Senhor, que queres que eu faça?

“Aconteceu, porém, que, quando caminhava e ia chegando perto de Damasco, pelo meio-dia, de repente, do céu brilhou-me ao redor uma grande luz. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Eu respondi: Quem és tu, Senhor? Disse-me: Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu persegues. E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo. Então disse eu: Senhor, que queres que eu faça? E o Senhor me disse: Levanta-te, e vai a Damasco, onde se te dirá tudo o que te é ordenado fazer”. (Atos dos Apóstolos, 22: 6-10)

Saulo de Tarso, depois Paulo de Tarso, nasceu na Cilícia no Século I. Era de família judaica e tinha a cidadania romana. A conversão de Saulo de Tarso ao Cristianismo ocorreu em uma viagem de perseguição aos cristãos às portas de Damasco, quando teve a visão gloriosa do Mestre que o chamou para a sua missão de fé, esperança e caridade.

Depois da crucificação, a doutrina do Mestre parecia destroçada e os apóstolos estavam aterrorizados. As autoridades políticas e religiosas da época achavam que o desaparecimento de Jesus era questão de tempo. Os seguidores do Cristo aparentemente não estavam preparados para a tarefa de propagar e institucionalizar o Cristianismo.

Jesus ressuscitara e fazia suas aparições. Contudo, faltava algo mais. No mundo espiritual, estava eleito aquele que iria assumir o encargo de iniciar a institucionalização e a universalização da doutrina de Jesus. Faltava somente chamá-lo aos seus compromissos. O homem era Saulo de Tarso. O chamamento se deu na estrada a caminho de Damasco, sob o testemunho dos companheiros de viagem. Saulo se viu atirado ao chão e tomado de cegueira temporária e, quando se levantou, não era mais Saulo, o doutor da lei, mas Paulo, o Apóstolo da nova ordem.

Identificando o Mestre, perguntou: – Senhor, que queres que eu faça? Somente em Damasco saberia que rumo tomaria a sua vida.  Todos os seus valores, que até ali considerara, haviam ficado na poeira da estrada com o seu orgulho, agora inútil e incômodo. Em Damasco, encontrou Ananias que lhe restituiu a visão e o levou ao encontro do seu destino.

Nem todos somos chamados desta maneira aos nossos compromissos espirituais. Porém, não precisamos mais repetir a pergunta de Paulo a Jesus para abrir os nossos olhos, pois a Palavra nos indica o caminho a seguir. Podemos nos livrar da cegueira temporária mediante uma reforma íntima que traga na esteira a reforma do mundo em que vivemos.

Precisamos nos transformar de Saulo para Paulo, arrancando dentro nós a luz da consciência de um novo ser. Porém, não precisamos mais perguntar ao Cristo o que fazer: a nossa tarefa está claramente diante de nós. “Se foste chamado à fé, não recorras ao Divino Orientador suplicando privilégios e benefícios que justifiquem tua permanência na estagnação espiritual. Procuremos com o Senhor o serviço que a sua Infinita Bondade nos reserva e caminharemos, vitoriosos, para a sublime renovação” (Emmanuel. Que farei?). E, depois, poderemos dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo, 4: 7).

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

MIRANDA, Hermínio Corrêa de. Candeia na noite escura: Senhor, que queres que eu faça? 5ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2014.

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