A família que pedi

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (…) Não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo”. (João 3: 3 e 7)

“E, assim, os inimigos do homem serão os seus familiares”. (Mateus, 10: 36)

Muitos, que desconhecem as coisas do mundo espiritual, dizem: Eu não pedi para nascer. Pelo contrário: Você pediu sim para nascer de novo e na sua família!

“Jesus veio à Terra para abrir novas perspectivas ao ser humano, estabelecendo um novo sistema de vida e melhoria no relacionamento entre as pessoas. Enfatiza o perdão e o amor aos inimigos, o auxílio aos semelhantes, a perseverança, sem desfalecimento. Destaca o papel das reencarnações, que aproximam as pessoas, mostrando que no plano familiar se encontra, na maioria das vezes, não somente afetos, mas também desafetos. A dissensão passa a ser compreendida como divergência entre pessoas que pensam de forma diferente, ainda que unidas pelos laços do parentesco”. (Marta Antunes de Oliveira de Moura. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Módulo II, Roteiro 3)

“A família consanguínea, entre os homens, pode ser apreciada como o centro essencial de nossos reflexos. Reflexos agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve”. (Espírito Emmanuel. Pensamento e vida: Família. 15ª Edição. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 12)

“A Doutrina Espírita nos ensina que as pessoas que se desentenderam em outras reencarnações estão hoje, em geral, congregadas dentro de uma mesma família, buscando o resgate e a harmonização indispensáveis. No âmbito familiar, os inimigos ou adversários agem e reagem uns sobre os outros, criando obstáculos à união e ao respeito mútuos, ainda que disto não se deem conta. Por acréscimo da misericórdia divina, os envolvidos nos processos de reajuste espiritual dificilmente recordam os acontecimentos do passado, ocorridos em outras existências. Entretanto, as antipatias, os ódios, os ciúmes, as desconfianças etc., são impulsivamente manifestadas, a ponto de ocorrerem separações, perseguições e outros problemas. É comum constatar que, ao contrário, muitos parentes desenvolvem convivência harmoniosa com estranhos ao ninho familiar: são os amigos e benfeitores de outras existências.

A pessoa esclarecida sobre as causas dessas inimizades aprende a administrar as desarmonias com humildade e, aos poucos, percebe que as dificuldades podem ser reduzidas ou eliminadas. Tal entendimento conduz à ação cristã que, tendo como base o perdão, a renúncia e a bondade, auxilia na superação de obstáculos e o polimento de arestas, úteis à manutenção do equilíbrio nas relações familiares.

Por outro lado, há de se considerar a presença dos ‘inimigos’ que cada um traz dentro de si, representados pelas próprias imperfeições, más tendências e outras deficiências que conspiram contra a saúde, obliterando a manifestação da felicidade integral: física, emocional e espiritual. Os pontos negativos que imperam em nosso psiquismo são elementos complexos que precisam ser desativados, pois conspiram, continuamente, contra a nossa paz de espírito, nos atormentando a existência”. (Marta Antunes de Oliveira de Moura. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Módulo II, Roteiro 3)

Os laços de família oferecem oportunidades de aprendizado e evolução. Arraigada em vidas passadas, a família é formada por agentes diversos que se reencontram afetos e desafetos, amigos e inimigos, para os ajustes e reajustes indispensáveis.

Os laços espirituais, na família, podem ser formados por Espíritos unidos pela afeição, simpatia e semelhança de inclinações, e felizes por estarem juntos. Esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação pode separá-los momentaneamente, mas ao regressarem ao mundo espiritual reúnem-se novamente. Muitas vezes, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui se reunir numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem pelo mútuo adiantamento.

Por outro lado, esses laços espirituais podem também ser formados por familiares estranhos uns aos outros, divididos por antipatias anteriores, a fim de lhes servir de provação. Isso porque, depois de uma existência, o Espírito leva consigo as paixões e os ressentimentos de existências passadas e, muitas vezes, revoltando-se com a ideia do perdão.

Contudo, o Espírito aperfeiçoa-se no Espaço até que deseje receber a luz. Este ser infeliz, após anos de meditações e preces, aproveita a oportunidade em outro corpo em preparo para nascer na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos pelo seu planejamento reencarnatório permissão para lá viver uma nova chance de progresso.

Assim, pelo planejamento reencarnatório, pedimos sim para nascer em uma determinada família, principalmente para os ajustes e reajustes indispensáveis, a fim de trabalharem pelo mútuo adiantamento, e reparar as faltas cometidas no passado.


Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

MOURA, Marta Antunes de Oliveira. Estudo aprofundado da doutrina espírita: Ensinos e parábolas de Jesus – Parte I. Orientações espíritas e sugestões didático-pedagógicas direcionadas ao estudo do aspecto religioso do Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

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