As revelações espíritas boas ou más

Certa vez, uma pessoa amiga enviou-me uma mensagem dita espiritual por WhatsApp, obtida mediante psicografia de determinado médium, que tratava daquele momento truculento em que vivíamos, cujo cenário desenhava um futuro sombrio e causava mais aflições do que consolo. Na mesma mensagem, ela me perguntou o que eu achava do escrito.

Li a mencionada mensagem dita espiritual e observei que ela descrevia em muitos parágrafos repetitivos um caos que era difícil de se imaginar, mesmo nos piores cenários traçados por especialistas humanos.

Então, falei para ela sobre o controle universal de Allan Kardec acerca das revelações espíritas, porquanto o que estava escrito não poderia ser de um Espírito bom, tendo em vista que o seu texto nos conduzia a queda e não para se levantar, seguindo em frente na busca da evolução intelectual, moral e espiritual.

Passado o momento truculento, nada do revelado se concretizou, comprovando a necessidade de se ter o devido cuidado quando se recebe uma revelação espírita, que poderá ser boa ou má.

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Florações evangélicas”, em “Ilusões”, no Capítulo 5, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, ensina:

“Estuda com sinceridade as lições espíritas para libertar­-te da ignorância espiritual. (…)

Cada Espírito é o que aprendeu, o que realizou, quanto conquistou. Não poderá oferecer recursos que não possui nem liberar­-te das dores e provas que a si mesmo não se pode furtar. Se algum te inspirar ociosidade ou apoiar­-te em ilícito, não te equivoques: é um ser enganado que prossegue enganando. Para te poupares o desaire mediante a constatação dolorosa neste capítulo, não transfiras para os Espíritos as tuas tarefas, não os sobrecarregues com as tuas lides. Nem exijas, pois é sandice, nem te subordines, pois representa fascinação. (…)

Rompe com a ilusão e não acredites que te sejam subalternos aos caprichos os desencarnados, exceto os que são mais infelizes e ignorantes do que tu mesmo.”

Desses ensinos, muito importante o estudo e o correto aprendizado para se libertar da ignorância espiritual, sabendo que cada Espírito somente sabe o que aprendeu, realizou ou conquistou. O Espírito não poderá oferecer o que não possui; e os Espíritos bons e simpáticos não estão subordinados aos nossos caprichos.

Assim, torna-se fundamental analisar as mensagens espirituais recebidas para não se iludir, pois, dependendo do sentido que se dá a elas, pode-se ir em uma direção ou noutra, obter luz ou trevas.

É preciso aliar a fé e a razão, afastando-se o dogmático, as alegorias, o fantasioso, o maravilhoso, o prodígio, o místico, as paixões, as crenças específicas, as visões e os conceitos puramente humanos de seres imperfeitos que somos, e outros aspectos que possam contaminar as mensagens recebidas.

“As comunicações que recebemos dos Espíritos podem ser boas ou más, justas ou falsas, profundas ou levianas, conforme a natureza dos seres que se manifestam. Os que dão provas de sabedoria e erudição são Espíritos adiantados que já progrediram; os que se mostram ignorantes e maus são Espíritos ainda atrasados, mas que haverão de progredir com o passar do tempo. Os Espíritos só podem responder sobre aquilo que sabem, segundo o seu estado de adiantamento, e, mesmo assim, dentro dos limites do que lhes é permitido dizer-nos, porque há coisas que eles não podem revelar, por não ser ainda dado ao homem conhecer todas as coisas”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

“Da diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos, resulta que não basta nos dirigirmos a um Espírito qualquer para obtermos uma resposta segura a toda questão; porque, acerca de muitas coisas, ele não nos pode dar mais que a sua opinião pessoal, que pode ser justa ou errônea”.

“É por isso que João, o Evangelista, diz: ‘Não creais em todos os Espíritos, mas examinai: ‘Não creiais em todos os Espíritos, mas examinai se eles são de Deus’. A experiência demonstra a sabedoria desse conselho. Há imprudência e leviandade em aceitar sem exame tudo o que vem dos Espíritos; por isso, é absolutamente necessário conhecermos o caráter daqueles que estão em relação conosco”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

Por estes esclarecimentos, devemos ter cautela, pois seremos imprudentes e levianos se aceitarmos sem qualquer exame as comunicações do mundo espiritual. Temos que reconhecer a qualidade dos Espíritos por sua linguagem, em que a “dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica e isenta de contradições; nela se respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura moral; ela é concisa e despida de redundâncias. Na dos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vácuo das ideias é quase sempre preenchido pela abundância de palavras”. (Allan Kardec. O que é o Espiritismo)

As revelações espíritas devem ser submetidas ao elevado foro de controle universal estabelecido por Allan Kardec, sem o que se pulverizará na vala comum, onde se dissolve tudo o que não tem suporte na eternidade.

Em “A Gênese”, Allan Kardec, sobre o caráter da revelação espírita, destaca que: a caraterística essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por consequência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele; deve ser considerada produto de uma concepção humana”. (KARDEC, A Gênese.)

Acerca de revelações diretas de Deus e as revelações a Espíritos e encarnados, no item 9 do mesmo Capítulo, expressa:

“Há revelações diretas de Deus aos homens? É uma questão que não ousaríamos responder, nem afirmativa nem negativamente, de uma maneira absoluta. O fato não é radicalmente impossível, porém, nada nos dá a certeza dele. O que não se pode duvidar é que os Espíritos mais próximos de Deus pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. Quanto aos reveladores encarnados, segundo a ordem hierárquica a que pertencem e ao grau de seu saber pessoal, podem tirar dos seus próprios conhecimentos as instruções que ministram, ou recebê-las de Espíritos mais elevados, até mesmo dos mensageiros diretos de Deus. Esses, falando em nome de Deus, foram, às vezes, confundidos com o próprio Deus.

As comunicações desse gênero não têm nada de estranho para quem conhece os fenômenos espíritas e o modo pelo qual se estabelecem as relações entre encarnados e desencarnados. As instruções podem ser transmitidas por diversos meios: pela inspiração pura e simples, pela audição da palavra, pela visibilidade dos espíritos instrutores nas visões e aparições, quer em sonho, quer em estado de vigília, como se vê em muitos exemplos na Bíblia, no Evangelho e nos livros sagrados de todos os povos.

É, pois, rigorosamente exato dizer que quase todos os reveladores são médiuns inspirados, audientes ou videntes. Daí, entretanto, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, nem, ainda menos, intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros”. (KARDEC, A Gênese.)

No item 10, sobre a Palavra de Deus, extraem-se:

“Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas sabe-se atualmente que nem todos os espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentam sob falsas aparências, o que levou João a dizer: “não acrediteis em todos os espíritos; vede antes se os espíritos são de Deus”. (1ª Epístola de João, 4: 1.)

Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como existem as apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é a da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros, ou sujeita a modificações, não pode emanar de Deus”. (KARDEC, A Gênese.)

No item 13, quanto à natureza e ao caráter da revelação espírita, ressaltamos:

“A revelação espírita, por sua natureza, apresenta duas características: é ao mesmo tempo revelação divina e revelação científica.

Inclui-se na primeira, porque o seu aparecimento foi providencial e não o resultado da iniciativa de um desejo premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da Doutrina têm sua origem no ensino dado pelos espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca das coisas que ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos, e que deveriam conhecer agora que estão aptos a compreendê-las.

Inclui-se na segunda, porque esse ensino não é privilégio de indivíduo algum, mas é dado a todos da mesma maneira; porque os que o transmitem e os que o recebem não são, de maneira alguma, seres passivos, dispensados do trabalho de observação e pesquisa, porque não renunciam ao seu raciocínio e ao seu livre-arbítrio; porque a verificação não lhes é impedida, mas, ao contrário, recomendada; enfim, porque a Doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque ela é deduzida, pelo trabalho dos homens, a partir da observação dos fatos que os espíritos colocam sob os seus olhos, e das instruções que dão a eles, instruções que os homens estudam, comentam, comparam e das quais tiram suas próprias conclusões e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é que a sua origem é divina, que a iniciativa pertence aos espíritos e que a elaboração é o fruto do trabalho do homem”. (KARDEC, A Gênese.)

De “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, na Parte 2 da Introdução, Autoridade da Doutrina Espírita: Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, destaco:

“Se os Espíritos tivessem revelado a Doutrina Espírita a um único homem, nada poderia lhe garantir a origem, pois seria preciso acreditar na palavra daquele que a tivesse recebido.

Um homem pode ser enganado ou enganar a si mesmo. Porém, não há como enganar milhões de pessoas quando elas veem e ouvem a mesma coisa em vários lugares e ao mesmo tempo. Isto é uma garantia para cada um e para todos.

Portanto, são os próprios Espíritos que fazem a propagação do Espiritismo, com o auxílio de incontáveis médiuns que surgem de todos os lados.

A força do Espiritismo reside na maneira universal com que os Espíritos passam seus ensinamentos, sendo também essa a causa de sua rápida propagação.

Cada Espírito possui um nível de conhecimento e por isso está longe de possuir, individualmente, toda verdade. Não é dado a todos conhecer certos mistérios. O que cada um sabe é proporcional à sua elevação moral e intelectual, e a maioria dos Espíritos vulgares não sabem mais do que os homens, pelo contrário, às vezes sabem até muito menos.

O primeiro exame a que deve ser submetido tudo o que vem dos Espíritos é, sem dúvida, o da razão. Assim, toda teoria que contrarie o bom senso, a lógica e os conhecimentos já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o autor da mensagem.

A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”. (KARDEC. O Evangelho Segundo o Espiritismo.)

Assim, para garantir a veracidade, Kardec estabeleceu um controle universal dos ensinos dos Espíritos pela universalidade e concordância de suas revelações, ou seja, a garantia pela concordância das revelações dos Espíritos que eles façam espontaneamente, mediante grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e de vários lugares.

Entretanto, a Doutrina Espírita é dinâmica, acompanha o progresso humano, os avanços da Ciência e a paulatinidade das revelações espíritas, conforme o nosso grau evolutivo, como disse Jesus: “… ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (João 16: 12-13).

Isso porque os Espíritos, pelo desenvolvimento da inteligência, do livre-arbítrio e da moral, começam os seus processos evolutivos. Desde o início de sua formação, o Espírito não goza da plenitude de suas faculdades. A inteligência só pouco a pouco se desenvolve. Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Por conseguinte, o Espírito somente pode revelar e ensinar o que aprendeu, realizou e conquistou.

O progresso moral acompanha o progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente. O progresso moral segue o intelectual quando o Espírito desenvolve o seu livre-arbítrio e começa a compreender o bem e o mal, realizando escolhas corretas e tendo consciência das responsabilidades dos seus atos. A moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a se equilibrar, cujos avanços permitem absorver mais conhecimentos e verdades.

Por isso, o Espiritismo veio, na época predita, cumprir a promessa do Cristo, e “Se o Espiritismo tivesse vindo antes das descobertas científicas, teria malogrado, como tudo quanto surge antes do tempo” (KARDEC. A Gênese.).

A Doutrina Espírita é produto de um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um trazendo o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.

A fé e a razão devem caminhar juntas, baseadas nas leis de Deus, na verdade, na vida, no amor a Deus e ao próximo, na caridade e na fraternidade cósmica. Quando se entende que toda crença, religião e fé são instrumentos meios na direção do Pai e não fim em si mesmos, abandona as práticas exteriores puramente materialistas, o dogmático, a idolatria, o fantasioso e o místico, porquanto as leis de Deus são perfeitas, imutáveis, eternas e universais.

Outro aspecto a considerar nas revelações espíritas são os falsos profetas, pois: A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; porquanto, cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. O homem de bem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração e o mau tira as más do mau tesouro do seu coração; porquanto, a boca fala do que está cheio o coração”. (Lucas, 6: 43-45)

“Guardai-vos dos falsos profetas que vêm ter convosco cobertos de peles de ovelha e que por dentro são lobos rapaces. Conhecê-los-eis pelos seus frutos. Podem colher-se uvas nos espinheiros ou figos nas sarças? Assim, toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos maus e uma árvore má não pode produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Conhecê-la-eis, pois, pelos seus frutos”. (Mateus, 7: 15-20)

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão muitas pessoas; e, porque a iniquidade abundará, a caridade de muitos esfriará; mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações, e é então que o fim chegará”. (Mateus, 24: 11-14)

Logo, uma árvore ruim, ou ser humano, não poderá produzir bons frutos. Conhece-se a árvore pelos frutos. “Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo”.

Kardec alerta para ter se cuidado diante de alguém que nos seduza, porque muitos virão dizendo: “Eu sou o Cristo”, e seduzirão a muitos.

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim se salvará. Então, se alguém vos disser: “o Cristo está aqui, ou está ali”, não acrediteis absolutamente; porquanto falsos cristos e falsos profetas se levantarão e farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos”. (Mateus, 24:4, 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5, 6, 21 e 22.)

“Meus bem-amados, não creias em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. (João, 1ª Epístola, 4:1.)

Importante destacar que os fenômenos espíritas não abonam falsos cristos e falsos profetas. O Espiritismo não opera prodígios e tampouco milagres. Os fenômenos e prodígios por si só nada provam.

O Espiritismo chama atenção para o perigo de falsos cristos e de falsos profetas, principalmente entre os desencarnados, por meio de Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudossábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias.

É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus.

João adverte os homens contra eles, dizendo: “meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.

O Espiritismo faculta os meios de experimentá-los, apontando as características pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, sempre morais, nunca materiais.

Uma maneira para se distinguir os bons dos maus Espíritos está nas palavras de Jesus: “pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos.

Se lhes disserem: o Cristo está aqui”, não vão; ao contrário, fiquem em alerta, porquanto numerosos serão os falsos profetas.

Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que conciliam os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: estes são realmente enviados de Deus.

Desconfie das palavras melífluas, dos falsos religiosos e dos que pretendem ter o monopólio da verdade. O Cristo não está entre esses, porquanto os seus enviados para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, brandos, modestos e humildes de coração.

De tudo que revele orgulho, foge como de uma moléstia contagiosa, que corrompe tudo em que toca. Lembre-se de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos, o cunho da sua grandeza ou da sua inferioridade.

Os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira.

Os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe deem crédito.

O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, no “Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, no Capítulo XXXI, faz alerta quanto às revelações místicas e singulares.

“Repeli impiedosamente todos esses Espíritos que reclamam o exclusivismo de seus conselhos, pregando a divisão e o insulamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes louvores exagerados, a fim de os fascinar e ter sob seu domínio.

São geralmente Espíritos famintos de poder que, déspotas, públicos ou privados, quando vivos, ainda se esforçam, depois de mortos, por ter vítimas para tiranizarem.

Em geral, desconfiai das comunicações que tragam caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevam cerimônias e atos extravagantes. Sempre haverá, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.

Por outro lado, crede que, quando uma verdade tenha de ser revelada aos homens, ela é comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que disponham de médiuns sérios, e não a tais ou quais, com exclusão de todos os outros. Ninguém é perfeito médium, se está obsidiado, e há obsessão manifesta, quando um médium só se mostra apto a receber as comunicações de determinado Espírito, por maior que seja a altura em que este procure colocar-se.

Conseguintemente, todo médium, todo grupo que julguem ter o privilégio de comunicações que só eles podem receber e que, por outro lado, estejam adstritos a práticas que orçam pela superstição, indubitavelmente se acham sob o guante de uma das obsessões mais bem caracterizadas, sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, Espíritos encarnados, devemos honrar e respeitar e não consentir seja profanado a qualquer propósito.

É incontestável que, submetendo ao cadinho da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil será descobrir-se o absurdo e o erro. Pode um médium ser fascinado, como pode um grupo ser mistificado.

Mas, a verificação severa dos outros grupos, o conhecimento adquirido e a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações dos principais médiuns, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, farão justiça rapidamente a esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos enganadores e malignos. Erasto (discípulo de São Paulo)”. (KARDEC. O Livro dos Médiuns, pg. 561 a pg. 562)

Bibliografia:

ÂNGELIS, Joanna de (espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Florações evangélicas. 6ª Edição. Salvador/BA: LEAL Editora, 2020.

BÍBLIA SAGRADA.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Médiuns. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

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