Afastando as más influências e os maus pensamentos de Espíritos inferiores

Esta reflexão apoia-se em “O Livro dos Espíritos”, “O que é o Espiritismo”, “A Gênese”, e “O Evangelho Segundo do Espiritismo”, de Allan Kardec, para esclarecer a respeito da atuação dos Espíritos em nossas vidas e como afastar as más influências e os maus pensamentos que os Espíritos inferiores nos sugestionam.

Os mundos visível e invisível reagem incessantemente um sobre o outro, cujas relações e comunicações podem ser ocultas, espontâneas ou provocadas.

“Os Espíritos atuam sobre os homens ocultamente, sugerindo-lhes pensamentos e influenciando-os, de modo perceptível, por meio de efeitos apreciáveis aos sentidos. (…) As manifestações espontâneas ocorrem inopinadamente e de improviso; produzem-se, muitas vezes, entre as pessoas mais estranhas às ideias espíritas, as quais, por isso mesmo, não tendo meios de explicá-las, as atribuem a causas sobrenaturais. As que são provocadas dão-se por intermédio de certos indivíduos dotados para isso de faculdades especiais, e designados pelo nome de médiuns”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Assim, os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e atos muito mais do que imaginamos, pois vivemos em sintonia com os que nos rodeiam. Somos alvos da atenção de benfeitores e amigos Espirituais como também daqueles a quem prejudicamos com atos de maior ou menor gravidade, nesta ou em existências anteriores, e que nos procuram para cobrar a dívida que com eles contraímos.

A influência dos Espíritos tem origem na transmissão do pensamento e todos os seres, encarnados e desencarnados, estão mergulhados no fluido cósmico universal que ocupa todo o espaço. O fluido cósmico universal é veículo do pensamento, que recebe a impulsão da vontade do Espírito, estendendo-se ao infinito.

Os Espíritos atuam sobre a matéria por meio do perispírito, produzindo diferentes efeitos físicos, tais como: ruídos e movimentação de objetos; pela transmissão do pensamento; pela visão; pela audição; pela palavra; pelo tato; pela escrita; pelo desenho; pela música, etc. Eles usam todos os meios de comunicação disponíveis.

Dirigido o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo o pensamento. Desta maneira, os Espíritos exercem as suas influências nos acontecimentos da vida, por meio da transmissão de pensamento e pela ação direta no mundo material, tudo dentro das leis da Natureza.

A influência dos Espíritos em nossos pensamentos é de tal intensidade que, ordinariamente, são eles que nos dirigem. Por isso, é preciso saber identificar a natureza dessa influência, a fim de que não atendamos aos maus conselhos de Espíritos imperfeitos.

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, na questão 460, sobre os pensamentos que nos são próprios e os que são sugeridos, os Espíritos Superiores respondem que “Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se combaterem”.

Por estes esclarecimentos, os nossos pensamentos misturam-se com os que são sugeridos pelos Espíritos, muitas vezes contrários uns aos outros, daí a dificuldade para se combater as más influências e os maus pensamentos.

Nesse sentido, Kardec prossegue na questão 461, perguntado como distinguir os pensamentos próprios dos que são sugeridos? A resposta é: “Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo, obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem, é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho, maior será a sua responsabilidade”.

Sabendo que tanto os Espíritos bons como os maus podem nos sugerir pensamentos, Kardec, na questão 464, pergunta como distinguir se um pensamento sugerido procede de bom ou mau Espírito? Os Espíritos Superiores recomendam estudar o caso, alertando que os bons Espíritos só para o bem aconselham, cabendo a nós discernir.

Os Espíritos imperfeitos são instrumentos para colocar em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem, pois como Espíritos temos que progredir a caminho da perfeição, daí a necessidade de passarmos pelas provas do mal para chegar ao bem.

A nossa missão consiste em colocarmos no bom caminho, perseverando e resistindo às tentações. As más influências atuam em nós, por atração, quando desejamos o mal, em que os Espíritos inferiores correm a nos auxiliar no mal. Eles atuam somente quando queiramos o mal. Outros também nos cercarão, esforçando-se para nos influenciar para o bem, restabelecendo o equilíbrio da balança e deixando-nos senhor dos nossos atos. Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.

Cabe a nós neutralizar a influência dos Espíritos imperfeitos, praticando o bem e colocando a nossa confiança em Deus, repelindo, assim, as ações dos Espíritos inferiores que desejam ter sobre nós. Devemos nos prevenir das sugestões destes Espíritos que procuram nos influenciar com maus pensamentos, que sopram a discórdia e insuflam as más paixões.

Na questão 467, Kardec indaga se pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal. A resposta é que “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”. Por conseguinte, como imãs atraímos ou repelimos as influências dos maus Espíritos, afastando-se os maus pensamentos com bons pensamentos.

Acrescentam os Espíritos Superiores, na questão 468, que “Quando nada conseguem, abandonam o campo. Entretanto, ficam à espreita de um momento propício, como o gato que tocaia o rato”. Por isso, orai e vigiai: “Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: Senhor! Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”.

É preciso aprender a disciplinar os nossos pensamentos, a fim de atrairmos os bons Espíritos que nos auxiliarão a percorrer o bom caminho, tornando-o menos árido e pleno de realizações espirituais.

“As comunicações que recebemos dos Espíritos podem ser boas ou más, justas ou falsas, profundas ou levianas, conforme a natureza dos seres que se manifestam. Os que dão provas de sabedoria e erudição são Espíritos adiantados que já progrediram; os que se mostram ignorantes e maus são Espíritos ainda atrasados, mas que haverão de progredir com o passar do tempo. Os Espíritos só podem responder sobre aquilo que sabem, segundo o seu estado de adiantamento, e, mesmo assim, dentro dos limites do que lhes é permitido dizer-nos, porque há coisas que eles não podem revelar, por não ser ainda dado ao homem conhecer todas as coisas”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

“Da diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos, resulta que não basta nos dirigirmos a um Espírito qualquer para obtermos uma resposta segura a toda questão; porque, acerca de muitas coisas, ele não nos pode dar mais que a sua opinião pessoal, que pode ser justa ou errônea”.

“É por isso que João, o Evangelista, diz: ‘Não creais em todos os Espíritos, mas examinai: ‘Não creiais em todos os Espíritos, mas examinai se eles são de Deus’. A experiência demonstra a sabedoria desse conselho. Há imprudência e leviandade em aceitar sem exame tudo o que vem dos Espíritos; por isso, é absolutamente necessário conhecermos o caráter daqueles que estão em relação conosco”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Por estes esclarecimentos e ensinamentos, devemos ter a devida cautela, pois seremos imprudentes e levianos se aceitarmos sem qualquer exame as comunicações do mundo espiritual. Temos que reconhecer a qualidade dos Espíritos por sua linguagem, em que a “dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica e isenta de contradições; nela se respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral; ela é concisa e despida de redundâncias. Na dos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vácuo das ideias é quase sempre preenchido pela abundância de palavras”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Quanto às revelações Espíritas, temos que: “Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares”. (Allan Kardec: O Evangelho Segundo do Espiritismo)

“Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada aos demais pelo critério da lógica, é que constitui a força da Doutrina Espírita e lhe assegura a perpetuidade”.(Allan Kardec: A gênese. Introdução)

“Como há homens de todos os graus de saber e ignorância, de bondade e malvadez, dá-se o mesmo com os Espíritos. (…) Essa diversidade nas qualidades dos Espíritos é um dos pontos mais importantes a considerar, por explicar a natureza boa ou má das comunicações que se recebem; é em distingui-las que devemos empregar todo o nosso cuidado”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Por tudo isso, precisamos aprender a afastar as más influências e os maus pensamentos de Espíritos inferiores, estudando os casos, distinguindo se um pensamento sugerido procede de bom ou mau Espírito e, nas revelações espíritas, utilizar o controle universal de Allan Kardec em que se tem a garantia pela concordância entre as revelações espontâneas de diversos Espíritos por grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em vários lugares.

Não é fácil perceber as más influências de Espíritos inferiores, pois em alguns casos elas podem ser de natureza complexa e os prejuízos mais acentuados. Contudo, pode-se evitar este problema mantendo um padrão vibratório elevado, cultivando bons e elevados pensamentos, repelindo as más influências. Devemos nos guardar de atender às sugestões dos Espíritos que nos suscitam maus pensamentos. Cultive bons pensamentos.

Procure evocar os bons Espíritos que fazem todo o bem que lhes é possível e se sentem ditosos com as nossas alegrias. Dirija apelo fervoroso ao seu anjo bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o assistam. Os bons Espíritos têm mais poder do que os maus, e a vontade deles basta para afastar estes últimos.

Cansar a paciência dos Espíritos inferiores, mostrando-se mais paciente que eles e convencendo-os que perdem tempo, que acabarão por se retirar.

A maior prevenção está na prática do bem, da caridade, do perdão, da indulgência e na confiança em Deus.

Dependendo do caso, busque a ajuda de terceiros ou o auxílio de um Centro Espírita.

A prece é um dos meios mais poderosos de que se dispõe para demover os propósitos de Espíritos malfeitores e obsessores. A prece é uma lâmpada acesa no coração, clareando os escaninhos da alma. Reze do fundo do coração, com vontade e muita fé, pois a prece é uma invocação em que entramos em comunicação, pelo pensamento, com o ser a quem se dirige.

A ação da prece é a transmissão do pensamento e a vontade lhe dá direção. Pela prece, o fluído magnético pode manipular medicações balsâmicas, produzir prodígios de amor fecundo e estabelecer uma sublime ligação com o Céu.

Bibliografia:

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

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