Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus

“Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus”. (Lucas, 9: 61-62)

Essa passagem evangélica vem logo após Jesus dizer: “E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vais e anuncias o reino de Deus” (Lucas, 9: 59-60).

Nessa reflexão, podemos focar três aspectos: a edificação do reino de Deus em nós; o trabalho edificante representado pelo arado; e o alerta para não se olhar para trás.

Para edificar o reino de Deus dentro de nós, temos que seguir os ensinamentos e os exemplos do Cristo, principalmente praticá-los, pois que fé sem obras é nada. Para tanto, requer de todos nós o trabalho edificante na prática do bem com o devido esforço, a perseverança constante e a vigilância para não se voltar para trás, largando o “arado”.

Antônio Luiz Sayão, em “Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita”, traz entendimento para a reflexão: “Aquele que, tendo posto a mão no arado, olha para trás de si não é apto para o reino de Deus: É preciso que as condições pessoais, egoísticas, não vos façam voltar atrás, e abandonar a obra que tendes de executar. Começastes a caminhar para a frente, segui o vosso caminho, pois parar é recuar”.

Assim, para seguir Jesus e edificar o reino de Deus no íntimo da alma, não se pode olhar ou voltar para trás, mas sim para frente, caminhar com a verdade e a vida em direção ao Pai, na busca da perfeição relativa à Humanidade, tendo o Mestre como modelo e guia.

O Espírito Emmanuel, em “Arado”, no livro Pão Nosso, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos brinda com maravilhosos esclarecimentos:

“Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do reino divino um dos mais belos símbolos. (…)

O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados.

É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à ‘terra de si mesmo’.

Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de misericórdia que caíram sobre nós e que se foram sem qualquer aproveitamento para nosso espírito, no sol de amor que nos vem vivificando há muitos milênios, nos adubos preciosos que temos recusado, por preferirmos a ociosidade e a indiferença.

Examinemos tudo isto e reflitamos no símbolo de Jesus.

Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos”. (Emmanuel. Pão Nosso. FEB Editora. Cap. 3)

Para não olhar para trás e tornar-se apto para o reino de Deus, o Espírito Emmanuel, em “Acima”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, recomenda:

“Disse-lhe Jesus: ninguém que põe sua mão no arado e olha para trás é apto para o reino de Deus. (Lucas, 9: 62) 

A fim de que nos promovamos à condição de obreiros mais eficientes, na Seara do Cristo, é forçoso observar a vida acima de nossas impressões superficiais.

Para isso, ser-nos-á necessário:

mais do que ver – refletir;

mais do que escutar – compreender;

mais do que estudar – aprender;

mais do que trabalhar – servir;

mais do que obedecer – cooperar espontaneamente em apoio aos semelhantes;

mais do que administrar – harmonizar;

mais do que crer – raciocinar;

mais do que esclarecer – discernir;

mais do que escrever – elevar;

mais do que falar – construir;

mais do que comentar – melhorar;

mais do que saber – transmitir para o bem;

mais do que informar – educar;

mais do que desculpar – esquecer o mal;

mais do que desincumbir-se – auxiliar para a felicidade geral. 

Todos temos ideias e possibilidades, escolhas e relações, crenças e luzes. E se é muito importante guardar equilíbrio para desfrutar semelhantes bênçãos, em nosso progresso de espíritos imortais, ante as Leis de Causa e Efeito, é muito mais importante ainda saber o que estamos fazendo por elas e com elas”. (Emmanuel. Aulas da vida. Ed. IDEAL. Cap. 26)

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); Saulo Cesar Ribeiro da Silva (Coordenação). O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Lucas.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Pão Nosso. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2018.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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