Espíritos: origem e natureza

“A dúvida sobre a existência dos Espíritos tem causa na ignorância acerca da verdadeira natureza deles.

Muitos acreditam que os Espíritos são seres à parte da criação, cuja existência não está plenamente demonstrada.

Alguns apenas os conhecem por contos acalentados em criança.

Seja qual for a ideia acerca dos Espíritos, a crença neles fundamenta-se na existência de um princípio inteligente fora da matéria”. (KARDEC, O Livro dos Médiuns)

Os Espíritos não são, como supõem muitas pessoas, uma classe à parte na Criação, porém são as almas, despidas do seu invólucro corporal, daqueles que viveram na Terra ou em outros mundos.

Aquele que admite a sobrevivência da alma ao corpo admite, pelo mesmo motivo, a existência dos Espíritos; negar os Espíritos seria negar a alma.

Faz-se geralmente uma ideia muito errônea do estado dos Espíritos; eles não são, como alguns acreditam, seres vagos e indefinidos, nem chamas semelhantes a fogos-fátuos, nem fantasmas como os pintam nos contos das almas do outro mundo.

São seres nossos semelhantes, tendo como nós um corpo, mas fluídico e invisível no estado normal.

Quando a alma está unida ao corpo, durante a vida, ela tem duplo invólucro: um pesado, grosseiro e destrutível — o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.

Há, pois, no homem três elementos essenciais:

1° a alma ou Espírito, princípio inteligente em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral;

2º o corpo, invólucro material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior; e

3º o perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de laço e de intermediário entre o Espírito e o corpo.

Quando o invólucro exterior está usado e não pode mais funcionar, tomba e o Espírito o abandona, como o fruto se despoja da sua semente, a árvore da casca, a serpente da pele, em uma palavra, como se deixa um vestido velho que já não pode servir; é o que se designa pelo nome de morte.

A morte é apenas a destruição do envoltório corporal, que a alma abandona, como o faz a borboleta com a crisálida, conservando, porém, seu corpo fluídico ou perispírito.

A morte do corpo desembaraça o Espírito do laço que o prendia à Terra e o fazia sofrer; e uma vez libertado desse fardo, não lhe resta mais que o seu corpo etéreo, que lhe permite percorrer o espaço e transpor as distâncias com a rapidez do pensamento.

A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito.

Origem e natureza

Os Espíritos são os seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material.

Os Espíritos são obra de Deus.

Os Espíritos têm princípio, porém, ao modo como são criados, nada sabemos.

Deus sempre tem criado os Espíritos ininterruptamente, mas, quando e como cada um de nós foi feito, ninguém o sabe. É ainda desconhecido.

Há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, e os Espíritos são formados do elemento inteligente.

Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo como essa formação se operou é que são desconhecidos.

Deus jamais deixou de criar os Espíritos. Deus os cria pela sua vontade.

Para definir os Espíritos, faltam-nos termos de comparação, pois a nossa linguagem é deficiente.

Dizer que o Espírito é imaterial não é bem o termo. Incorpóreo seria mais exato, pois, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa.

O Espírito é a matéria quintessenciada, mas sem analogia para nós, pois é tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos nossos sentidos.

Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria.

Os Espíritos não têm fim, sendo difícil conceber uma coisa que teve começo e não tenha fim. Entretanto, há muitas coisas que não compreendemos, porque temos limitada a inteligência. Por isso, dizemos que os Espíritos são imortais, sobrevivem à morte do corpo.

Os Espíritos constituem um mundo à parte, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas, sendo que o mundo espírita preexiste e sobrevive a tudo.

O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita.

Estes mundos são independentes, mas é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem.

Os Espíritos estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos.

Muitos deles estão ao nosso lado, observando-nos e atuando, sem ser percebidos, pois são uma das potências da natureza e instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais.

Nem todos vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados.

O Espírito é como uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea, que tem coloração que vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro.

Os Espíritos percorrem o espaço com a rapidez do pensamento.

Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo do Espírito.

O Espírito pode perfeitamente, se o quiser, inteirar-se da distância que percorre, mas também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada.

A matéria não opõe obstáculo aos Espíritos. Eles passam através de tudo. O ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis.

Não pode haver divisão de um mesmo Espírito, mas cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo.

A irradiação dos Espíritos depende do grau de pureza de cada um.

Outras considerações

Os Espíritos revestidos de seus corpos materiais constituem a humanidade ou mundo corporal visível; despojados desses corpos, formam o mundo espiritual ou invisível que povoa o espaço e no meio do qual vivemos, sem disso desconfiar, como vivemos no meio do mundo dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, antes da invenção do microscópio.

Os Espíritos não são, portanto, entes abstratos, vagos e indefinidos, mas seres concretos e circunscritos, aos quais só falta serem visíveis para se assemelharem aos humanos; donde se segue que se, em dado momento, pudesse ser levantado o véu que no-los esconde, eles formariam uma população, cercando-nos por toda parte.

Os Espíritos possuem todas as percepções que tinham na Terra, porém em grau mais alto, porque as suas faculdades não estão amortecidas pela matéria; eles têm sensações desconhecidas por nós, veem e ouvem coisas que os nossos sentidos limitados nos não permitem ver nem ouvir.

Para eles não há obscuridade, excetuando-se aqueles que, por punição, se acham temporariamente nas trevas.

Todos os nossos pensamentos neles se repercutem, e eles os leem como em um livro aberto; de modo que o que podíamos esconder a alguém, durante a vida terrena, não mais o podemos depois da sua desencarnação.

Os Espíritos estão em toda parte, ao nosso lado, acotovelando-nos e observando-nos sem cessar.

Por sua presença incessante entre nós, eles são os agentes de diversos fenômenos, desempenham um papel importante no mundo moral, e, até certo ponto, no físico; constituem, se o podemos dizer, uma das forças da natureza.

Desde que se admita a sobrevivência da alma ou do Espírito, é racional que as suas afeições continuem; sem o que, as almas dos nossos parentes e amigos seriam, pela morte, totalmente perdidas para nós.

Pois que os Espíritos podem ir a toda parte, é igualmente racional admitir-se que aqueles que nos amaram, durante a vida terrena, ainda nos amem depois da morte, que venham para junto de nós e se sirvam, para isso, dos meios que encontrem à sua disposição; é o que confirma a experiência.

A experiência, de fato, prova que os Espíritos conservam as afeições sérias que tinham na Terra, que folgam em se juntarem àqueles a que amaram, sobretudo quando são por estes atraídos pelos sentimentos afetuosos que lhes dedicam; ao passo que se mostram indiferentes para com quem só lhes vota indiferença.

Bibliografia

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Médiuns. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

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