Planejamento reencarnatório

Deus impõe aos Espíritos “a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, torna o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta”. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos. Pergunta 132)

A alma que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea tem a oportunidade de depurar-se sofrendo a prova de uma nova existência, em que indubitavelmente experimentará uma transformação. (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos. Pergunta 166)

Assim, todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal.

A justiça divina concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa prova. É nascer e renascer em pluralidade de existências. Ligam-se passado, presente e futuro. Nesse sentido, o fim objetivado com a reencarnação é a expiação e o melhoramento progressivo da Humanidade.

A cada existência, o Espírito dá um passo adiante para o progresso. Quando se achar limpo de todas as impurezas, não mais terá a necessidade das provas da vida corporal.

O dogma da reencarnação fundamenta-se na justiça de Deus e na revelação, pois Deus sempre deixa aberta a porta para o arrependimento. Sem este entendimento, onde estaria a justiça, a bondade e a misericórdia de Deus, sem a qual estaríamos condenados à pena eterna.

No entanto, toda reencarnação é precedida de planejamento. Uma nova oportunidade que reflete a justiça de Deus; nova chance de corrigir os nossos erros, males e equívocos; momento de crescimento, evolução e progresso intelectual e moral.

Planejamento porque não há improvisação nos procedimentos reencarnatórios, mesmo para as reencarnações mais simples.

A escolha das provas merece cuidados especiais por parte dos Espíritos planejadores.

O homem, ciente de sua inferioridade, aspira consoladora esperança na reencarnação, acreditando na justiça divina e nos diferentes estágios evolutivos. Entende que a sua inferioridade não lhe retira o bem supremo e que, mediante esforço, poderá conquistá-lo.

Este planejamento pode ser elaborado pelo próprio Espírito, desde que tenha condições morais e intelectuais de fazê-lo, ou ser delegado a um Espírito esclarecido, caso o reencarnante não possua condições para planejar ou opinar sobre a própria reencarnação.

Espírito mais adiantado em moralidade e conhecimento escolhe o gênero das provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio. Não existe livre-arbítrio absoluto, mesmo em se tratando de Espíritos superiores, pois nada ocorre sem a permissão de Deus.

Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a responsabilidade de seus atos e das suas consequências. Nada atrapalha o futuro. Aberto está o caminho do bem, como o do mal. Se sucumbir, restar-lhe a consolação de que nem tudo acabou e que a bondade divina concede a liberdade de recomeçar.

O planejamento reencarnatório prevê, em geral, os principais acontecimentos que poderão ocorrer no mundo físico: o gênero das provações. As particularidades ocorrem por conta da posição em que nos encontramos, como consequências das nossas próprias ações.

O Espírito sabe dos arrastamentos a que se expõe, mas ignora os atos que possa praticar, porquanto estes resultam do exercício da vontade ou do livre-arbítrio.

O Espírito, escolhendo um caminho, terá que sustentar as lutas decorrentes. Embora tenha conhecimento da natureza das vicissitudes a enfrentar, os acontecimentos secundários originam-se das circunstâncias e da força das coisas. Previstos mesmos os fatos principais, que influem no destino.

Independentemente de o Espírito ter elaborado ou participado do próprio planejamento reencarnatório, não há garantias de que este será cumprido, total ou parcialmente.

Há Espíritos que, desde o começo, tomam um caminho que os exime de muitas provas. Aquele, porém, que se deixa arrastar para o mau caminho, corre todos os perigos.

A questão do planejamento reencarnatório está ligada às consequências do uso do livre-arbítrio, situação que sempre reflete o nosso nível de evolução moral e intelectual. O livre-arbítrio, repetidamente utilizado de forma incorreta, restringe a capacidade de opinar em novo planejamento.

É por esta razão que os Espíritos dedicados a essa tarefa consideram todas as ações que executamos, antes e depois da desencarnação, definindo critérios norteadores do planejamento reencarnatório que nos cabe.

Logo após a morte do corpo físico, a alma culpada sofre minucioso processo de depuração, tanto mais produtivo quanto mais se lhe exteriorize a dor do arrependimento, e, depois disso, consegue elevar-se a esferas de reconforto e reeducação.

Se a moléstia experimentada na vida corporal foi longa e difícil, abençoadas depurações terão sido feitas, pelo ensejo de autoexame. Todavia, se essa operação natural não foi possível no círculo carnal, mais se lhe agravam os remorsos depois do túmulo, por recalcados na consciência, a aflorarem, todos eles, através de reflexão.

As vítimas do remorso padecem por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram.

Passado esse período de perturbação espiritual, ocorrido após a desencarnação, e tão logo revele os primeiros sinais de positiva renovação para o bem, registra o Espírito o auxílio das esferas superiores, que, por agentes inúmeros, apoiam os serviços da luz divina onde a ignorância e a crueldade se transviam na sombra.

Qual doente, agora acolhido em outros setores pela encorajadora convalescença de que dá testemunho, o devedor desfruta suficiente serenidade para rever os compromissos assumidos na encarnação recentemente deixada, sopesando os males e sofrimentos de que se fez responsável.

Muita vez, ascendem a escolas beneméritas, nas quais recolhem mais altas noções da vida, aprimoram-se na instrução, aperfeiçoam impulsos e exercem preciosas atividades, melhorando os próprios créditos; todavia, as lembranças dos erros voluntários, ainda mesmo quando as suas vítimas tenham já superado todas as sequelas dos golpes sofridos, entranham-se-lhes no Espírito por sementes de destino, de vez que eles mesmos, em se reconhecendo necessitados de promoção a níveis mais elevados, pedem novas reencarnações com as provas de que carecem para quitar.

Nesses casos, a escolha da experiência é mais que legítima, porquanto, através da limpeza de limiar, efetuada nas regiões retificadoras, e pelos títulos adquiridos nos trabalhos que abraça, no plano extra físico, merece a criatura os cuidados preparatórios da nova tarefa em vista, a fim de que haja conjugação de todos os fatores, para que reencontre os credores ou as circunstâncias imprescindíveis, junto aos quais se redima perante a Lei.

Os Espíritos, no início do processo evolutivo, ou portadores de marcante perturbação espiritual, ou ainda que demonstram persistente estado de rebeldia perante a Lei de Deus, estão temporariamente impedidos de opinar no próprio planejamento reencarnatório.

Nesta situação, a experiência reencarnatória é tutelada por um Espírito esclarecido, apresentando características de compulsoriedade. Como o Espírito não tem condições de programar a sua reencarnação, Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos.

Deus impõe ainda a tutela de um Espírito esclarecido sobre outro quando este, pela sua inferioridade ou má vontade, não se mostra apto a compreender o que lhe seria mais útil, e quando vê que tal existência servirá para a purificação e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.

Entretanto, reencarnações se processam, muita vez, sem qualquer consulta, aos que necessitam segregação em certas lutas no plano físico, providências essas comparáveis às que assumimos no mundo com enfermos e criminosos que, pela própria condição ou conduta, perderam temporariamente a faculdade de resolver quanto à sorte que lhes convém no espaço de tempo em que se lhes perdura a enfermidade ou em que se mantenham sob as determinações da justiça.

São os problemas especiais, em que a individualidade renasce de cérebro parcialmente inibido ou padecendo mutilações congênitas, ao lado daqueles que lhe devem abnegação e carinho.

O momento preciso para iniciar um planejamento reencarnatório é infinitamente variável de Espírito para Espírito. Depende do grau de entendimento de cada um. Sabe-se que o Espírito leva mais tempo para fazer a escolha das suas provas quando acredita na eternidade das penas após a desencarnação.

O que motiva um Espírito a fazer a escolha de suas provações, ou concordar com a escolha feita por outro Espírito, é a natureza de suas faltas, as que o levem à expiação destas e a progredir mais depressa.

Uns impõem a si mesmos uma vida de misérias e privações, objetivando suportá-las com coragem. Outros preferem experimentar as tentações da riqueza e do poder, muito mais perigosas, pelos abusos e má aplicação a que podem dar lugar, pelas paixões inferiores que desenvolvem; muitos, finalmente, se decidem a experimentar suas forças nas lutas que terão de sustentar em contato com o vício.

Não se diga que todos os infortúnios da marcha, de hoje, estejam debitados a compromissos de ontem, porque, com a prudência e a imprudência, com a preguiça e o trabalho, com o bem e o mal, melhoramos ou agravamos a nossa situação, reconhecendo-se que todo dia, no exercício de nossa vontade, formamos novas causas, refazendo o destino.

Os planejamentos reencarnatórios são diversificados, diante das inúmeras necessidades humanas.

Cada ser reencarnante apresenta particularidades essenciais no seu retorno à esfera física.

Os Espíritos superiores, quase sempre, em ligação sutil com a mente materna que lhes oferta guarida, podem plasmar, com a colaboração de instrutores da vida maior, o corpo em que continuarão as futuras experiências, interferindo nas essências cromossômicas, com vistas às tarefas que lhes cabem desempenhar.

Os Espíritos inferiores, na maioria das ocasiões, padecendo da ideia fixa obsessiva, entram em fusão fluídica com as organizações femininas a que se agregam, experimentando o definhamento do corpo espiritual, sendo inelutavelmente atraídos ao vaso uterino, em circunstâncias adequadas, para a reencarnação que lhes toca, em moldes inteiramente dependentes da hereditariedade.

Entre ambas as classes, porém, contamos com milhões de Espíritos medianos na evolução, portadores de créditos apreciáveis e dívidas numerosas, cuja reencarnação exige cautela de preparo e esmero de previsão.

No Livro de André Luiz E a vida continua…, psicografia de Francisco Cândido Xavier, há o relato, sobre a existência de um Instituto de Serviço para Reencarnação no plano espiritual.

Na colônia Nosso Lar, o planejamento reencarnatório está afeto ao Ministério do Auxílio.

Na Colônia Correcional Maria de Nazaré, existe o Departamento de Reencarnação localizado no extremo da Colônia.

Os livros Missionários da luz, E a vida continua, trazem relatos elucidativos sobre o planejamento reencarnatório e as condições de execução das reencarnações.

Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

ROCHA, Cecília (Organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: Programa Fundamental – Tomo I. 2ª Edição. Brasília/DF, Federação Espírita Brasileira, 2018.

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