Corpo, mente e doenças

Esta reflexão apoia-se no livro “Impermanência e Imortalidade”, do Espírito Carlos Torres Pastorinho, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, da FEB Editora, em que o autor faz “um verdadeiro convite ao autodescobrimento (..), a realizar uma viagem interior, a fim de descobrirmos o ser imortal que somos, sugerindo caminhos que nos permitam aproveitar tudo o que é impermanente, transitório, nesta e em outras vidas, em benefício da nossa evolução espiritual”. Pois que: “o conhecimento da Verdade liberta o ser humano das ilusões e impulsiona-o ao crescimento espiritual, multiplicando-lhe as motivações em favor da autoiluminação, graças à qual torna-se-lhe mais fácil a ascensão aos páramos celestes.” (Contracapa do livro Impermanência e Imortalidade).

No início, esse maravilhoso livro trabalha o tema da mente, relacionando-o com o corpo e as doenças, cujos ensinamentos e aprendizados procuraremos apresentar a seguir para um maior entendimento a respeito desses assuntos tão importantes para se manter uma vida saudável e de paz interior.

Depois, fecharemos as reflexões com o Espírito Joanna de Ângelis, com suas lindas mensagens do livro “Vida feliz”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, da LEAL Editora.

De pronto, gostaria de citar dois aspectos de suma importância: o ser integral; e a geração de saúde e doenças.

Carlos Torres Pastorinho ensina:

“É indispensável que um aprofundamento mental e emocional ocorra em torno do ser integral – Espírito, perispírito e matéria – a fim de que se possa organizar terapêuticas favoráveis à plenitude do ser, utilizando-se da interação mente-corpo, de modo que nova contribuição para a área da saúde se apresente viável e duradoura” (pg. 47).

 “A criatura, portanto, por meio da mente, é dotada de grande possibilidade para gerar doenças ou não, conforme os seus padrões interiores de pensamentos e aspirações. Quando há predominância de sentimentos venais, de angústias e anseios de vingança, de ódio e ciúme, sem dúvida, o câncer, as cardiopatias, a depressão e outas enfermidades encontram campo vibratório para manifestar-se, prosseguindo sustentadas pelas emissões contínuas de mau humor e de ressentimento.

Analogamente, quando há uma contínua geração de otimismo, de esperança, de alegria, de viver, mesmo sob injunções algo penosas, de amar, de orar, todo esse arsenal de emoções age em forma de estímulos saudáveis no sistema nervoso central que o irradia para todas as células, por meio do sistema endócrino-lógico e do imunológico, dando surgimento ou continuidade à saúde, ao bem-estar, à felicidade…” (pg. 45).

Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, pela questão 135, temos:

“135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?

‘Há o laço que liga a alma ao corpo.’

a) De que natureza é esse laço?

‘Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente’.”

A esse respeito, Allan Kardec comenta: “O homem é, portanto, formado de três partes essenciais: 1º o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2º a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação; 3º o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tal, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.”

Assim, há que se trabalhar o ser integral: corpo, Espírito e perispírito. Seria como dizem os filósofos: uma mente sã para um corpo são, ou “mens sana in corpore sano”, famosa citação de origem latina que sintetizava o significado de uma qualidade de vida.

Carlos Torres Pastorinho esclarece: “Comandando as funções do corpo, a mente estabelece parâmetros que devem ser atendidos, de forma que não haja exorbitância de funções nem desgastes das energias que podem ser canalizadas para outros misteres, inclusive para melhorar a qualidade de vida.” (pg. 25)

Pastorinho acrescenta:

“Todos os tormentos, problemas, dificuldades têm existência na mente e somente nela podem ser equacionados, quando naturalmente considerados e um a um estudados, procurando-se respostas naturais e soluções normais para a equação de todos, o que ocorre em clima de esforço pessoal e reflexão interior. (…)

A mente, em razão da captação do mundo externo, cujas mensagens ficam arquivadas, ora no subconsciente, momentos no inconsciente profundo, conforme o conteúdo de que se constituem, transforma diversas dessas informações em verdadeiros fantasmas que atemorizam o indivíduo, terminando por levá-lo à desesperação. Quanto mais ele busca fugir dessas presenças, utilizando-se de mecanismos escapistas, mais se aturde, porquanto ignorar um problema de forma alguma o soluciona ou evita-o. A única maneira de vencê-lo é por meio do enfrentamento, da batalha inevitável que ocorre no campo mental, interiormente, substituindo tudo quanto é inquietante pelo seu correspondente oposto, tranquilizador, pacificante…”. (pg. 27)

Pastorinho, de maneira clara e simples, explica os mecanismos de como tudo isso funciona:

“A interação mente e corpo físico é indiscutível, porquanto todos os fenômenos orgânicos são resultados das operações dela resultantes. Mesmo aqueles automatistas estão centrados nas suas sedes geradoras.

Os processos mentais ocorrem mediante induções do por meio de ondas específicas, agindo sobre a grande rede neuronial que se encarrega de decodificá-las, tornando-as acessíveis à manifestação emocional, intelectual, verbalizando ou não os seus significados…” (pg. 41).

“O corpo é veículo, portanto, das propostas psíquicas, porém, por sua vez, muitas necessidades que dizem respeito à constituição orgânica refletem-se no campo mental.

Nos transtornos psicopatológicos, manifestam-se torpes somatizações, que decorrem da ansiedade, do estresse, do medo, do ciúme, do ódio, do ressentimento que, constituídos por emoções perturbadoras, provenientes de estados mentais insatisfatórios e primários, refletem-se no corpo físico em forma de ulcerações, distúrbios gastrointestinais, tumores e, normalmente, afetando o sistema imunológico, assim facultando campo para a instalação de processos infecciosos, degenerativos…

De outra maneira, afecções e infecções orgânicas, em razão das toxinas que produzem nos tecidos da aparelhagem fisiológica, igualmente atingem a emoção, produzindo transtornos psicológicos, como depressão, distúrbio do pânico, às vezes atingindo também a mente e empurrando a criatura para distúrbios psicóticos mais graves, como a esquizofrenia, o autismo…

É inegável que esses processos, sejam orgânicos ou emocionais, hábitos morais e cultivo de pensamentos que se instalam, transferem-se de uma para outra existência, gerando os efeitos saudáveis ou danosos que decorrem da sua procedência.

Quase sempre o indivíduo experimenta um sentimento que difere da sua proposta mental e isso responde por distonias que se agravam, transformando-se em problemas. Quando entender que deve viger a harmonia entre o que pensa e o que sente, ou vice-versa, de forma que o enfrentamento existencial seja sempre feito pelos equipamentos mentais, haverá ressonância na constituição emocional. Em decorrência, a mente e o coração estarão funcionando em perfeito equilíbrio.” (pg. 28 a pg. 29)

Pastorinho conclui: “A verdade é que todos se encontram em processo de depuração, e o corpo é instrumento da aprendizagem do Espírito, que dele necessita para aprimorar as virtudes e também para desenvolver o cristo interno, que governará soberano a vida quando superar os impedimentos colocados pelas paixões desgastantes e primitivas. Essa consciência vitaliza o Espírito, que se aformoseia, elegendo a beleza, a arte, a fé religiosa racional e libertadora, a vida em todas as suas expressões, que passa a receber o seu contributo de amor, assim rumando para a felicidade, o Reino dos Céus, que logo se lhe instala no coração e passa a sentir durante o próprio transcurso existencial.” (pg. 30 a pg. 31)

Para tanto, Pastorinho apresenta algumas sugestões para se melhorar a interação corpo-mente:

“Nesse compreender das legítimas necessidades, o ser humano deve mergulhar na meditação, procurando as respostas para as interrogações da sua incompletude, orientação para uma existência enriquecida de conhecimentos, mas também de experiências apaziguadoras.

O relaxamento das tensões constitui necessidade central, iniciando-se pelo repouso físico, prosseguindo por meio da recomposição das forças em agitação, facultando a correta irrigação do sangue, sem contrações musculares nem distensões do automatismo fisiológico resultantes dos hábitos insalubres que se fixaram no organismo.

Por meio do silêncio da mente, que se vai aquietando conforme os pensamentos desenfreados forem sendo eliminados, cedendo lugar a apenas um, que se fixará suavemente nos tecidos sutis da cerebração, o refazimento orgânico e emocional acontece espontaneamente, ensejando renovação interior, motivações novas para avançar na conquista de mais expressivos valores espirituais.

O ser sensorial alcança então o patamar do Espírito que é, passando a captar outros conteúdos em torno da existência humana, assim ampliando a capacidade de sentir e de amar.

Identifica de imediato o amor como sendo a fonte inexaurível de bênçãos, e todo se aformoseia de mais sutis significados, passando à autovalorização, sem as esdrúxulas exterioridades do personalismo, do narcisismo, do egoísmo, que aprenderá a diluir e superar por completo.” (pg. 25 a pg. 26)

“A meditação e a reflexão profunda em torno dessa harmonia contribuirão eficazmente para a preservação da identidade e da realidade pessoal.

Jesus asseverou com propriedade: ‘Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus’, conforme anotou Mateus, no capítulo 5, versículo 8, do seu Evangelho.

Ter limpo o coração significa possuí-lo impecável (impeccabili), sem qualquer pecado ou mancha, tormento ou ansiedade.

Cada vez se torna mais imperioso diminuir o ritmo desnecessário da agitação a que o ser humano se entrega, procurando reunir que pode abraçar, na ansiosa busca das coisas sem valor a que atribui significado, esquecendo-se de si mesmo, o ser profundo e real que é, sempre perdido na periferia das sensações e dos interesses. Surpreendido pelas enfermidades, pelo que se convencionou denominar como dissabor, infortúnio, descobre-se vazio de recursos que o possam auxiliar na conjuntura que lhe parece imerecida ou exagerada suas débeis forças.” (pg. 29 a pg. 30)

Pelos ensinamentos e aprendizados colhidos com essas reflexões, a alma deve conquistar todos os elementos e atributos para se libertar dos sentimentos inferiores, renovar a sua morada e alcançar a verdadeira felicidade, mas para isso precisa dos obstáculos, das exigências e das duras lições que provocam os esforços e formam a experiência necessária para atingir a meta evolutiva.

Nos estágios inferiores da vida, há que se passar pelas provações e expiações da luta do bem contra o mal dentro do próprio íntimo, para se adquirir a conscientização necessária para o pleno exercício do livre-arbítrio e tornar possível o triunfo futuro.

Quanto mais a alma se eleva, mais a dor se espiritualiza e torna sutil. Quanto mais o ser humano se aperfeiçoa, mais admiráveis se tornam os frutos da dor.

O sofrimento na Terra é instrumento de educação e progresso, obrigando os seres a enfrentar diversas situações que contribuem para adquirir a experiência necessária. Sem a dor, como conhecer a alegria; sem a sombra, como apreciar a luz.

A lei dos destinos estabelece uma ordem no mundo moral, cujo mecanismo consiste em que todo mal se resgata pela dor. Por outro lado, todo o bem realizado segundo a lei de Deus proporciona tranquilidade e contribui para a sua elevação. Tudo isso determina as condições do destino de cada ser.

A cada dor que fere, aproxima-se um pouco mais da verdade e da perfeição. Assim, sofremos a ação de uma causa anterior e da lei que preside os destinos das almas, das sociedades e dos mundos.

Todas as nossas vidas são solidárias umas com as outras e se encadeiam rigorosamente. As consequências dos nossos atos constituem uma sucessão de elementos que se ligam uns aos outros pela estreita relação de causa e efeito. Sofremos os resultados inevitáveis.

Pela pluralidade de existências, desenvolve-se o princípio da vida que ilumina as consciências adormecidas. As dores do passado não ficam perdidas. Sob o açoite das provas e do sofrimento intenso da dor, todos sobem e se elevam.

Pela reencarnação, cada ser vem para prosseguir a tarefa de aperfeiçoamento interrompida pela existência anterior. É pela lei do esforço que o Espírito se afirma, triunfa e desenvolve-se. É na Terra onde se travam as batalhas incessantes do bem contra o mal.

Assim, trabalhemos a mente e o corpo, buscando a harmonia necessária para uma vida saudável, de tranquilidade, fé, confiança e esperança em Deus e no Mestre Jesus, diante das provações e expiações a que todos nós estamos submetidos.

O Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Vida feliz”, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, apresentam-nos conselhos valiosos para se viver bem:

“Vive sempre em paz.

Uma consciência tranquila, que não traz remorsos de atos passados, nem teme ações futuras, gera harmonia.

Nada de fora perturba um coração tranquilo, que pulsa ao compasso do dever retamente cumprido.

A paz merece todo o teu esforço para consegui-la”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. VIII)

“Mantém o teu controle emocional em todas as situações.

Sistema nervoso alterado, vida em desalinho.

Se dificuldades ameaçarem o teu equilíbrio, utiliza-te da oração.

A prece é medicamento eficaz para todas as doenças da alma”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. IX)

“Mantém os teus pensamentos em ritmo de saúde e otimismo.

A mente é dínamo poderoso.

Conforme pensares atrairás respostas vibratórias equivalentes.

Quem cultiva doenças, sempre padece problemas dessa natureza.

Quem preserva a saúde, sempre supera as enfermidades.

Pensa corretamente e serás inspirado por Deus a encontrar as soluções melhores.

O pensamento edificante e bom é também uma oração sem palavras, que se faz sempre ouvida”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. XVII)

“Jesus disse: ‘Não se turbe o teu coração’, ensinando que a calma e a confiança em Deus devem ser o lema de toda criatura que deseja encontrar a felicidade. Nunca faltam motivos para preocupações, inquietando o coração, perturbando a vida. A existência humana é uma oportunidade de valorização dos bens eternos e de iluminação íntima. Se colocas as tuas ansiedades em Deus e Lhe confias a tua vida, tudo transcorre normalmente, e, se algo perturbador acontece, a serenidade assume o controle da situação e age com acerto. Deste modo, não te permitas turbar o coração nem a mente, ante as ocorrências malsucedidas”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. LXXXI.)

“Insiste na preservação da tua saúde. Muitas enfermidades têm origem no temperamento desajustado, nas emoções em desalinho, em influências espirituais negativas… A ansiedade, o medo, o pessimismo, a ira, o ciúme, o ódio, são responsáveis por males que ainda não se encontram catalogados, prejudicando a saúde física, emocional e mental. Esforça-te por permanecer em paz, cultivando os pensamentos bons, que te propiciarão inestimáveis benefícios. Conforme preferires mentalmente, assim te será a existência”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. LXXXVI)

“Dosa com cuidado as tuas emoções. Uma atitude afetada é sempre desagradável, tanto quanto o retraimento injustificável é responsável por muitas dificuldades no relacionamento social. A afetação é distúrbio de conduta, e o retraimento é sintoma de insegurança. Auto-analisa-te com carinho e sinceridade, buscando superar as ansiedades e os temores que respondem pelo teu comportamento. Atitudes tranquilas são resultado de realização íntima, que somente conseguirás mediante exercícios de prece, paciência e meditação. Assim, o controle das tuas emoções se fará possível”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. CXLI)

“Controla a tua ansiedade. A ansiedade mal dirigida produz danos orgânicos de variada classe e gera mal-estar onde se apresenta. Irradia uma onda inquietante e espalha insegurança em volta. A pessoa ansiosa requer mais atenção, que nem sempre se lhe pode dispensar; está sempre queixosa e acarreta problemas para as demais. Vê o que ainda não está ocorrendo e precipita-se a situações indesejáveis, para arrepender-se depois. A calma é o abençoado antídoto da ansiedade, que advém quando desejas esforçar-te para viver em paz e confiança em Deus”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. CLXXVIII)

“Nestes dias agitados a angústia caminha com o homem, disfarçada de medo, de ansiedade, de sentimento de culpa. Naturalmente, as pressões a que a pessoa está sujeita respondem por tal situação. A ansiedade pelo prazer exorbitante frustra; os fatores agressivos amedrontam, e a timidez encontra uma forma de levar ao complexo de autopunição. Afasta da mente esses fantasmas responsáveis por males inumeráveis. És filho de Deus, por Ele amado, que te protege e abençoa. Não te afastes das Suas Leis e se te enganares, ao invés de te entregares a conflitos desnecessários, retorna ao caminho do dever, sem receio algum”. (Joanna de Ângelis. Vida feliz. Cap. CLXXXVII)

Bibliografia:

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); na psicografia de Divaldo Pereira Franco. Vida feliz. 18ª Edição. Salvador/BA: LEAL, 2020.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

PATORINHO, Carlos Torres (Espírito), (psicografado por) Divaldo Pereira Franco. Impermanência e Imortalidade. 5ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

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