Propriedades do perispírito

Os Espíritos têm um corpo fluídico, a que se dá o nome de perispírito. Sua substância é haurida do fluido universal ou cósmico, que o forma e alimenta, como o ar forma e alimenta o corpo material do homem.

O perispírito é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e o grau de depuração do Espírito.

Nos mundos e nos Espíritos inferiores, ele é de natureza mais grosseira e se aproxima muito da matéria bruta.

A camada de fluidos espirituais que cerca a Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras, do que as camadas superiores.

Não são homogêneos esses fluidos. São uma mistura de moléculas de diversas qualidades, entre as quais necessariamente se encontram as moléculas elementares que lhes formam a base, porém mais ou menos alteradas. Os efeitos que esses fluidos produzem estarão na razão da soma das partes puras que eles encerram.

Os Espíritos chamados a viver naquele meio tiram dele seus perispíritos, porém, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele encarna.

O Espírito produz aí, sempre por comparação e não por assimilação, o efeito de um reativo químico que atrai a si as moléculas que a sua natureza pode assimilar. Resulta disso este fato capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda.

O mesmo já não se dá com o corpo carnal, que se forma dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito. Por isso, em todos, são os mesmos os efeitos que o corpo produz, semelhantes as necessidades, ao passo que diferem em tudo o que respeita ao perispírito.

Em estudos sobre as qualidades inerentes ao perispírito, autores encarnados e desencarnados identificaram, entre outras, as seguintes propriedades: plasticidade, densidade, ponderabilidade, luminosidade, penetrabilidade, visibilidade, tangibilidade, sensibilidade, expansibilidade, unicidade, mutabilidade.

Plasticidade

É a capacidade que o Espírito tem de produzir alterações morfológicas no seu perispírito.

Densidade

É a propriedade que determina a constituição molecular do perispírito.

Varia de acordo com o estado dos mundos. Parece que também varia, em um mesmo mundo, de indivíduo para indivíduo.

Nos Espíritos moralmente adiantados, é mais sutil e se aproxima da dos Espíritos elevados; nos Espíritos inferiores, ao contrário, aproxima-se da matéria e é o que faz que os Espíritos de baixa condição conservem por muito tempo as ilusões da vida terrestre. Esses pensam e obram como se ainda fossem vivos.

Ponderabilidade

É a propriedade relacionada ao peso específico do perispírito, que varia conforme a densidade. A nossa posição mental determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, consequentemente, o habitat que lhe compete. Mero problema de padrão vibratório.

Entende-se, então, como o Espírito desencarnado pode sentir-se chumbado aos pântanos de psiquismo degenerado, que marcam as dimensões trevosas, ou naturalmente atraído para níveis superiores, condizentes com sua condição mental, a dizer, moral.

Luminosidade, ou brilho perispiritual

Tem relação direta com a evolução moral do Espírito, que, por sua natureza, possui uma propriedade luminosa que se desenvolve sob o influxo da atividade e das qualidades da alma.

A intensidade da luz está na razão da pureza do Espírito: as menores imperfeições morais atenuam-na e enfraquecem-na. A luz irradiada por um Espírito será tanto mais viva, quanto maior o seu adiantamento.

Assim, sendo o Espírito, de alguma sorte, o seu próprio farol, verá proporcionalmente à intensidade da luz que produz, do que resulta que os Espíritos que não a produzem acham-se na obscuridade.

Penetrabilidade

É a propriedade que permite o Espírito atravessar barreiras vibracionais, físicas ou não. Matéria nenhuma lhe opõe obstáculo. Ele as atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Daí vem que não há como impedir que os Espíritos entrem num recinto inteiramente fechado.

Visibilidade

É a propriedade que o perispírito possui de se tornar visível. Usualmente, não percebemos o perispírito dos Espíritos, encarnados ou desencarnados. Os Espíritos menos adiantados percebem o corpo espiritual de seus pares, captando-lhe o aspecto geral.

Já os Espíritos Superiores podem perscrutar a intimidade perispirítica de desencarnados de menor grau de elevação, bem como a dos encarnados, observando-lhes as desarmonias e as necessidades.         

Tangibilidade

É a possibilidade que tem o perispírito de tornar-se materialmente tangível, no todo ou em parte.

Sob a influência de certos médiuns, tem-se visto aparecerem mãos com todas as propriedades de mãos vivas, que, como estas, denotam calor, podem ser palpadas, oferecem a resistência de um corpo sólido, agarram os circunstantes e, de súbito, se dissipam, quais sombras.

A tangibilidade que revelam, a temperatura, a impressão, em suma, que causam aos sentidos, porquanto se há verificado que deixam marcas na pele, que dão pancadas dolorosas, que acariciam delicadamente, provam que são de uma matéria qualquer.

Seus desaparecimentos repentinos provam, além disso, que essa matéria é eminentemente sutil e se comporta como certas substâncias que podem alternativamente passar do estado sólido ao estado fluídico e vice-versa.

Sensibilidade

É a propriedade que o perispírito tem de transmitir sensações, sentimentos e emoções do Espírito.

As sensações não são percebidas por um órgão ou estrutura biológica, tal como acontece no corpo físico. Elas são gerais, percebidas em todo o perispírito.

O Espírito, assim, vê, ouve, sente, enfim com o corpo espiritual inteiro, uma vez que as sedes dos sentidos não encontram localização tão específica quando se observa no estado de encarnação.

Expansibilidade

É a característica que permite ao perispírito sua expansão e exteriorização nos fenômenos anímicos, nas doações fluídicas e nos processos mediúnicos. Pela sua natureza fluídica, ele é expansível, irradia para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força da vontade podem dilatar mais ou menos.

Daí se segue que pessoas há que, sem estarem em contato corporal, podem achar-se em contato pelos seus perispíritos e permutar a seu mau grado impressões e, algumas vezes, pensamentos, por meio da intuição.

Unicidade

Tem na estrutura perispirítica um reflexo da alma, significa dizer que cada pessoa traz no próprio perispírito a soma das suas conquistas evolutivas. Não há, portanto, dois perispíritos iguais.

Mutabilidade

Deve ser entendida como a capacidade que permite ao perispírito, pela ação da plasticidade, mudar seu aspecto com relação à sua estrutura e forma, modificação esta sustentada pela mente em decorrência do processo evolutivo.

Esse corpo fluídico depura-se e enobrece-se com a alma; segue-a através das suas inumeráveis encarnações; com ela sobe os degraus da escada hierárquica, torna-se cada vez mais diáfano e brilhante para, em algum dia, resplandecer com essa luz radiante.

Bibliografia

ROCHA, Cecília (organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Programa Complementar – Tomo Único. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close