Consciência, livre-arbítrio, desejos, escolhas e tentações

Esta reflexão vai tratar da correlação existente entre consciência, livre-arbítrio, desejos, prazer, bens materiais, paixões, influências, escolhas e tentações.

Na pergunta 112, em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec indaga como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, gozar da liberdade de escolha entre o bem e o mal, acrescentando se neles há algum princípio, qualquer tendência que os encaminhe para uma senda de preferência a outra.

Os Espíritos Superiores respondem que “o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram”.

Para a nossa reflexão, esta questão traz os ensinamentos de que o ceder ou não às tentações tem relação direta com o nível de consciência de nós mesmos, que desenvolve o livre-arbítrio, para realizar as escolhas acertadas diante das influências vivenciadas pelo Espírito. Nesse sentido, alguns cedem à tentação, outros resistem.

Na pergunta 469, Kardec questiona por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos. Os Espíritos Superiores respondem que “praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: “Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”.

Aqui, temos os esclarecimentos de que para neutralizar as influências dos maus Espíritos e resistir às tentações, é preciso praticar o bem, ter confiança em Deus e repelir as sugestões dos Espíritos inferiores que lhe introduzem maus pensamentos ou exaltam o ego e o orgulho.

Na pergunta 712, Kardec quer saber com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais. Os Espíritos Superiores dizem que “para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação”.

Em seguida, indaga qual o objetivo dessa tentação. A resposta é para “desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos”.

Kardec comenta: se o homem só fosse instigado a usar dos bens terrenos pela utilidade que têm, sua indiferença houvera talvez comprometido a harmonia do Universo. Deus imprimiu a esse uso o atrativo do prazer, porque assim é o homem impelido ao cumprimento dos desígnios providenciais. Mas, além disso, dando àquele uso esse atrativo, quis Deus também experimentar o homem por meio da tentação, que o arrasta para o abuso, de que deve a razão defendê-lo”.

Assim, as tentações estão relacionadas às provas pelos desejos do atrativo do prazer no gozo dos bens materiais para desenvolver a razão, que deve preservá-lo dos excessos.

A respeito da tentação ser uma prova, a resposta à pergunta 865 é que “alguns Espíritos hão escolhido previamente certas espécies de prazer. A fortuna que os favorece é uma tentação. Aquele que, como homem, ganha; perde como Espírito. É uma prova para o seu orgulho e para a sua cupidez”.

Na pergunta 971, aprendemos que “os Espíritos perversos, esses procuram desviar da senda do bem e do arrependimento os que lhes parecem suscetíveis de se deixarem levar e que são, muitas vezes, os que eles mesmos arrastaram ao mal durante a vida terrena”.

Ato continuo, Kardec questiona se a morte não nos livra da tentação. Os Espíritos Superiores dizem que “não, mas a ação dos maus Espíritos é sempre menor sobre os outros Espíritos do que sobre os homens, porque lhes falta o auxílio das paixões materiais”.

A tentação sempre haverá, mas ela é maior diante das provas terrenas pelos atrativos das paixões e dos prazeres materiais. 

No plano Espiritual, faltam as influências dos bens materiais terrenos.

Kardec prossegue: “972. Como procedem os maus Espíritos para tentar os outros Espíritos, não podendo jogar com as paixões?” Resposta: “as paixões não existem materialmente, mas existem no pensamento dos Espíritos atrasados. Os maus dão pasto a esses pensamentos, conduzindo suas vítimas aos lugares onde se lhes ofereça o espetáculo daquelas paixões e de tudo o que as possa excitar”.

“a) Mas, de que servem essas paixões, se já não têm objeto real?” Resposta: “nisso precisamente é que lhes está o suplício: o avarento vê ouro que lhe não é dado possuir; o devasso, orgias em que não pode tomar parte; o orgulhoso, honras que lhe causam inveja e de que não pode gozar”.

Dos esclarecimentos extraídos de “O Livro dos Espíritos”, podemos verificar que, em alguns momentos da vida, deparamo-nos com situações, como provas, que testam a nossa capacidade de resistir, vigiar, precaver ou dominar os atrativos dos prazeres decorrentes dos nossos desejos e do gozo dos bens materiais.

Como seres imperfeitos, sempre seremos tentados, porquanto as tentações são inerentes às vulnerabilidades e fraquezas da carne, principalmente quando os desejos se relacionam a bens materiais.

As influências externas somente darão causas se cedermos por nossa vontade, cujas permissões poderão promover quedas diante da tentação. Uns cedem, outros resistem.

Os desejos podem despertar as tentações, pois eles são a força motriz que impulsiona a euforia, a vida e a evolução. Ninguém vive sem desejos, mas um dos seus componentes é ser insaciável. Sempre queremos mais, aquilo que nos dá prazer.

No entanto, a força que impulsiona os desejos precisa de controle e domínio para dar direção correta às nossas vidas. Logo, o resistir às tentações está em como controlamos e dominamos os nossos desejos.

Na questão 46, em “O Livro dos Espíritos”, acerca de como“pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal” a resposta é que “tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”.

Em uma ação magnética, atraindo ou repelindo, praticando o bem e confiando em Deus, poderemos repelir a influência, as sugestões e os maus pensamentos de Espíritos inferiores, que se aproveitam das nossas fraquezas e vulnerabilidades. Não há arrastamento irresistível.

Pela ação da vontade, pedindo a Deus a força necessária, podemos ter a assistência dos bons Espíritos que nos auxiliarão a resistir às tentações.

Mas não se pode cochilar, há que vigiar, como disse Jesus: “nem ao menos uma hora pudestes vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o Espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mateus 26: 40-41)

A mesma passagem temos em Lucas: “por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação”. (Lucas 22: 46)

Então qual a força para superar a tentação? Utilizar as potências da alma para melhorarmos e evoluir, principalmente o potencial de amar e de suportar a dor em comunhão com o Pai.

Utilizar os potenciais que trazemos dentro de nós.

“Bem-aventurado o homem que sofre a tentação”. (Tiago, 1 :12)

“Vigiai e orai para que não entreis em tentação”. (Marcos, 14: 38)

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

DIAS, Haroldo Dutra. As origens das tentações. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=d6dGzRbN7-I&list=PLWVpdx_AU1eguwuDlV-D2SHfkk5YYl-Qi&index=24&t=0s. Publicado em: 20 de agosto de 2015, pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Acessado em: 30 de março de 2019.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 92ª Edição. Rio de Janeiro/RJ: Federação Espírita Brasileira, 2011.

7 MIN COM EMMANUEL: #055 – Origem das Tentações. Disponível em: https://www.portalser.org/7-minutos-com-emmanuel/7-min-com-emmanuel-055-origem-das-tentacoes/. Publicado em: 1º de dezembro de 2014, por Júlio Corradi. Acessado em: 30 de março de 2019.

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