porque em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito; há, pois, necessidade de a alma já ter vivido, para que possa merecer uma expiação”. (KARDEC. O que é o espiritismo)

Pela lei de causa e efeito, os que têm fome e sede de justiça surgem no cenário reencarnatório como os antigos infratores da lei de Deus. Estes, equivocados nas suas experiências passadas, renascem famintos e sedentos da justiça divina a fim de que possam reajustar sua caminhada evolutiva.

Deus quer que todas as suas criaturas progridam e não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis consequências, mais ou menos deploráveis.

“O céu e a Terra não passarão sem que tudo esteja cumprido até o último iota” (Mateus, 5: 18). Quer dizer ser necessário que a lei de Deus tenha cumprimento integral, na Terra inteira, em toda a sua pureza, com todas as suas consequências. Esta lei não pode constituir privilégio de alguns ou mesmo de um único povo. Sendo filhos de Deus todos os homens, todos, sem distinção nenhuma, são objeto da mesma solicitude.

As boas escolhas produzem progresso evolutivo. As infelizes, contra as leis de Deus, produzem provações, expiações e sofrimentos ao Espírito.

O merecimento é proporcional ao nosso trabalho no bem, nas novas oportunidades de construção de si mesmo. Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. Nenhum mérito virá sem trabalho, esforço e vontade.

Dos erros cometidos, não havendo pena eterna, Deus lhe dará nova chance, por amor, misericórdia, bondade e justiça. As aflições podem ser oportunidades de reajustes perante a lei de Deus. É necessário compreendê-las e saber aproveitá-las como preciosa lição. Aflições e sofrimentos fazem parte da condição humana. Felizes os aflitos, porque serão consolados!

Assim, os sofrimentos, como efeito, decorrem das nossas faltas perante a lei de Deus, como causa, como consequência das nossas escolhas equivocadas no exercício do livre-arbítrio, entre os caminhos do bem e do mal. Logo, as causas dos nossos sofrimentos têm origem em nós mesmos.

Isto explica o brado dos famintos e sedentos de justiça divina, por uma nova chance, porquanto dimanam deles o anseio por uma vida feliz, mediante o esforço edificante na construção da futura morada mediante as suas obras.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

VINÍCIUS. Nas pegadas do Mestre. 12ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

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