Buscai e achareis

Vamos falar sobre o Capítulo XXV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, que tem como título: “Buscai e achareis”.

“Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á; porque todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. (Mateus, 7: 7-8.)

Desta passagem Evangélica, destacamos três ações: pedir, buscar e bater; que apresentam como respostas: obter, achar e abrir. Não à toa, duas ações veem depois do pedir, que exigem esforços individuais de buscar e bater à porta (por ajuda). Assim, não basta pedir, tem que buscar e bater à porta, ou seja, temos que fazer a nossa parte.

Com essas palavras, Jesus exortou a orar e a confiar em Deus na certeza de que Ele não deixará de atender às nossas necessidades materiais e espirituais, desde que façamos a nossa parte, diligenciando (buscar e bater) por obtê-las.

Esta é a síntese de: “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará”. Para que o céu ajude, o Mestre afirma que “todos os que pedem, recebem; os que buscam, acham; e a quem bate, se abre”. Muitos acham, equivocadamente, que Deus tudo fará por nós sem os nossos esforços e sem as nossas súplicas. Demonstram, assim, que não compreenderam as promessas do Evangelho.

A razão do “pedir” não é informar a Deus o que necessitamos, tampouco lembrar de algo que tenha esquecido. Ele sabe de tudo a nosso respeito. Com o pedir, confessamos as nossas indigências e fraquezas, colocando-se em ato de humildade e fé, que criam as condições para receber a graça divina. Temos que pedir, buscar e bater! O progresso é filho do trabalho. A evolução espiritual rege-se pelas leis do trabalho e do progresso.

O pensamento “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará” apoia-se em três pilares que nos convidam a relacionar-se com Deus, em que somos os donos das ações para sermos ajudados. Feita a nossa parte, Deus fará a sua.

O “pedir” não tem por objetivo informar a Deus os nossos problemas e as nossas necessidades, mas sim colocarmo-nos em uma posição de humildade, de fé, para podermos perceber e aceitar os benefícios que são enviados por Ele.

Em todos os estados de angústias física e espiritual, procuramos desesperadamente por Deus. Logo, o “pedir e obter” é reconfortante, porque toda vez que estamos com um problema o que mais queremos é alguém para nos ajudar. Com esta esperança, procuramos o tão almejado auxílio.

Às vezes, diante de situações difíceis não encontramos a cura ou a solução. A ajuda não vem e ficamos desiludidos, sem esperança ou mesmo revoltados. Na verdade, queremos que algo resolva as nossas aflições sem nenhum esforço. Quase sempre, esperamos a ajuda sem fazer nossa parte. Não percebemos que a responsabilidade pela solução dos nossos problemas está dentro de nós mesmos.

Contudo, Deus avalia se estamos apenas suplicando ou se apresentamos sinais de arrependimento por termos vividos distantes da Sua vontade. Jesus nos mostrou o caminho de volta ao Pai. O início para resolver as nossas aflições e os nossos problemas é desenvolver a humildade, reconhecendo que não somos perfeitos. Humildade para admitir que não sabemos tudo e muito nos falta a aprender.

Ninguém deliberadamente busca o sofrimento, pelo contrário, a nossa vida resume-se na constante busca da felicidade. Se sofremos e não queremos sofrer, precisamos buscar a causa do sofrimento para podermos evitá-lo. O sofrimento não é outra coisa senão a consequência imediata de uma atitude errada, seja nesta vida ou em vidas pretéritas.

Para evitar e cair nas mesmas atitudes, devemos buscar o nosso vínculo com o Criador, por meio da prece. Não podemos projetar a solução dos nossos problemas nos outros, nas coisas e situações. Procuremos dentro de nós mesmos. Depende de cada um de nós a solução dos nossos problemas.

Dessa forma, a máxima “buscai e achareis” ou “ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará” é o princípio das leis do trabalho e do progresso. O trabalho é uma necessidade. Somos resultado das nossas obras, teremos delas o mérito e seremos recompensados de acordo com o que temos feito.

Pela providência Divina, a natureza nos provê a matéria prima e os elementos para sermos transformados pelo uso da inteligência. Não deve ser interpretado como uma espécie de comodismo em que ficamos esperando algo cair do céu. Deus provê os recursos e devemos confiar na sua providência, mas essa confiança não nos eximi do trabalho a ser realizado.

“Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6: 33). Assim, devemos acumular os tesouros no céu. Os tesouros eternos e imprescindíveis à felicidade do Espírito. A sabedoria está em sabermos utilizar os bens materiais sem nos escravizarmos a eles, priorizando a aquisição dos bens espirituais, pois onde está o “nosso tesouro aí estará o nosso coração”.

O ser espiritualizado conhece o valor relativo dos bens materiais e o peso que eles representam. Esforça-se para dominar e não ser dominado pelas paixões inferiores. Conduz seu destino, discernindo o certo do errado e fazendo escolhas mais acertadas. O ser espiritualizado trabalha para ter o necessário à existência, não entorpecendo os sentidos com os excessos que a vida material oferece e tampouco se preocupa em demasia com o que beber, comer e vestir.

A inquietação sobre os dias futuros revela falta de fé na bondade e misericórdia divinas. O homem angustiado está sempre aflito. O homem materialista é, notadamente, infeliz, pois desconhece o valor da fé, o poder da prece, não percebe o amparo que os benfeitores espirituais lhe endereçam.

A condição única para alcançarmos a felicidade verdadeira é “buscarmos o reino de Deus e a sua justiça”. Enquanto não estivermos conscientes desta verdade, entraremos e sairemos das reencarnações em processo de sofrimento, sob o peso de expiações que parecem não ter fim.

Enquanto não buscarmos o reino dos céus e a sua justiça, estaremos presos aos processos expiatórios determinados pela lei de causa e efeito.

Praticando o bem, desenvolvendo virtudes e combatendo as imperfeições estaremos edificando o reino de Deus em nós mesmos. Cada dia é único. Saibamos aproveitá-lo!

Cada dia reflete uma oportunidade de crescimento espiritual, cujo aproveitamento depende da nossa vontade e do nosso esforço em superar os obstáculos do caminho.

Cada dia é uma lição. Assim, não devemos “nos inquietar com o dia de amanhã”, pois o dia de hoje é o que merece destaque e atenção, por ser o momento de vivenciar a lição que nos é reservada. O amanhã pertence a Deus e às consequências dos nossos atos.

“Basta a cada dia o seu mal”!

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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