A consciência edificante, renovadora e impulsionadora de evolução

Muito comum ouvir expressões como: aquela pessoa não tem consciência do que fez; ele perdeu a consciência; estou com peso na consciência; ouvi a minha consciência; você será julgado por sua consciência; a decisão foi consciente; ele recuperou a consciência; precisamos de uma campanha de conscientização; dentre outras tantas variantes.

Do dicionário, consciência pode significar: estar ciente; sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior; sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais; capacidade para discernir; conjunto de valores morais que definem certos julgamentos, ações ou intenções relacionadas com alguém ou com si próprio, assim como outros significados.

A Ciência estuda a consciência, como a Filosofia, a Psicologia, a Neurologia e a Ciência cognitiva. Alguns filósofos relacionam consciência às experiências propriamente ditas, pelo processamento das coisas que vivenciamos para estar ciente de algo ou alguma coisa. Como qualidade psíquica, a consciência pertence à esfera da psique humana.

Essa reflexão focará a consciência edificante, renovadora e impulsionadora de evolução, tendo o Espírito como sede da inteligência, do pensamento, da vontade, da consciência, das lembranças, da memória de suas existências, ou seja, de tudo o que é necessário para o nosso progresso intelectual, moral e espiritual.

Consciência de si mesmo, livre-arbítrio e liberdade de escolha

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, somos esclarecidos que o Espírito, quando criado por Deus, nasce simples e ignorante, começando a sua jornada evolutiva. Em pluralidade de existências, o Espírito progride intelectual e moralmente na busca da perfeição, tendo nas provas e expiações as lições educativas. O Espírito se instrui nas lutas e tribulações da vida corporal, desenvolvendo o intelecto, o livre-arbítrio, o amor, a moral, a responsabilidade, a consciência e a capacidade de escolhas.

Na questão 121, sabemos que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal, conforme o uso do seu livre-arbítrio, pois que “Deus não os criou maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta aptidão para o bem quanta para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria”.

Na questão 122, Kardec pergunta: “Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, gozar da liberdade de escolha entre o bem e o mal? Há neles algum princípio, qualquer tendência que os encaminhe para uma senda de preferência a outra?” A resposta é: “O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram”.

A consciência como centro da personalidade

León Denis, no livro “O problema da ser, do destino e da dor”, esclarece: “A consciência é, pois, como diria W. James, o centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não somente a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, agir, pensar. É una e indivisível”.

Assim, a consciência é o centro uno, indivisível, permanente e indestrutível da personalidade do ser humano, que tem relação direta com o processo evolutivo decorrente das transformações vivenciadas pelo Espírito, conforme ele adquire a liberdade de escolhas entre o bem e o mal, mediante a vontade para seguir determinado caminho, e o correto uso do livre-arbítrio que conduz a todos para o sentimento de viver, agir e pensar.

Sentidos físicos e espirituais

“É com os sentidos internos que o ser humano percebe os fatos e as verdades de ordem transcendental. Os sentidos físicos enganam, apenas distinguem a aparência das coisas e nada seriam sem o sensorium, que agrupa, centraliza suas percepções e as transmite à alma; esta registra tudo e tira o efeito útil. (…) Assim como existe um organismo e um sensorium físicos, que nos põem em relação com os seres e as coisas do plano material, assim também há um sentido espiritual por meio do qual certos homens penetram desde já no domínio da vida invisível. (…)

É na extensão e desenvolvimento crescente desse sentido espiritual que está a lei de nossa evolução psíquica, a renovação do ser, o segredo de sua iluminação interior e progressiva. Por ele nos desapegamos do relativo e do ilusório, de todas as contingências materiais, para nos vincularmos cada vez mais ao imutável e absoluto” (León Denis. O problema do ser do destino e da dor. A consciência: o sentido íntimo).

Verificamos nesses trechos que a consciência recebe as percepções coletadas pelos sentidos internos dos seres humanos, tantos os físicos como espirituais. Os sentidos físicos estão ligados às percepções dos seres e das coisas do plano material, enquanto o sentido espiritual recebe as percepções dos fatos e das verdades de ordem transcendental.

O subconsciente, o consciente e o superconsciente

O Espírito André Luiz, em “No mundo maior”, Capítulo 3, em “A Casa Mental”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, esclarece:

“– No sistema nervoso, temos o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes; figuremo-lo como sendo o porão da individualidade, onde arquivamos todas as experiências e registramos os menores fatos da vida. Na região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos, temos o cérebro desenvolvido, consubstanciando as energias motoras de que se serve a nossa mente para as manifestações imprescindíveis no atual momento evolutivo do nosso modo de ser. Nos planos dos lobos frontais, silenciosos ainda para a investigação científica do mundo, jazem materiais de ordem sublime, que conquistaremos gradualmente, no esforço de ascensão, representando a parte mais nobre de nosso organismo divino em evolução. (…)

– Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares: no primeiro situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o domicílio das conquistas atuais, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada. Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro”.

O inconsciente

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Autodescobrimento: uma busca interior”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, ensina:

“Do ponto de vista psicológico, o inconsciente é o conjunto dos processos que agem sobre a conduta, mas escapam à consciência. (…)

Com as notáveis contribuições de Freud e, mais tarde, de Jung, entre outros, o inconsciente passou a ser a parte da atividade mental que inclui os desejos e aspirações primitivas ou reprimidas, segundo o mestre de Viena, em razão de não alcançarem a consciência espontaneamente, graças à censura psíquica que bloqueia o conhecimento do ser, mas somente através dos métodos psicoterápicos – revelação dos sonhos, redescobrimento dos fatores conflitivos, dos atos perturbadores e outros – ou dos traumas profundos que afetam o sistema emocional.

Podemos distinguir duas formas de inconsciente: o psíquico ou subcortical e o orgânico ou cortical.

Além dessa visão ou mesmo através dela, Jung concebeu o inconsciente coletivo, que seria uma presença no indivíduo com todas as experiências e elementos mitológicos do grupo social, decorrentes da estrutura hereditária do cérebro humano.

O subconsciente psicológico ou subcortical – fisiológico, instintivo – é automático, inicial, natural, corresponde ao id de Freud e aos arquétipos de Jung, enquanto o orgânico ou cortical responde pelos condicionamentos de Pavlov, pelo polígono de Grasset e os traumas e recalques estudados pela Psicanálise.

Acreditava-se, anteriormente, que o ser subcortical era um amontoado de automatismos sob o direcionamento dos instintos, das necessidades fisiológicas. A moderna visão da Psicologia Transpessoal, no entanto, demonstra que a consciência cortical não possui espontaneidade, manifestando-se sob as ocorrências do mundo onde se encontra localizada. Por isso mesmo, esse inconsciente é o Espírito, que se encarrega do controle da inteligência fisiológica e suas memórias – campo perispiritual -, as áreas dos instintos e das emoções, as faculdades e funções paranormais, abrangendo as mediúnicas.

Nesse subcórtex, Jung situou o seu inconsciente coletivo, concedendo-lhe atributos quase divinos.

Modernamente, a Genética descartou a transmissão cromossômica, encarregada dos caracteres adquiridos. Esse inconsciente coletivo seria, então, o registro mnemónico das reencarnações anteriores de cada ser, que se perde na sua própria historiografia.

Felizmente o ser não tem consciência de todas as ocorrências do córtex, que as registra automaticamente – inconsciente cortical – pois se o conhecera, tenderia sua vida psíquica a um total desequilíbrio.

Necessário, portanto, ao ser humano, saber e recordar, mas, também, desconhecer e olvidar…

Todos os funcionamentos automáticos do organismo dão-se sem a participação da consciência, o que lhe constitui verdadeira bênção.

Não raro, nessa área, patologicamente podem ocorrer dissociações mórbidas do psiquismo, dando origem às personalidades duplas (secundárias) que, em se tornando conscientes, prevalecem por algum tempo.

Janet pretendia, em equivalente conceito, resumir todas as comunicações mediúnicas, fenômenos dissociativos do psiquismo, considerando-as, por efeito, de natureza patológica.

É, no entanto, nessa área, que se registram as manifestações mediúnicas, igualmente ocorrendo estratificações anímicas, que afloram nos momentos dos transes, às vezes, interferindo e superando os fenômenos de natureza espiritual”.

O subconsciente

Ainda Joanna de Ângelis:

“Consideremos o subconsciente como parte do inconsciente, que pode aflorar à consciência, com os seus conteúdos, alterando o comportamento do indivíduo. Ele é o arquivo próximo das experiências, portanto, automático, destituído de raciocínio, estático, mantendo fortes vinculações com a personalidade do ser. É ele que se manifesta nos sonhos, nos distúrbios neuróticos, nos lapsos orais e de escrita – atos falhos – tornando-se, depois de Freud e seus discípulos, mais tarde dissidentes, Jung e Adler, responsável também pela conduta moral e social.

Os pensamentos e atos – logo depois de arquivados no subconsciente – programam as atitudes das pessoas. Assim, quando se toma conhecimento de tal possibilidade, elegem-se quais aqueles que devem ser acionados – no campo moral e social – para organizar ou reprogramar a existência”.

O inconsciente sagrado

Continua Joanna de Ângelis:

“À medida que o ser se conscientiza da sua realidade, transfere-se de níveis e patamares da percepção psicológica, para aprofundar buscas e sentir o apelo das possíveis realizações.

Fase a fase, identificando-se com os seus conteúdos psíquicos, a visão dos objetivos íntimos se lhe agiganta e cada conquista faculta-lhe um elenco de entendimentos que fascinam, motivando-o ao avanço e à autopenetração profunda.

Crê-se, com certa lógica, que a aquisição da consciência plena faculte sabedoria imediata, harmonia e certa insensibilidade em relação às emoções. Fosse assim e condenaríamos o sábio à marginalidade, por não participar, solidário, dos problemas que afligem os demais indivíduos em si mesmos e na sociedade em geral.

A sabedoria resulta da união do conhecimento com o amor, cujos valores tornam o ser tranquilo, não insensível; afetuoso, não apaixonado.

A perfeita compreensão da finalidade do sofrimento, na lapidação, desenvolvimento e evolução, proporciona-lhe solidarizar-se com equilíbrio, sem compaixão nem exaltação, qual ocorre com um educador acompanhando o esforço e sacrifício do aluno até sua exaustão, se necessário, para a aprendizagem. Havendo transitado pelo mesmo caminho, ele o bendiz, agradecendo a sua permanência, que propicia a outros candidatos experiências equivalentes.

A visão de humanidade alarga-se e o sentimento de amor desindividualiza-se, para sentir uma imensa gratidão pelos que passaram antes, aqueles que prepararam a senda que ele percorreu; desponta-lhe uma grandiosa complacência pelos que ainda não despertaram no presente, compreendendo-lhes a infância espiritual em que se demoram; amplia-se a capacidade de auxílio em favor dos que estão empenhados na autoiluminação e, por fim, agiganta-se, afetuoso, em relação ao futuro em que se adentra, mediante as incessantes realizações em que se fixa.

Atingindo os níveis superiores de consciência, nos quais vivência estados alterados, lentamente abre comportas psíquicas que se assinalam por traços dessas percepções até imergir no inconsciente profundo.

Esse inconsciente profundo, porém, que alguns psicólogos transpessoais e mentalistas denominam como sagrado, é depósito das experiências do Espírito eterno, do Eu superior, da realidade única da vida física, da causalidade existencial…

A identificação da consciência com esse Ser profundo proporciona conquistar a lucidez sobre as realizações das reencarnações passadas, num painel de valiosa compreensão de causas e efeitos próximos como remotos.

Diante das possibilidades agigantadas, o indivíduo, lentamente, deixa todos os apegos – remanescentes do ego -, todos os desejos – reflexos perturbadores do ego -, todas as reações – persistência dominadora do ego…

O Mal e os males não o atingem, porque a sua compreensão do Bem o leva a identificar Deus em tudo, em todos, amando as mais variadas, ou agressivas, ou persuasivas formas de alcançá-lo.

Essa libertação, essa desidentificação com o ego, inunda-o de equilíbrio e de confiança, sem pressa nos acontecimentos, sem ressentimento nos insucessos.

A dimensão de tempo-espaço cede lugar ao estado de plenitude, no qual a ação contínua, iluminativa, desempenha o papel principal no prosseguimento da evolução.

Abstraindo-se das objetivações e do mundo sensorial pelo desapego, a vida psíquica se lhe irradia generosa, comandando todos os movimentos e ações sob o direcionamento da realidade imortal, que alguns preferem continuar denominando como inconsciente sagrado.

Tornando-se plenamente realizado, sente-se purificado das mazelas, sem ambições, nem tormentos. Aproxima-se do estado numinoso. Liberta-se”.

A consciência vigilante

Em “A Gênese”, de Allan Kardec, no Capítulo III, “O bem e o mal”, o Codificador esclarece:

“Deus estabeleceu leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. O homem encontra em si mesmo tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. Sua rota está traçada na consciência, e a Lei divina está gravada no coração. Além disso, Deus lhe lembra disso constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, por uma infinidade de Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as Leis divinas, certamente evitaria os males mais agudos e viveria feliz na Terra. Se não o faz, é em virtude do seu livre-arbítrio, sofrendo assim as consequências do seu proceder”.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, no Capítulo XIII, um Espírito protetor (Lyon, 1860) expressou: “Apenas, Deus, em sua misericórdia infinita, vos pôs no fundo do coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Escutai-a, que somente bons conselhos ela vos dará. Às vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Ficai certos, porém, de que a pobre escorraçada se fará ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com frequência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido”.

No Capítulo XV, o Espírito Paulo, o apóstolo (Paris, 1860), orienta: “Submetei todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação”.

Mais adiante, no Capítulo XVII, Kardec ensina:

“O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

Deposita fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se lhe submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses à justiça”.

No Capítulo XVII, o Espírito Lázaro (Paris, 1863) instrui:

“O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados. Quero aqui falar apenas do dever moral, e não do dever que as profissões impõem.

Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio. O aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.

Deus criou todos os homens iguais para a dor. Pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelas mesmas causas, a fim de que cada um julgue em sã consciência o mal que pode fazer. Com relação ao bem, infinitamente vário nas suas expressões, não é o mesmo o critério. A igualdade em face da dor é uma sublime providência de Deus, que quer que todos os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal, alegando ignorância de seus efeitos”.

Consciência e resgate

León Denis, no livro “O problema do ser, do destino e da dor”, escreveu:

“É principalmente na consciência que está a sanção do bem o do mal. Ela registra minuciosamente todos os nossos atos e, mais cedo ou mais tarde, erige-se em juiz severo para o culpado que, em consequência de sua evolução, acaba sempre por lhe ouvir a voz e sofrer as sentenças. Para o Espírito, as lembranças do passado unem-se no espaço ao presente e formam um todo inseparável; vive ele fora da duração, além dos limites do tempo, e sofre tão vivamente pelas faltas há muito cometidas como pelas mais recentes; por isso pede muitas vezes uma reencarnação rápida e dolorosa, que resgatará o passado, conquanto dê tréguas às recordações importunas. (…)

Não é, pois, por vingança que a lei nos pune, mas porque é bom e proveitoso sofrer, pois que o sofrimento nos liberta, dando satisfação à consciência, cujo veredicto ela executa.

Tudo se resgata e repara pela dor. Há, vimos, uma arte profunda nos processos que ela emprega para modelar a alma humana e, quando esta se transvia, reconduzi-la à ordem sublime das coisas. (…)

Por muito tempo ainda a humanidade terrestre, ignorante das leis superiores, inconsciente do futuro e do dever, precisará da dor para estimulá-la na sua via, para transformar o que nela predomina, os instintos primitivos e grosseiros, em sentimentos puros e generosos. Por muito tempo terá o homem de passar pela iniciação amarga para chegar ao conhecimento de si mesmo e do alvo a que deve mirar”.

Interrogando a consciência

“Do ponto de vista moral, é fora de dúvida que Deus outorgou ao homem um guia, que é a sua consciência, a dizer-lhe: ‘Não façais aos outros o que não gostaríeis que eles vos fizessem’.” (Allan Kardec. A Gênese. Capítulo I)

“Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição. (…)

Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial.

Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações.

Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes.

E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação, mas na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar”. (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V)

Conselhos do Espírito Joanna de Ângelis, em “Vida feliz, na psicografia de Divaldo Pereira Franco:

“Vive sempre em paz. Uma consciência tranquila, que não traz remorsos de atos passados, nem teme ações futuras, gera harmonia. Nada de fora perturba um coração tranquilo, que pulsa ao compasso do dever retamente cumprido. A paz merece todo o teu esforço para consegui-la”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. VIII)

“Depois que cometas um erro e tenhas consciência dele, começa a reabilitação. Nada de entregar-te ao desalento ou ao remorso. Da mesma forma como não deves insistir no propósito inferior, não te podes deixar consumir pelo arrependimento. Este tem somente a função de conscientizar-te do mal feito. Perdoa-te, encoraja-te e dá início à tarefa de reequilíbrio pessoal, diminuindo e reparando os prejuízos causados”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. XLI)

“Não troques a paz da tua consciência de amanhã pelo prazer corruptor de hoje. O que não é moral, jamais proporciona harmonia. Fugidio e devorador, passa rápido, deixando ácido de insatisfação a queimar o corpo e sombra de remorso na consciência magoada. Permanece sedento, mas não arrependido. O que não experimentaste não te atormenta, e o que te falta agora, mais tarde chegará bem para a tua satisfação”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. LV)

“Sê ordeiro nas tuas atividades. Não te apoquentes ante o muito a fazer, nem te descuides em relação às tuas tarefas. À medida que o tempo te permita, vai realizando cada uma delas até que as conclua todas. Um homem disciplinado é um tesouro. Quem sabe desincumbir-se dos serviços monótonos e constantes pode empreender grandes realizações com a certeza do êxito. Agir com ordem e ter consciência de que a vida é uma ação que não cessa, significa um avançado passo no caminho da evolução”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. LXXXV)

“Faze um exame de consciência, quando possas e quantas vezes te seja viável. Muitas queixas e reclamações desapareceriam se o descontente analisasse melhor o próprio comportamento. Sempre se vê o problema na outra pessoa e o erro estampado no semblante do outro. Normalmente, quando alguém te cria dificuldades e embaraços, está reagindo contra a tua conduta, à forma como te expressaste e à maneira como agiste. Tem a coragem de examinar-te com mais severidade, rememorando atitudes e palavras. Ao descobrires erros, apressa-te em corrigi-los; busca aquele a quem magoaste e recompõe a situação. Não persevere em erro, seja qual for a justificação”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. CXI)

“Sê amigo da verdade, sem a transformares numa arma de destruição ou de ofensa. Não é tanto o que se diz, que oferece resultados positivos ou desagradáveis, mas, a forma como se diz. Ademais, a tua pode não ser a verdade real, senão, um reflexo dela. E, mesmo que o fosse, não estás autorizado a esgrimi-la com finalidades perturbadoras. Antes de assumires a postura de quem corrige e ensina com a verdade, coloca-te no lugar do outro, aquele a quem te irás dirigir, e a consciência te apontará o rumo a seguir e a melhor maneira de te expressares”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. CXLIII)

“Acostuma-te à verdade. O hábito da mentira branca também chamada inocente ou social, levar-te-á às graves, empurrando-te para o lodaçal da calúnia e da maledicência frequente. A fagulha produz incêndios semelhantes aos gerados pela labareda crepitante… Os grandes crimes se originam em pequenos delitos, não alcançados pela Justiça, que ensejam o agravamento do mal. Usa de severidade moral para contigo, não embarcando nas canoas das conveniências gerais. Cada pessoa responde por si mesma, e os seus atos ficam gravados na consciência individual. Sê tu mesmo, em constante progresso moral”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. CLVI)

“A tua vida não termina no túmulo. Com esta consciência, aprende para a eternidade, reunindo valores que jamais se consumam. Toda lição que liberta do mal se incorpora à alma, como força de vida indestrutível. Fosse a morte o fim da vida, e sem sentido seria o Universo. A criação se esmaeceria e o ser pensante estaria destituído de finalidade. Tudo, porém, conclama o ser à glória eterna, à continuidade do existir, ao progresso incessante. Estuda e trabalha sem cessar, com os olhos postos no teu futuro espiritual, vivendo alegre, hoje, e pleno sempre”. (Joanna de Ângelis, Vida feliz. Cap. CLXXXIX)


Bibliografia:

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Autodescobrimento: uma busca interior. (?) Edição. Salvador/BA: Editora Leal, (?).

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Vida feliz. 18ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2020.

DENIS, León. O problema do ser, do destino e da dor. 32ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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