Perispírito: corpo espiritual ou corpo fluídico

A palavra perispírito, criada por Allan Kardec, designa a substância que serve de envoltório ao Espírito. É descrita, pelos mentores da Codificação, como uma substância ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.

Kardec explica que no gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal.

Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte.

É o princípio da vida orgânica, porém não o da vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores.

O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma.

Perispírito

O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é produto do fluido cósmico universal, sendo condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma.

O corpo carnal tem origem no mesmo fluido transformado e condensado em matéria tangível.

No perispírito, a transformação molecular ocorre de maneira diferente, uma vez que o fluido conserva a sua imponderabilidade e as suas qualidades etéreas.

O corpo perispiritual e o corpo carnal têm, assim, a sua origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que sob dois estados diferentes.

Os Espíritos extraem seu perispírito do meio onde se encontram, isso quer dizer que esse envoltório é formado dos fluidos ambientes. Resulta daí que os elementos constituintes do perispírito devem variar segundo os mundos.

Sendo Júpiter considerado um mundo muito adiantado, em comparação à Terra, onde a vida corpórea não tem a materialidade da nossa, lá os envoltórios perispirituais devem ser de uma natureza infinitamente mais quintessenciada que os da Terra.

Assim, nós não poderíamos existir naquele mundo com o nosso corpo carnal. Os nossos Espíritos não poderiam ali penetrar com o seu perispírito terrestre. Abandonando a Terra, o Espírito ali deixa o seu invólucro fluídico e reveste um outro apropriado ao mundo onde deve habitar.

A natureza do envoltório fluídico está sempre de acordo com o grau de adiantamento moral do Espírito.

Os Espíritos inferiores não podem trocar de envoltório a seu bel-prazer e, por consequência, não podem passar, à vontade, de um mundo para outro.

Existem alguns cujo envoltório fluídico, mesmo sendo etéreo e imponderável em relação à matéria tangível, ainda é muito pesado, se assim podemos dizer, em relação ao mundo espiritual, para permitir que eles saiam do meio onde se encontram.

É preciso incluir nessa categoria aqueles cujo perispírito é bastante grosseiro para que o confundam com o corpo carnal, razão pela qual continuam achando que estão vivos.

Esses Espíritos, cujo número é grande, permanecem na superfície da Terra, como os encarnados, julgando-se sempre entregues às suas ocupações; outros, um pouco mais desmaterializados, ainda não o são o suficiente para se elevarem acima das regiões terrestres.

Os Espíritos Superiores, ao contrário, podem vir aos mundos inferiores e neles até encarnar. Eles tiram, dos elementos constitutivos do mundo onde entram, os materiais necessários à formação do envoltório fluídico ou carnal apropriado ao meio em que se encontram.

Fazem como o nobre que despe as suas roupas finas para vestir momentaneamente um traje grosseiro, sem por isso deixar de ser nobre.

É assim que os Espíritos de categoria mais elevada podem se manifestar aos habitantes da Terra, ou encarnar em missão entre eles. Esses Espíritos trazem consigo, não o invólucro, mas a lembrança, por intuição, das regiões de onde vieram, e que eles veem pelo pensamento. São videntes no meio de cegos.

A camada de fluidos espirituais que envolve a Terra pode ser comparada às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras que as camadas superiores.

Esses fluidos não são homogêneos; são uma mistura de moléculas de diversas qualidades, entre as quais se encontram necessariamente as moléculas elementares que formam a sua base, porém mais ou menos modificadas.

Os efeitos que esses fluidos produzem são proporcionais à soma das partes puras que eles contêm. Podemos dizer, por comparação, que é como o álcool retificado ou misturado, em diferentes proporções, com água ou outras substâncias: o seu peso específico aumenta com essa mistura, ao mesmo tempo em que a sua força e a sua inflamabilidade diminuem, embora no todo continue a existir álcool puro.

Os Espíritos chamados a viver nesse meio, retiram dele os seus perispíritos; porém, conforme o próprio Espírito seja mais ou menos depurado, seu perispírito se forma das partes mais puras ou das mais grosseiras desse meio.

O Espírito aí produz, sempre por comparação e não por assimilação, o efeito de um reagente químico que atrai para si as moléculas que a sua natureza pode assimilar.

Disso, resulta este fato capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda.

O mesmo não acontece com o corpo carnal que, como foi demonstrado, é formado dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Por isso, em todos eles, os efeitos produzidos pelo corpo são os mesmos, as necessidades semelhantes, enquanto que diferem em tudo que é inerente ao perispírito.

Daí também resulta que o envoltório perispiritual de um mesmo Espírito se modifica com o progresso moral que ele realiza em cada encarnação, embora encarnando no mesmo meio; que os Espíritos Superiores, encarnando excepcionalmente em missão num mundo inferior, têm um perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas desse mundo.

O meio está sempre em relação com a natureza dos seres que devem nele viver: os peixes estão na água; os seres terrestres, no ar; os seres espirituais, no fluido espiritual ou etéreo, mesmo que estejam na Terra.

O fluido etéreo é para as necessidades do Espírito, o que a atmosfera é para as necessidades dos encarnados.

Do mesmo modo que os peixes não podem viver no ar e os animais terrestres não podem viver numa atmosfera muito rarefeita para os seus pulmões, os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos.

Eles não morreriam no meio desses fluidos, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os mantém afastados, como nos afastamos de um fogo muito forte ou de uma luz muito ofuscante. Eis por que eles não podem sair do meio apropriado à sua natureza.

Para mudarem de meio é preciso que primeiro mudem de natureza, que se despojem dos instintos materiais que os retêm nos meios materiais; em uma palavra, que se depurem e se transformem moralmente.

Então, gradualmente, eles se identificarão com um meio mais depurado, que se lhes torna uma carência, uma necessidade, assim como os olhos daquele que viveu longo tempo na escuridão, se habituam insensivelmente à luz do dia e ao fulgor do Sol.

Assim, tudo se liga, tudo se encadeia no Universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a materialidade mais compacta até a mais pura espiritualidade. (KARDEC. A Gênese, da pg. 317 a pg. 322)

Bibliografia

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra da 5ª ed. francesa de 1869. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

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