Se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?

“Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (Lucas, 12: 26)

Essa passagem evangélica está no contexto das ações da providência divina e das ansiedades do ser humano pelo dia de amanhã, particularmente diante das dificuldades do cotidiano e pelo desejo de obter algo admirável sem dar importância às coisas mínimas da vida.

Nas duras provações e na eminência de perder tudo, costumamos ouvir: agora, ele passou a valorizar as pequenas coisas. Isto porque, muitas vezes, priorizamos o grandioso e tropeçamos nos pequenos obstáculos pela escuridão do egoísmo, do orgulho, da vaidade e da soberba, gerando frustrações, decepções e angústias.

A esse respeito, o Espírito Joanna de Ângelis, em “Vida Feliz”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Cap. LXIII, escreveu: “As coisas mais importantes da vida somente são valorizadas depois que passam ou se as perdem. Na maior parte das vezes, as pessoas vivem sob automatismos, sem valorizar estes inestimáveis recursos divinos. A saúde, o sono, a razão, os fenômenos digestivos, a respiração, os órgãos dos sentidos, os movimentos são tesouros colocados por Deus a teu serviço, e não te dás conta da sua grandiosidade, gastando-os com sofreguidão, para adquirir outros bens que são secundários. Para a pensar no significado de cada um desses dons e resguarda-os dos fatores que os consomem”.

Ainda Joanna de Ângelis, em “Vida Feliz”, no Cap. XIV, recomenda: “Aproveita cada oportunidade para agir de forma elevada. Há quem espere extraordinários momentos e ocasiões especiais, que possivelmente não chegarão. Não será o que faças que te tornará grande e importante, porém como faças cada coisa, que te transformará em valioso. A árvore gigante se origina em pequenina semente. O Cosmo é resultado de partículas e moléculas invisíveis. Torna-te grande nas pequeninas coisas, a fim de que não te apequenes nas grandiosas”.

O Espírito Emmanuel, em “Coisas mínimas”, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, ensina:

“Pouca gente conhece a importância da boa execução das coisas mínimas.

Há homens que, com falsa superioridade, zombam das tarefas humildes, como se não fossem imprescindíveis ao êxito dos trabalhos de maior envergadura. Um sábio não pode esquecer-se de que, um dia, necessitou aprender com as letras simples do alfabeto.

Além disso, nenhuma obra é perfeita se as particularidades não foram devidamente consideradas e compreendidas.

De modo geral, o homem está sempre fascinado pelas situações de grande evidência, pelos destinos dramáticos e empolgantes.

Destacar-se, entretanto, exige muitos cuidados. Os espinhos também se destacam, as pedras salientam-se na estrada comum.

Convém, desse modo, atender às coisas mínimas da senda que Deus nos reservou, para que a nossa ação se fixe com real proveito à vida.

A sinfonia estará perturbada se faltou uma nota, o poema é obscuro quando se omite um verso.

Estejamos zelosos pelas coisas pequeninas. São parte integrante e inalienável dos grandes feitos. Compreendendo a importância disso, o Mestre nos interroga no Evangelho de Lucas: “Pois se nem podeis ainda fazer as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (Emmanuel. Caminho, verdade e vida. FEB Editora. Cap. 31)

Por tudo isso, “buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mateus, 6: 33-34).

A fé não precisa ser grandiosa, algo fora do comum, basta que seja verdadeira. Ainda que seja do tamanho de um grão de mostarda, uma semente tão pequena, se ela for exercitada, plantada no terreno da vida, ela crescerá e será capaz de trazer grande providência, ou seja, de realizar coisas prodigiosas.

Bibliografia:

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Vida Feliz. 18ª Edição. Salvador/BA: Editora Leal, 2020.

BÍBLIA SAGRADA.

EMMANUEL (Espírito); na psicografia de Francisco Cândido Xavier; Saulo Cesar Ribeiro da Silva (Coordenação). O Evangelho por Emmanuel: comentários ao evangelho segundo Lucas.  1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2016.

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