Então, nem por uma hora pudeste velar comigo?

“Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, afaste de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem por uma hora pudeste velar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam pesados. E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai”. (Mateus, 26: 36-46; Marcos, 14: 32-42; e Lucas, 22: 39-46)

Nessa passagem evangélica, Jesus foi com os seus discípulos a um lugar chamado Getsêmani, levando Pedro, Tiago e João ao Jardim das Oliveiras, um pouco mais adiante, onde iria orar ao Pai, e horas antes de o Filho Homem ser entregue e preso.

Pressentindo os momentos derradeiros, o Cristo disse aos mesmos discípulos que testemunharam a sua transfiguração no Monte Tabor: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo”. Assim, o Mestre recomendou-os a permanecer naquele lugar para testemunhar e a velar com Ele.

Jesus, prostrando-se, disse: “Meu Pai, se é possível, afaste de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Com isso, o Cristo ensinava a importância da oração para socorrer a alma angustiada, da submissão à vontade do Pai e da resignação com que o homem deve receber as tribulações e as provas para não falir na sua missão. Por três vezes, repetiu a mesma coisa.

Na primeira vez, o Mestre disse a Pedro: “Então, nem por uma hora pudeste velar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. A carne é fraca porque as imperfeições morais são obstáculos a serem vencidos para o progresso espiritual, daí o conselho de Jesus: “Vigiai e orai”.

O Espírito Emmanuel, em “Por que dormis?”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, faz o alerta: “Quanto a ti, que ainda te encontras na carne, não durmas em espírito, desatendendo aos interesses do Redentor. Levanta-te e esforça-te, porque é no sono da alma que se encontram as mais perigosas tentações, através de pesadelos ou fantasias”.

O velar com Jesus conduz aos deveres impostos a seus discípulos e seguidores que são conscientes das suas obrigações, porquanto o legítimo servidor do Senhor, onde quer que se encontre, está sempre orando e vigiando para não cair em tentações.

Nesse momento de transição planetária, na luta do bem contra o mal dentro de nós para a conquista do reino de Deus, sem fugir aos nossos deveres cristãos, a oração e a vigilância ganham força para se evitar as quedas e comungar com o poder divino, trazendo a luz interior, a pureza no coração, a caridade que salva e a paz espiritual.

O Espírito Emmanuel, em “Velar com Jesus”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, esclarece:

“Vai até os discípulos e os encontra dormindo. Diz a Pedro: Então, nem uma hora fostes capaz de vigiar comigo? (Mateus, 26: 40)

Jesus veio à Terra acordar os homens para a vida maior.

É interessante lembrar, todavia, que, em sentindo a necessidade de alguém para acompanhá-lo no supremo testemunho, não convidou seguidores tímidos ou beneficiados da véspera e sim os discípulos conscientes das próprias obrigações. Entretanto, esses mesmos dormiram, intensificando a solidão do divino Enviado.

É indispensável rememoremos o texto evangélico para considerar que o Mestre continua em esforço incessante e prossegue convocando cooperadores devotados à colaboração necessária. Claro que não confia tarefas de importância fundamental a Espíritos inexperientes ou ignorantes; mas, é imperioso reconhecer o reduzido número daqueles que não adormecem no mundo, enquanto Jesus aguarda resultados da incumbência que lhes foi cometida.

Olvidando o mandato de que são portadores, inquietam-se pela execução dos próprios desejos, a observarem em grande conta os dias rápidos que o corpo físico lhes oferece. Esquecem-se de que a vida é a eternidade e que a existência terrestre não passa simbolicamente de ‘uma hora’. Em vista disso, ao despertarem na realidade espiritual, os obreiros distraídos choram sob o látego da consciência e anseiam pelo reencontro da paz do Salvador, mas ecoam-lhes ao ouvido as palavras endereçadas a Pedro: ‘Então, nem por uma hora pudeste velar comigo?’.

E, em verdade, se ainda não podemos permanecer com o Cristo, ao menos uma hora, como pretendermos a divina união para a eternidade?” (Emmanuel. Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap.88)

Encerra-se essa reflexão com as palavras de Antônio Luiz Sayão: “Também para nós chegou a hora. Despertemos do sono que há muito nos ganhou; levantemo-nos e vamos, seguindo as pegadas do Mestre Divino, que é esse o caminho único da nossa redenção”.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier; Saulo Cesar Ribeiro da Silva (Coordenação). O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Lucas.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier; Saulo Cesar Ribeiro da Silva (Coordenação). O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Mateus.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

SAYÃO, Antônio Luiz. Elucidações evangélicas à luz da Doutrina Espírita. 16ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

SCHUTEL, Cairbar. O Espírito do Cristianismo. (?) Edição. Matão/SP: Casa Editora O Clarim, (?).

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